Eu era uma arquiteta renomada, noiva de Caio Ferraz, o político queridinho da cidade. Eu projetei nossa vida perfeita, e ele estava prestes a se tornar prefeito. Então, encontrei um vídeo em uma pasta compartilhada na nuvem. Era ele, se casando com sua gerente de campanha grávida, três meses atrás. Eu era apenas um acessório para sua imagem, uma "namorada de fachada" que ele planejava descartar após a eleição. Para me manter dócil, ele secretamente drogava minhas vitaminas diárias, me fazendo sentir confusa e instável. Ele forjou um incêndio no meu prédio premiado para arruinar minha reputação, e depois tentou me internar em uma clínica psiquiátrica, alegando que eu tive um colapso nervoso. Mas o golpe final veio do meu padrinho. Ele descobriu que a manipulação de Caio começou há sete anos, quando ele pagou alguém para sabotar minha tese na faculdade, destruindo minha confiança apenas para que ele pudesse aparecer e ser meu salvador. Meu relacionamento inteiro não era apenas uma mentira; era uma jaula que ele havia projetado desde o início. Então, eu voei para Londres e passei seis meses com a equipe de produção do meu padrinho. Criamos um documentário de noventa minutos para expor cada crime, cada mentira. E planejamos transmiti-lo ao vivo, invadindo o sinal do seu comício final na noite da eleição. Nós o chamamos de "O Arquiteto de Mentiras".
Eu era uma arquiteta renomada, noiva de Caio Ferraz, o político queridinho da cidade. Eu projetei nossa vida perfeita, e ele estava prestes a se tornar prefeito.
Então, encontrei um vídeo em uma pasta compartilhada na nuvem. Era ele, se casando com sua gerente de campanha grávida, três meses atrás.
Eu era apenas um acessório para sua imagem, uma "namorada de fachada" que ele planejava descartar após a eleição. Para me manter dócil, ele secretamente drogava minhas vitaminas diárias, me fazendo sentir confusa e instável. Ele forjou um incêndio no meu prédio premiado para arruinar minha reputação, e depois tentou me internar em uma clínica psiquiátrica, alegando que eu tive um colapso nervoso.
Mas o golpe final veio do meu padrinho. Ele descobriu que a manipulação de Caio começou há sete anos, quando ele pagou alguém para sabotar minha tese na faculdade, destruindo minha confiança apenas para que ele pudesse aparecer e ser meu salvador.
Meu relacionamento inteiro não era apenas uma mentira; era uma jaula que ele havia projetado desde o início.
Então, eu voei para Londres e passei seis meses com a equipe de produção do meu padrinho. Criamos um documentário de noventa minutos para expor cada crime, cada mentira. E planejamos transmiti-lo ao vivo, invadindo o sinal do seu comício final na noite da eleição.
Nós o chamamos de "O Arquiteto de Mentiras".
Capítulo 1
Ponto de Vista: Helena Jansen
Eu descobri que meu noivo já era casado quando minha melhor amiga me ligou, gritando.
"Helena, eu acabei de ver o vídeo na nuvem compartilhada de você se casando com sua gerente de campanha no cartório. O que está acontecendo?" A voz de Clara era um zumbido desesperado no meu ouvido, uma vespa presa num pote.
Eu estava parada no centro da minha sala de estar, aquela que eu projetei para ser meu santuário de linhas retas e minimalismo silencioso. A luz do sol entrava pelas janelas que iam do chão ao teto, iluminando partículas de poeira dançando no ar. Tudo estava calmo. Ordenado.
A nuvem compartilhada. Caio tinha configurado há um ano. "Para total transparência, meu amor", ele disse, beijando minha têmpora. "Você é meu futuro, e eu quero que você veja cada parte da minha vida." Eu achei o gesto tão tocante, tão moderno e confiante, que nunca senti a necessidade de olhar.
Até agora.
Meus dedos pareciam blocos de gelo desajeitados enquanto eu abria o aplicativo no meu celular. As pastas estavam organizadas: 'Discursos de Campanha', 'Listas de Doadores', 'Aparições na Mídia'. E então, uma que eu nunca tinha notado antes: 'Pessoal'.
