A Vingança da Esposa Grávida

A Vingança da Esposa Grávida

Yan Huo Si Yue Tian

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Capítulo

Eu estava grávida de três meses. Meu marido, Ricardo, um influenciador digital em ascensão, sorria para a câmera. Ele virou o celular para mim, meus olhos cansados captando sua performance de "marido perfeito". Em meio aos comentários de "casal perfeito!", vi mensagens estranhas. "A coitadinha ainda não sabe que é só uma ferramenta para o sucesso dele." "Daqui a três meses, ela vai descobrir a traição. O show vai ser bom." "E o bebê? Ah, o bebê não vai ter a chance de nascer. Uma pena, ia ser uma menina linda." "Sofia já está escolhendo o berço. Com o dinheiro do pai da Ana Paula, claro." Senti um arrepio. Que brincadeira era essa? De repente, o homem ao meu lado parecia um estranho. Toda a nossa vida, uma farsa. Eu era a tola protagonista, a última a saber. Entendi que eu era uma ferramenta, uma escada para a ascensão dele, e meu pai, o alicerce financeiro. Uma fúria fria me invadiu. Meu filho não seria vítima. Eu ia reescrever esse roteiro. Enquanto ele perguntava se eu estava bem, com aquela falsa preocupação, transferi todo o dinheiro da conta conjunta. Liguei para o gerente financeiro do meu pai, congelando todos os investimentos dele. Eu não esperaria três meses, nem o acidente. Eu desmantelaria o mundo dele antes que ele destruísse o meu. Na manhã seguinte, ele cantava no chuveiro. Eu sentia náuseas, mas não da gravidez. Era dele. No celular, encontrei mais sobre "Sofia": "A estagiária esforçada que só quer uma chance. Mal sabe Ana Paula que a chance que ela quer é a de virar a nova Sra. Ricardo." Lembrei-me dela, a "protegida". A inocência fingida. O toque leve no braço dele que durou um segundo a mais. Ele não a via como filha. Ela não o via como pai. Aquele toque não foi acidental. Aquele olhar não era admiração. Era cálculo, ambição. Ele me traía e me fazia de idiota, usando meu dinheiro para sustentar a amante. Tudo nele, cada palavra doce, cada gesto, tudo era uma mentira. E eu havia caído em cada uma delas. Mas não mais. Com as mãos trêmulas, mas a mente afiada, abri a fatura do cartão adicional que dei a ele. Jantares caros, joias, e a prova final: pagamentos recorrentes a um hotel de luxo, terças e quintas. As peças se encaixaram de forma cruel. Ele me mandou uma mensagem: "Amor? Onde você está? Volte para a cama, está frio. Estou com saudades." Senti um nojo profundo e vomitei. Minha imagem no espelho era de uma mulher pálida, doente, mas uma nova força crescia em mim. A força da raiva. Disquei o número de Lucas, o assistente bajulador de Ricardo. "Lucas? É a Ana Paula. O Ricardo está estranho. Acho que está com algum problema no trabalho. Você sabe de algo?" disse, jogando a isca. Ele hesitou, mas minha menção ao dinheiro do meu pai o convenceu. "Ele tem passado muito tempo com a Sofia. Ele até alugou um apartamento para ela perto do escritório." Um apartamento. A audácia dele era inacreditável. Peguei o endereço. O confronto era inevitável. Eu não seria mais a esposa enganada. Dirigi com uma calma assustadora. Meu coração, antes em pedaços, estava congelado. Os comentários do celular me acompanhavam: "A cena do confronto vai começar!", "A esposa original vai pegar o marido infiel em flagrante!" Parei em frente ao prédio. Luxuoso e discreto. Perfeito para um ninho de amor secreto. Respirei fundo. "Ela vai hesitar? Não hesite, Ana Paula! Entre e acabe com eles!" Entrei no prédio, subi no elevador, a pressão aumentando no meu peito. Parei na porta 402. A música, as risadas dele e dela. Destrancada. Empurrei a porta. Ricardo, sem camisa. Sofia no colo dele, vestindo uma de suas camisas – que eu dei a ele. Beijavam-se, as mãos dele explorando o corpo dela com a intimidade que antes era minha. O mundo parou. Ricardo me viu primeiro. Seu sorriso desmoronou em pânico. Ele a empurrou bruscamente. "Ana... Ana Paula? O que... o que você está fazendo aqui?" Sofia se encolheu, com os olhos grandes e "inocentes" agora cheios de medo e desafio. Uma performance. Meu celular vibrou: "A CARA DE PÂNICO DELE! IMPAGÁVEL!" "Olha a Sofia se fazendo de coitadinha. Que nojo." Mantive-me imóvel. Não gritei, não chorei. O silêncio era mais pesado que qualquer acusação. "Ana Paula, eu... eu posso explicar", gaguejou Ricardo. "Não é o que parece? Você está seminu com outra mulher no seu colo, Ricardo. O que eu deveria achar que é?" Foi Sofia quem quebrou o impasse. Levantou-se, ajeitando a camisa como um troféu. "E se for o que parece?", ela disse, surpreendentemente firme. "O Ricardo não te ama mais. Ele me ama." Eu ri, um som seco. "Você? Você não é nada. É só uma garota ambiciosa que viu uma oportunidade. Você não o ama. Você ama o que ele pode te dar. O que o meu dinheiro pode te dar." O rosto dela ficou vermelho de raiva. "Você não sabe de nada! Você é uma rica mimada que sempre teve tudo. Você não sabe o que é lutar!" "A única coisa pela qual você lutou foi para abrir as pernas para o meu marido", respondi, fria. Ela me deu um tapa. A dor me despertou a fúria. Revidei, mais forte. "Sua vadia!", ela gritou, vindo para cima de mim. Ricardo agiu. Não para me proteger, mas para proteger Sofia. Ele a abraçou. "Pare, Ana Paula! Você está louca? Deixe-a em paz!", ele gritou, como se eu fosse a agressora. Isso foi a traição final. Pior que a mentira. O amor por ele morreu. Nasceu um ódio gelado. "Você escolheu ela?", perguntei, minha voz tremendo de fúria. Ele não respondeu. Sofia se desvencilhou dele, correu e me empurrou. Perdi o equilíbrio. A escada. Caí para trás. Uma dor lancinante na minha barriga. Depois, tudo ficou escuro. Acordei com cheiro de antisséptico num hospital. Ricardo estava lá, chorando. Peguei meu celular. Os comentários me atingiram. "O bebê... o bebê se foi." "Ele matou o próprio filho por causa da amante." Um vazio gelado. Minha barriga lisa. Minha filha. Tinha ido embora. Minha irmã Carla entrou, os olhos inchados. "A polícia esteve aqui. Sofia foi presa. Mas Ricardo... ele contou uma versão diferente." Lá no canto, Ricardo soluçava. Meu celular vibrou. "Ele disse à polícia que a Ana Paula teve um surto de ciúmes e atacou a pobre Sofia, e que na confusão, ela tropeçou e caiu sozinha." A farsa do seu choro se tornou clara. Chorava por si mesmo. Pelo escândalo. Lágrimas rolaram. Não de tristeza, mas de ódio. Perdi meu filho. Perdi tudo. Mas eu não estava derrotada. Ricardo se aproximou. "Ana... meu amor... me perdoe..." Virei o rosto. Ele tentou tocar minha mão. "Não me toque", minha voz saiu como um rosnado. Ele recuou. Eu continuava a encarar a parede branca, sentindo o vazio e o fogo crescendo em mim. Ele tinha tirado meu filho. Agora, eu ia tirar tudo dele. Os dias no hospital foram de silêncio da minha parte. Ricardo implorava, chamando a traição de "um erro". Minha irmã Carla, meu único alívio. "O advogado está preparando os papéis do divórcio. E a denúncia contra a Sofia por agressão seguida de lesão corporal