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OS SEGREDOS DE CITY STELIVY

OS SEGREDOS DE CITY STELIVY

Projeto Sonhar

4.7
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638
Leituras
5
Capítulo

Em Stevily City fica a Academia dos Arcanos Místicos, uma universidade que recebe alunos humanos e seres místicos, como vampiros, bruxos, semideuses e outros híbridos. Os alunos têm seu destino conectado quando eventos estranhos começam a acontecer no 'campus' universitário, forçando esses personagens a tomarem uma atitude contra o que parece ser uma facção maligna conectada a eventos do passado. ( Essa obra está sendo escrita pelo membros do projeto sonhar, quem quiser saber mais entre em contato: @projetosonhar) Capitulo um: (Escrito por todos os autores e seus respectivos personagens, adaptado por Karol e DD Seven, baseado na Sessão de RPG do Projeto Sonhar em 20 de abril de 2021.) Capitulo Dois: (Escrito por DD Seven (Wei), Hellen (Bomani) e Mila Costa (Dominic), adaptado por DD Seven, baseado na Mini-Sessão de RPG do Projeto Sonhar em 21 de abril de 2021.) Juntos, os personagens deverão desvendar os mistérios por trás dos acontecimentos misteriosos, localizar os culpados e impedir a força oculta que parece estar jogando com eles. Essa história é baseada e escrita por diversos autores, personagens de um RPG do Projeto Sonhar.

Capítulo 1
🎲 Capítulo 01

A cidade sempre parecia calma, com 10.000 habitantes, era difícil fazer qualquer coisa sem ser descoberto. Era o primeiro dia de aula e todos estavam no Átrio principal da Academia de Arcanos Místicos.

Havia uma mesa de banquete servindo muitos petiscos doces e salgados, além de bebidas à vontade. Sem teor alcoólico. A Comemoração de Abertura e Volta às Aulas era uma celebração tradicional. Ocorria em um ambiente acadêmico perfeito para conhecer os professores, rever amigos, enfim, uma celebração onde calouros e veteranos se encontram.

O local estava cheio, mas com espaço suficiente para circular e conversar. Não haviam cadeiras ou sofás, entretanto!

As aulas estavam começando e os estudantes resolveram fazer uma segunda festa de Boas-vindas no 'campus' de Stelivy, sem a supervisão dos professores. Os alunos fizeram um convite secreto para despistar os professores. A cerimônia teria que ser realizada no porão da universidade, pois era o único lugar que tinha espaço suficiente para acontecer um evento como aquele. E não transmitia o barulho que vinha de baixo.

Luz era aluna veterana na Universidade, mas gostava de socializar e conhecer novas pessoas. Seus cabelos loiros escuros estavam em um penteado solto, descendo pelos ombros em leves ondulações, mas eram seus olhos incrivelmente brilhantes e azuis que mais chamavam a atenção.

Passou para dentro do salão trajando um vestido preto que realçava lindamente seus olhos intensamente azuis. Esquadrinhou ao seu redor, irritada por conta da aglomeração:

— Cadê o supervisor? Este lugar está um caos!

— Se você está buscando ordem e supervisão na Academia de Arcanos mistos, definitivamente está num lugar errado. — Kayron murmurou se postando ao lado de Luz, equilibrando uma taça em uma mão e um livro na outra. Procurando um assento tranquilo que ali naquele banquete não existia. O Rapaz trajava calças pretas de linho, uma camisa de gola alta e de mangas compridas de veludo preto, com uma insígnia em forma de uma pequena cruz branca no meio do peito, e uma capa vermelha feita de cambraia e ligas de ferros.

Kayron lembrou que viu uma moça de roupa preta e crachá, há instantes, que estava desorientada perguntando "Posso ajudar?" para quem passasse ao lado dela e que tinha muitos panfletos na mão. Ele não sabia que ela estava assim para não chamar atenção dos professores.

Luz riu sarcástica levando os fios lisos para trás da orelha.

