TOPO
No nosso décimo aniversário de casamento, preparei o jantar preferido do meu marido, Pedro. Bife mal passado, exatamente como ele gostava. Mas ele não apareceu. O telefone tocou incessantemente. Quando ele finalmente atendeu, não foi a voz dele que ouvi. "Olá? Quem fala?", uma voz sonolenta e familiar perguntou. Era Sofia, a sua assistente. E então, ela chamou-o de "querido". Ele esqueceu-se. Não só do nosso aniversário, mas de mim. Ligou-me na cara, chamando-me de dramática, enquanto a sua amante estava no mesmo quarto, talvez na mesma cama. No dia seguinte, na empresa, vi a cena com os meus próprios olhos: o olhar dele para ela, o pânico quando nos viu, e a forma como a Sofia, com um sorriso cínico, insistiu que almoçassem todos juntos. Ouvir a Sofia em sussurro, perguntar: "Ela sabe?", e a resposta dele, ainda mais baixa, "Acho que sim," partiu-me o coração. Mas foi a pior parte. Chegou a casa e admitiu tudo, pedindo mais uma chance, dizendo que me amava. Mas quando pedi o divórcio, ele, o homem que jurei amar, recusou-se a assinar os papéis. Ele estava a contestar a divisão dos bens, a alegar que eu não merecia quase nada. Ele, que disse amar-me, queria ver-me sem um tostão, inclusive ameaçando a herança do meu pai. O vazio deu lugar à raiva fria. Ele quer uma luta? Ele vai ter uma.
No nosso décimo aniversário de casamento, preparei o jantar preferido do meu marido, Pedro. Bife mal passado, exatamente como ele gostava. Mas ele não apareceu.
O telefone tocou incessantemente. Quando ele finalmente atendeu, não foi a voz dele que ouvi. "Olá? Quem fala?", uma voz sonolenta e familiar perguntou. Era Sofia, a sua assistente. E então, ela chamou-o de "querido".
Ele esqueceu-se. Não só do nosso aniversário, mas de mim. Ligou-me na cara, chamando-me de dramática, enquanto a sua amante estava no mesmo quarto, talvez na mesma cama. No dia seguinte, na empresa, vi a cena com os meus próprios olhos: o olhar dele para ela, o pânico quando nos viu, e a forma como a Sofia, com um sorriso cínico, insistiu que almoçassem todos juntos.
Ouvir a Sofia em sussurro, perguntar: "Ela sabe?", e a resposta dele, ainda mais baixa, "Acho que sim," partiu-me o coração. Mas foi a pior parte. Chegou a casa e admitiu tudo, pedindo mais uma chance, dizendo que me amava. Mas quando pedi o divórcio, ele, o homem que jurei amar, recusou-se a assinar os papéis.
Ele estava a contestar a divisão dos bens, a alegar que eu não merecia quase nada. Ele, que disse amar-me, queria ver-me sem um tostão, inclusive ameaçando a herança do meu pai. O vazio deu lugar à raiva fria. Ele quer uma luta? Ele vai ter uma.