grave está correndo." Eu assenti, uma chama de satisfação. Naquela tarde, Ricardo explodiu. "Pelo amor de Deus, Ana Paula, diga alguma coisa! Está me matando!" Caiu de joelhos, chorando. Pela primeira vez em dias, olhei para ele. Meus olhos secos, meu rosto inexpressivo. "Nós tínhamos um amor, Ana", ele soluçou. "Era?", perguntei, rouca. "Sim! Eu juro!" "Então por que você disse à polícia que eu ataquei a Sofia?", a pergunta caiu como uma pedra. Ele congelou. "Como... como você sabe?" "Eu sei de tudo, Ricardo. Sei que alugou apartamento para ela com o meu dinheiro. Sei que a protegeu." "Você não me amava, Ricardo. Você amava o que eu representava. Você é um parasita. E eu cansei de ser sua hospedeira." "Eu quero o divórcio", declarei. "E quero você fora da minha vida. Para sempre." O pânico em seus olhos era genuíno. Ele sabia que tinha perdido a guerra. A notificação do divórcio e da ação criminal chegou a Ricardo no dia da minha alta. Ele tentou me barrar. "Você não pode fazer isso, Ana! Você quer me destruir?" "Eu só quero que você pague pelo que fez", respondi friamente. Ele gritou, batendo na parede. "Foi um acidente! Eu entrei em pânico! Por isso menti!" Carla interveio. Ele a ignorou, os olhos fixos em mim. "Pense em nós. Pense em tudo o que passamos." Sua voz mudou para súplica. "Sofia não tem ninguém, Ana. A família dela é pobre. Eu me senti responsável por ela." A desculpa era patética. "Responsável? Você se sentiu responsável a ponto de levá-la para a cama? A ponto de deixar que ela matasse o seu filho?" Ele se encolheu. "Não foi culpa dela." Mesmo agora, ele a defendia. Sua lealdade não era a mim. Uma ideia cruel nasceu. Se ele queria dor, eu daria. "Sabe, Ricardo", comecei, falsamente suave. "Eu tenho pensado muito na nossa filha." Ele me olhou, confuso. "Ela seria uma menina. Os médicos me disseram. Já tinha pensado em um nome: Laura." A dor genuína faiscou nos olhos dele. "Fico imaginando como ela seria. Teria seus olhos? Meu cabelo? Correndo pela casa, rindo." Ele começou a tremer. "Pare... por favor, pare..." "Mas ela nunca vai fazer nada disso, não é? Ela nunca vai existir. E a culpa é sua. Cada vez que você fechar os olhos pelo resto da sua vida, quero que veja o rosto da filha que você matou. Cada vez que tocar na Sofia, quero que se lembre que foi por ela que nossa filha morreu." As palavras o atingiram. Ele levou as mãos à cabeça, gemendo. "Não... não..." "Você a escolheu, Ricardo. Escolheu a Sofia em vez da sua própria filha. Espero que tenha valido a pena." Ele não aguentou mais. Com um som gutural, um soluço de dor, virou-se e fugiu pelo corredor do hospital. Observei-o ir. Não senti remorso. Senti uma satisfação fria e terrível. Ele queria sentir dor? Agora sentia. Era apenas uma fração da minha, mas era um começo. Semanas de mediações inúteis. Ricardo encenava o arrependido. Eu estava na casa dos meus pais. Num dia chuvoso, meu celular explodiu em notificações. "BOMBA! A Sofia está grávida!" "Não pode ser! Grávida do Ricardo?" "Ela usou o golpe da barriga! Que reviravolta!" Grávida. A mulher que causou a morte da minha filha estava grávida. Do meu marido. O som da TV na sala me chamou. Um programa de fofocas: "A AMANTE ESTÁ GRÁVIDA". Lucas, meu ex-assistente, ligou. "Ele está comemorando. Disse que agora tem um herdeiro, que isso prova que o amor dele por Sofia era real." Desliguei. O choque deu lugar a uma fúria fria e calculista. Comemorando. Enquanto eu chorava, ele comemorava um filho com a amante. Era o fim. Não havia mais dor, só ação. Liguei para meu advogado, contador, gerente do banco. "Quero que tudo seja executado. Agora. Todas as garantias que meu pai deu. Cada uma delas." "Ana Paula, isso vai levá-lo à falência total", alertou o advogado. "É exatamente isso que eu quero." Vendi minhas ações na empresa conjunta para um concorrente. Cancelei cartões, fechei linhas de crédito. Em horas, desmantelei seu castelo de cartas. A reação dele foi imediata. Furioso, desesperado, invadiu a casa dos meus pais. Encontrei-o no jardim. "Sua desgraçada!", ele rosnou. "Você me arruinou! Tudo! Está tudo acabado!" "Você se arruinou sozinho, Ricardo", respondi. "Eu vou ter um filho! E você me tira tudo? Que tipo de monstro você é?" "O tipo de monstro que você criou", retruquei. Ele avançou, os olhos injetados. "Nós podemos consertar isso", ele sussurrou, conspiratório e insano. "Eu tenho um plano. Sofia... a gravidez dela é um problema. Mas problemas podem ser... resolvidos." Eu o encarei. Ele não estava sugerindo se livrar da amante. Sugeria assassiná-la. E ao bebê dela. O homem era um monstro, despido de humanidade. Eu olhava para o abismo da sua loucura. "Você está louco", sussurrei, recuando. O sorriso dele era aterrorizante. "Não estou louco. Estou sendo prático. Ela é um problema. Nós eliminamos o problema. Simples." "Fique longe de mim", disse, minha voz firme. "Você está doente. Você precisa de ajuda." A menção de doença quebrou seu feitiço. Seu rosto se contorceu em fúria. Nisso, o carro de Sofia parou. Ela veio, preocupada. "Ricardo? O que está acontecendo?" A loucura de Ricardo encontrou um novo foco. "Você!", ele gritou, virando-se para ela. "É tudo culpa sua! Você e esse seu bebê! Você arruinou minha vida!" Ele correu, agarrou-a, sacudindo-a violentamente. "Ricardo, pare! Você está me machucando! O bebê!", ela chorava. Gritei por seguranças. Eles apareceram. Mas era tarde. Ele a empurrou. Sofia caiu no chão, gritando de dor. Caos e horror. Seguranças o arrastaram, enquanto ele gritava maldições. O fim de Ricardo foi rápido e humilhante. Preso pela agressão. Para evitar pena maior, seu advogado fez um acordo: ele se declarou culpado, recebia pena reduzida, e uma ordem de restrição contra mim. E a parte irônica: ele teria que se casar com Sofia para "assumir a responsabilidade" pela criança. Casaram-se em uma cerimônia sombria, com policiais como testemunhas. Um final patético. Meses depois, visitei Sofia numa clínica de repouso. Perdera o bebê. "Ele me amava, sabe? Ele ia deixar você por mim. Nós seríamos felizes." Ela vivia numa fantasia. "Ele não tem mais nada, Sofia. O nome 'Ricardo' não significa mais nada." "Para você, talvez", ela retrucou. "Mas para mim, significa tudo. Quando eu sair daqui, nós vamos recomeçar." Inútil. Ela estava perdida em delírio. "Sabe, Sofia", eu disse, levantando-me. "Você pode ficar com o nome. E pode ficar com ele também. Vocês se merecem." Saí sem olhar para trás. O dia da audiência final do divórcio. Ricardo, na tela, parecia abatido. Assinou os papéis. "Eu sinto muito, Ana", ele disse. Eu assenti. Ao sair do prédio, senti uma leveza. Meu celular, vazio. Nenhuma notificação. O silêncio era absoluto. Era o som da minha liberdade. Um táxi parou. Aeroporto. Minha irmã me esperava com uma passagem só de ida. Olhei pela janela do avião, as luzes da cidade sumindo. O passado era uma história que tinha chegado ao fim. Eu era a autora do meu próprio futuro agora. A página estava em branco. Sorri. Era um bom começo.