— Eu não procurava por uma resposta, mas aprecio sua comoção... — Luz finalizou com um murmúrio áspero se movendo para uma das cadeiras vazias próximo ao tablado.

O aluno veterano Dominic observou com atenção, aquela confusão, cumprimentou alguns de seus novos companheiros de universidade e se afastou do local, estava se sentindo claustrofóbico com toda a situação.

O rapaz de cabelos claros se moveu com agilidade digna de um guerreiro, mas tinha a habilidade de camuflar-se nas sombras e passar despercebido até pelos mais atentos colegas. Ele era como um ninja, mas usando um terno preto social com um peitoral de couro semelhante a uma armadura com uma capa cobrindo os ombros.

No outro lado do salão Kayron assentiu para si mesmo.

— Novatos! — Ele disse a palavra com acidez. Em seguida desviou de uma costela de porco que voou próximo a sua cabeça, e sem qualquer motivo aparente, se dirigiu à agitada garota que ainda distribuía energicamente os panfletos.

A moça que estava distribuindo os panfletos entregou um para Kayron. Ele leu cuidadosamente o que pareceu ser um itinerário comum, até perceber letras miúdas: "Festa no porão, bebida grátis". Ele apenas sabia que isso estava errado, festas com bebidas alcoólicas são proibidas no Campus. "Só podem ser aqueles lobisomens fedidos de novo..."

A moça ainda piscou se interessando por Kayron o achando um rapaz de aparência acima do normal. Ele era um rapaz muito bonito, de pele negra e cabelos brancos, com olhos sobrenaturalmente dourados, chamava bastante atenção para si.

— Te vejo lá? — Ela perguntou.

Ele confirmou com um sorriso discreto, e foi para um lugar mais calmo, ele tinha um objetivo essa noite, nada podia o distraí -lo.

De longe, Safira observava uma movimentação na frente do Campus. Ela colocou os óculos na cabeça e foi ao encontro da multidão.

— Olha... Olha uma festa proibida. Aposto que terá muitos corpos para eu me deliciar. — Falou pegando o papel de maneira nada educada. Piscou para Kayron, indo até suas amigas.

— Não acredito que ela vai nessa festa. — A morena de olhos azuis disse revirando os olhos.

— Ela acabou de chegar, mas é a garota mais popular da universidade, óbvio que ela vai, o pai dela é praticamente o dono dessa cidade. — Um rapaz alto e bonito comentou, passando por ela.

Safira era considerada a de beleza mais extravagante do Campus pelos garotos heterossexuais e, em simultâneo, uma vadia desgraçada, pelas garotas invejosas e heteronormativas.

Jovial em seus 18 anos, dona de olhos grandes castanhos claros, morena, com cabelos brancos cacheados, seu rosto redondo era perfeito, possuindo algumas sardas espalhadas pela sua face.

Ela se afastou rapidamente, saindo do Átrio pela porta da frente.

— Você vai né? — Algumas calouras e veteranas mais jovens se aproximaram de Kayron e perguntaram animadas.

Kayron deu um meio sorriso.

— Eu não sou de festas, mas posso me esforçar — Ele se afastou novamente pensativo. Não, definitivamente ele não iria à festa.

Kayron estava sendo a atração do momento de novo. Todas as garotas que não fossem lésbicas queriam conhecê-lo e saber quem era o rapaz tão bonito e tímido.

"Droga, lembrei que terei que ir nessa festa ridícula, maldita hora que fui me disfarçar de aluno. Não imaginei que eles fariam uma festa onde eu escondi minhas coisas."

Kayron, mesmo tendo chegado há poucos dias na cidade, conseguiu um trabalho de meio período como ajudante na biblioteca e sempre ajudava a limpar o porão nas suas folgas. Ele logo chamou a atenção dos alunos calouros e veteranos no Campus.

Naquele momento, ele não queria pensar em seu azar, apenas precisava chegar ao porão antes desses pirralhos – era assim que ele os chamava, esquecendo de que havia disfarçando-se com a aparência de um deles.

