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Ponto de Vista de Leyla
— Vamos nos atrasar, — avisei ao fitar a hora no celular sobre a mesa.
Sultan ergueu o rosto, colocou a mão sobre o aparelho de telefone móvel e puxou, encarando-me.
— Sairei daqui a pouco — ele respondeu determinado.
Naquela altura da vida, eu era esperta, queria evitar confusão. Saindo da mesa, recolhi os pratos e voltei para a cozinha. Em plena manhã, eu já estava tão cansada.
Na época, eu tinha apenas vinte e três anos e os meus ossos já doíam. Fiz um grande esforço para não demonstrar o que sentia, mas em certo momento, eu parei por um instante, sentindo uma intensa dor pela extensão das minhas costas.
— Está tudo bem, senhora? — Nadiye, a governanta, parou ao meu lado.
— Estou bem! — Menti, estava dolorida, mas não pretendia demonstrar.
— Perdoe a minha intromissão, mas não deveria aceitar isso, querida. Eu ouvi o seu choro durante a noite.
— Você sabe que o meu avô tem um acordo com a família do Sultan.
Sim, o meu avô era o culpado por todo horror que eu vivia naquela maldita mansão. Aquele turco, obtuso, entregou-me para o filho de um amigo há pouco mais de um ano. Mesmo sem amar o meu pretendente, eu aceitei a proposta com a condição de que Sultan não se intrometesse em meu trabalho na administração da empresa.
— Eu ouvi o que ele fez com você pela madrugada! — Nadiye continuou. — A senhora não deveria aceitar isso. — Tocou em minhas costas.
— Ai! — Afastei-me quando a dor aumentou.
— Precisa fugir, Leyla, — sussurrou ao tirar a mão.
— Ele está desesperado porque dei entrada nos papéis do divórcio.
A governanta era a única pessoa que sempre esteve ao meu lado. Nadiye entrou na minha vida desde que a minha mãe me abandonou. Eu era recém-nascida quando ela foi contratada para cuidar de mim. Inclusive, ela aceitou vir para o Brasil com a intenção de ficar ao meu lado e me auxiliar em casa.
O tropel de passos sobre o chão de mármore fez com que Nadiye pegasse os pratos das minhas mãos e levasse a louça para a pia.
Olhei diretamente para o rosto sombrio de meu marido. Os olhos cor de âmbar costumavam ficar verdes quando ele estava zangado.
— Posso saber qual era o assunto? — Sultan levantou a voz ao perguntar.
Apesar de seus traços britânicos por parte de sua mãe, Sultan Kiran carregava consigo as atitudes grotescas de seu pai.
Em silêncio, eu continuei sustentando o olhar frio no instante em que ele ergueu o braço. — Slapt! — Senti a força do dorso da mão de Sultan se chocando em meu rosto.
— Senhor Kiran! — Nadiye sobressaltou-se, chocada.
— Não se meta, insolente.
— Por que fez isso? — Projetei o queixo ao questioná-lo.
— Isso é para você nunca espiar o meu celular.
— Eu queria ver a hora.
— Não me desrespeite na frente da empregada.
Desta vez, Sultan tocou em meu queixo e me deu o habitual beijo na marca avermelhada da palma de sua mão em minha bochecha. Os olhos examinaram-me com frieza.
— Coloque um pouco de maquiagem nesse rosto, querida. — Um sulco vertical esboçou-se entre as sobrancelhas castanhas. — Aproveite para trocar essa roupa preta. Você fica horrível quando aparece desse jeito na empresa. — Senti a aspereza de seu dedo acarinhando o meu rosto.
Sim, eu sou uma CEO!
Apesar dos problemas em minha vida pessoal, eu administrava a filial da empresa no Brasil ao lado de Sultan. A união da corporação Kiran Aydin foi realizada no dia em que assinei aqueles malditos papéis a pedido do meu avô em Bebek, Turquia. Não tinha os meus pais para me defender. O meu pai bebia demais, meu avô sempre o chamava de fraco. Ele se envolveu num misterioso acidente de barco quando eu tinha doze anos. Segundo o meu avô, tudo isso era culpa da minha mãe que me deixou para trás quando era bebê e fugiu com o amante.
— Você deveria tirar o dia de folga para comprar roupas mais femininas, querida.
— Não, hoje é o dia de assinarmos os papéis do divórcio — disse eu, direcionando meus olhos para Sultan.
— Já disse que não vou assinar nada, Leyla! — Ele se agigantou. — O seu avô chegou ontem ao Rio de Janeiro. Contei a ele sobre essa sua decisão absurda. Se continuar com isso, perderá o seu cargo na empresa.
— Sou diretora-executiva da Kiran Aydin. A advogada disse que tenho direito a metade dos bens; portanto, parte da empresa é minha!
As mãos de Sultan pousaram em minha cintura, os dedos pressionaram o hematoma causado durante a madrugada vigorosa. Cerrei os meus olhos, aguentando o cheiro enjoativo do perfume que ele usava.
— Posso te auxiliar a comprar roupas mais femininas e coloridas, senhora! — Nadiye falou no intuito de me ajudar.
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