A Vingança da Esposa Grávida Introdução

Eu estava grávida de três meses.

Meu marido, Ricardo, um influenciador digital em ascensão, sorria para a câmera.

Ele virou o celular para mim, meus olhos cansados captando sua performance de "marido perfeito".

Em meio aos comentários de "casal perfeito!", vi mensagens estranhas.

"A coitadinha ainda não sabe que é só uma ferramenta para o sucesso dele."

"Daqui a três meses, ela vai descobrir a traição. O show vai ser bom."

"E o bebê? Ah, o bebê não vai ter a chance de nascer. Uma pena, ia ser uma menina linda."

"Sofia já está escolhendo o berço. Com o dinheiro do pai da Ana Paula, claro."

Senti um arrepio. Que brincadeira era essa?

De repente, o homem ao meu lado parecia um estranho.

Toda a nossa vida, uma farsa. Eu era a tola protagonista, a última a saber.

Entendi que eu era uma ferramenta, uma escada para a ascensão dele, e meu pai, o alicerce financeiro.

Uma fúria fria me invadiu. Meu filho não seria vítima.

Eu ia reescrever esse roteiro.

Enquanto ele perguntava se eu estava bem, com aquela falsa preocupação, transferi todo o dinheiro da conta conjunta.

Liguei para o gerente financeiro do meu pai, congelando todos os investimentos dele.

Eu não esperaria três meses, nem o acidente.

Eu desmantelaria o mundo dele antes que ele destruísse o meu.

Na manhã seguinte, ele cantava no chuveiro.

Eu sentia náuseas, mas não da gravidez. Era dele.

No celular, encontrei mais sobre "Sofia": "A estagiária esforçada que só quer uma chance. Mal sabe Ana Paula que a chance que ela quer é a de virar a nova Sra. Ricardo."

Lembrei-me dela, a "protegida". A inocência fingida.

O toque leve no braço dele que durou um segundo a mais.

Ele não a via como filha. Ela não o via como pai.

Aquele toque não foi acidental. Aquele olhar não era admiração. Era cálculo, ambição.

Ele me traía e me fazia de idiota, usando meu dinheiro para sustentar a amante.

Tudo nele, cada palavra doce, cada gesto, tudo era uma mentira. E eu havia caído em cada uma delas.

Mas não mais.

Com as mãos trêmulas, mas a mente afiada, abri a fatura do cartão adicional que dei a ele.

Jantares caros, joias, e a prova final: pagamentos recorrentes a um hotel de luxo, terças e quintas.

As peças se encaixaram de forma cruel.

Ele me mandou uma mensagem: "Amor? Onde você está? Volte para a cama, está frio. Estou com saudades."

Senti um nojo profundo e vomitei.

Minha imagem no espelho era de uma mulher pálida, doente, mas uma nova força crescia em mim. A força da raiva.

Disquei o número de Lucas, o assistente bajulador de Ricardo.

"Lucas? É a Ana Paula. O Ricardo está estranho. Acho que está com algum problema no trabalho. Você sabe de algo?" disse, jogando a isca.

Ele hesitou, mas minha menção ao dinheiro do meu pai o convenceu.

"Ele tem passado muito tempo com a Sofia. Ele até alugou um apartamento para ela perto do escritório."

Um apartamento. A audácia dele era inacreditável.

Peguei o endereço. O confronto era inevitável. Eu não seria mais a esposa enganada.

Dirigi com uma calma assustadora. Meu coração, antes em pedaços, estava congelado.

Os comentários do celular me acompanhavam: "A cena do confronto vai começar!", "A esposa original vai pegar o marido infiel em flagrante!"

Parei em frente ao prédio. Luxuoso e discreto. Perfeito para um ninho de amor secreto.

Respirei fundo. "Ela vai hesitar? Não hesite, Ana Paula! Entre e acabe com eles!"

Entrei no prédio, subi no elevador, a pressão aumentando no meu peito.

Parei na porta 402. A música, as risadas dele e dela. Destrancada.

Empurrei a porta.

Ricardo, sem camisa. Sofia no colo dele, vestindo uma de suas camisas – que eu dei a ele.

Beijavam-se, as mãos dele explorando o corpo dela com a intimidade que antes era minha.

O mundo parou.

Ricardo me viu primeiro. Seu sorriso desmoronou em pânico. Ele a empurrou bruscamente.

"Ana... Ana Paula? O que... o que você está fazendo aqui?"

Sofia se encolheu, com os olhos grandes e "inocentes" agora cheios de medo e desafio. Uma performance.

Meu celular vibrou: "A CARA DE PÂNICO DELE! IMPAGÁVEL!"

"Olha a Sofia se fazendo de coitadinha. Que nojo."

Mantive-me imóvel. Não gritei, não chorei. O silêncio era mais pesado que qualquer acusação.

"Ana Paula, eu... eu posso explicar", gaguejou Ricardo.

"Não é o que parece? Você está seminu com outra mulher no seu colo, Ricardo. O que eu deveria achar que é?"

Foi Sofia quem quebrou o impasse. Levantou-se, ajeitando a camisa como um troféu.

"E se for o que parece?", ela disse, surpreendentemente firme. "O Ricardo não te ama mais. Ele me ama."

Eu ri, um som seco. "Você? Você não é nada. É só uma garota ambiciosa que viu uma oportunidade. Você não o ama. Você ama o que ele pode te dar. O que o meu dinheiro pode te dar."

O rosto dela ficou vermelho de raiva. "Você não sabe de nada! Você é uma rica mimada que sempre teve tudo. Você não sabe o que é lutar!"

"A única coisa pela qual você lutou foi para abrir as pernas para o meu marido", respondi, fria.

Ela me deu um tapa. A dor me despertou a fúria. Revidei, mais forte.

"Sua vadia!", ela gritou, vindo para cima de mim.

Ricardo agiu. Não para me proteger, mas para proteger Sofia. Ele a abraçou.

"Pare, Ana Paula! Você está louca? Deixe-a em paz!", ele gritou, como se eu fosse a agressora.

Isso foi a traição final. Pior que a mentira. O amor por ele morreu. Nasceu um ódio gelado.

"Você escolheu ela?", perguntei, minha voz tremendo de fúria. Ele não respondeu.

