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A tela principal piscou em verde.
SUCESSO
O choque calou a sala limpa por um segundo inteiro.
No instante seguinte, o laboratório explodiu de alegria.
- Conseguimos!
Gritos de alegria tomaram a sala. Alguém deu um tapa no ombro de Eira, enquanto o professor Davies atravessava a multidão e a envolvia num abraço rápido.
- Eira, veja esses números. Isso é enorme. Acabamos de mudar o jogo.
Um pesquisador atrás dele soltou um assobio baixo.
- Orgulho nacional, contratos militares e dinheiro suficiente para fazer metade do país perder a cabeça. Nada mal para uma única noite, Dra. Crawford.
Davies se aproximou para que ela conseguisse ouvi-lo apesar do barulho.
- Seu marido é o Alfa Sebastian Hale, certo?
Eira assentiu.
- Isso pode dar uma vantagem enorme à Alcateia Hale - explicou ele. - Se conseguirem acesso antes das outras alcateias, ninguém vai alcançá-los.
As palavras a afetaram mais do que esperava.
Eira imaginou Sebastian abrindo o relatório de certificação. A princípio, seu rosto permaneceria impassível. Depois, o olhar ficaria mais atento. Talvez, apenas talvez, ele finalmente a encarasse com algo parecido com respeito.
Ela esperava por aquele olhar havia quatro anos.
- Vou contar a ele hoje à noite - disse.
Davies abriu um sorriso.
- Ótimo. Deixe que ele veja o que você tem feito.
Eira sorriu, mas apertou a pasta entre os dedos.
"Não. Estou dando a ele a maior vantagem da vida dele porque sou sua esposa."
Ela passou por três postos de segurança, trocou o macacão usado na sala limpa e pegou os documentos finais da certificação.
Seu nome estava impresso na primeira página.
Dra. Eira Crawford.
Eira passou o polegar sobre o título.
Dessa vez, ninguém poderia chamá-la de inútil. Ninguém poderia menosprezá-la por ser uma Ômega sem loba. Ninguém poderia dizer que ela não tinha nada a oferecer a um Alfa.
Ela tinha criado algo poderoso o bastante para levar alcateias inteiras a disputar o acesso.
E, naquela noite, colocaria tudo nas mãos de Sebastian Hale.
***
Uma hora depois, o elevador VIP a levou diretamente ao último andar da Torre Hale. O Alfa Sebastian usava a suíte privativa para reuniões de negócios que se estendiam até tarde e, às vezes, dormia ali, alegando que o trabalho no Grupo Hale tinha terminado tarde demais. Eira já tinha levado o jantar para ele naquele lugar mais vezes do que conseguia contar.
Dessa vez, levava um futuro.
Saiu do elevador com a pasta apertada contra o peito. O corredor estava silencioso, abafado por um carpete espesso e iluminado por luzes amareladas nas paredes. Quando chegou a seis metros do escritório, seus passos perderam o ritmo.
Seu nariz percebeu antes que sua mente pudesse entender.
Cedro. Uma nota marcante e familiar, com o calor que só o cheiro do Alfa Sebastian possuía. Era ao lado daquele aroma que Eira adormecia havia quatro anos, mesmo quando o lado dele na cama permanecia frio por tempo demais.
Mas havia algo por baixo.
Doce. Floral.
Não era dela.
Eira parou.
A porta do escritório estava entreaberta. Uma faixa estreita de luz atravessava a fresta, trazendo consigo os cheiros misturados de duas pessoas próximas demais uma da outra.
Então o Alfa Sebastian falou:
- Serena, você sabe que eu sempre te amei. Ela não significa nada.
A pasta escorregou nas mãos de Eira, mas ela conseguiu segurá-la antes que caísse.
A voz de Serena veio logo depois, baixa e embargada, embora escondesse um leve toque de diversão.
- Se você me ama, por que deixou aquela Ômega órfã se tornar sua Luna? Por que não foi atrás de mim quando eu fui embora?
O Alfa Sebastian riu baixinho. Eira conhecia bem aquela risada. Era a que ele usava quando queria fazer alguém se sentir ridículo por duvidar dele.
- Está com ciúmes?
- Eu não deveria estar? - perguntou Serena.
- Eu a escolhi porque você foi embora. - A voz dele ficou mais suave, o que apenas tornou tudo pior. - Eu precisava de uma Luna. Os anciãos queriam que o posto fosse ocupado, e Eira era inofensiva. Sem família. Sem loba. Sem ninguém para me desafiar.
Inofensiva.
Eira permaneceu imóvel do lado de fora, incapaz de respirar.
Serena soltou um ruído baixo de repulsa.
- E agora?
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