A Socialite e o Catador

A Socialite e o Catador

Crawford Sinclair

5.0
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10
Capítulo

Eu já fui da alta sociedade de São Paulo. Agora, eu era um fantasma comendo lixo de uma caçamba atrás do prédio que ainda levava o nome da minha família. Então, ouvi a voz dele. Bernardo. Meu antigo amor, meu meio-irmão, o homem por quem eu tinha voltado. Ele estava no telefone com Eva, a mulher que roubou minha vida, minha família e meu rosto. Ele me viu, um amontoado disforme de trapos, e seu rosto se encheu de nojo. Ele mandou seu assistente me dar dinheiro e "tirar essa imundície da propriedade da empresa". Por um instante fugaz, ele viu a tatuagem de infinito no meu pulso - nossa promessa secreta de eternidade. Ele até sussurrou meu nome: "Heloísa?" Mas então balançou a cabeça, descartando o impossível. Ele me deu as costas, indo embora sem um segundo olhar. Aquela rejeição final quebrou o último pedaço da minha alma. Caminhei até a Ponte Estaiada e me soltei. No exato momento em que meu corpo atingiu a água fria, um médico estava ao telefone com Bernardo, sua voz tremendo com os resultados de um novo teste de DNA. O teste original, aquele que destruiu minha vida, era uma farsa. Eu era a verdadeira herdeira o tempo todo.

A Socialite e o Catador Capítulo 1

Eu já fui da alta sociedade de São Paulo. Agora, eu era um fantasma comendo lixo de uma caçamba atrás do prédio que ainda levava o nome da minha família.

Então, ouvi a voz dele. Bernardo. Meu antigo amor, meu meio-irmão, o homem por quem eu tinha voltado.

Ele estava no telefone com Eva, a mulher que roubou minha vida, minha família e meu rosto.

Ele me viu, um amontoado disforme de trapos, e seu rosto se encheu de nojo. Ele mandou seu assistente me dar dinheiro e "tirar essa imundície da propriedade da empresa".

Por um instante fugaz, ele viu a tatuagem de infinito no meu pulso - nossa promessa secreta de eternidade. Ele até sussurrou meu nome: "Heloísa?"

Mas então balançou a cabeça, descartando o impossível. Ele me deu as costas, indo embora sem um segundo olhar. Aquela rejeição final quebrou o último pedaço da minha alma.

Caminhei até a Ponte Estaiada e me soltei.

No exato momento em que meu corpo atingiu a água fria, um médico estava ao telefone com Bernardo, sua voz tremendo com os resultados de um novo teste de DNA. O teste original, aquele que destruiu minha vida, era uma farsa. Eu era a verdadeira herdeira o tempo todo.

Capítulo 1

O fedor de comida podre e papelão molhado encheu as narinas de Heloísa Medeiros. Era o cheiro da sua vida agora. Ela enfiou a mão boa mais fundo na caçamba, seus dedos procurando por sacos gosmentos e cacos de vidro. Aquela caçamba em particular, atrás da reluzente Torre Medeiros, era muitas vezes uma mina de ouro. O restaurante de luxo no térreo jogava fora comida que mal tinha um dia.

Uma ex-socialite paulistana, ela conhecia qualidade. Agora, era apenas mais uma moradora de rua, um fantasma assombrando as bordas de seu próprio passado. As luzes da cidade se turvavam em sua visão. A fome era uma dor constante e roedora em seu estômago.

Ela puxou um recipiente de plástico lacrado. Dentro havia uma fatia de cheesecake de aparência cara, comida pela metade. Uma pequena vitória. Ela se sentou no pavimento frio, com as costas contra a parede de tijolos do beco, e usou os dedos para levar a sobremesa cremosa à boca. Tinha gosto de paraíso. Tinha gosto de uma vida que ela não tinha mais.

