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Livros de Moderno Para Mulheres

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A Segunda Chance de João Pedro

A Segunda Chance de João Pedro

João Pedro, um arquiteto de renome, acreditava viver um conto de fadas com Sofia, sua namorada e esposa desde a adolescência. Aos 23 anos, o seu mundo parecia perfeito e imutável. No entanto, um choque brutal quebrou a ilusão. Ele despertou subitamente no seu primeiro ano de casamento, com 24 anos, mas com memórias vívidas de um futuro devastador: a "morte" trágica de Sofia num acidente de iate, que o arruinaria, levando-o a 20 anos de luto amargo e a uma doença terminal. Pior ainda, a verdade de que essa "morte" era uma farsa – um plano cruel da sua esposa e do seu amante, Ricardo. Agora, cada sorriso de Sofia, cada desculpa para as suas saídas secretas e os sussurros que ele ouvira sobre o "plano da lancha" para o eliminar por dinheiro, ressoavam como uma traição indizível. Ele vê a mulher ao seu lado não como o amor da sua vida, mas como a mente fria por trás da sua futura desgraça. Como pôde ter sido tão cego? Aquele conto de fadas transformado num pesadelo gelado, o homem que ela viria a destruir na primeira vida, agora sabia a verdade. A dor lacerante da traição misturava-se a uma raiva gelada. Ele não seria mais a vítima tola. Com o futuro desvelado, João Pedro decidiu que era a sua vez de jogar. Se ela forjaria a morte dele, ele forjaria a sua própria - e viveria para ver Sofia pagar por cada mentira, cada abraço falso e cada pedaço da sua vida que ela estava prestes a roubar.
Sozinha na Escuridão: A Busca por Lucas

Sozinha na Escuridão: A Busca por Lucas

Num segundo, virei-me para apanhar uma lata de feijão preto no supermercado. Quando me voltei, o carrinho estava vazio. O meu filho Lucas tinha desaparecido. O pânico gelou-me o sangue. Liguei para o meu marido, Pedro, em desespero. Ele atendeu, mas a sua preocupação esvaneceu-se assim que a mãe, a Sofia, interveio. "Desapareceu? Como pudeste ser tão descuidada?" A voz dela era cheia de acusação. O Pedro, então, disse-me para "parar de criar problemas" e procurar sozinha, antes de me bloquear. A polícia mostrou-me as imagens de segurança: uma mulher de chapéu e óculos levava o Lucas. Ele estendeu os braços para ela, sem lutar, como se a conhecesse. Os polícias insinuaram que eu era uma má mãe por ele ter ido "de livre vontade". Ninguém da família do Pedro ligou. Nem a seguir, nem depois. O meu mundo caiu. O meu filho de três anos tinha desaparecido, e o pai não se importava. Mas a dor deu lugar à raiva. Liguei para a Sofia. Ela fingia preocupação, mas o Pedro tinha-a bloqueado. A gota d'água foi quando ela disse: "O Lucas não é família? Ele não é teu neto?" "Claro! Mas ele está desaparecido, e a Beatriz está aqui, a precisar de nós. Um homem tem de cuidar da sua família de sangue primeiro." Família de sangue. Eu não era. O meu filho, aparentemente, também não. "Quero o divórcio, Sofia." Ela riu, zombeteira. "Não sejas ridícula. Estás a reagir de forma exagerada." Naquele momento, percebi que estava sozinha nisto. E que nunca mais voltaria para aquela família. Decidi que ia encontrá-lo. Sozinha. Vendi as joias da minha mãe, aluguei um apartamento e comecei a minha própria busca. Cada cartaz, cada face que eu encontrava, era uma promessa. Quando Pedro ligou, com novas desculpas e um detetive particular, soube que a minha vingança tinha começado. Eu ia encontrar o Lucas. E eles iam pagar.
O Amor que Transcende Até a Morte

O Amor que Transcende Até a Morte

No dia do meu aniversário de vinte e cinco anos, descobri que meu namorado de sete anos e minha melhor amiga estavam tendo um caso. Eles me deram colares iguais — um mar e uma montanha — o mesmo conjunto que eu tinha escolhido para ele como símbolo do nosso amor. Foi a confissão silenciosa deles, a confirmação da traição que eu acabara de testemunhar. Mais tarde naquela noite, minha melhor amiga foi atacada. Corri para o lado dela, apenas para ser recebida pela fúria do meu namorado. Ele me acusou de ser egoísta e de ter me atrasado, depois terminou comigo, me deixando sozinha e sangrando na neve depois que cuspi sangue por causa do meu câncer de pulmão terminal. Ele não viu o sangue. Ele não sabia que eu estava morrendo. Ele apenas me viu como um inconveniente. Meu mundo desmoronou. