Quando o Amor é Uma Pontuação: O Diário da Traição

Quando o Amor é Uma Pontuação: O Diário da Traição

Shui Qing Ying

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Capítulo

Thiago Alves encontrou o caderno na última gaveta da minha mesinha de cabeceira. Nele, cada um dos seus deslizes era uma contabilidade fria: menos 5 pontos por esquecer o aniversário de casamento, menos 3 por cancelar o jantar com os meus pais. No final da primeira página, a sentença cruel: "Limite: 100 pontos. Quando chegar a zero, o divórcio." Não que importasse. Ele já tinha feito a sua escolha. Quando Isabela, o seu "primeiro amor" e "inspiração", ligou a chorar depois de um acidente simulado, ele nem hesitou. Deixou-me para trás, a comida a arrefecer no prato, ignorando o nosso jantar de família. No hospital, ouvi-o confessar, com a minha alma a partir-se: "Eu faria qualquer coisa por ti, Isabela. Tornei-me jogador de futebol porque sonhavas em casar com uma estrela do desporto." Aquele casamento, que eu pensava ser amor, era apenas uma promessa ao meu pai morto, um prémio de consolação para ele, já que Isabela se tinha casado com outro. Então, o acidente. Ferida, sozinha, no hospital. Ele no quarto ao lado, "consolando" Isabela. Quando precisei de uma transfusão urgente, o sangue, raro, estava reservado para ela, por uma "crise alérgica" falsa. Liguei para ele, o meu marido. A sua voz, fria, respondeu: "Não. Não vou arriscar a vida da Isabela por uma desconhecida. Mantenham o sangue reservado." Uma desconhecida. A sua esposa. E então, a verdade me atingiu: eu estava grávida. Ele tinha sentenciado o nosso próprio filho à morte. A dor era tão insuportável quanto o gelo que agora cobria o meu coração. Eu não choro mais. Não há mais lágrimas. Agarrei na caneta, com a mão firme, e zerei a pontuação. "Thiago, o nosso amor morreu. E tu mataste o nosso filho." Assinei os papéis do divórcio. Deixei para trás aquele passado frio e a sombra dela. Curitiba espera-me. Eu vou reconstruir a minha vida, doce por doce.

Introdução

Thiago Alves encontrou o caderno na última gaveta da minha mesinha de cabeceira.

Nele, cada um dos seus deslizes era uma contabilidade fria: menos 5 pontos por esquecer o aniversário de casamento, menos 3 por cancelar o jantar com os meus pais.

No final da primeira página, a sentença cruel: "Limite: 100 pontos. Quando chegar a zero, o divórcio."

Não que importasse. Ele já tinha feito a sua escolha.

Quando Isabela, o seu "primeiro amor" e "inspiração", ligou a chorar depois de um

acidente simulado, ele nem hesitou.

Deixou-me para trás, a comida a arrefecer no prato, ignorando o nosso jantar de família.

No hospital, ouvi-o confessar, com a minha alma a partir-se: "Eu faria qualquer coisa por ti, Isabela. Tornei-me jogador de futebol porque sonhavas em casar com uma estrela do desporto."

Aquele casamento, que eu pensava ser amor, era apenas uma promessa ao meu pai morto, um prémio de consolação para ele, já que Isabela se tinha casado com outro.

Então, o acidente. Ferida, sozinha, no hospital. Ele no quarto ao lado, "consolando" Isabela.

Quando precisei de uma transfusão urgente, o sangue, raro, estava reservado para ela, por uma "crise alérgica" falsa.

Liguei para ele, o meu marido.

A sua voz, fria, respondeu: "Não. Não vou arriscar a vida da Isabela por uma desconhecida. Mantenham o sangue reservado."

Uma desconhecida. A sua esposa.

E então, a verdade me atingiu: eu estava grávida.

Ele tinha sentenciado o nosso próprio filho à morte.

A dor era tão insuportável quanto o gelo que agora cobria o meu coração.

Eu não choro mais. Não há mais lágrimas.

Agarrei na caneta, com a mão firme, e zerei a pontuação.

"Thiago, o nosso amor morreu. E tu mataste o nosso filho."

Assinei os papéis do divórcio.

Deixei para trás aquele passado frio e a sombra dela.

Curitiba espera-me. Eu vou reconstruir a minha vida, doce por doce.

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