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Moderno
No salão principal, em meio ao cheiro denso de lírios, meu pai, o maior jogador do Brasil, jazia em seu caixão de mogno, uma estátua de cera do que foi. Bem no meio do nosso luto, uma porta se abriu com um estrondo, e uma mulher em um vestido vermelho, excentricamente grávida, irrompeu na mansão. Ela parou ao lado do caixão e, para o horror de todos, anunciou aos berros para o mundo: "Eu sou Sofia, e estou carregando o filho dele!" A humilhação pública era inominável; minha mãe desabou em descrença, enquanto eu sentia um terror gelado: meu pai era estéril, eu sabia porque era adotada! Com uma lâmina e um grito teatral, Sofia forçou o ultimato: "Reconheçam-me ou a verdade sobre a 'esterilidade' de seu pai será revelada no enterro, destruindo-o para sempre!" No cemitério, em um ato inominável de profanação, ela se jogou no túmulo aberto, rasgando as vestes de meu pai para expor uma cicatriz, gritando: "Essa é a prova de que sua mãe o atacou por ciúmes, é por isso que ele a odiava!" A mentira era tão cruel, tão grotesca, que o estuque se formava em minha garganta. No auge do meu desespero, cansada de ser humilhada, enfiei à boca e declarei à multidão e às câmeras: "Essa cicatriz é de uma vasectomia de quando ele tinha 19 anos, meu pai nunca pôde ter filhos, eu sou adotada!" A farsa de Sofia desmoronou, mas o Dr. Ricardo, rival de meu pai, transformou a revelação em um escândalo financeiro chamando meu pai de fraudulento, querendo usurpar nossa fortuna. Quando a situação parecia um novo desastre, o "Padrinho", o respeitado e temido chefe da máfia e padrinho de meu pai, surgiu. Com uma calma assustadora, ele revelou fotos e áudios que provavam que o Dr. Ricardo havia orquestrado tudo, usando um sósia de meu pai para enganar Sofia e roubar seus pertences, tudo para destruir a família. Ali, em meio ao caos, a verdade se tornou minha única arma, encerrando a guerra em nome do meu pai e nos tornando os sobreviventes de uma batalha pela honra.
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Bilionários
Como uma bomba, a notícia explodiu na festa mais luxuosa da cidade. Eu estava lá, Sofia Mendes, a estilista do momento, a "filha da sorte" que saiu do orfanato para o topo, exibindo meu vestido de alta-costura e uma barriga de cinco meses de gravidez. Então, a tela gigante mudou para um noticiário urgente: "Escândalo de troca na maternidade abala a alta sociedade! Sofia Mendes não é a verdadeira herdeira da família Costa. A verdadeira filha, Isabella Costa, viveu uma vida de dificuldades." O silêncio foi cortado por sussurros, e os olhares se voltaram para mim, não mais de admiração, mas de pena, desprezo. Meu sorriso congelou. Minha identidade, minha história, tudo foi arrancado de mim em um instante. Senti o chão sumir, a mão instintivamente protegendo meu filho do desastre que caía sobre nós. Procurei meu marido, Ricardo Silva, meu porto seguro. Ele não estava ao meu lado. Eu o encontrei em um canto escuro, perto da saída de serviço, de costas para mim, falando ao telefone. Sua voz, geralmente tão calma e amorosa, estava diferente, fria e cortante. "O leilão está pronto, Isabella. Não se preocupe." Uma pausa. "Sim, o prêmio principal é a vida dela. Cada detalhe. A humilhação pública, a falência, a destruição de tudo o que ela construiu." Outra pausa, e a frase seguinte fez meu sangue gelar. "O bebê? Claro que está incluído. Isso torna tudo mais... valioso." Isabella. A verdadeira herdeira. Sua amiga de infância. Leilão. Prêmio. Valioso. As palavras giravam na minha