Ele havia escondido um objeto misterioso numa parte falsa da parede do porão, motivo que o fez mudar de ideia e fingir ser um rapaz normal de 18 anos. Pelo menos naquela noite ele não agiria como um vampiro velho que sempre se esconde em uma caverna. Ele teria que ir à maldita festa e resgatar o importante objeto. Só os deuses saberiam o que os lobisomens idiotas fariam com aquilo.

Quando ele saiu do Átrio indo em direção à festa, contornando pela lateral, avistou uma professora o observando.

Com os cabelos ao vento, Cassandra era uma professora de Artes Mágicas, belos cachos que desciam até suas costas, de olhos verdes de fúria, ela vestia uma camiseta branca social por baixo de uma jaqueta preta, e uma calça apertada desenhando suas curvas. Cassandra era bastante séria e observadora, fingia não prestar atenção no que estava acontecendo. Seus olhos foram atraídos por um dos seus novos alunos, Kayron que parecia estar agindo estranho.

Encostou-se no muro e abriu um dos botões da sua camisa, colocou uma bala na boca, enquanto observava que os alunos estavam em cochichos.

Mas ela estava mesmo interessada em Kayron, que achava bastante suspeito.

🩸🩸🩸🩸

O porão estava cheio e barulhento, como era possível acontecer uma festa com bebidas alcoólicas, alunos fumando, dançando libertinamente dentro da renomada Universidade de Stelivy, sem supervisão nenhuma. Será mesmo que os professores não sabiam?

Logo na entrada era possível ver Wei Zhou apoiado em sua bengala de madeira, determinado a entrar na festa. Ele era um homem de quase trinta anos, alto, medindo 1,81 m, de família chinesa.

"Dessa vez não passa", o homem de cabelos ondulados e na altura do ombro, presos em um coque, pensou. O problema foi que não conseguiu dar um passo e atravessar a porta da festa.

Uma graduação não havia sido o suficiente para livrá-lo de sua fobia social, mas agora Wei tinha uma segunda oportunidade para fazer tudo dar certo: ser corajoso, conhecer pessoas, fazer amigos... "Não pode ser tão difícil!"

Ele queria muito entrar, mas seu corpo não obedecia.

"Além disso, se eu entrar é capaz que estrague a festa."

Outros iam passando pelo homem de suéter cinza de gola alta e que segurava uma bengala de madeira. Todos eram mais corajosos do que ele.

Cassandra observou os alunos entrando no porão animados.

"Hummm. Então as crianças estão curtindo! Entres eles, deve estar quem está com adaga do meu clã. Preciso entrar nessa festa de qualquer jeito e descobrir mais sobre cada um desses alunos." Pensou.

Deu um sorriso, enquanto utilizou seus poderes para trocar de roupa por um vestido preto ousado para ocasião.

"Tenho que encontrar uma maneira, afinal não penso que os professores foram convidados."

No interior do porão, um grupo de lobisomens estava jogando strip poker com algumas belas ninfas, uma multidão ao redor deles. Na mesa de madeira escura cheia de cartas, dinheiro e bebidas, apenas uma pessoa continuava bem vestida, sem ter perdido uma peça de roupas... Essa pessoa era bem suspeita! Uma mulher, que estava bebendo uísque, rindo e se divertindo muito.

Ela não percebeu os olhares que suspeitavam dela, os jovens que pouco a pouco tinham seus destinos cruzados.

Sem perceber a aproximação deles, a bela e suspeita mulher se inclinou para um dos rapazes lobisomens de maneira 'sexy', fungando o ar ao redor. Uma luz branca como fumaça saiu do corpo dele, entrando pela boca da mulher. Os olhos dela brilharam vermelhos revelando ser uma succubus, ou mais precisamente: um demônio que se alimenta da energia sexual, podendo levar inocentes à morte.

