“Hoje é o dia em que a empresa do meu marido vai entrar na Bolsa de Valores, avaliada em bilhões. Mas a primeira coisa que Escudo fez ao acordar foi atirar os papéis do divórcio na minha cara. Ele disse friamente que precisava de estar solteiro para as entrevistas com os investidores, alegando que uma "garota da sarjeta" como eu mancharia a sua imagem de gênio da tecnologia. Na minha vida passada, eu chorei, implorei e agarrei-me às pernas dele, apenas para acabar a morrer sozinha num hospital de caridade enquanto ele celebrava o sucesso com o código que eu escrevi. Sim, o algoritmo revolucionário que ia torná-lo o homem mais rico da cidade? Fui eu que o criei, num portátil velho na lavandaria, enquanto ele dormia. Ele acha que sou apenas uma esposa troféu descartável e sem educação. Ele não faz ideia de que eu sou a "Fênix", a programadora lendária e anónima que o mercado tanto admira. Desta vez, não derramei uma única lágrima. Peguei na caneta de luxo dele, assinei o divórcio sem hesitar e saí da cobertura levando apenas o meu velho computador. Enquanto ele se dirigia para tocar o sino de abertura da Bolsa, eu abri o meu terminal num café. A contagem regressiva para a falência das Indústrias Escudo começou agora.”