cabeça, sem fazer sentido, mas ao mesmo tempo formando a mais terrível das verdades. Ricardo, o homem que me apoiou quando a primeira suspeita da troca de bebês surgiu, o homem que prometeu me amar não importava o meu sangue, estava vendendo a minha vida. E a vida do nosso filho. Ele desligou o telefone e se virou. Quando me viu, seu rosto mudou instantaneamente. A frieza desapareceu, substituída pela máscara de preocupação. "Sofia, meu amor! Eu estava te procurando! Você está bem?" Ele veio até mim, tentando me abraçar. Eu recuei, meu corpo todo tremendo. "Não toque em mim." Sua expressão vacilou por um segundo. "Querida, eu sei que é um choque. Mas nós vamos passar por isso juntos. Eu estou aqui." Ele me ofereceu um copo de água, a mesma mão que segurava o telefone enquanto negociava minha ruína. O gesto era tão falso, tão calculado, que senti vontade de vomitar. O caminho para casa foi um silêncio pesado, quebrado apenas pelo som do motor do carro de luxo. Eu olhava para o perfil de Ricardo, o pai do meu filho, e via um completo estranho. Um monstro. Eu precisava ter certeza. Precisava ouvir da boca dele. "Ricardo", minha voz saiu fraca, rouca. "Sim, meu amor?" "O que vai ser de nós agora? Eu... eu não sou mais ninguém." Ele esticou a mão e pousou sobre a minha, mas seu toque era como gelo. "Não diga isso. Você é Sofia Mendes, minha esposa. Para mim, nada mudou. Eu te amo pelo que você é, não pelo sobrenome que você carregava." As palavras eram perfeitas, ensaiadas. Exatamente o que uma mulher em pânico gostaria de ouvir. "E a Isabella?", perguntei, o nome dela arranhando minha garganta. Ele hesitou. Foi só por um segundo, mas eu vi. "Ela... ela sofreu muito, Sofia. É justo que ela tenha o que é dela por direito. Vou ajudá-la a se restabelecer." "Ajudá-la... com o quê?", insisti. "Com tudo o que ela precisar. Ela é a vítima aqui, não podemos esquecer disso." A vítima. E eu era o quê? A usurpadora? A impostora que merecia ser leiloada no mercado negro? Ah, que tola fui! Não era amor, era a construção cuidadosa de uma obsessão doentia. Ele atendeu, e sua voz se encheu de uma ternura que ele nunca usou comigo. "Bella? Onde você está? Calma, não chore. Eu estou indo aí agora. Fique onde está." Ele desligou e pegou as chaves do carro novamente. "Ricardo, você vai me deixar aqui? Sozinha? Agora?", eu perguntei, a incredulidade me sufocando. Ele me olhou, e pela primeira vez, não havia máscara. Havia apenas frieza e impaciência. "Isabella precisa de mim. Você vai ficar bem. Descanse." Ele se virou e saiu, batendo a porta atrás de si. Nem um olhar para trás. Ele foi consolar a "vítima", deixando a "impostora" grávida para trás, sozinha na casa vazia, com a verdade esmagadora de sua traição. Sozinha na imensidão da sala, o silêncio era um zumbido nos meus ouvidos. Meu celular vibrou. Uma mensagem de um número desconhecido. A imagem me atingiu como um soco: Ricardo e Isabella em um abraço íntimo, um carinho que ele nunca me deu. Abaixo, a legenda: "O lugar que nunca foi seu." A bile subiu pela minha garganta. O ar me faltou. A dor aguda e lancinante atravessou meu ventre. Gritei. Caí de joelhos, as mãos sobre a barriga. "Não... por favor, não..." O mundo girou, as luzes se transformaram em borrões e a escuridão me engoliu. Acordei com o cheiro de antisséptico e o som baixo de um monitor cardíaco. Estava em um quarto de hospital. Ouvi a voz de Ricardo no corredor, ao telefone. A mesma voz fria e calculista. "O incidente desta noite não muda nada. Apenas aumenta o interesse. Sim, ela desmaiou. Estresse. O médico disse que a gravidez é de risco