Aquela mulher absorveu energia na frente de ninguém menos que Bomani, discípulo de uma Seita dos Tigres, que cuidava da ordem dos seres do Submundo, conhecida por assassinar demônios diversos que saiam da linha e matavam desenfreadamente. Ele era visto pela sua seita como manipulador, egocêntrico, observador e ágil. Sempre concluía suas missões com perfeição.

No instante em que reconheceu as intenções malévolas da mulher, Bomani pensou consigo mesmo:

"Um demônio! Eu sabia que precisava vir para estar festa ridícula, esses nojentos não perdem uma oportunidade!"

Bomani analisou a situação, sozinho e ponderou:

"O melhor será tirar a atenção dela do lobo... Não vou envolver ninguém, preciso deixar com que ela realmente pense que quero algo com ela. Se eu a prender em um lugar sem acesso a nada ela morrerá sozinha já que não terá sexo ou alimento humano"

Bomani, mesmo sendo gentil, humilde, justo e determinado, era visto por muitos como um 'gatinho manso', mas sempre lutava com destreza e precisão. Ele era um rapaz justo, com uma missão. Ele estava camuflado naquela festa de universitário, vestindo um jeans de lavagem escura e um cinto com um compartimento para as agulhas em sua bainha, que mantinha a espada segura e junta de seu corpo, tendo somente uma camisa laranja clara cobrindo o peitoral.

Nessa cidade, não havia problema em usar armas mágicas, afinal, somente os seres místicos poderiam atravessar o Manto e enxergar o que realmente havia por detrás das aparências.

Quase simultaneamente, Cassandra reconheceu aquela mulher: era Nazira, uma professora cujos boatos são de que vem colecionando processos e reclamações de alunos, acusando-a de se aproveitar deles.

— Professora, você aqui? — Uma aluna loira, que estava beijando um garoto perto do balcão, se assustou ao perceber a presença da professora.

Cassandra piscou para a garota, colocando o dedos nos lábios fez sinal de silêncio.

— Esse será nosso segredinho. — Ela sussurrou, mostrando um sorriso malicioso, a garota balançou a cabeça concordando rindo.

Cassandra tomou um gole da bebida deles e sumiu entre a garotada animada da festa.

🩸🩸🩸🩸

Dominic procurou um local, onde pudesse ter uma ampla visão do que estava acontecendo naquele porão agitado e turbulento. Ele observou de longe uma mulher percebeu rapidamente que na roupa daquela mulher havia um broche com o mesmo símbolo relacionado a um ataque que dizimou a existência de todos os homens em um vilarejo rural. Havia alguns anos que ele estava perseguindo aquelas pistas e finalmente encontrou algo de concreto!

Dominic percebeu Cassandra, mas sua atenção ficou presa no broche de Nazira:

— ...esse broche não é estranho. — Murmurou para si mesmo, sentindo-se um pouco confuso.

Resolveu chegar mais perto para ver melhor, confirmando a origem do símbolo:

"É aquele símbolo, o mesmo símbolo que encontrei naquela noite!" Sua respiração foi falhando e raiva vai consumindo o seu ser.

Enquanto caminhava até o demônio, Bomani apalpou os bolsos. Sempre preparado para defender a ordem do Submundo, carregava uma pequena algema mágica que seria capaz de prender a Succubus, mas havia um porém: aquele artefato místico só funcionaria uma única vez, precisaria ser usado com cuidado.

Ao mesmo tempo, Dominic percebeu que Bomani estava se movimentando com suspeita.

"Ele pode estar armado." Pensou.

Bomani, que estava atento ao movimento ao seu redor, viu um homem asiático se aproximar, seus olhos em fúria raivosa direcionada para o demônio de broche e sorriso sensual.

"Não pode haver erros, obviamente pegar demônios não é tarefa fácil e rápido, se eu deixar aquele cara se aproximar mais, pode estragar tudo!" Bomani pensou procurando se manter são em um momento tão tenso para si.

Kayron, que já estava no porão barulhento, não estava alheio à comoção devido à succubus que estava prestes a estourar em meio à festa.

"Preciso ser rápido" Pensou com urgência.

