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Roderick Likaius Wolf é um homem que, com seus 350 anos, atravessa séculos mantendo um controle impressionante. - Embora sua aparência sugira que ele tem apenas trinta e cinco anos, Roderick exibe uma presença que impõe respeito e silencia todos ao seu redor, como um maestro diante da sua orquestra. Elevado à categoria de bilionário e magnata internacional, ele também carrega o título de soberano absoluto de dez poderosas alcateias ao redor do mundo. - Nos círculos sobrenaturais, seu nome é murmurado com admiração e temor, sendo reconhecido como Supremo Alpha, o rei dos lobos negros. Viúvo há mais de um século, sua única união foi um casamento arranjado entre clãs, semelhante a unir forças em um jogo de xadrez, com peças movendo-se estrategicamente para fortalecer laços, e não por amor. Desde então, Roderick não encontrou sua parceira predestinada e decidiu que não se casaria novamente, como um artista que escolhe permanecer solitário para preservar sua liberdade criativa. - Entretanto, a pressão dos clãs demanda que ele tenha uma rainha ao seu lado, e a lua, com sua insistência como um amigo insistente, não aceita um "não" como resposta. Para assegurar a harmonia entre os mundos humano e sobrenatural, ele estabeleceu um império silencioso, composto por resorts exclusivos em regiões selvagens, como um tapete vermelho estendido para os elegantes. - Embora oficialmente promovidos como destinos de ecoturismo de luxo, esses locais são, na verdade, projetados para atender vampiros, lycanthropes e outras criaturas da noite que buscam segurança e discrição, enquanto os humanos comuns permanecem ignorantes sobre a verdadeira essência desses estabelecimentos. Roderick está na Austrália, supervisionando a construção de um novo resort imerso na densa selva. - Este local estratégico foi escolhido para servir como base para uma de suas alcateias, cuja função é assegurar a segurança do empreendimento. Entretanto, o que parecia ser apenas mais um projeto de luxo se transforma em um enredo repleto de surpresas quando Roderick conhece Liara MacDougall Campbell, uma veterinária escocesa de linhagem ancestral. - Recentemente contratada para cuidar dos lobos que habitam o canil do resort, Liara é uma mulher introvertida e direta, que prefere a companhia dos animais à interação humana, como um isolado faroleiro que encontra consolo na brisa do mar em vez das vozes tumultuadas que o cercam. Ela possui um olfato aguçado, respondendo a instintos que não compreende completamente, acreditando que suas sensações se baseiam apenas na intuição profissional, como um artista que sente a inspiração no ar, sem entender as musas que a guiam. - No entanto, o que Liara ignora é sua herança ancestral; como descendente direta de lobos antigos, sua "loba" permanece dormente – um selo de proteção imposto por sua avó, Lunara MacDougall Campbell. Este selo é como um cofre que mantém segredos valiosos, guardando verdades que podem impactar clãs inteiros. - Após a morte de seus pais, Lunara a trouxe da Escócia, protegendo-a de inimigos que continuam a persegui-la, como sombras que não se dissipam ao amanhecer. Quando Liara encontra Roderick, sua visão dele é desprovida de idealizações; para ela, ele é simplesmente um homem comum, não um rei ou um alfa. - Essa indiferença inesperada surpreende Roderick, como se alguém tivesse deixado de lado um livro de histórias emocionantes, apenas para enxergar a realidade de suas páginas. Ao reconhecer o sobrenome Campbell, Roderick percebe a verdadeira identidade dela, mesmo que a loba adormecida dentro dela ainda não tenha despertado para sua essência. -Ele opta pelo silêncio, como um maestro que espera o momento certo para levantar a batuta, ciente de que a lua tem seu próprio ritmo. Acordar uma loba predestinada antes da hora pode surgir como um erro de cálculo em uma partida de xadrez, resultando em consequências desastrosas. - Enquanto observa Roderick, Lunara se torna a única a notar o que ninguém mais consegue ver: ele é um Supremo Alpha, o mais antigo lobo vivo. À medida que a energia vibrante do resort se intensifica, forças ancestrais começam a se mover nos bastidores, como correntes invisíveis de um grande rio. - Os clãs vão se alertando, e a proteção de Liara se torna cada vez mais frágil, semelhante a um castelo de cartas prestes a desmoronar. A lua está se aproximando, e quando o selo finalmente se quebrar, os destinos traçados no sangue não poderão ser contidos, como se a água do rio rompesse a represa. -Alguns amores transcendem o tempo, e certos destinos estão destinados a reinar juntos.