agora." Uma pausa. Ele riu, um som baixo e sem humor. "Claro que o preço sobe. Uma mulher grávida e frágil? Isso adiciona um tempero dramático que seus compradores vão adorar. O pacote 'mãe e filho' está mais atraente do que nunca." Meu coração parou. Ele não estava apenas me vendendo. Ele estava usando a fragilidade do meu filho, do nosso filho, para aumentar o preço do meu sofrimento. Ele entrou. A máscara de preocupação estava de volta. "Meu amor, você acordou! Que susto você me deu. O médico disse que você e o bebê precisam de repouso absoluto." Ele se aproximou da cama e tentou tocar meu rosto. Eu virei a cabeça. "Fique longe de mim", sibilei. Ele suspirou, um som teatral. "Sofia, você está confusa, abalada. É normal. Mas eu estou cuidando de tudo." Nesse momento, um médico e uma enfermeira entraram. "Senhora Mendes, que bom que acordou. Tivemos que trazê-la às pressas. Foi um pico de estresse muito perigoso", disse o médico. "Eu quero ir embora", falei. "Eu quero ir para outro hospital." Ricardo interveio, sua mão no ombro do médico. "Doutor, minha esposa está claramente traumatizada. Ela não está pensando com clareza. Eu sou o responsável por ela. Acho que um calmante seria o melhor, para ela poder descansar de verdade." "Não! Eu não quero calmante nenhum!", protestei. A enfermeira já se aproximava com uma seringa. "É só para ajudá-la a relaxar, senhora", ela disse com uma voz suave. "Eu não preciso relaxar! Eu preciso sair daqui! Ele é perigoso!", gritei. Mas o olhar do médico era profissional e distante. Para ele, eu era apenas uma paciente histérica. A enfermeira segurou meu braço. Eu tentei puxar, mas estava fraca demais. A agulha perfurou minha pele. O líquido gelado entrou na minha veia, e o quarto começou a girar novamente. Minha última visão, antes de a escuridão me levar, foi o rosto de Ricardo. O sorriso dele não era de alívio. Era de triunfo. "Eu vou sair daqui, Ricardo", consegui sussurrar. "E você... você vai pagar por isso." Ele se inclinou sobre mim, seu hálito quente no meu rosto. "Você não vai a lugar nenhum, Sofia", ele disse. "Você é minha. E agora, você vai descansar." Ele se endireitou e caminhou até a porta. O som da porta batendo ecoou na minha mente enquanto eu afundava na inconsciência forçada. Eu era uma prisioneira. Eu só tinha uma pessoa. Professora Ana Lúcia. Minha mentora. A única figura materna que eu tive. Ela era forte, influente e, o mais importante, ela nunca gostou de Ricardo. Eu precisava de um telefone. Passei o dia fingindo estar calma, dócil, resignada. "Eu me sinto um pouco melhor", menti para ela à tarde. "Eu poderia... poderia usar o telefone por um minuto? Só para ligar para o orfanato, para avisar a diretora que estou bem. Ela se preocupa comigo." A enfermeira hesitou, mas meu olhar suplicante e minha barriga de grávida a convenceram. "Só um minuto, e não diga que eu deixei", ela sussurrou, me entregando o telefone sem fio do posto de enfermagem. Minhas mãos tremiam enquanto eu discava o número que sabia de cor. "Alô?" A voz de Ana Lúcia era inconfundível. "Professora, sou eu", sussurrei. "Sofia." "Sofia! Querida, eu vi as notícias. Onde você está? Eu tentei te ligar..." "Não tenho tempo", interrompi. "Ele me prendeu. Ricardo. Estou no Hospital Santa Mônica, quarto 302. Ele está me drogando. Ele... ele fez uma coisa horrível." Houve um silêncio. A voz de Ana Lúcia voltou, firme como aço. "Sofia, ouça com atenção. Não reaja. Não discuta com ele. Apenas finja. Eu vou te tirar daí. Você confia em mim?" "Sim", respondi, as lágrimas finalmente escorrendo. "Bom. Eu tenho contatos. Vou