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Amy bateu de leve antes de entrar e fechou a porta com cuidado atrás de si. Cada passo era leve, denunciando uma expectativa que não conseguia esconder e um sorriso que lhe iluminava o rosto. Seu coração martelava contra as costelas, tão cheio de alegria que parecia prestes a explodir. O sentimento era tão radiante, tão avassalador, que a deixava tonta. Ela brilhava, como se uma luz interior afastasse cada sombra ao seu redor.
A sala reunia os membros mais influentes da Matilha Goldblade.
No centro de tudo, o Alfa Oswald dominava o espaço apenas com sua presença. Ele não precisava levantar a voz para impor respeito, pois bastava um único olhar para lembrar a todos de sua autoridade.
Ao seu lado, a Luna Beatrice exibia uma elegância silenciosa e discreta, de gentileza apenas superficial, já que sob os gestos contidos e os sorrisos graciosos pulsava uma força inabalável.
O olhar de Amy vagou até seus pais.
Seu pai, o Beta Richard, mantinha-se ereto e firme, tão orgulhoso e sólido quanto uma pedra.
Sua mãe, Lucille, irradiava um calor reconfortante que parecia preencher a sala.
Um pouco mais afastada, sua irmã Kathy observava a cena, seus olhos brilhando de uma curiosidade inquieta e ávida.
Então ela o viu.
Peter.
Seu companheiro destinado.
Aquele cujo único olhar virara toda a sua vida de cabeça para baixo.
Aquele que em breve carregaria o peso do comando como o Alfa da matilha.
Só de se lembrar disso, a respiração de Amy falhou.
Apenas na noite passada, na comemoração de seu retorno, o vínculo deles se selara.
Após dois anos na Academia de Alfas, onde aprimorara sua força e aprendera a liderar, Peter voltara transformado, mais imponente, mais seguro.
Mas quando seus olhos se haviam encontrado do outro lado da sala lotada, o resto do mundo deixara de existir.
Ela se lembrava do momento com uma clareza quase dolorosa: o mundo desaparecera, engolido por um silêncio sagrado, restando apenas os dois, atraídos por uma força antiga e inegável, enquanto um calor escaldante lhe percorria as veias e uma certeza absoluta se instalava em sua alma — ela era dele, e ele era dela.
Esse sentimento sem nome ia além da alegria e até do amor — a sensação de encontrar a peça que faltava de um quebra-cabeça que ela nem sabia que estava montando.
Sua loba exultara dentro dela, arranhando-lhe o peito como se a empurrasse na direção dele, despertando nela o desejo de tocá-lo, marcá-lo, perder-se no cheiro dele.
E quando Peter sustentou seu olhar, ela soube que ele sentia a mesma onda ardente.
Ele, o futuro Alfa, era seu companheiro.
Agora, de pé na mesma sala, cercada por sua família e pelos líderes da matilha, Amy ainda sentia o vínculo zumbir entre eles — um fio invisível e inquebrável que pulsava com a certeza do destino. Não era só felicidade, mas amor à primeira vista, possessividade instintiva, uma necessidade feroz de proteger, tudo explodindo em pura alegria.
Sua loba uivou dentro dela, não de dor — de triunfo, pois havia encontrado aquele a quem estava destinada.
Peter caminhou na direção dela, e seu cheiro a envolveu, inebriante, despertando um desejo que ela nunca conhecera. A cada passo, seu coração batia mais rápido.
Sua loba estremeceu, inquieta.
Por puro instinto, Amy se lançou nos braços dele e seus lábios encontraram os dele com uma urgência que ela não se importou em esconder.
Um choque lhe percorreu o corpo, deixando-a trêmula.
"Meu companheiro...", ela murmurou, com a voz falha. "Meu."
Os olhar de Peter escureceu, ficando mais intenso.
"Minha companheira", ele respondeu, seu tom profundo. "Precisamos conversar... em um lugar privado."
Amy não precisava de explicações, pois já o teria seguido a qualquer lugar.
Desde a infância, ela imaginava esse momento, prometendo a si mesma que daria tudo o que era ao companheiro que o destino escolhesse para ela.
Ele ser o herdeiro Alfa apenas fortalecia sua determinação: ela se tornaria a Luna de que ele precisava.
Quando chegaram ao quarto de Peter, o ar parecia denso, carregado de eletricidade.
Antes que ele pudesse falar, Amy tomou os lábios dele novamente, mais ousada desta vez.
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