Com a discrição de um goblin ladrão, ele se esgueirou até os fundos. Apalpou uma leve protuberância na parede, um compartimento se desprendeu, revelando um punhal cuja lâmina era rubra como sangue fresco.

Ao ser tocado o punhal emitiu um som horrível, fatal para os ouvidos dos mais fracos, mas ele rapidamente envolveu o punhal nas suas vestes e o som gritante foi abafado.

Felizmente a algazarra infernal da festa não deixou ninguém ouvir um punhal gritar. Seria difícil explicar por que aquilo aconteceu.

Aquele momento não escapou aos olhos de Cassandra. Ela sabia que o punhal e a adaga de sua família eram o mesmo objeto, mas que ele mudava de forma conforme o portador. Por que Kayron estava de posse dele?

Sumiu irritada na multidão.

Pelo outro lado, Safira apareceu, caminhando ousadamente até Kayron antes que ele pudesse se virar. Ela percebeu que ele escondia algo em suas vestes e se aproximou.

O sorriso no rosto de Safira era incapaz de esconder seu interesse por Kayron:

— Oi gatinho. — Ela provocou, encostando na parede, mordendo os lábios.

Dominic estava pronto para atacar a succubus. Sua raiva ia aumentando mais e mais, consumindo a aura de felicidade das pessoas a sua volta. Ele envolveu a mão no cabo de sua espada mágica escondida nas sombras de sua roupa, preparando-se para sacá-la.

Mas naquele instante, Safira estava sorrindo na frente de Kayron, esperando uma resposta.

— Oi? — Kayron gaguejou, tentando saber onde estava o maior perigo; no punhal que ele tentava esconder, na succubus de aura maligna ou na garota provocante à frente dele.

Ele era um semideus recluso que usava uma identidade falsa. E mesmo que quisesse correr para longe daquela maré de estudantes bêbados, Kayron precisava manter as aparências. Se saísse sozinho, pareceria muito suspeito. Ele sabia que a professora Cassandra o estava observando há vários minutos, mas não queria dar sinais de ter percebido e isso definitivamente era mau. O certo seria observar o desenrolar daquela festa, e na pior das hipóteses, recorrer ao punhal carmesim.

Kayron abriu um sorriso torto para Safira:

— Me acompanha numa taça?

— Claro. — Safira aceitou, segurando em seus braços. — Você é novo, né? Por que não vi um gato como você por aqui...

Safira não recebeu resposta.

Dominic perdeu a paciência, tentou ao máximo manter o seu último fio de sanidade, caminhando pesadamente em direção àquela succubus.

Bomani percebeu o movimento brusco, em seu cinto havia um compartimento que abrigava agulhas paralisadoras, pegou uma e atirou certeiramente em Dominic, realizando uma tentativa de impedir que a succubus fosse atacada de repente, o que seria péssimo,

Sentindo um assovio sombrio, Dominic foi rápido para perceber que agulhas perigosas foram atiradas em cima dele e também identificou de que direção vieram os ataques.

— Ops! Kayron. — Safira parou assustada. — Parece que está acontecendo algo estranho aqui. — Comentou observando um rapaz que estava ameaçando outro.

As adagas voaram no ar, Dominic pensou rápido. Ele sacou sua espada e woooosh!

As agulhas foram desviadas com maestria.

— Quê? Por que você fez isso? — Dominic olhou para Bomani. Raiva estava fluindo de seus olhos.

🩸🩸🩸🩸

Luz deslizou as mãos pelo vestido preto de cetim, estufando o peito com um suspiro cansado. Ela estava no Átrio, acompanhando a movimentação de pessoas, perdida... Quando foi em busca de uma bebida forte para matar o tédio, percebeu haver apenas um coquetel de frutas sem álcool.

Duas moças se aproximaram de Luz, uma delas está segurando o panfleto e diz:

— Nossa, sem álcool? Que absurdo, é por isso que no porão estão fazendo uma festa.

— Shhh! Fale baixo, é clandestina, se o diretor ouvir, estamos com problemas!