resolver isso. Apenas aguente firme. Estou a caminho." Devolvi o telefone à enfermeira com um agradecimento silencioso. Pela primeira vez, uma pequena chama de esperança se acendeu em mim. Naquela noite, eu não consegui dormir. E foi então que eles vieram. Duas silhuetas masculinas, grandes e ameaçadoras, entraram no quarto. Uma mão áspera cobriu minha boca. Outra pressionou um pano sobre meus olhos. Senti meu corpo ser levantado com força. Eu me debati, mas era inútil. Meus braços foram presos. Uma picada aguda. Outra agulha. O mundo começou a se dissolver. Acordei com um cheiro de mofo e umidade. Minha cabeça doía. Eu estava sentada em uma cadeira de madeira dura, minhas mãos e pés amarrados. O pano ainda estava sobre meus olhos. "Olha só quem acordou. A princesinha." A voz era oleosa, cheia de um prazer cruel. Alguém arrancou o pano dos meus olhos. A luz fraca me cegou. Quando meus olhos se ajustaram, vi um homem parado na minha frente. Ele era gordo, com o cabelo ralo e um sorriso de dentes amarelados. "Bem-vinda, Sra. Mendes. Ou devo dizer, a impostora?", ele zombou. "Parabéns. Seu marido é um homem de palavra. Eu dei o maior lance no leilão dele. E mal posso esperar para começar a 'arruinar' sua vida." Meu estômago se revirou. Então era isso. O leilão tinha acontecido. Eu era o prêmio. "Quem é você?", perguntei, a voz trêmula. "Ah, você não se lembra de mim? Marco. Marco Abreu. Meu ateliê de design faliu há cinco anos. Uma pequena empresa que seu querido marido fez questão de esmagar para abrir caminho para a sua marca. Agora, é a minha vez de me divertir." Ele se aproximou, seu hálito azedo me atingindo. O pânico tomou conta de mim. Eu olhava para os cantos escuros, procurando desesperadamente por uma saída. E então, eu vi. No canto superior da parede, quase escondida, uma pequena luz vermelha piscava. Uma câmera. Meu coração congelou. Ricardo não tinha apenas me vendido. Ele não tinha apenas me entregado a um inimigo para ser torturada. Ele estava assistindo. Ele estava em algum lugar seguro e confortável, talvez com Isabella, assistindo a tudo em tempo real, como um filme doentio. A humilhação, o medo, a dor... tudo era parte do espetáculo que ele havia orquestrado. Aquele pequeno ponto vermelho era mais aterrorizante do que o homem à minha frente. Era a prova final da profundidade de sua depravação. O terror se transformou em fúria. A imagem de Ricardo assistindo me acendeu. Eu não ia ser um espetáculo para ele. Eu não ia dar a ele essa satisfação. "Me solta!", gritei. A corda cortava, mas eu não sentia a dor. Marco Abreu riu. "Gritando? Ótimo. Isso torna tudo mais emocionante. Seu marido disse que você tinha fibra. Vamos ver quanto tempo dura." Ele pegou uma cadeira e se sentou na minha frente. Ele começou a descrever, com detalhes gráficos, o que pretendia fazer comigo. Mas eu não estava mais ouvindo ele. Eu estava olhando para a câmera. Eu estava falando com Ricardo. Você não vai vencer, pensei. Eu não vou deixar. Eu precisava acabar com aquilo. Precisava parar o "show". E só havia uma maneira. Se o prêmio era eu, e o "pacote mãe e filho" era o que o tornava mais valioso, então eu tinha que estragar a mercadoria. Meu olhar varreu o chão sujo. Cacos de vidro, pedaços de madeira, lixo. Nada que eu pudesse alcançar. Minha mente correu. A cadeira. Era de madeira, velha. Com um esforço violento, joguei meu peso para o lado. A cadeira balançou. Marco se levantou. "O que você está fazendo, sua louca?" Eu ignorei-o. Joguei meu corpo para o outro lado, e de novo, com mais força. Com um estalo, uma das pernas da cadeira