Seu rosto, antes capa de revistas, era agora um mapa de cicatrizes. Uma linha grossa e enrugada ia de sua têmpora até a mandíbula, puxando seu lábio em um desprezo permanente. Ácido. Sua mão esquerda era uma garra mutilada, os ossos esmagados sem chance de reparo. Ela não conseguia falar, nem uma única palavra. Suas cordas vocais tinham sido destruídas.

Era melhor morrer de fome com dignidade ou viver assim? A pergunta era um tambor surdo e repetitivo em sua cabeça. Mas toda vez que a fome se tornava insuportável, a resposta era a mesma. Ela escolhia viver. Ela escolhia a caçamba.

A porta de um carro bateu por perto. O som era agudo, caro. Ela o ignorou, focando na última mordida do cheesecake. De repente, a voz de um homem cortou o ar, nítida e familiar.

"Pode deixar no banco, Marcos. Eu cuido do resto."

Heloísa congelou. Ela conhecia aquela voz. Conheceria em qualquer lugar. Lentamente, ela ergueu o olhar.

Bernardo Medeiros estava sob a luz do beco, seu terno sob medida impecável, seu rosto duro e bonito. Seu meio-irmão. Seu antigo amor. O CEO da empresa de cujo lixo ela estava se alimentando. Ele falava ao telefone, de costas para ela.

"Eva, meu bem, estou saindo do escritório. Sim, chego em casa logo."

Eva. O nome foi um golpe físico. A mulher que havia tirado tudo dela. A nova herdeira. A noiva de Bernardo.

Uma onda de náusea tomou conta de Heloísa, mais forte que a fome. Ela queria correr, se esconder, mas seu corpo estava paralisado. Era por isso que ela tinha voltado. Depois de meses caminhando, pegando caronas, passando fome desde aquela cidade desolada de volta a São Paulo, era por isso. Para vê-lo uma última vez.

Ela se agarrou a uma esperança tola, uma pequena chama na vasta escuridão de sua vida. Talvez ele a visse. Talvez ele a reconhecesse. Talvez, apenas talvez, ele ainda se importasse.

Agora, ouvindo-o falar com Eva com tanta ternura, aquela esperança morreu. Era um sonho de tolo. Ele estava feliz. Ele havia seguido em frente. A existência dela era um inconveniente do qual ele nem sequer estava ciente.

Ele riu de algo que Eva disse, um som baixo e íntimo que despedaçou Heloísa. O cheesecake revirou em seu estômago. Ela sentiu a bile subir pela garganta e virou a cabeça, vomitando no pavimento sujo.

O som fez Bernardo se virar. Ele a viu então, um amontoado miserável de trapos no chão. Seu rosto se contraiu em nojo.

"Marcos, venha aqui", ele ordenou.

Seu assistente, Marcos, um jovem de terno elegante, correu até ele.

"Senhor?"

"Dê um dinheiro para ela. Tire-a daqui. Não quero ver essa imundície na propriedade da empresa."

Marcos se aproximou de Heloísa com cautela, tirando uma nota de cem reais da carteira. Ele a estendeu, o nariz enrugado.

"Tome. Agora você precisa ir embora."

Heloísa não olhou para o dinheiro. Não olhou para Marcos. Ela olhou para Bernardo. Seus olhos, a única parte de seu rosto que ainda era dela, suplicavam a ele. Olhe para mim. Por favor, apenas olhe para mim.

Ela já tinha ouvido aquele tom dele antes. Ele sempre odiou fraqueza, desordem. Ele exigia perfeição. Ela não era mais perfeita.

Ela queria gritar, se enfurecer, arranhá-lo. Mas tudo o que conseguiu fazer foi um som gutural e sufocado em sua garganta. Ela instintivamente agarrou o recipiente de cheesecake meio comido com a mão boa, uma defesa patética de sua única posse.

"O que ela está fazendo? Está tentando te atacar?", perguntou Bernardo, a voz fria.