O silêncio Era uma constante na vida de Roderick Likaius Wolf. Este silêncio não era como um copo vazio esperando ser cheio, mas sim um espaço denso, repleto de respeito e temor, onde algumas presenças não precisavam elevar a voz para serem obedecidas. Com trezentos e cinquenta anos, Roderick havia aprendido que o verdadeiro poder se assemelha a uma árvore cujas raízes se espalham silenciosamente pelo solo, estabelecendo-se de maneira sutil.
Observando a cidade a partir da cobertura envidraçada, com as mãos escondidas nos bolsos de seu impecável terno, ele contemplava a noite se desdobrando como um manto familiar a seus pés. Os arranha-céus iluminados e o frenético movimento da vida urbana traçavam uma narrativa como um livro que os humanos jamais poderiam imaginar - a de quem realmente caminhava entre eles. Era desse modo que ele preferia viver.
- Prepare o jato, - disse em um tom baixo, firme e decisivo. O homem que o acompanhava permaneceu imóvel, não por impulso, mas em um gesto de lealdade, como um fiel escudeiro ao lado de um cavaleiro. Ele era o Beta, o único que ficava ao seu lado sem desviar o olhar.
- O jato está pronto, senhor. Partimos em quarenta minutos.
Roderick não se virou, mantendo os olhos fixos em seu reflexo no vidro, como um general que observa o campo de batalha antes da missão. Ele era um homem alto, quase medindo dois metros, cuja presença era tão imponente quanto a de um edifício em meio a arranha-céus. Embora seus ombros largos parecessem relaxados, eles escondiam um controle excepcional, semelhante a um maestro que, mesmo em uma pausa, espera pacientemente pelo momento certo para iniciar a sinfonia. Seus cabelos negros, levemente desgrenhados, estavam cortados em um comprimento equilibrado entre o curto e o longo, suficientemente domados para se adequarem ao rigor do ambiente corporativo, como um lobo que, embora selvagem, se adapta ao seu papel em uma alcateia. A barba aparada e o cavanhaque bem definido moldavam um rosto que, apesar da juventude, exibia a gravitas de experiências acumuladas ao longo do tempo, reminiscentes de um livro cujas páginas foram escritas com sabedoria adquirida.
- Quero ver o resort pessoalmente antes da inauguração, - declarou ele com convicção, como um capitão que exige uma inspeção antes de zarpar. - Não confio em relatórios quando se trata do meu território.
O Beta avançou um passo, permanecendo alerta, como um cão fiel que percebe o menor sinal de tensão.
- Tudo está conforme o planejado. A obra foi concluída antes do previsto e a segurança foi reforçada, sem qualquer sinal de movimentação suspeita nas redondezas.
Roderick virou-se lentamente, seus olhos âmbar- quase como uísque- encontrando os do Beta.
- E os guardiões? - Essa questão sempre foi essencial, como a fundação de um edifício que garante sua estabilidade.
- Estão posicionados adequadamente, - respondeu o Beta. - A alcateia local já reconheceu este território como parte de seu domínio, como um terreno familiar que não é questionado.
Roderick assentiu, satisfeito com a resposta.
- E quanto aos lobos selvagens?
Houve uma breve pausa, um sutil detalhe que não passou despercebido por Roderick.
- Eles estão... diferentes, - admitiu o Beta, escolhendo suas palavras com cuidado, como um artista que seleciona cuidadosamente as cores para uma tela.
- Diferentes em que sentido? - questionou Roderick, agora mais intrigado.
- Eles estão mais tranquilos e obedientes, sem sinais de estresse, - notou o Beta.
Uma sobrancelha de Roderick ergueu-se levemente, sinalizando seu crescente interesse.
- Isso é incomum, - comentou ele, sua atenção focada na situação.
- De fato, - concordou o Beta, seu olhar sério refletindo a gravidade do momento. - Considerando que são guardiões, eles geralmente não reagem bem a estranhos e, normalmente, mostram-se bastante indiferentes.
Roderick cruzou os braços, a curiosidade brotando como uma planta buscando luz.
- O que causou essa mudança?
O Beta respirou fundo, como quem se prepara para soltar uma informação valiosa que poderia iluminar a dúvida.
- Contratamos a veterinária, como você pediu.
- E? - questionou Roderick, ansioso por mais detalhes.
- Eles a tratam como se fossem... cachorrinhos, - respondeu o Beta, com incredulidade evidente na voz.
Para Roderick, a palavra parecia tão fora do lugar quanto um gato tentando latir.
- Cachorrinhos? - ele repetiu, com um leve ceticismo na voz.
- Exatamente, - confirmou o Beta. - Ela se relaciona com eles de maneira destemida, como um mestre que comanda uma orquestra, sem subserviência ou agressividade. Os animais se aproximam, obedecem a suas instruções e até permitem que ela os toque, como se soubessem que ela tem o carinho de um cuidador. Alguns chegam a se deitar aos pés dela, buscando conforto.