se quebrou. Eu caí no chão com um baque surdo, a cadeira quebrada ainda amarrada às minhas costas. A dor explodiu na minha anca e no meu ombro, mas eu a ignorei. A queda deixou um pedaço pontiagudo de madeira da perna quebrada ao alcance da minha mão amarrada. "Sua vadia!", Marco gritou. Não havia tempo. Com as mãos presas, agarrei a lasca de madeira. Era afiada. Fechei os olhos por um instante. Pensei no meu bebê. "Me perdoe", sussurrei. E com um grito que rasgou minha garganta, eu cravei a ponta afiada na minha própria coxa. A dor foi branca, ofuscante, absoluta. Um calor líquido começou a escorrer. Marco parou, chocado. "Você... você é louca! O que você fez?" Eu olhei para ele, o suor escorrendo, a dor pulsando. "O show acabou", ofeguei. "O prêmio está danificado. Seu acordo com Ricardo... acabou." Ele olhou para o sangue, depois para a câmera, o pânico tomando conta de seu rosto. "Droga! Droga! Ele vai me matar! O dinheiro... eu perdi o dinheiro!" Ele começou a chutar os móveis, praguejando. Minha consciência começou a se esvair. O chão parecia ondular. Mas antes de a escuridão me tomar, eu ouvi vozes. Vozes de um alto-falante conectado à câmera. A voz de Ricardo. "Isso não fazia parte do plano, Marco! Você era só para assustá-la!" E então, a voz de Isabella, estridente e irritada. "Ela estragou tudo! Ricardo, ela sempre estraga tudo! E agora? E os meus pais? Você prometeu que ia me ajudar a tirá-los daquela clínica depois que essa vadia fosse destruída!" Clínica? Meus pais? Meus pais biológicos. Eu mal os conhecia. A notícia dizia que o choque tinha sido demais para eles, que foram internados em uma clínica psiquiátrica. Agora a verdade me atingia. Não foi o choque. Foi Isabella. E Ricardo. Eles os internaram para que não pudessem falar. Para que Isabella pudesse ser a única herdeira. A briga deles continuou, saindo pelo alto-falante. "Calma, Bella, eu vou resolver isso", dizia Ricardo. "Resolver? Você não resolve nada! Você é fraco! Você a deixou fazer isso! Ela tem que pagar, Ricardo! E os pais dela também! Eles têm que apodrecer naquele lugar!" A voz dela era puro veneno. Lembrei-me da primeira vez que vi Isabella, algumas semanas antes, quando os rumores da troca começaram. Ricardo a trouxe para nossa casa. Ela parecia tão frágil, tão quebrada. Falava em sussurros. Chorou e disse que não queria estragar minha vida. Eu senti pena dela. Que atriz. Que manipuladora brilhante. E Ricardo, o diretor de todo o espetáculo. A última coisa que senti antes de desmaiar foi o gosto amargo do sangue e da traição na minha boca. A dor na minha perna não era nada comparada à dor de saber que a trama era muito mais profunda e cruel.
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Moderno
O telefone tocou às dez da noite, anunciando a morte do meu marido, João, em um "heroico" acidente tentando salvar sua amante, Isabela. Eu, Maria, a viúva "em luto", processei a informação não com tristeza, mas com uma frieza calculista, decidindo pela cremação imediata e sem cerimônias. No dia seguinte, enquanto resolvia a papelada da herança, descobri que João planejava me deixar sem nada, com papéis de divórcio prontos e milhões transferidos para Isabela. Eles não sabiam que eu tinha o trunfo da lei. A mídia o celebrava como herói, mas eu sabia a verdade: ele era um criminoso desprezível, e sua riqueza, agora, era minha. A indignação me consumia. Ninguém parecia desconfiar que o casamento e a espera de uma década eram parte de um plano minucioso de vingança. A morte de João não era o fim, mas o acerto de contas que eu secretamente orquestrava.