"Não, senhor. Ela só está... segurando um pedaço de lixo."

"Tire-a daqui agora. Não tenho tempo para isso."

Bernardo começou a se virar, mas algo o deteve. Um brilho de tinta em seu pulso, visível enquanto ela agarrava o recipiente. Ele semicerrou os olhos.

Era uma tatuagem. Um pequeno e elegante símbolo do infinito entrelaçado com a letra 'B'. Ele tinha uma igualzinha em seu próprio pulso, escondida sob seu relógio caro. Eles as fizeram juntos, uma promessa secreta de eternidade.

Ele deu um passo mais perto, os olhos fixos na tatuagem. Um lampejo de confusão cruzou seu rosto.

"Heloísa?"

O nome pairou no ar, um fantasma. Ele o disse tão suavemente, quase uma pergunta para si mesmo.

Sua mente disparou. Heloísa estava na Europa. Ela havia fugido em desgraça depois de roubar da empresa, depois de atacar Eva. Era o que seu pai lhe dissera. Era o que todos acreditavam.

Ele olhou da tatuagem para o rosto arruinado dela. As cicatrizes, a sujeira, o cabelo emaranhado. Não podia ser. A mulher que ele conhecia era linda, poderosa, desafiadora. Esta criatura estava quebrada.

"Não", disse ele, balançando a cabeça. "Não é possível."

Ele a olhou uma última vez, o rosto uma máscara de desdém. O momento de reconhecimento se foi, enterrado sob anos de mentiras e uma nova realidade mais conveniente.

"Livre-se dela", disse ele a Marcos, a voz final.

Ele se virou e foi embora sem um segundo olhar. Heloísa o observou partir, a nota de cem reais flutuando até o chão ao seu lado. O telefone estava de volta ao seu ouvido.

"Desculpe por isso, Eva. Apenas uma pequena perturbação. Estou a caminho."

O som de sua voz, cheia de amor por outra mulher, foi o corte final. Seu desprezo foi sua sentença de morte.

Ela ficou sentada no beco por um longo tempo, o frio se infiltrando em seus ossos. A cidade zumbia ao seu redor, indiferente. Ela havia esperado por este momento, planejado, sobrevivido por ele. E não significou nada.

Ela não era nada.

Lentamente, ela se levantou. Seu corpo parecia impossivelmente pesado. Ela não pegou o dinheiro. Deixou o cheesecake no chão.

Começou a andar, seus movimentos lentos e deliberados. Ela sabia para onde estava indo. As luzes da cidade a guiavam, puxando-a em direção à água escura.

Havia um segurança na entrada principal do prédio, observando-a com desconfiança. Ele se moveu para interceptá-la, para dizer que ela deveria circular.

O assistente de Bernardo o deteve. "O chefe disse para deixá-la ir. Apenas certifique-se de que ela não volte."

O guarda assentiu, recuando.

Heloísa fechou os olhos, uma única lágrima traçando um caminho limpo pela sujeira em sua bochecha. Ela ouviu a voz de Bernardo em sua cabeça, não a fria do beco, mas a de muito tempo atrás, sussurrando promessas no escuro.

Para sempre, Helô. Você e eu.

O para sempre acabou sendo uma mentira.

Ela sentiu uma estranha calma se instalar sobre ela. A dor em seu corpo, a fome roedora, a dor profunda em sua alma - tudo começou a desaparecer.

Ela era apenas um fantasma agora, e era hora de desaparecer.

Bernardo parou na calçada, esperando por seu carro. Ele olhou para o pulso, puxando a manga para ver a tatuagem. O símbolo do infinito. Um erro estúpido da juventude.

Ele balançou a cabeça novamente, tentando limpar a imagem dos olhos da moradora de rua. Foi uma coincidência. Só isso. Uma coincidência cruel e estranha. Ele entrou no carro, a porta se fechando com um baque sólido e reconfortante, isolando a cidade e seus fantasmas.

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