Meu coração martelava contra as costelas, um tambor frenético na sala silenciosa. Eu cliquei. Havia um único arquivo de vídeo, datado de três meses atrás. E uma subpasta. 'Áudio'.
Eu toquei o arquivo de áudio primeiro. Uma voz familiar, a de Caio, suave como um uísque 18 anos. Ele estava falando com seu melhor amigo, Léo.
"Um futuro prefeito precisa de uma família tradicional", Caio dizia, seu tom casual, como se estivesse discutindo ações na bolsa. "Helena é para a imagem; Carina é para a dinastia. Eu resolvo isso depois da eleição."
O celular escorregou da minha mão, batendo no piso de cimento polido. O som ecoou no espaço cavernoso. Caí de joelhos, o frio do chão atravessando meu jeans, mas eu não o senti. Um tipo diferente de frio, um gelo profundo e celular, estava se espalhando por mim.
Peguei o celular de volta e toquei no arquivo de vídeo.
Lá estava ele. Meu Caio. Vestindo o mesmo terno Ricardo Almeida que ele usou no nosso jantar de aniversário na semana passada. Ele estava em frente a um juiz no cartório da cidade. E ao lado dele, de mãos dadas, estava Carina Schmidt. Sua gerente de campanha. Uma mulher magra, de aparência insignificante, que eu mal havia notado.
Ela estava sorrindo, uma curva triunfante e possessiva nos lábios que fez meu estômago revirar.
O juiz os declarou marido e mulher. Caio se inclinou e a beijou. Não foi um selinho formal. Foi um beijo de verdade, um beijo de posse.
Meu mundo não apenas se estilhaçou. Ele evaporou. Virou pó e foi soprado para longe na quietude serena e ensolarada do meu apartamento perfeito.
Voltei para o arquivo de áudio, meu polegar tremendo tanto que precisei de três tentativas para apertar o play novamente. A voz de Léo, tensa de incredulidade. "Isso é loucura, Caio. O que vai acontecer quando a Helena descobrir?"
A risada de Caio foi um som baixo e confiante. "Ela não vai. Não até eu estar pronto. Vou armar um pedido de casamento perfeito, algo público e grandioso. O casamento será depois da eleição. Isso vai solidificar minha imagem de um homem de família devotado."
"E a Carina?", Léo insistiu. "Você acabou de se casar com ela. Uma mulher grávida."
Grávida. A palavra foi um soco no estômago, tirando o ar dos meus pulmões. Eu não tinha visto uma barriga no vídeo, mas os documentos legais...
"Eu já me casei com ela", a voz de Caio era fria, como um cirurgião discutindo uma incisão. "É uma salvaguarda legal para a criança. Garante a linhagem Ferraz. Depois da eleição, eu preparo os papéis de anulação, digo para a Helena que foi um mal-entendido, uma manobra política que saiu do controle. Ela me ama. Ela vai me perdoar."
Ele tinha tanta certeza. Tão absoluta e assustadoramente certo.
Levantei-me cambaleando, tropeçando em direção ao escritório dele em casa. O cofre ficava atrás de uma gravura minimalista, a senha era nosso aniversário. A ironia era tão espessa que eu podia senti-la, amarga como bile na garganta.
A porta pesada se abriu. Lá dentro, ao lado das plantas do meu primeiro prédio premiado – o projeto que lançou minha carreira – estava um documento nítido, de aparência oficial.
Uma certidão de casamento.
Emitida para Caio Ferraz e Carina Schmidt.
A data era de três meses atrás. O mesmo dia em que ele me disse que estava em uma reunião de estratégia a portas fechadas, o dia em que ele chegou tarde em casa e me disse que sentiu tanto a minha falta que não conseguia se concentrar.
Minha respiração engasgou em um soluço que me recusei a deixar escapar. Olhei para as plantas, minha própria caligrafia elegante e precisa detalhando um futuro que eu construí do nada. Ele as guardou. Ele as guardou bem ao lado da prova de sua traição final, como se fossem dois lados do mesmo prêmio glorioso que ele havia ganhado.
O som da chave dele na fechadura lá embaixo me trouxe de volta à realidade.
Ele estava em casa.
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