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Bilionários
Passei doze anos da minha vida a amar Ricardo, o meu namorado de infância. Sacrifiquei uma promissora carreira como pintora, abdicando de uma bolsa de estudos em Florença. Tudo isso para ser a sua assistente pessoal, mal paga e subvalorizada. Ele, entretanto, prosperava em Lisboa, tornando-se um empresário de sucesso. Havia uma velha piada entre nós: se eu ainda estivesse solteira aos trinta anos, ele casaria comigo. Essa promessa, para mim, era a minha única esperança, o meu porto seguro. Contudo, um dia, uma manchete de revista revelou seu noivado iminente. Mas essa "promessa" não era para mim, nem a para a pessoa que todos esperavam. Uma gravação secreta destapou a verdade cruel. Ouvi Ricardo, o homem que eu amava, a rir e a chamar-me "criada gratuita". Ele planeava usar a minha devoção cega, a minha "burrice apaixonada", até ao último dia. O casamento era com Isabella, a rececionista, a quem ele chamava a sua "rainha". No dia do meu trigésimo aniversário, o dia em que todos esperavam o meu noivado "finalmente", fui confrontar Ricardo na Conservatória. Ali, ele e os seus amigos, com sorrisos de escárnio, humilharam-me publicamente. Chamaram-me "noiva desesperada", "perseguidora louca", e gozaram da minha dignidade. Isabella, a sua verdadeira noiva, avançou e deu-me uma bofetada forte e visível na cara. Ricardo, o meu amor de doze anos, confirmou-me com frieza que nunca me amou. Disse que eu era apenas um fardo e que a ideia de se casar comigo era "ridícula". Doze anos de sacrifício, de sonhos adiados, de amor incondicional, varridos como lixo. A dor era avassaladora, mas a fúria em meu peito era ainda maior. Como pude ser tão cega? Como um homem podia ser tão cruel e manipulador? Senti o meu mundo a desabar, mas, paradoxalmente, foi nesse abismo que encontrei uma força inesperada. "Eu já tenho alguém," declarei, com uma voz que mal reconhecia, forte e cheia de recusa. "Quem? Um fantasma?" troçaram eles, mas o meu sorriso amargo selava o seu destino. Naquele exato instante, um carro clássico elegante parou em frente à Conservatória. A porta abriu-se, e dele saiu Tiago, o meu verdadeiro noivo, impecavelmente vestido e poderoso. O olhar chocado de Ricardo e dos seus amigos valeu todos os anos de sofrimento. A minha nova vida, livre e repleta de respeito, estava prestes a começar, diante dos seus olhos incrédulos.
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"Por favor, acredite em mim. Não fiz nada!" Thalassa Thompson chorou, desamparada. "Tirem ela daqui imediatamente." Kris Miller, seu marido, ordenou friamente. Ele não se importava que a esposa fosse humilhada na frente do mundo inteiro. O que você faria se o amor da sua vida e a mulher que você considerava sua melhor amiga te traíssem da pior maneira possível? Para Thalassa, a resposta era só uma: ela voltaria mais forte e melhor e faria com que aqueles que a fizeram sofrer se ajoelhassem. Que a batalha comece! ***** "Eu te odeio." Kris sibilou entre dentes, olhando nos olhos dela. Thalassa riu. "Senhor Miller, se me odeia tanto, por que seu pau está tão duro?"
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"O acordo Irresistível" Série Destinos Entrelaçados Malena é uma stripper que luta para manter sua família, até que Lorenzo Moretti, um poderoso e enigmático bilionário, lhe propõe um contrato irrecusável, em um acordo que pode mudar suas vidas. O que parecia uma solução simples logo se transforma em um jogo perigoso de desejos e mentiras. Enquanto muitos, com motivos ocultos, fazem de tudo para separá-los - desde o passado conturbado de Malena até rivais de Lorenzo no mundo dos negócios -, eles terão que enfrentar forças que ameaçam destruir o que mal começou. À medida que as mentiras se acumulam e a atração cresce, Malena precisa proteger seu coração. Lorenzo, por sua vez, terá que decidir se está disposto a renunciar aos sentimentos e colocar o poder e o dinheiro acima de tudo como sempre fez. Ou este contrato acabará levando-os a um destino que nenhum deles previu?
