/0/18678/coverbig.jpg?v=2634a6db4bc31a61848264b34297761f&imageMogr2/format/webp)
Arthur Valente é o "Tubarão de São Paulo". Dono de uma holding que domina o mercado imobiliário de luxo, ele é implacável, frio e dono de um magnetismo perigoso. Ele não acredita em amor, apenas em ativos e passivos. Sua única fraqueza? O império que construiu está sob ameaça por uma cláusula de herança arcaica que exige que ele esteja casado para assumir a presidência vitalícia. Beatriz "Bia" Lovatelli é o oposto do que Arthur costuma consumir. Arquiteta brilhante, mas de origem humilde, ela luta para manter o escritório da família após a morte do pai. Ela é fogo, audácia e curvas que desafiam a sanidade de qualquer homem. Quando Arthur oferece um contrato de casamento de um ano em troca de salvar as propriedades de Bia, ela aceita, acreditando que pode manter o coração a salvo. O que nenhum dos dois previu é que o ódio mútuo é o combustível perfeito para uma obsessão física incontrolável. Entre coberturas de luxo nos Jardins, viagens em jatinhos particulares e eventos da alta sociedade, o "casal perfeito" esconde uma guerra de poder entre quatro paredes, onde o prazer é a única regra e a rendição é inevitável.
POV: Arthur Valente
O topo da Avenida Faria Lima sempre me deu a sensação de que o mundo era pequeno demais. Através do vidro do chão ao teto do meu escritório, os carros lá embaixo pareciam formigas metálicas em um labirinto de asfalto. Eu era o dono do labirinto.
Ajustei o nó da minha gravata Hermès, sentindo a textura da seda contra os dedos. O reflexo no vidro me devolvia o que o mercado financeiro chamava de "O Tubarão": terno sob medida, ombros largos que denunciavam as horas de boxe às cinco da manhã, e um olhar que já havia feito CEOs experientes gaguejarem. Eu não tinha tempo para erros. Eu não tinha tempo para sentimentos. Eu tinha apenas metas.
- O conselho está inquieto, Arthur - a voz de Dr. Marcelo, meu advogado de confiança há duas décadas, quebrou o silêncio da sala.
Virei-me devagar. Marcelo estava sentado em uma das poltronas de couro italiano, com uma pasta de couro aberta sobre os joelhos. Ele parecia exausto. Eu, pelo contrário, sentia o sangue bombando, movido pelo café puro e pela fúria silenciosa.
- O conselho é um bando de velhos gagás que herparam cadeiras que não sabem ocupar - retruquei, minha voz saindo num barítono baixo e cortante. - Eles deveriam estar agradecendo por eu ter triplicado o valor das ações nos últimos cinco anos.
- Eles agradecem pelo lucro, mas temem a cláusula. A "Cláusula de Estabilidade Familiar" que seu avô, o velho Victorio Valente, deixou no estatuto. - Marcelo suspirou, ajeitando os óculos. - Você tem trinta dias, Arthur. Trinta dias para se casar, ou o controle acionário da Holding passa para as mãos da sua madrasta, Helena, e daqueles abutres que a apoiam. Se você não apresentar uma esposa, eles declaram que você não cumpre o "perfil de sucessão moral" da empresa.
Senti um músculo na minha mandíbula saltar. Helena. Aquela mulher era uma praga que meu pai trouxera para dentro de casa e que agora tentava extirpar o que era meu por direito de sangue e suor.
- Eu não vou me casar com uma debutante fútil para satisfazer o fantasma do meu avô - rosnei, caminhando até minha mesa de carvalho negro. - Ache uma brecha.
- Não há brecha, Arthur. O estatuto é blindado. Você precisa de uma mulher. E precisa de uma que seja apresentável, que não tenha escândalos e que aceite assinar um contrato de confidencialidade que a mandaria para a cadeia se ela abrir a boca sobre a farsa.
- Então compre uma - eu disse, friamente. - Ofereça o valor que for. Quero uma mulher que saiba o seu lugar, que sorria para as câmeras e que desapareça quando eu fechar a porta do meu quarto.
Marcelo ia responder, mas meu interfone tocou. Era minha secretária, voz trêmula.
- Sr. Valente? Desculpe interromper, mas a arquiteta que o senhor mandou chamar... ela está aqui. E ela disse que não vai esperar mais nenhum minuto.
Ah, sim. O "problema" do terreno de Pinheiros. Um dos projetos mais ambiciosos da minha gestão estava travado porque uma pequena empresa de arquitetura se recusava a vender a última parcela de terra necessária para o empreendimento. Uma questão de "sentimentalismo", disseram-me. Eu odiava sentimentalismo. Era um custo desnecessário.