Um sentimento desconhecido começou a emergir em Roderick, embora ele tentasse rapidamente reprimir essa sensação, como se tentasse esconder uma sombra sob a luz do sol.
- E quanto às pessoas? - ele perguntou, curioso.
- Ah, não tão bem, - disse o Beta, deixando escapar um leve sorriso. - Ela tende a ser arisca e reservada, mostrando pouca paciência para interações humanas - imagine uma ave que prefere ficar em seu galho seguro do que se aproximar de um humano estranho.
Roderick começou a andar de um lado para o outro, perdido em pensamentos.
- Talvez isso explique a conexão, - ele murmurou. - Os animais têm um talento especial para perceber o que os humanos tentam ocultar, como se fossem detetives em busca da verdade em uma sala cheia de segredos.
- Quando chegarmos, o senhor poderá conhecê-la, - informou o Beta. Roderick apenas assentiu, ainda mergulhado em seus pensamentos.
- Vamos ver, - respondeu ele.
O jato atravessava o céu como um pincel traçando a tela da vontade de Roderick. Durante a viagem, ele analisou mapas digitais, relatórios de segurança e dados climáticos, mas sua mente parecia uma onda distante, longe da praia da realidade. Ele refletia sobre os clãs, a pressão por uma rainha e sua própria história - como um livro com páginas em branco sobre um casamento arranjado que não gerou herdeiros, uma companheira que não foi sua escolha, e a solidão que acompanha o poder, como uma sombra persistente.
Havia sido viúvo por cem anos, como uma flor que parecia nunca florescer novamente após a morte de sua luz.
Ainda assim, Roderick encontrava realização em seus empreendimentos. Os resorts que administrava não eram apenas negócios; eram como oásis em um deserto, funcionando como santuários. Nesses espaços, vampiros, licantropos e outras criaturas podiam existir sem serem observados, onde podiam descansar, negociar e sobreviver. Para os humanos, o que se via era apenas luxo e beleza natural, enquanto as criaturas da noite entendiam que ali era um refúgio seguro, como um abrigo na tempestade.
A Austrália, com sua floresta primitiva e energia vibrante, oferecia uma posição estratégica, assim como um castelo em um terreno elevado. Uma das alcateias mais poderosas da região a protegía há gerações, como uma muralha protetora. O novo resort seria inaugurado naquela noite, e Roderick sentia a necessidade de tocar a terra antes de receber qualquer convidado, como um artista que precisa sentir a textura da tela antes de começar a pintar.
Assim que o jato pousou, uma onda de calor denso e úmido o envolveu, como se a própria terra o estivesse saudando. Roderick respirou profundamente, sentindo que aquele ambiente vibrante o reconhecia.
- Está tudo preparado, - comentou o Beta ao seu lado.
Ele contemplou o horizonte, observando a vegetação exuberante e a atmosfera silenciosa que pulsava com vida.
- Vamos para o resort, - afirmou.
Enquanto caminhava pelo local, avaliava cada aspecto: a arquitetura que se integrava perfeitamente à natureza, as rotas de fuga meticulosamente planejadas, os pontos de observação estratégicos e as posições da alcateia. Tudo parecia estar em perfeita harmonia.
- A recepção será hoje à noite? - perguntou.
- Sim, com convidados já confirmados: vampiros, licantropos e híbridos.
- E os humanos? - indagou Roderick, a curiosidade transparecendo em sua voz.
- Apenas aqueles que não têm a menor ideia do que estão presenciando.
Um sorriso de canto surgiu no rosto de Roderick.
- Excelente.
Ele deu alguns passos adiante, sentindo a pulsação da terra sob seus pés, como se estivesse sintonizado com as batidas do coração do lugar.
- Quero visitar o canil dos lobos selvagens.
O Beta, sem hesitar, respondeu:
- Claro.
E assim, enquanto se dirigiam aos guardiões, o destino começava a se desenrolar.
Capítulo 1 PRÓLOGO
05/01/2026
Capítulo 2 CAPÍTULO 01
05/01/2026
Capítulo 3 CAPÍTULO 02
05/01/2026
Capítulo 4 CAPÍTULO 3
05/01/2026
Capítulo 5 CAPÍTULO 4
05/01/2026
Capítulo 6 CAPÍTULO 5
05/01/2026
Capítulo 7 CAPÍTULO 06
05/01/2026
Capítulo 8 CAPÍTULO 7
05/01/2026
Capítulo 9 CAPÍTULO 09
05/01/2026
Capítulo 10 CAPÍTULO 10
06/01/2026
Capítulo 11 CAPÍTULO 11
Hoje às 02:16
Capítulo 12 CAPÍTULO 12
Hoje às 02:42
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