Luz percebeu que há outra festa, que parece mais interessante.

Ela cruzou os braços deixando a bebida de lado, apoiando-se e na mesa. Observou às duas garotas, atenta às suas falas. Desviou o olhar, quando uma delas ri baixo e olhou para uma estreita porta que dava acessos às escadas de emergência.

— Nem se vocês falassem em sussurros, esconderiam a satisfação em falar sobre essa tal festa! — Resmungou.

Elas abaixaram o olhar e abriram espaço. Caminhou tranquilamente porta à dentro sendo envolvida por uma escuridão até chegar em outra porta.

Empurrou a porta dando de cara com um rapaz de suéter cinza que parecia ligeiramente entediado apoiado em uma bengala de velho. Decidiu ignorá-lo sendo atraída pela movimentação.

Apenas passou pelo rapaz, quando viu a confusão que desenrolava na festa.

Luz sentiu uma perturbação na mente, como se uma série de vozes falassem em simultâneo. A dor foi tão intensa que por alguns segundos ela sentiu que seus olhos fossem derreter.

Sem forças se rendeu ao chão em uma escuridão comum.

🩸🩸🩸🩸

No porão a confusão continuava:

— Eu não sei se você percebeu, mas aquilo ali não é um ser qualquer para você atacar como bem entender — Bomani se aproxima de Dominic — É um demônio sexual e é bem mais forte do que pensa.

— Essa... essa demônia está com um broche com mesmo símbolo que achei quando mataram meus companheiros, preciso descobrir da onde ela veio — Diz Dominic enquanto se aproxima de Bomani.

Eles ficaram frente a frente se encarando.

— Resolva suas pendências depois, não pode agir de qualquer jeito perto de seres demoníacos. — Bomani resmungou para o asiático na sua frente.

🩸🩸🩸🩸

Kayron assentiu para Safira:

— O homem não é o verdadeiro problema. — Kayron estalou os dedos e o gesto soou como uma ventania.

Pelos menos três esqueletos humanos emergiram, destruindo o chão e se prenderam à succubus. Eles a envolveram, formando uma prisão bizarra de ossos.

Kayron se curvou para o pescoço de Safira e sussurrou em seu ouvido num tom conspiratório:

— Você não viu nada. É o nosso segredinho.

Safira sorriu para ele, piscando. Ela observa a pulsação de Kayron, seus olhos vão direto em seu pescoço passando a língua pelos lábios antes de dizer:

— Gostaria de experimentar algo hoje, mas podemos deixar para outro momento.

🩸🩸🩸🩸

Wei estava há muitos minutos hesitando adentrar o porão quando uma mulher de intensos olhos azuis e um vestido cetim preto cruzou o corredor e atravessou em sua frente.

Um som de ventania soou estridente e três ossadas humanoides formaram uma prisão de ossos em volta de uma professora que estava há horas jogando strip poker com alunos.

A bela mulher de olhos azuis foi afetada pela onda sonora e desmaiou. Sem pensar no que fazia, Wei reagiu ágil como um soldado, agarrando-a por instinto. Sua bengala de madeira caiu no chão, mas o barulho foi quase metálico.

Ele deu um passo para frente, entrando no porão por acidente. Na parede, bem ao seu lado, uma caixa de som começou a zumbir afetada pela estática descontrolada que desprendia de seu corpo.

Raios elétricos percorreram queimando todos os seus músculos, causando uma fraqueza súbita em sua alma e um quase parar nas batidas do seu coração. Wei sentiu dor, mas era incapaz de controlar o surto elétrico.

As caixas de som explodiram uma a uma, soltando faíscas.

As luzes se apagaram resultando em um intenso corte de energia.

Os alunos do 'campus', que eram humanos, se assustaram. A Festa virou um caos de gritos estridentes e xingamentos. A correria desenfreada desaguou na direção da porta de emergência atrás do bar.

Devido ao curto-circuito no sistema elétrico, luzes laranjas de emergência se acenderam, depois se apagaram e ficaram piscando intermitentes.

