Com prazer, Senhor Professor

Com prazer, Senhor Professor

Yniel Leimas

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Capítulo

Helena Duarte entrou na universidade determinada a manter o foco, conquistar boas notas e provar que é capaz de construir o próprio futuro sem depender de ninguém. O que ela não esperava era que, logo no primeiro semestre, seu caminho cruzasse com o do homem mais proibido de todos: Matteo Ferraz, o professor brilhante, frio e perigosamente irresistível que parece enxergá-la além de todas as máscaras. Entre olhares demorados, provocações afiadas e uma tensão que cresce a cada aula, Helena se vê presa em um jogo arriscado demais. Matteo é o tipo de homem que impõe respeito com a voz, domina a sala com a presença e desperta nela desejos que deveriam permanecer enterrados. E quanto mais ela tenta fugir, mais se afunda em uma atração intensa, proibida e devastadora.

Com prazer, Senhor Professor Capítulo 1 O preço do atraso

O metrô de Brooklyn parecia ter um pacto secreto contra Helena Duarte naquela manhã.

Ela correu pelas escadas rolantes com a mochila batendo contra as costas, os cabelos cacheados voando em todas as direções enquanto atravessava a estação como uma lunática. O relógio do celular marcava 8h47. A primeira aula de Economia Avançada começava às 8h30.

Dezessete minutos de atraso. Dezessete. Minutos.

Helena amaldiçoou o ônibus que não veio, o metrô que parou por "problemas técnicos", e sua própria estupidez por ter acreditado que chegaria cedo no primeiro dia. A bolsa integral dependia de sua performance impecável. E ela já estava começando com o pé esquerdo.

O campus da Brooklyn University se estendia à sua frente como um castelo de vidro. Alunos com mochilas caras e roupas que custavam mais que o aluguel do restaurante de seus pais caminhavam com a calma de quem nunca precisou correr atrás de nada. Helena desviou deles como uma jogadora de futebol em campo, sua pele morena brilhando sob o sol de setembro.

O prédio de Economia era o terceiro à esquerda. Ela sabia disso porque tinha estudado o mapa do campus durante duas semanas, decorado cada corredor, cada sala, cada possível rota de fuga caso algo desse errado. Mas nada preparou seus pulmões para os três lances de escada que teve que subir em disparada.

O corredor do terceiro andar estava vazio. Silencioso. Apenas o zumbido das luzes fluorescentes e o eco de seus próprios passos desesperados.

Sala 312. Porta fechada.

Helena parou na frente dela, ofegante, tentando recompor o fôlego. O suor escorria pela sua nuca, e ela passou a mão nos cabelos num esforço inútil para parecer minimamente apresentável. A blusa branca estava amassada.

Ótimo. Perfeito. Você já parece uma sem-teto no primeiro dia.

Ela girou a maçaneta devagar, rezando para que o barulho não chamasse atenção. A porta rangeu levemente, e Helena deslizou para dentro como uma sombra, tentando se tornar invisível.

Mas não funcionou.

Trinta e cinco pares de olhos se voltaram para ela. Alguns com curiosidade, outros com tédio, alguns com aquele desdém sutil que alunos ricos.

Mas não foram os alunos que fizeram seu sangue gelar.

Foi o homem no centro da sala.

Ele estava de pé atrás da mesa do professor, os braços cruzados sobre o peito, uma postura que impunha respeito sem precisar de palavras. Helena nunca tinha visto alguém tão... grande. Não apenas de altura, embora ele devesse ter quase 1,90m, mas de presença. Os ombros largos pareciam preencher todo o espaço atrás dele, o terno cinza-escuro ajustado perfeitamente ao corpo másculo, o maxilar definido como esculpido em mármore. Os cabelos escuros, levemente ondulados, caíam com uma negligência calculada sobre a testa.

E os olhos. Deus, os olhos.

Cor verdes. Como duas esmeraldas. Mas absolutamente gelados enquanto a encaravam.

Helena esqueceu como se respirava.

- A senhorita deve ter um bom motivo para interromper minha aula. - A voz era grave, rouca, com um tom de autoridade que fazia a sala inteira prender a respiração. - E deve ser extraordinariamente bom.

Helena engoliu em seco. Todas as palavras que ela ensaiou durante a corrida evaporaram da mente.

- A senhorita é a...

- Eu... metrô... houve um problema técnico, e o ônibus...

- Estou perguntando seu nome, não uma lista de desculpas.

O corte foi seco, frio, e Helena sentiu o rosto queimar. Alguns alunos riram baixinho. Ela apertou a alça da mochila com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

- Helena. Helena Duarte.

- Pois bem, senhorita Duarte. - Ele pegou uma caneta e anotou algo em um caderno. - Aqui, atraso é falta. E três faltas significam reprovação automática. Estamos entendidos?

- Sim, professor. - A palavra saiu mais baixa do que ela gostaria.