Sofia se desvencilhou dele, correu e me empurrou.

Perdi o equilíbrio. A escada.

Caí para trás. Uma dor lancinante na minha barriga.

Depois, tudo ficou escuro.

Acordei com cheiro de antisséptico num hospital. Ricardo estava lá, chorando.

Peguei meu celular. Os comentários me atingiram.

"O bebê... o bebê se foi."

"Ele matou o próprio filho por causa da amante."

Um vazio gelado. Minha barriga lisa. Minha filha. Tinha ido embora.

Minha irmã Carla entrou, os olhos inchados. "A polícia esteve aqui. Sofia foi presa. Mas Ricardo... ele contou uma versão diferente."

Lá no canto, Ricardo soluçava.

Meu celular vibrou. "Ele disse à polícia que a Ana Paula teve um surto de ciúmes e atacou a pobre Sofia, e que na confusão, ela tropeçou e caiu sozinha."

A farsa do seu choro se tornou clara. Chorava por si mesmo. Pelo escândalo.

Lágrimas rolaram. Não de tristeza, mas de ódio.

Perdi meu filho. Perdi tudo. Mas eu não estava derrotada.

Ricardo se aproximou. "Ana... meu amor... me perdoe..."

Virei o rosto. Ele tentou tocar minha mão.

"Não me toque", minha voz saiu como um rosnado.

Ele recuou. Eu continuava a encarar a parede branca, sentindo o vazio e o fogo crescendo em mim.

Ele tinha tirado meu filho. Agora, eu ia tirar tudo dele.

Os dias no hospital foram de silêncio da minha parte. Ricardo implorava, chamando a traição de "um erro".

Minha irmã Carla, meu único alívio. "O advogado está preparando os papéis do divórcio. E a denúncia contra a Sofia por agressão seguida de lesão corporal grave está correndo."

Eu assenti, uma chama de satisfação.

Naquela tarde, Ricardo explodiu. "Pelo amor de Deus, Ana Paula, diga alguma coisa! Está me matando!"

Caiu de joelhos, chorando. Pela primeira vez em dias, olhei para ele. Meus olhos secos, meu rosto inexpressivo.

"Nós tínhamos um amor, Ana", ele soluçou.

"Era?", perguntei, rouca.

"Sim! Eu juro!"

"Então por que você disse à polícia que eu ataquei a Sofia?", a pergunta caiu como uma pedra.

Ele congelou. "Como... como você sabe?"

"Eu sei de tudo, Ricardo. Sei que alugou apartamento para ela com o meu dinheiro. Sei que a protegeu."

"Você não me amava, Ricardo. Você amava o que eu representava. Você é um parasita. E eu cansei de ser sua hospedeira."

"Eu quero o divórcio", declarei. "E quero você fora da minha vida. Para sempre."

O pânico em seus olhos era genuíno. Ele sabia que tinha perdido a guerra.

A notificação do divórcio e da ação criminal chegou a Ricardo no dia da minha alta.

Ele tentou me barrar. "Você não pode fazer isso, Ana! Você quer me destruir?"

"Eu só quero que você pague pelo que fez", respondi friamente.

Ele gritou, batendo na parede. "Foi um acidente! Eu entrei em pânico! Por isso menti!"

Carla interveio. Ele a ignorou, os olhos fixos em mim.

"Pense em nós. Pense em tudo o que passamos." Sua voz mudou para súplica. "Sofia não tem ninguém, Ana. A família dela é pobre. Eu me senti responsável por ela."

A desculpa era patética.

"Responsável? Você se sentiu responsável a ponto de levá-la para a cama? A ponto de deixar que ela matasse o seu filho?"

Ele se encolheu. "Não foi culpa dela."

Mesmo agora, ele a defendia. Sua lealdade não era a mim.

Uma ideia cruel nasceu. Se ele queria dor, eu daria.

"Sabe, Ricardo", comecei, falsamente suave. "Eu tenho pensado muito na nossa filha."

Ele me olhou, confuso.

"Ela seria uma menina. Os médicos me disseram. Já tinha pensado em um nome: Laura."

A dor genuína faiscou nos olhos dele.

"Fico imaginando como ela seria. Teria seus olhos? Meu cabelo? Correndo pela casa, rindo."

Ele começou a tremer. "Pare... por favor, pare..."

"Mas ela nunca vai fazer nada disso, não é? Ela nunca vai existir. E a culpa é sua. Cada vez que você fechar os olhos pelo resto da sua vida, quero que veja o rosto da filha que você matou. Cada vez que tocar na Sofia, quero que se lembre que foi por ela que nossa filha morreu."

As palavras o atingiram. Ele levou as mãos à cabeça, gemendo.

"Não... não..."

"Você a escolheu, Ricardo. Escolheu a Sofia em vez da sua própria filha. Espero que tenha valido a pena."

Ele não aguentou mais.

Com um som gutural, um soluço de dor, virou-se e fugiu pelo corredor do hospital.

Observei-o ir. Não senti remorso. Senti uma satisfação fria e terrível.

Ele queria sentir dor? Agora sentia. Era apenas uma fração da minha, mas era um começo.

Semanas de mediações inúteis. Ricardo encenava o arrependido.

Eu estava na casa dos meus pais. Num dia chuvoso, meu celular explodiu em notificações.

"BOMBA! A Sofia está grávida!"

"Não pode ser! Grávida do Ricardo?"

"Ela usou o golpe da barriga! Que reviravolta!"

Grávida. A mulher que causou a morte da minha filha estava grávida. Do meu marido.

O som da TV na sala me chamou. Um programa de fofocas: "A AMANTE ESTÁ GRÁVIDA".

Lucas, meu ex-assistente, ligou. "Ele está comemorando. Disse que agora tem um herdeiro, que isso prova que o amor dele por Sofia era real."

Desliguei. O choque deu lugar a uma fúria fria e calculista.

Comemorando. Enquanto eu chorava, ele comemorava um filho com a amante. Era o fim.

Não havia mais dor, só ação.

Liguei para meu advogado, contador, gerente do banco.

"Quero que tudo seja executado. Agora. Todas as garantias que meu pai deu. Cada uma delas."

"Ana Paula, isso vai levá-lo à falência total", alertou o advogado.

"É exatamente isso que eu quero."

Vendi minhas ações na empresa conjunta para um concorrente. Cancelei cartões, fechei linhas de crédito.

Em horas, desmantelei seu castelo de cartas.

A reação dele foi imediata. Furioso, desesperado, invadiu a casa dos meus pais.

Encontrei-o no jardim.

"Sua desgraçada!", ele rosnou. "Você me arruinou! Tudo! Está tudo acabado!"

"Você se arruinou sozinho, Ricardo", respondi.

"Eu vou ter um filho! E você me tira tudo? Que tipo de monstro você é?"

"O tipo de monstro que você criou", retruquei.

Ele avançou, os olhos injetados.

"Nós podemos consertar isso", ele sussurrou, conspiratório e insano. "Eu tenho um plano. Sofia... a gravidez dela é um problema. Mas problemas podem ser... resolvidos."

Eu o encarei. Ele não estava sugerindo se livrar da amante. Sugeria assassiná-la. E ao bebê dela.

O homem era um monstro, despido de humanidade. Eu olhava para o abismo da sua loucura.