🩸🩸🩸🩸

Enquanto a confusão se desenrolava na festa, o professor Valério, que lecionava aulas de Sociologia Interespécies, foi imediatamente atraído por uma mudança energética no ambiente.

Seus olhos viraram, ele quase derrubou sua bebida não alcoólica, enquanto confraternizava com colegas de profissão de maneira aleatória. Ele até sabia da existência da festa clandestina no porão, mas não havia se importado com ela, pelo menos, não até agora.

Sendo um vampiro muito poderoso, locomoveu-se com velocidade ímpar e chegou ao porão rapidamente.

— Tem alguém aí?

O corredor estava escuro, já sem alunos, mas um grunhido forte era possível de ser ouvido. Ele viu uma mulher desmaiada nos braços de um rapaz de suéter cinzento, pensou em ajudá-los, mas percebeu haver um problema ainda maior.

A professora Nazira estava transformada em um demônio, com garras nas mãos, chifres e um rabo em formato de seta. Seus cabelos mudaram para uma careca e seu rosto esgrouviado em uma careta feia.

Valério reconheceu a forma daquele demônio: uma succubus.

— Fique aqui com ela. — O Professor ordenou, passando para dentro do porão, onde mais pessoas se preparavam para uma batalha.

Em mesmo instante, Luz franziu o cenho sentindo seu corpo se mexer como se saísse do transe.

Com certo pesar ela conseguiu abrir os olhos azuis, dando de cara com um belo homem de suéter cinza, que parecia a ponto de entrar em combustão.

Seus pensamentos estavam desconexos. Com um fio de razão qualquer, ela perguntou:

— Quem são essas pessoas? O que aconteceu com você...?

Correndo com o mar de pessoas fugindo da confusão, Safira desapareceu na escuridão. Enquanto passou por Luz, pensou: "Ela cheira humana, mas não parece ser uma."

— Consegue ficar em pé? — Wei perguntou à bela moça em seus braços, ele tentou se levantar, mas não conseguiu, caindo para trás.

— Que patético, você perdeu as forças?

— Patética é você, desmaiando do nada no meio de uma situação dessas. — Respondeu como se estivesse bravo, mas acabou rindo de si mesmo e ficando em pé.

— O meu nome é Luz. — Sentada no chão, Luz tateou pegando a bengala, antes de segurar na mão do rapaz e se levantar.

Ele cambaleou um pouco com o peso extra, mesmo tendo braços fortes, como ela pôde perceber.

— Eu me levanto sozinha! — Luz enfureceu-se e ficou em pé com um salto acrobático.

— Eu sou Wei.

— Sua bengala, Patético Wei. — Ela olhou para suas pernas, reparando como ele evitava apoiar o peso do corpo na esquerda, nitidamente com sequelas de algum acidente.

Então era esse o problema? Ele tinha um joelho fraco.

— Obrigado, Patética Luz.

Por um instante os dois pensaram em seguir a multidão e dar o fora dali, mas Cassandra que vinha correndo na direção oposta os empurrou para dentro da sala de novo, sem querer:

— Saiam da frente!

Ela colocou a mão na cabeça e olhou fixamente para a Succubus à sua frente, bem alimentada e poderosa. Seria difícil vencê-la sozinha.

🩸🩸🩸🩸

Quando as luzes apagaram, o porão ficou entregue à escuridão sombria. Dominic se assustou com o barulho, as resolveu invocar o mundo das sombras para ajudá-lo a enxerga melhor.

— Saiam da frente! — Ele escutou uma voz feminina.

Cassandra tentou usar seus poderes e matar o inimigo apenas usando o pensamento, criando uma ilusão mortal.

Ela sabia que na maioria das vezes sua ilusão era tão poderosa que pode confundir a mente do alvo fazendo-o acreditar que realmente morreu, a succubus poderia até morrer, mas ela estava bravamente resistindo ao ataque.