Ele a encarou por mais um longo segundo. Os olhos percorreram seu rosto, seus cabelos desalinhados, sua roupa amassada, com uma expressão que Helena não conseguiu decifrar. Não era desprezo. Também não era compaixão. Era avaliação. Como se ela fosse um número em uma planilha que ele estava prestes a riscar.

- Sente-se. E não se atrase novamente.

Helena encontrou o único lugar vago na última fileira, perto da janela. Caiu na cadeira como se as pernas tivessem desistido de sustentá-la. O coração ainda batia rápido demais, mas agora não era apenas da corrida.

Ela não conseguia tirar os olhos dele.

Matteo Ferraz. O nome estava escrito no quadro branco com uma caligrafia firme. Ele se virou e começou a aula como se a interrupção nunca tivesse acontecido, a voz grave preenchendo a sala com conceitos de microeconomia. Helena tentou se concentrar, abriu o caderno, pegou a caneta. Mas sua mente se recusava a cooperar.

Ele é lindo. Ele é absolutamente, ridiculamente, perigosamente lindo.

E cruel. Não se esqueça de cruel.

O professor Ferraz não olhou para ela novamente durante toda a aula. Pelo menos, não abertamente. Mas Helena sentia seu olhar às vezes, um peso invisível na lateral do rosto, como se ele soubesse exatamente onde ela estava sem precisar virar a cabeça.

Quando ele fazia perguntas para a turma, a voz cortava o ar como uma navalha. Ninguém ousava responder errado. Um aluno chamado Thomas arriscou uma resposta hesitante e foi destroçado com uma correção tão precisa que o garoto pareceu encolher na cadeira.

- Economia não é sobre adivinhar - Matteo disse, os olhos de mel brilhando com algo que parecia prazer sádico. - É sobre saber. Se não sabem, não falem. Economizem minha paciência e a de seus colegas.

Helena mordeu o lábio para não revidar. Cada fibra do seu ser queria levantar a mão e mostrar que ela sabia. Que ela tinha estudado. Que ela não era apenas mais uma bolsista desgrenhada que chegou atrasada.

Mas ela ficou quieta. E odiou cada segundo de silêncio.

Quando o sinal tocou, anunciando o fim da aula, Helena foi a primeira a se levantar. Precisava sair daquela sala. Precisava de ar. Precisava de um lugar onde o fantasma daquele homem não pairasse sobre ela como uma nuvem de tempestade.

- Ei! Espere!

Uma voz feminina a alcançou no corredor. Helena se virou e viu uma garota alta, magra, com cabelos loiros presos em um coque perfeito e olhos verdes que brilhavam com uma energia contagiante. Ela usava um vestido floral que parecia ter saído de uma revista de moda, e sorria como se já conhecesse Helena há anos.

- Você é a Helena, né? - A garota estendeu a mão. - Sou Rebecca. Rebeca, na verdade, mas todo mundo me chama de Beca. Também sou de Economia. Sentei na sua frente, te vi chegando. E que cena, hein? O professor Ferraz é um carrasco mesmo.

Helena apertou a mão dela, ainda sem fôlego.

- Ele sempre é assim?

- Pior. - Beca riu, um som gostoso e despreocupado. - Todo mundo tem medo dele. Dizem que ele reprova quarenta por cento da turma no primeiro semestre. E que nunca ninguém tirou um A com ele.

- Ótimo. - Helena suspirou. - Perfeito.

- Mas você parece esperta. - Beca a avaliou com um olhar rápido - E meio perdida também. Vem, vamos ao refeitório. Você precisa comer alguma coisa. Eu preciso comer alguma coisa. E a gente precisa de uma estratégia para sobreviver ao Senhor Ferraz.

Helena hesitou. Sua mãe sempre disse para desconfiar de estranhos. Mas havia algo em Beca que parecia genuíno. Uma abertura, uma falta de pretensão que contrastava com a elegância do vestido.

- Tudo bem - ela concordou, um sorriso tímido aparecendo em seus lábios.

O refeitório da Brooklyn University era enorme, com mesas de madeira clara espalhadas por um salão iluminado por janelas de vidro do chão ao teto. O cheiro de comida quente preenchia o ar, hambúrgueres grelhados, batatas fritas, macarrão com queijo. Helena sentiu o estômago roncar. Ela tinha saído de casa tão apressada que nem tomou café da manhã.

Beca a puxou para uma fila curta e pegou uma bandeja.

- O que você quer? - perguntou, olhando o cardápio na parede.

- Um hambúrguer simples está bom - respondeu Helena, calculando mentalmente o dinheiro na carteira. Ela tinha exatamente doze dólares para a semana inteira.

- Dois hambúrgueres com batatas - Beca pediu para a atendente, antes que Helena pudesse protestar. - E dois refris - Ela virou para Helena com um sorriso. - É por minha conta. Não discute.

- Beca, não precisa...