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Há muito tempo, dois reinos conviviam em paz. O reino de Salem e o reino de Mombana... Tudo correu bem até o dia em que faleceu o rei de Mombana e um novo monarca assumiu, o príncipe Cone, que estava sempre sedento por mais e mais poder. Depois da sua coroação, ele atacou Salem. O ataque foi tão inesperado que Salem nunca se preparou para isso. Foram apanhados desprevenidos. O rei e a rainha foram assassinados, o príncipe foi levado para a escravidão. As pessoas de Salem que sobreviveram à guerra foram escravizadas, suas terras foram saqueadas, e suas esposas foram transformadas em escravas sexuais. Tudo foi perdido. O mal caiu sobre a terra de Salem na forma do príncipe Cone, e o príncipe de Salem, Lucien, na sua escravidão, estava cheio de tanta raiva que jurou vingança. *** *** Dez anos depois, Lucien, de 30 anos, e seu povo lançaram um golpe e escaparam da escravidão. Eles se esconderam e se recuperaram. Treinaram dia e noite sob a liderança do intrépido e frio Lucien, que foi impulsionado com tudo o que havia nele para recuperar sua terra e tomar a terra de Mombana também. Levou cinco anos até que eles armassem uma emboscada e atacassem Mombana. Mataram o príncipe Cone e reivindicaram tudo. Enquanto gritavam sua vitória, os homens de Lucien encontraram e imobilizaram a orgulhosa princesa de Mombana, Danika, filha do príncipe Cone. Enquanto Lucien olhava para ela com os olhos mais frios que alguém poderia possuir, sentiu a vitória pela primeira vez. Ele caminhou em direção à princesa com o colar de escravo que tinha sido forçado a usar por dez anos e com um movimento rápido, o amarrou ao pescoço dela. Então, ele inclinou o queixo dela para cima, olhando para os olhos mais azuis e o rosto mais bonito já criado, lhe deu um sorriso frio. "Você é minha aquisição. Minha escrava. Minha escrava sexual. Minha propriedade. Eu lhe pagarei por tudo o que você e seu pai fizeram comigo e com meu povo", disse ele secamente. O puro ódio, a frieza e a vitória era a única emoção no seu rosto.
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Quando Camila, a filha biológica da família Marsh, voltou, Eleanor foi expulsa de casa e exigida a pagar milhões de "pensão alimentícia". Sem olhar para trás, ela retornou à sua família biológica pobre e revelou suas identidades ocultas, determinada a mudar o destino da família. Primeiro, Eleanor presenteou seu irmão primogênito, que havia sido trapaceado, com um conglomerado trilionário. Em seguida, limpou a reputação de seu irmão ator, catapultando-o ao estrelato. Depois, defendeu a integridade dos designs de seu irmão designer. Quando Camila, cheia de ciúmes, apareceu novamente, trazendo caos, Eleanor, que já era a pessoa mais rica do mundo, simplesmente ignorou a mulher, porque outro problema a incomodava profundamente. Como ela poderia se livrar daquele implacável e insano chefe mafioso que estava tentando conquistar seu coração?
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Aos 24 anos, Eveline se casou com Shane, um obstetra. Dois anos depois, quando ela estava grávida de cinco meses, Shane abortou o bebê e se divorciou dela. Durante os tempos sombrios, Eveline conheceu Derek. Ele a tratou com ternura e lhe deu um calor que ela nunca havia sentido antes. Mas ao mesmo tempo, ele também lhe causou a maior dor que ela já teve que suportar. Eveline só ficou mais forte depois de tudo que experimentou, mas quando a verdade finalmente foi revelada, ela poderia suportá-la? Quem seria Derek por trás de sua fachada carismática? E o que Eveline faria ao descobrir a verdade?
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A nonagésima nona vez que Leo Almeida partiu meu coração foi a última. Nós éramos o casal de ouro do Colégio Estrela do Norte, nosso futuro perfeitamente traçado para a USP. Mas no nosso último ano, ele se apaixonou por uma garota nova, Sofia, e nossa história de amor se tornou uma dança doentia e exaustiva de traições dele e das minhas ameaças vazias de ir embora. Em uma festa de formatura, Sofia "acidentalmente" me puxou para a piscina com ela. Leo mergulhou sem hesitar um segundo. Ele passou nadando direto por mim enquanto eu me debatia, envolveu os braços em volta de Sofia e a levou para a segurança. Enquanto ele a ajudava a sair sob os aplausos de seus amigos, ele olhou para trás para mim, meu corpo tremendo e meu rímel escorrendo em rios negros. "Sua vida não é mais problema meu", ele disse, sua voz tão fria quanto a água em que eu estava me afogando. Naquela noite, algo dentro de mim finalmente se quebrou. Fui para casa, abri meu notebook e cliquei no botão que confirmava minha matrícula. Não na USP com ele, mas na NYU, do outro lado do continente.


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