"Você está louco", sussurrei, recuando.

O sorriso dele era aterrorizante. "Não estou louco. Estou sendo prático. Ela é um problema. Nós eliminamos o problema. Simples."

"Fique longe de mim", disse, minha voz firme. "Você está doente. Você precisa de ajuda."

A menção de doença quebrou seu feitiço. Seu rosto se contorceu em fúria.

Nisso, o carro de Sofia parou. Ela veio, preocupada.

"Ricardo? O que está acontecendo?"

A loucura de Ricardo encontrou um novo foco.

"Você!", ele gritou, virando-se para ela. "É tudo culpa sua! Você e esse seu bebê! Você arruinou minha vida!"

Ele correu, agarrou-a, sacudindo-a violentamente.

"Ricardo, pare! Você está me machucando! O bebê!", ela chorava.

Gritei por seguranças. Eles apareceram.

Mas era tarde. Ele a empurrou. Sofia caiu no chão, gritando de dor.

Caos e horror. Seguranças o arrastaram, enquanto ele gritava maldições.

O fim de Ricardo foi rápido e humilhante. Preso pela agressão.

Para evitar pena maior, seu advogado fez um acordo: ele se declarou culpado, recebia pena reduzida, e uma ordem de restrição contra mim.

E a parte irônica: ele teria que se casar com Sofia para "assumir a responsabilidade" pela criança.

Casaram-se em uma cerimônia sombria, com policiais como testemunhas. Um final patético.

Meses depois, visitei Sofia numa clínica de repouso. Perdera o bebê.

"Ele me amava, sabe? Ele ia deixar você por mim. Nós seríamos felizes."

Ela vivia numa fantasia.

"Ele não tem mais nada, Sofia. O nome 'Ricardo' não significa mais nada."

"Para você, talvez", ela retrucou. "Mas para mim, significa tudo. Quando eu sair daqui, nós vamos recomeçar."

Inútil. Ela estava perdida em delírio.

"Sabe, Sofia", eu disse, levantando-me. "Você pode ficar com o nome. E pode ficar com ele também. Vocês se merecem."

Saí sem olhar para trás.

O dia da audiência final do divórcio. Ricardo, na tela, parecia abatido. Assinou os papéis.

"Eu sinto muito, Ana", ele disse.

Eu assenti.

Ao sair do prédio, senti uma leveza.

Meu celular, vazio. Nenhuma notificação. O silêncio era absoluto.

Era o som da minha liberdade.

Um táxi parou. Aeroporto. Minha irmã me esperava com uma passagem só de ida.

Olhei pela janela do avião, as luzes da cidade sumindo.

O passado era uma história que tinha chegado ao fim.

Eu era a autora do meu próprio futuro agora.

A página estava em branco.

Sorri. Era um bom começo.

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Romance

5.0

Era o nosso terceiro aniversário de casamento. Com rosas vermelhas, fui surpreender Isabela no seu escritório na Faria Lima, lembrando-me do inabalável pacto antenupcial: se ela traísse, perderia tudo. Mas ao entrar na sua sala, o que vi me paralisou. Luan, o entregador obcecado que tanto desprezávamos, estava lá. Nu. Confortavelmente deitado na sua poltrona caríssima, coberto apenas pela canga que eu lhe dera. O cheiro de suor misturado ao perfume dela, a visão daquele corpo vulgar no símbolo do seu poder. E então ela entrou. Não houve gritos. Com um pânico controlado, ela sussurrou: "Diogo, me ajude a vesti-lo. Ninguém pode ver isso." Fiquei ali, em choque, as rosas na mão. A voz dela era de quem abafa um escândalo, não de quem fora traída. Mais chocante ainda foi vê-la, horas depois, dobrar cuidadosamente aquela canga, não com nojo, mas com uma estranha reverência, guardando-a. Ali, senti que algo estava fundamentalmente podre. O choque e a repulsa só aumentavam ao vê-la priorizar Luan repetidas vezes: deixava-me ferido após um acidente para o salvar, e mais tarde, abandonava-me num incêndio, correndo para protegê-lo de uma viga em chamas. A cada escolha dela, o nojo virava um abismo. A mentira, a hipocrisia, a completa falta de consideração. Eu via as marcas do Luan nela, não apenas no pescoço, mas na mentira em seus olhos, na culpa em sua pele. Não havia mais dor, apenas uma náusea profunda. Quando o vídeo revelou Isabela e Luan na nossa cama, meu coração não se partiu. Ele se transformou em pedra. Vomitei a bile amarga, não de dor, mas de uma libertação repulsiva. Naquele momento final, a decisão estava selada. Abri o cofre, peguei o pacto antenupcial e, com cada traço da minha caneta, assinei meu nome na linha pontilhada. Imediatamente, procurei Sofia, a arqui-inimiga de Isabela, e, sem hesitar, ofereci a ela o controle da empresa. Minha vingança não seria barulhenta, mas precisa e devastadora. Eu iria limpá-la da minha vida, e ela não veria a queda chegar.

Você deve gostar

Noiva por contrato - Bella Mia

Noiva por contrato - Bella Mia

Afrodite LesFolies
5.0

Livro 1: "Noiva por Contrato – Bella Mia" Dante Montallegro é um homem poderoso, determinado e que para vencer está disposto a tudo! Seu império ele conseguiu através de muita ambição, sua vida pessoal estava ligada completamente ao seu trabalho. Mas em um imprevisto da vida, ele jogou e apostou alto demais, fazendo um contrato que poderá mudar sua vida para sempre. Karen, uma jovem batalhadora, dedicada e amorosa ao seu pequeno irmão Gabriel. Ela cuida dele desde que seus pais morreram. Ela se viu tendo que enfrentar o mundo para sustentar os estudos dela e de seu irmão. Ela estava cheia de dívidas e em uma atitude desesperada decidiu entrar para uma vida oculta. Mesmo ganhando bem na boate Red Angel, ela sempre quis sair daquela vida de uma vez por todas, aquele contrato pagaria os seus estudos e a permitiria deixar a vida de acompanhante de luxo para trás. O que ela não sabia era que pela primeira vez neste trabalho, ela não estaria disposta a deixar o sexo de lado. O irresistível Dante seria capaz de conquistar além do seu corpo, também o seu coração? Livro 2: "Vita Mia: Amor Sob o Céu da Toscana" LIVRO EXCLUSIVO LERA Lana Sophie é uma dedicada e reservada secretária na empresa de destilados da família italiana Montallegro. Após uma desastrosa experiência amorosa, ela se empenha em manter seu coração protegido e focar exclusivamente no trabalho. Acostumada com a rotina de seu chefe Dante, Lana de repente se vê tendo que trabalhar para Aron, o irmão mais velho dele, um playboy provocador e intensamente lindo. Tudo muda quando Lana é obrigada a viajar para a Toscana em uma missão de negócios ao lado de Aron. Em meio aos belos vinhedos e paisagens encantadoras, eles se veem envolvidos em uma trama para alcançar seus objetivos empresariais, fingindo um relacionamento amoroso. O que começa como uma fachada logo se transforma em uma conexão intensa. Entretanto, quando pensam que tudo está resolvido e que encontraram um equilíbrio, imprevistos surgem, ameaçando desestruturar tudo o que construíram. Em um cenário repleto de intrigas, paixões e desafios, Lana e Aron terão que lutar para proteger seu amor e provar que estão dispostos a enfrentar qualquer obstáculo. Mas será que o amor deles será forte o suficiente para sobreviver aos segredos e armadilhas que os aguardam? ***Se gostou de Bella Mia e Vita Mia, leia também "Per sempre Mia - Um contrato de amor com o Italiano" e "O acordo irresistível (Série Destinos Entrelaçados - Volume 2)"