- Eu sei que não precisa. Eu quero. - Ela pagou antes que Helena pudesse argumentar, entregando uma nota de vinte à atendente. - Amigas de primeiro dia têm que se ajudar. É a regra.

Elas encontraram uma mesa perto da janela, longe do burburinho central. Helena mordeu o hambúrguer com um prazer quase culpado, a carne suculenta, o pão macio, as batatas crocantes. Fazia dias que ela não comia algo tão bom.

- Então - Beca começou, inclinando-se para frente, os olhos verdes brilhando.

- Me conta. De onde você veio?

que te trouxe para Economia? E por que você parecia uma fugitiva de filme de ação quando entrou na sala?

Helena riu, limpando os lábios com um guardanapo.

- Morei em Brooklyn a vida inteira. Meus pais têm um restaurante perto de Crown Heights. - Ela encolheu os ombros. - Nada chique, mas é nosso.

- E você quer abrir um restaurante também?

- Não. - Helena balançou a cabeça. - Quero entender como o dinheiro funciona. Como as pessoas ficam ricas. Como sair do lugar onde eu estou. - Ela fez uma pausa. - Economia parece a chave para tudo isso.

Beca assentiu, mastigando uma batata.

- Eu entendo. Meu pai é advogado, minha mãe é médica. Eles queriam que eu fizesse Direito. Mas eu olhei para eles e vi duas pessoas que trabalham feito condenadas e nunca têm tempo para nada. - Ela sorriu. - Quero fazer dinheiro sem precisar vender minha alma. Economia parece o caminho.

- E você acha que vai conseguir? - Helena perguntou, sincera.

- Não sei. - Beca riu. - Mas vou tentar. E se o professor Ferraz não me destruir antes.

As duas riram juntas, e Helena sentiu algo que não sentia há muito tempo: a sensação de encontrar alguém que a entendia.

- Ele realmente é tão assustador assim? - Helena perguntou, mordendo mais uma batata.

- Assustador? - Beca baixou a voz, como se Matteo pudesse ouvi-las dali. - Ele é o cara que fez uma aluna chorar na primeira semana. Em público sem dó. A garota errou uma fórmula e ele disse, na frente de todo mundo, que se ela não sabia o básico, não merecia estar ali.

Helena sentiu um calafrio.

- Que horror.

- Pois é. Mas também dizem que ele é justo. Que se você realmente sabe o conteúdo, ele reconhece. - Beca deu de ombros. - O problema é que quase ninguém sabe o suficiente para ele reconhecer.

O sinal tocou, anunciando o início do próximo período.

- Qual é a sua próxima aula? - perguntou Beca, levantando-se e pegando a bandeja.

- Estatística. Sala 204.

- Estamos juntas! - Beca bateu palmas. - Vem, vou te mostrar um atalho.

Elas caminharam juntas pelo corredor, e pela primeira vez desde que entrou naquela universidade, Helena sentiu que talvez, só talvez, as coisas pudessem dar certo.

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Com prazer, Senhor Professor Com prazer, Senhor Professor Yniel Leimas Romance
“Helena Duarte entrou na universidade determinada a manter o foco, conquistar boas notas e provar que é capaz de construir o próprio futuro sem depender de ninguém. O que ela não esperava era que, logo no primeiro semestre, seu caminho cruzasse com o do homem mais proibido de todos: Matteo Ferraz, o professor brilhante, frio e perigosamente irresistível que parece enxergá-la além de todas as máscaras. Entre olhares demorados, provocações afiadas e uma tensão que cresce a cada aula, Helena se vê presa em um jogo arriscado demais. Matteo é o tipo de homem que impõe respeito com a voz, domina a sala com a presença e desperta nela desejos que deveriam permanecer enterrados. E quanto mais ela tenta fugir, mais se afunda em uma atração intensa, proibida e devastadora.”
1

Capítulo 1 O preço do atraso

29/06/2026

2

Capítulo 2 O silêncio de Caio

29/06/2026

3

Capítulo 3 As duas faces de Matteo Ferraz

29/06/2026

4

Capítulo 4 O debate

29/06/2026

5

Capítulo 5 A dívida

29/06/2026

6

Capítulo 6 A festa

29/06/2026

7

Capítulo 7 A obsessão

30/06/2026

8

Capítulo 8 A proposta

30/06/2026

9

Capítulo 9 Uma contraproposta

30/06/2026

10

Capítulo 10 O primeiro passo

30/06/2026

11

Capítulo 11 A mansão

30/06/2026

12

Capítulo 12 O jantar

Hoje às 09:07

13

Capítulo 13 Primeiras regras

Hoje às 09:22

14

Capítulo 14 A vida dupla

Hoje às 09:34

15

Capítulo 15 A desculpa perfeita

Hoje às 09:46

16

Capítulo 16 A entrega

Hoje às 10:00

17

Capítulo 17 A primeira vez

Hoje às 10:12