Dominic conseguiu localizar com perfeição a Succubus. Ela estava sofrendo um ataque poderoso de Cassandra, gritando com dor. Sua aparência já era outra, refletindo o demônio maligno em seu interior.

"É o momento perfeito para unir forças em um ataque! A Succubus não parece ser capaz de se livrar de uma ilusão de morte." Dominic pensou.

Ele se moveu com rapidez e com sua espada apunhalou a Succubus pelas costas.

Um grito estridente de fazer tremer as paredes ressoaram.

Do outro lado, Valério atacou aquele demônio transformando-se em vampiro e mostrando suas presas. Deu uma mordida letal e venenosa na Succubus, deixando-a mais desnorteadas. Ele finalizou o ataque desferindo um golpe cruel, enfiando os dedos pelos olhos dela, até que explodiram com sangue.

— Quero ver qual energia sexual você vai poder vê neném — Valério se afastou, deixando-a cair de joelhos no chão.

Lambeu os dedos absorvendo a força poderosa do sangue de um demônio. Seu corpo ficou intensamente energizado.

Tudo que vinha à mente de Bomani era o quão irresponsável foram as ações passadas. Sabendo que somente um ataque de espada não seria suficiente, ele se livrou da sua, podendo usar então seu Fogo do Tigre, logo depois que o asiático se distanciou do demônio após realizar o ataque.

Kayron esquecido totalmente da própria regra de agir com discrição! Ele manipulou a escuridão presente no recinto e criou uma espada de pura energia sombria, com a qual desferiu um único golpe no estômago da succubus. Deu um salto e se afastou, misturando-se às sombras.

Aquele único ferimento feito pela espada de escuridão seria o suficiente para drenar gradualmente a vida do demônio. Suspirou, amaldiçoando a si mesmo por não ter deixado aquele problema para os estudantes metidos a serem heróis que também estavam no local.

A Succubus acabou sofrendo as mais diversas categorias de ataque. A junção de poderes foi imensa e o local ao redor dela explodiu soltando uma nuvem cinzenta de poeira.

Percebendo o perigo, Wei lutou contra sua fobia social, abraçou Luz protegendo-a:

— C-cuidado!

Os dois caíram e rolaram pelo chão, escapando dos destroços, Luz encolhida, com as mãos nuas contra a pele fria do pescoço de Wei.

Luz pensou em se levantar e procurar algo com o qual pudesse auxiliar no ataque, mas de repente sua mente foi inundada com memórias que não são dela... Nessa memória, ela percebeu-se em um acidente doméstico, conseguiu inclusive sentir a dor no joelho esquerdo com força, raios elétricos voando para todos os lados e culminando com a explosão no apartamento.

Ela viu seu reflexo dos pedaços de vidro da janela, caindo... não era o seu rosto, mas o de Wei.

Espasmos cobriram o seu corpo, ela sentiu a mesma dor que ele sentiu naquele dia, em um passado distante em sua vida.

Como ela foi capaz de sentir isso? De absorver aquelas memórias com um simples toque?!

Diante de todos a Succubus desapareceu, provavelmente desintegrando-se. Apenas um buraco de destroços muito fundo ficou no porão.

🩸🩸🩸🩸

Juntos, o grupo de heróis saiu do porão buscando ar limpo.

— É isso? Acabou? — Bomani analisou o local, ainda a espera de que a Succubus de repente ressurgisse, ou coisa parecida.

— Novatos! —Kayron ainda provocou.

De longe, Cassandra se certificou de que o demônio havia sido por completo dizimado. Ela não falou nada com ninguém. Estendeu a mão e usou bastante energia para utilizar seus poderes para apagar a memória dos humanos do Campus e esconder da existência de toda a cidade um problema tão grave.

Esgotada, sem poderes restantes, nada sobrou à Professora senão subir em sua motocicleta e sair pela rua.

Na cena, ainda restaram apenas Wei, Bomani, Luz, Kayron, o professor Valério e Dominic, com suas memórias intactas... Olhando para Cassandra indo embora em sua moto.

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