Cicatrizes da Traição: A Herdeira que Tentaram Apagar

Cicatrizes da Traição: A Herdeira que Tentaram Apagar

Jiu Meier
5.0

Fugi de casa por três dias, esperando que meu marido percebesse. Mas Justino, um poderoso Capitão da polícia e Juiz, não me ligou uma única vez. Até que fui parada em uma blitz comandada por ele. Ele não pediu meus documentos para verificar a lei seca. Ele os confiscou, trancou-me em seu carro pessoal e me levou de volta para a nossa mansão fria, agindo não como marido, mas como um carcereiro. No caminho, o celular dele acendeu no painel. Uma mensagem de um contato salvo apenas como "A": *Dói tanto... onde você está?* Ele jurou que era uma testemunha protegida. Mas naquela mesma noite, o homem que me negou um filho por cinco anos tentou me engravidar à força, usando o sexo como uma algema para me distrair daquela mensagem. Trancada no quarto de hóspedes, investiguei e a verdade me destruiu. "A" não era uma vítima aleatória. Era Angele, a meia-irmã dele. Encontrei fotos onde ele a olhava com uma adoração doentia, segurando a mão dela em camas de hospital, priorizando a "frágil" irmã acima da minha própria vida. Eu era apenas o disfarce de normalidade para o incesto emocional deles. No dia seguinte, em um jantar de família, ele apertou minha cintura com força e anunciou sorrindo para todos: "Estamos tentando ter um bebê." O medo deu lugar a uma fúria gelada. Soltei meu braço do aperto dele, encarei-o diante da família inteira e disparei: "A Angele mandou lembranças, Justino? Ou ela só está checando para ter certeza de que você ainda pertence a ela?" A mesa silenciou. A guerra havia começado.

Resistindo ao Meu Marido Mafioso Possessivo

Resistindo ao Meu Marido Mafioso Possessivo

Ife Anyi
5.0

Aviso: Conteúdo 18+ para público adulto. Trecho do Livro: Donovan: Seus olhos verdes encantadores, que estavam vivos de paixão no dia em que eu disse que ela podia ir às compras, agora estão pálidos, com apenas o desespero dançando dentro deles. "Estou muito ciente dos meus deveres como sua esposa, Sr. Castellano." Meus olhos escurecem com o uso formal do meu nome. Já disse para ela parar com isso. Parece errado. Como se ela não me pertencesse. Cerrei o maxilar enquanto espero que ela termine a frase, mas seu sorriso frio se alarga. "Ah, você não gosta quando eu te chamo de Sr. Castellano, não é? Que pena. Você não pode forçar a minha boca a dizer o que você quer ouvir." O sangue corre para minha virilha enquanto suas palavras se acomodam no ar tenso entre nós. Será que ela percebe a gravidade do que acabou de dizer? Será que ela sabe que gemeu meu nome enquanto eu tinha sua boceta molhada na minha boca? Será que sabe o quanto ficou carente quando quis que eu a tomasse, mesmo sem estar totalmente acordada? E será que ela tem consciência de que eu sei o quanto ela me deseja em seus sonhos, enquanto na vida real finge me odiar? Ela me encara com raiva enquanto eu ferve, olhando para baixo, para ela. "É Donovan", digo sombriamente, resistindo à atração dos lábios dela e mantendo meu olhar em seus olhos. "Sr. Castellano", ela rebate. Meu rosto se aproxima, pronto para lhe dar um beijo punitivo, quando um som seco ecoa pelo quarto e então percebo, tarde demais, que acabei de levar um tapa, meu rosto virando para o lado, afastando-se de Eliana. Eliana me deu um tapa. A filha de Luis Santario acabou de me dar um tapa. Assim como o pai dela fizera muitas noites atrás. A vergonha me invade, mas logo é esmagada por uma raiva quente e violenta. Como ela ousa? Como essa vadia ousa?! A bochecha dela fica vermelha instantaneamente com as marcas dos meus dedos. O sangue escorre de seu nariz, e o cabelo, que estava preso em um coque bagunçado, se espalha ao redor de seu rosto. A cabeça de Eliana permanece baixa enquanto o sangue de seu nariz pinga sobre os lençóis brancos da cama. --- Eliana: Eu sei que estou assinando minha sentença de morte ao provocá-lo desse jeito, mas o que mais posso fazer quando ele já planejou me matar? Posso muito bem facilitar as coisas para ele, tirando-o do sério. Se eu não o afastar, tenho medo de começar a confundir as linhas entre meus sonhos e a realidade. O Donovan dos meus sonhos é drasticamente diferente do da vida real. Se meus planos para escapar desse casamento não derem certo, posso acabar morta ou, pior ainda, apaixonada por Donovan Castellano. E eu prefiro morrer agora a me apaixonar por ele e morrer depois. --- Anos atrás, Donovan Castellano passou por algo que o mudou irrevogavelmente para pior, e o pai de Eliana foi o culpado. Anos depois, o pai de Eliana morre. Eliana não conhece o passado sombrio do pai nem o motivo de Donovan Castellano tê-la comprado e depois se casado com ela. Mas ela sabe que ele quer sangue e pretende matá-la. Porém, por quanto tempo ela continuará se defendendo quando a forma como ele a toca e a beija em seus sonhos começa a confundir os limites entre realidade e ficção? Donovan conseguirá finalmente se vingar de Eliana pelo que o pai dela lhe fez? E Eliana conseguirá resistir às investidas de seu marido mafioso possessivo, mesmo quando ele diz que quer vê-la morta? Leia para descobrir.