- Mande-a entrar - ordenei. - Marcelo, terminamos isso depois. Vou resolver essa pendência de terra agora e você foca em encontrar a "candidata" para o casamento.
A porta se abriu antes mesmo de Marcelo sair.
E foi aí que o ar da sala pareceu mudar de densidade.
Ela não entrou; ela invadiu. Cabelos castanhos ondulados que pareciam ter vida própria, caindo sobre os ombros de um blazer verde-esmeralda que destacava a pele clara. Ela não usava o uniforme das mulheres que frequentavam meu escritório - não havia saia lápis apertada ou saltos agulha desconfortáveis. Ela usava calças de alfaiataria, uma bota de couro e carregava um tubo de projetos debaixo do braço como se fosse uma arma.
Mas foram os olhos que me prenderam. Verdes, cor de tempestade na floresta, e faiscando de uma raiva que eu raramente via alguém ter coragem de direcionar a mim.
- O senhor deve ser o homem que acha que pode comprar a história da minha família com um cheque de muitos zeros - ela disse, sem nem esperar que eu me apresentasse. A voz dela era firme, aveludada, mas com uma nota de sarcasmo que me irritou e me instigou ao mesmo tempo.
- Beatriz Lovatelli, presumo - falei, contornando a mesa com passos lentos, como um predador avaliando uma presa que acabou de entrar na sua toca. - Você está atrasada. E está sendo inconveniente.
- Inconveniente? - Ela soltou uma risada curta e seca, aproximando-se. Ela era mais baixa que eu, mas me encarava de queixo erguido. - Inconveniente é receber três corretores seus por dia tentando me coagir a assinar a venda do escritório do meu pai. O terreno não está à venda, Sr. Valente. Nem por um milhão, nem por dez.
Parei a poucos centímetros dela. O perfume dela me atingiu: nada de essências doces e infantis. Tinha cheiro de sândalo, chuva e algo puramente feminino que fez meu corpo reagir de uma forma que eu não esperava. Meus olhos desceram involuntariamente para a boca dela - lábios cheios, naturais, que agora estavam comprimidos em uma linha de determinação.
- Tudo tem um preço, Beatriz - eu disse, baixando a voz, deixando-a carregada de autoridade. - Você está segurando um desenvolvimento de quinhentos milhões por causa de quatro paredes velhas e mofadas. O que você quer? Status? Uma diretoria na minha empresa? Aponte o valor e eu assino.
Ela deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal. Eu conseguia sentir o calor que emanava do corpo dela.
- O senhor é tão pobre que só tem dinheiro, não é? - Ela falou, o tom agora baixo e perigoso. - Meu pai morreu desenhando naquele escritório. Aquelas paredes são o que restou dele. Não são "mofadas", são memórias. Coisa que um robô feito de terno e números como você jamais entenderia.
Eu senti uma chama de irritação se transformar em algo mais sombrio e quente. Ninguém falava comigo daquela forma. A audácia dela era fascinante. Meus olhos percorreram o contorno do seu rosto, descendo pelo pescoço pulsante até o decote discreto do blazer. Onde outros viam uma arquiteta teimosa, eu comecei a ver algo muito mais interessante.
Lembrei-me das palavras de Marcelo: preciso de uma esposa apresentável, sem escândalos, que precise de algo.
Olhei para a pasta que meus assistentes tinham preparado sobre ela. O escritório dela estava afundado em dívidas de impostos que o pai deixara. Ela estava a um passo de perder tudo para o governo, não para mim. Ela estava lutando com unhas e dentes para salvar o que já estava condenado.
Uma ideia, tão perversa quanto brilhante, começou a se formar na minha mente.
- Você está em apuros, Beatriz - eu disse, minha voz agora suave, quase um carinho perigoso. - Sei que o banco deu um prazo de 15 dias para o leilão do imóvel por causa das dívidas fiscais. Você não está protegendo o escritório; você está apenas adiando o inevitável.
O brilho nos olhos dela vacilou por um milésimo de segundo. A vulnerabilidade apareceu, e eu a capturei como um troféu.
- Como você... - ela começou, mas eu a cortei.
- Eu sou o Arthur Valente. Eu sei de tudo. - Dei mais um passo, encurralando-a contra a borda da minha mesa de carvalho. - Você quer salvar o escritório? Quer que ele permaneça intacto, como um monumento ao seu pai, e ainda ter capital para transformá-lo no maior escritório de arquitetura do país?
Ela estava ofegante agora. O ódio ainda estava lá, mas a curiosidade e o desespero também.
