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Ananda
- Me solta! - gritei, acertando um chute certeiro no pau do meu padrasto.
- Desgraçada! - ele gemeu de dor e caiu no sofá, contorcendo-se.
Não esperei pra ver mais nada. Peguei minhas mochilas do chão e saí dali sem olhar pra trás.
Minha mãe tinha viajado, me deixando sozinha com ele. E nesses dias, cada noite virava um pesadelo: bêbado, ele vinha pra cima de mim, tentando me bater. Conseguiu algumas vezes. Uma delas, até me pegou dormindo.
No começo, era tudo perfeito. A família de comercial de margarina. Ele parecia o padrasto dos sonhos: carinhoso, atencioso, me tratava como filha. Mas como dizem, felicidade de pobre dura pouco. Do nada, o homem virou um monstro.
Não culpo minha mãe, ela deixou uma filha nas mãos de alguém que ainda parecia ser o marido ideal. Mas agora... agora eu finalmente estava livre daquela casa maldita.
Peguei o celular e tentei ligar pra Laís enquanto chamava um táxi. Entrei, dei bom dia pro motorista e passei o endereço. O caminho parecia eterno. Quando estávamos quase chegando no morro, liguei de novo. Dessa vez, ela atendeu no terceiro toque.
📲 Ligação
- Ami, o que houve? - a voz dela soou preocupada. - Tava fazendo almoço e meu...
- Me explica como chego na sua casa. Tô na entrada do morro.
- Fica parada na entrada e não fala com ninguém. Tô indo buscar.
📲 Ligação off
Paguei o táxi, e o motorista saiu arrancando sem nem olhar pra trás. Fiquei ali, o silêncio das ruas me apertando o peito. Um silêncio que mais parecia aviso.
Caminhei devagar até a entrada. Ia sentar num batente quando um assobio me fez congelar. Virei a cabeça e vi um grupo de homens armados vindo em minha direção.
As armas reluziam na luz fraca. O coração disparou.
- Quem é você? - um deles perguntou, a voz seca.
Levantei as mãos em rendição, gaguejando algo que nem sei o que foi. Dei um passo pra trás, mas acabei batendo em alguém.
O sujeito atrás de mim segurou firme no meu braço, me puxando contra o corpo dele.
- Vai pra algum lugar? - sussurrou no meu ouvido, a voz grave e ameaçadora.
Um dos outros se aproximou ainda mais e apontou a arma pro meu peito.
- Fala logo quem tu é antes que eu perca a paciência.
Engoli seco, o corpo tremendo. As mãos do cara atrás de mim apertavam meu braço com força, quase me prendendo de vez.
E foi aí que a voz da Laís cortou o ar:
- PEIXE! - gritou. - Ela é minha amiga!
Alívio. Instantâneo. Os caras abaixaram as armas, e até o que estava me segurando soltou devagar, ainda desconfiado.
Laís veio correndo, me puxou pros braços dela como se quisesse me esconder do mundo.
- Você tá bem? Eles te machucaram? - perguntou, os olhos marejados.
Balancei a cabeça, ainda sem fôlego.
O tal do Peixe ergueu o queixo, meio sem graça.
- Quer uma água, mina?
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