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A Vingança da Esposa Grávida A Vingança da Esposa Grávida Yan Huo Si Yue Tian Moderno
“Eu estava grávida de três meses. Meu marido, Ricardo, um influenciador digital em ascensão, sorria para a câmera. Ele virou o celular para mim, meus olhos cansados captando sua performance de "marido perfeito". Em meio aos comentários de "casal perfeito!", vi mensagens estranhas. "A coitadinha ainda não sabe que é só uma ferramenta para o sucesso dele." "Daqui a três meses, ela vai descobrir a traição. O show vai ser bom." "E o bebê? Ah, o bebê não vai ter a chance de nascer. Uma pena, ia ser uma menina linda." "Sofia já está escolhendo o berço. Com o dinheiro do pai da Ana Paula, claro." Senti um arrepio. Que brincadeira era essa? De repente, o homem ao meu lado parecia um estranho. Toda a nossa vida, uma farsa. Eu era a tola protagonista, a última a saber. Entendi que eu era uma ferramenta, uma escada para a ascensão dele, e meu pai, o alicerce financeiro. Uma fúria fria me invadiu. Meu filho não seria vítima. Eu ia reescrever esse roteiro. Enquanto ele perguntava se eu estava bem, com aquela falsa preocupação, transferi todo o dinheiro da conta conjunta. Liguei para o gerente financeiro do meu pai, congelando todos os investimentos dele. Eu não esperaria três meses, nem o acidente. Eu desmantelaria o mundo dele antes que ele destruísse o meu. Na manhã seguinte, ele cantava no chuveiro. Eu sentia náuseas, mas não da gravidez. Era dele. No celular, encontrei mais sobre "Sofia": "A estagiária esforçada que só quer uma chance. Mal sabe Ana Paula que a chance que ela quer é a de virar a nova Sra. Ricardo." Lembrei-me dela, a "protegida". A inocência fingida. O toque leve no braço dele que durou um segundo a mais. Ele não a via como filha. Ela não o via como pai. Aquele toque não foi acidental. Aquele olhar não era admiração. Era cálculo, ambição. Ele me traía e me fazia de idiota, usando meu dinheiro para sustentar a amante. Tudo nele, cada palavra doce, cada gesto, tudo era uma mentira. E eu havia caído em cada uma delas. Mas não mais. Com as mãos trêmulas, mas a mente afiada, abri a fatura do cartão adicional que dei a ele. Jantares caros, joias, e a prova final: pagamentos recorrentes a um hotel de luxo, terças e quintas. As peças se encaixaram de forma cruel. Ele me mandou uma mensagem: "Amor? Onde você está? Volte para a cama, está frio. Estou com saudades." Senti um nojo profundo e vomitei. Minha imagem no espelho era de uma mulher pálida, doente, mas uma nova força crescia em mim. A força da raiva. Disquei o número de Lucas, o assistente bajulador de Ricardo. "Lucas? É a Ana Paula. O Ricardo está estranho. Acho que está com algum problema no trabalho. Você sabe de algo?" disse, jogando a isca. Ele hesitou, mas minha menção ao dinheiro do meu pai o convenceu. "Ele tem passado muito tempo com a Sofia. Ele até alugou um apartamento para ela perto do escritório." Um apartamento. A audácia dele era inacreditável. Peguei o endereço. O confronto era inevitável. Eu não seria mais a esposa enganada. Dirigi com uma calma assustadora. Meu coração, antes em pedaços, estava congelado. Os comentários do celular me acompanhavam: "A cena do confronto vai começar!", "A esposa original vai pegar o marido infiel em flagrante!" Parei em frente ao prédio. Luxuoso e discreto. Perfeito para um ninho de amor secreto. Respirei fundo. "Ela vai hesitar? Não hesite, Ana Paula! Entre e acabe com eles!" Entrei no prédio, subi no elevador, a pressão aumentando no meu peito. Parei na porta 402. A música, as risadas dele e dela. Destrancada. Empurrei a porta. Ricardo, sem camisa. Sofia no colo dele, vestindo uma de suas camisas – que eu dei a ele. Beijavam-se, as mãos dele explorando o corpo dela com a intimidade que antes era minha. O mundo parou. Ricardo me viu primeiro. Seu sorriso desmoronou em pânico. Ele a empurrou bruscamente. "Ana... Ana Paula? O que... o que você está fazendo aqui?" Sofia se encolheu, com os olhos grandes e "inocentes" agora cheios de medo e desafio. Uma performance. Meu celular vibrou: "A CARA DE PÂNICO DELE! IMPAGÁVEL!" "Olha a Sofia se fazendo de coitadinha. Que nojo." Mantive-me imóvel. Não gritei, não chorei. O silêncio era mais pesado que qualquer acusação. "Ana Paula, eu... eu posso explicar", gaguejou Ricardo. "Não é o que parece? Você está seminu com outra mulher no seu colo, Ricardo. O que eu deveria achar que é?" Foi Sofia quem quebrou o impasse. Levantou-se, ajeitando a camisa como um troféu. "E se for o que parece?", ela disse, surpreendentemente firme. "O Ricardo não te ama mais. Ele me ama." Eu ri, um som seco. "Você? Você não é nada. É só uma garota ambiciosa que viu uma oportunidade. Você não o ama. Você ama o que ele pode te dar. O que o meu dinheiro pode te dar." O rosto dela ficou vermelho de raiva. "Você não sabe de nada! Você é uma rica mimada que sempre teve tudo. Você não sabe o que é lutar!" "A única coisa pela qual você lutou foi para abrir as pernas para o meu marido", respondi, fria. Ela me deu um tapa. A dor me despertou a fúria. Revidei, mais forte. "Sua vadia!", ela gritou, vindo para cima de mim. Ricardo agiu. Não para me proteger, mas para proteger Sofia. Ele a abraçou. "Pare, Ana Paula! Você está louca? Deixe-a em paz!", ele gritou, como se eu fosse a agressora. Isso foi a traição final. Pior que a mentira. O amor por ele morreu. Nasceu um ódio gelado. "Você escolheu ela?", perguntei, minha voz tremendo de fúria. Ele não respondeu. Sofia se desvencilhou dele, correu e me empurrou. Perdi o equilíbrio. A escada. Caí para trás. Uma dor lancinante na minha barriga. Depois, tudo ficou escuro. Acordei com cheiro de antisséptico num hospital. Ricardo estava lá, chorando. Peguei meu celular. Os comentários me atingiram. "O bebê... o bebê se foi." "Ele matou o próprio filho por causa da amante." Um vazio gelado. Minha barriga lisa. Minha filha. Tinha ido embora. Minha irmã Carla entrou, os olhos inchados. "A polícia esteve aqui. Sofia foi presa. Mas Ricardo... ele contou uma versão diferente." Lá no canto, Ricardo soluçava. Meu celular vibrou. "Ele disse à polícia que a Ana Paula teve um surto de ciúmes e atacou a pobre Sofia, e que na confusão, ela tropeçou e caiu sozinha." A farsa do seu choro se tornou clara. Chorava por si mesmo. Pelo escândalo. Lágrimas rolaram. Não de tristeza, mas de ódio. Perdi meu filho. Perdi tudo. Mas eu não estava derrotada. Ricardo se aproximou. "Ana... meu amor... me perdoe..." Virei o rosto. Ele tentou tocar minha mão. "Não me toque", minha voz saiu como um rosnado. Ele recuou. Eu continuava a encarar a parede branca, sentindo o vazio e o fogo crescendo em mim. Ele tinha tirado meu filho. Agora, eu ia tirar tudo dele. Os dias no hospital foram de silêncio da minha parte. Ricardo implorava, chamando a traição de "um erro". Minha irmã Carla, meu único alívio. "O advogado está preparando os papéis do divórcio. E a denúncia contra a Sofia por agressão seguida de lesão corporal grave está correndo." Eu assenti, uma chama de satisfação. Naquela tarde, Ricardo explodiu. "Pelo amor de Deus, Ana Paula, diga alguma coisa! Está me matando!" Caiu de joelhos, chorando. Pela primeira vez em dias, olhei para ele. Meus olhos secos, meu rosto inexpressivo. "Nós tínhamos um amor, Ana", ele soluçou. "Era?", perguntei, rouca. "Sim! Eu juro!" "Então por que você disse à polícia que eu ataquei a Sofia?", a pergunta caiu como uma pedra. Ele