O Canto da Redenção

O Canto da Redenção

Yue Man Shuang

5.0
Comentário(s)
44
Leituras
11
Capítulo

A neve caía lá fora, mas o frio dentro do estúdio era ainda mais cortante, um frio que vinha dos ossos e congelava a alma. Eu sentia o gosto metálico de sangue na garganta, minha voz, antes um dom divino, agora apenas um sussurro rouco e dolorido, enquanto Pedro de Luca, o magnata da música, o homem que um dia curei, me forçava a cantar para um cadáver: o corpo congelado de Carolina. Ele gritava, seus olhos injetados de sangue, que eu a fizesse acordar, que a minha voz não era divina? Eu implorava para ele parar, que ela estava morta há um ano, que minha voz curava a alma, não ressuscitava os mortos. Mas Pedro rosnava que a culpa era minha, por tê-lo curado, por ter aceitado nosso casamento forçado, um pagamento que fizera Carolina cair no precipício. Eu cantei até minhas cordas vocais se romperem, até o sangue escorrer por meus lábios, manchando o vestido branco. Cantei até a escuridão tomar conta da minha visão, até meu último suspiro se perder no ar gelado, o arrependimento amargo sendo meu último pensamento. Então, tudo ficou silencioso. E de repente, eu abri os olhos novamente, na rica mansão de Luca, vendo Pedro jovem, quebrado pela depressão, e sua mãe me oferecendo uma fortuna para salvá-lo, como se a minha dor nunca tivesse existido. Eu conhecia aquele lugar, aquele dia. Mas desta vez, o medo se fora. A ingenuidade desaparecera, substituída por uma clareza cortante. "A inspiração do Sr. Pedro se foi", eu disse, olhando para o homem que me destruíra. "Ninguém pode trazê-la de volta." Minha voz, em vez de curar a alma dele, se tornou uma profecia gélida: "A melodia que ele tanto procura está no fundo de um precipício. Assim como a alma dele." Eu me recusei, mas ele era um monstro, e dessa vez, ele ia se destruir. Mal sabia eu que o passado não estava morto, apenas esperando sua chance de ressurgir.

Introdução

A neve caía lá fora, mas o frio dentro do estúdio era ainda mais cortante, um frio que vinha dos ossos e congelava a alma.

Eu sentia o gosto metálico de sangue na garganta, minha voz, antes um dom divino, agora apenas um sussurro rouco e dolorido, enquanto Pedro de Luca, o magnata da música, o homem que um dia curei, me forçava a cantar para um cadáver: o corpo congelado de Carolina.

Ele gritava, seus olhos injetados de sangue, que eu a fizesse acordar, que a minha voz não era divina?

Eu implorava para ele parar, que ela estava morta há um ano, que minha voz curava a alma, não ressuscitava os mortos.

Mas Pedro rosnava que a culpa era minha, por tê-lo curado, por ter aceitado nosso casamento forçado, um pagamento que fizera Carolina cair no precipício.

Eu cantei até minhas cordas vocais se romperem, até o sangue escorrer por meus lábios, manchando o vestido branco.

Cantei até a escuridão tomar conta da minha visão, até meu último suspiro se perder no ar gelado, o arrependimento amargo sendo meu último pensamento.

Então, tudo ficou silencioso.

E de repente, eu abri os olhos novamente, na rica mansão de Luca, vendo Pedro jovem, quebrado pela depressão, e sua mãe me oferecendo uma fortuna para salvá-lo, como se a minha dor nunca tivesse existido.

Eu conhecia aquele lugar, aquele dia.

Mas desta vez, o medo se fora.

A ingenuidade desaparecera, substituída por uma clareza cortante.

"A inspiração do Sr. Pedro se foi", eu disse, olhando para o homem que me destruíra. "Ninguém pode trazê-la de volta."

Minha voz, em vez de curar a alma dele, se tornou uma profecia gélida: "A melodia que ele tanto procura está no fundo de um precipício. Assim como a alma dele."

Eu me recusei, mas ele era um monstro, e dessa vez, ele ia se destruir.

Mal sabia eu que o passado não estava morto, apenas esperando sua chance de ressurgir.

Continuar lendo

Outros livros de Yue Man Shuang

Ver Mais

Você deve gostar

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei

PageProfit Studio
4.9

"Minha irmã tentou roubar o meu companheiro. E eu deixei que ela ficasse com ele." Nascida sem uma loba, Seraphina era a vergonha da sua Alcateia. Até que, em uma noite de bebedeira, engravidou e casou-se com Kieran, o impiedoso Alfa que nunca a quis. Mas o casamento deles, que durou uma década, não era um conto de fadas. Por dez anos, ela suportou a humilhação de não ter o título de Luna nem marca de companheira, apenas lençóis frios e olhares mais frios ainda. Quando sua irmã perfeita voltou, na mesma noite em que o Kieran pediu o divórcio, sua família ficou feliz em ver seu casamento desfeito. Seraphina não brigou, foi embora em silêncio. Contudo, quando o perigo surgiu, verdades chocantes vieram à tona: ☽ Aquela noite não foi um acidente; ☽ Seu "defeito" era, na verdade, um dom raro; ☽ E agora todos os Alfas, incluindo seu ex-marido, iam lutar para reivindicá-la. Pena que ela estava cansada de ser controlada. *** O rosnado do Kieran reverberou pelos meus ossos enquanto ele me prendia contra a parede. O calor dele atravessava as camadas de tecido da minha roupa. "Você acha que é fácil assim ir embora, Seraphina?" Seus dentes roçaram a pele não marcada do meu pescoço. "Você. É. Minha." Uma palma quente subiu pela minha coxa. "Ninguém mais vai tocar em você." "Você teve dez anos pra me reivindicar, Alfa." Mostrei os dentes em um sorriso. "Engraçado como você só se lembra que sou sua... quando estou indo embora."

Capítulo
Ler agora
Baixar livro