- Qual é a armadilha? - ela perguntou, a voz falhando levemente.
Eu sorri. Não era um sorriso gentil. Era o sorriso do tubarão que finalmente sentiu o gosto do sangue na água.
- Eu não quero apenas o seu terreno. Eu quero você. Pelo menos, o seu nome no papel. Eu lhe ofereço a quitação total das suas dívidas, a preservação do escritório do seu pai e cinquenta milhões de reais em uma conta protegida.
Ela franziu a testa, confusa.
- Para eu vender o terreno?
- Não - eu disse, inclinando-me para frente até que minha boca estivesse perigosamente perto do seu ouvido, sentindo o arrepio que percorreu a pele dela. - Para ser minha esposa. Por doze meses.
Beatriz congelou. Eu conseguia ouvir o ritmo acelerado do coração dela. O silêncio na sala era tão espesso que podia ser cortado com uma faca. Eu estava jogando meu jogo mais arriscado, e a peça mais valiosa estava bem na minha frente, cheirando a desafio e desejo reprimido.
- Você ficou louco - ela sussurrou, tentando se afastar, mas eu coloquei as mãos na mesa, uma de cada lado do seu corpo, prendendo-a no meu círculo de poder.
- Loucura é perder tudo o que você ama por orgulho, Beatriz. O que eu proponho é um negócio. O melhor que você receberá na vida.
- Um casamento de fachada? - Ela me encarou, os olhos procurando uma mentira. - Por que eu?
- Porque você tem fogo. E porque, de todas as mulheres que já entraram nesta sala, você foi a única que não baixou a cabeça para mim. Eu preciso de alguém que convença o mundo de que eu finalmente encontrei meu par.
Eu a observei processar a informação. Ela olhou para as minhas mãos, depois para o meu rosto. A tensão sexual entre nós era um fio de alta voltagem, pronto para explodir a qualquer toque mais brusco.
- E as... condições? - ela perguntou, a voz subindo uma oitava. - Um casamento de verdade envolve... coisas.
Eu deixei meu olhar descer lentamente pelo corpo dela, marcando posse antes mesmo de ter o contrato assinado.
- O contrato exige convivência. O público precisa acreditar que não conseguimos tirar as mãos um do outro. - Aproximei meu rosto do dela, o calor da minha pele quase tocando a dela. - E, olhando para você agora, Beatriz... acho que fingir desejo por você vai ser a parte mais fácil do meu trabalho.
Ela levantou a mão, talvez para me empurrar, talvez para me dar um tapa. Mas quando a palma dela tocou o meu peito, sobre o meu coração, ela não empurrou. Os dedos dela se fecharam no tecido do meu terno caro.
- Você é um monstro - ela murmurou, mas seus olhos estavam fixos nos meus lábios.
- Talvez. Mas sou o monstro que vai salvar o seu mundo. O que me diz, Beatriz? Você assina com o diabo para salvar o seu paraíso?
UM CEO EM MINHA VIDA
Izza Marques
Romance
Capítulo 1 I
28/01/2026
Capítulo 2 II
28/01/2026
Capítulo 3 III
28/01/2026
Capítulo 4 IV
28/01/2026
Capítulo 5 V
28/01/2026
Capítulo 6 VI
28/01/2026
Capítulo 7 VII
28/01/2026
Capítulo 8 VIII
28/01/2026
Capítulo 9 IX
28/01/2026
Capítulo 10 X
28/01/2026
Capítulo 11 XI
29/01/2026
Capítulo 12 XII
29/01/2026
Capítulo 13 XIII
29/01/2026
Capítulo 14 XIV
29/01/2026
Capítulo 15 XV
29/01/2026
Capítulo 16 XVI
29/01/2026
Capítulo 17 XVII
29/01/2026
Capítulo 18 XVIII
29/01/2026
Capítulo 19 XIX
29/01/2026
Capítulo 20 XX
29/01/2026
Capítulo 21 XXI
29/01/2026
Capítulo 22 XXII
29/01/2026
Capítulo 23 XXIII
29/01/2026
Capítulo 24 XXIV
29/01/2026
Capítulo 25 XXV
29/01/2026
Capítulo 26 XXVI
29/01/2026
Capítulo 27 XXVII
29/01/2026
Capítulo 28 XXVIII
29/01/2026
Capítulo 29 XXIX
29/01/2026
Capítulo 30 XXX
29/01/2026
Capítulo 31 XXXI
29/01/2026
Capítulo 32 XXXII
29/01/2026
Capítulo 33 XXXIII
30/01/2026
Capítulo 34 XXXIV
30/01/2026
Outros livros de Izza Marques
Ver Mais