congelou. "Como... como você sabe?" "Eu sei de tudo, Ricardo. Sei que alugou apartamento para ela com o meu dinheiro. Sei que a protegeu." "Você não me amava, Ricardo. Você amava o que eu representava. Você é um parasita. E eu cansei de ser sua hospedeira." "Eu quero o divórcio", declarei. "E quero você fora da minha vida. Para sempre." O pânico em seus olhos era genuíno. Ele sabia que tinha perdido a guerra. A notificação do divórcio e da ação criminal chegou a Ricardo no dia da minha alta. Ele tentou me barrar. "Você não pode fazer isso, Ana! Você quer me destruir?" "Eu só quero que você pague pelo que fez", respondi friamente. Ele gritou, batendo na parede. "Foi um acidente! Eu entrei em pânico! Por isso menti!" Carla interveio. Ele a ignorou, os olhos fixos em mim. "Pense em nós. Pense em tudo o que passamos." Sua voz mudou para súplica. "Sofia não tem ninguém, Ana. A família dela é pobre. Eu me senti responsável por ela." A desculpa era patética. "Responsável? Você se sentiu responsável a ponto de levá-la para a cama? A ponto de deixar que ela matasse o seu filho?" Ele se encolheu. "Não foi culpa dela." Mesmo agora, ele a defendia. Sua lealdade não era a mim. Uma ideia cruel nasceu. Se ele queria dor, eu daria. "Sabe, Ricardo", comecei, falsamente suave. "Eu tenho pensado muito na nossa filha." Ele me olhou, confuso. "Ela seria uma menina. Os médicos me disseram. Já tinha pensado em um nome: Laura." A dor genuína faiscou nos olhos dele. "Fico imaginando como ela seria. Teria seus olhos? Meu cabelo? Correndo pela casa, rindo." Ele começou a tremer. "Pare... por favor, pare..." "Mas ela nunca vai fazer nada disso, não é? Ela nunca vai existir. E a culpa é sua. Cada vez que você fechar os olhos pelo resto da sua vida, quero que veja o rosto da filha que você matou. Cada vez que tocar na Sofia, quero que se lembre que foi por ela que nossa filha morreu." As palavras o atingiram. Ele levou as mãos à cabeça, gemendo. "Não... não..." "Você a escolheu, Ricardo. Escolheu a Sofia em vez da sua própria filha. Espero que tenha valido a pena." Ele não aguentou mais. Com um som gutural, um soluço de dor, virou-se e fugiu pelo corredor do hospital. Observei-o ir. Não senti remorso. Senti uma satisfação fria e terrível. Ele queria sentir dor? Agora sentia. Era apenas uma fração da minha, mas era um começo. Semanas de mediações inúteis. Ricardo encenava o arrependido. Eu estava na casa dos meus pais. Num dia chuvoso, meu celular explodiu em notificações. "BOMBA! A Sofia está grávida!" "Não pode ser! Grávida do Ricardo?" "Ela usou o golpe da barriga! Que reviravolta!" Grávida. A mulher que causou a morte da minha filha estava grávida. Do meu marido. O som da TV na sala me chamou. Um programa de fofocas: "A AMANTE ESTÁ GRÁVIDA". Lucas, meu ex-assistente, ligou. "Ele está comemorando. Disse que agora tem um herdeiro, que isso prova que o amor dele por Sofia era real." Desliguei. O choque deu lugar a uma fúria fria e calculista. Comemorando. Enquanto eu chorava, ele comemorava um filho com a amante. Era o fim. Não havia mais dor, só ação. Liguei para meu advogado, contador, gerente do banco. "Quero que tudo seja executado. Agora. Todas as garantias que meu pai deu. Cada uma delas." "Ana Paula, isso vai levá-lo à falência total", alertou o advogado. "É exatamente isso que eu quero." Vendi minhas ações na empresa conjunta para um concorrente. Cancelei cartões, fechei linhas de crédito. Em horas, desmantelei seu castelo de cartas. A reação dele foi imediata. Furioso, desesperado, invadiu a casa dos meus pais. Encontrei-o no jardim. "Sua desgraçada!", ele rosnou. "Você me arruinou! Tudo! Está tudo acabado!" "Você se arruinou sozinho, Ricardo", respondi. "Eu vou ter um filho! E você me tira tudo? Que tipo de monstro você é?" "O tipo de monstro que você criou", retruquei. Ele avançou, os olhos injetados. "Nós podemos consertar isso", ele sussurrou, conspiratório e insano. "Eu tenho um plano. Sofia... a gravidez dela é um problema. Mas problemas podem ser... resolvidos." Eu o encarei. Ele não estava sugerindo se livrar da amante. Sugeria assassiná-la. E ao bebê dela. O homem era um monstro, despido de humanidade. Eu olhava para o abismo da sua loucura. "Você está louco", sussurrei, recuando. O sorriso dele era aterrorizante. "Não estou louco. Estou sendo prático. Ela é um problema. Nós eliminamos o problema. Simples." "Fique longe de mim", disse, minha voz firme. "Você está doente. Você precisa de ajuda." A menção de doença quebrou seu feitiço. Seu rosto se contorceu em fúria. Nisso, o carro de Sofia parou. Ela veio, preocupada. "Ricardo? O que está acontecendo?" A loucura de Ricardo encontrou um novo foco. "Você!", ele gritou, virando-se para ela. "É tudo culpa sua! Você e esse seu bebê! Você arruinou minha vida!" Ele correu, agarrou-a, sacudindo-a violentamente. "Ricardo, pare! Você está me machucando! O bebê!", ela chorava. Gritei por seguranças. Eles apareceram. Mas era tarde. Ele a empurrou. Sofia caiu no chão, gritando de dor. Caos e horror. Seguranças o arrastaram, enquanto ele gritava maldições. O fim de Ricardo foi rápido e humilhante. Preso pela agressão. Para evitar pena maior, seu advogado fez um acordo: ele se declarou culpado, recebia pena reduzida, e uma ordem de restrição contra mim. E a parte irônica: ele teria que se casar com Sofia para "assumir a responsabilidade" pela criança. Casaram-se em uma cerimônia sombria, com policiais como testemunhas. Um final patético. Meses depois, visitei Sofia numa clínica de repouso. Perdera o bebê. "Ele me amava, sabe? Ele ia deixar você por mim. Nós seríamos felizes." Ela vivia numa fantasia. "Ele não tem mais nada, Sofia. O nome 'Ricardo' não significa mais nada." "Para você, talvez", ela retrucou. "Mas para mim, significa tudo. Quando eu sair daqui, nós vamos recomeçar." Inútil. Ela estava perdida em delírio. "Sabe, Sofia", eu disse, levantando-me. "Você pode ficar com o nome. E pode ficar com ele também. Vocês se merecem." Saí sem olhar para trás. O dia da audiência final do divórcio. Ricardo, na tela, parecia abatido. Assinou os papéis. "Eu sinto muito, Ana", ele disse. Eu assenti. Ao sair do prédio, senti uma leveza. Meu celular, vazio. Nenhuma notificação. O silêncio era absoluto. Era o som da minha liberdade. Um táxi parou. Aeroporto. Minha irmã me esperava com uma passagem só de ida. Olhei pela janela do avião, as luzes da cidade sumindo. O passado era uma história que tinha chegado ao fim. Eu era a autora do meu próprio futuro agora. A página estava em branco. Sorri. Era um bom começo.”
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Introdução

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Capítulo 1

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Capítulo 2

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Capítulo 3

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Capítulo 4

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Capítulo 5

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Capítulo 6

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Capítulo 7

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Capítulo 8

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Capítulo 9

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Capítulo 10

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Capítulo 11

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Capítulo 12

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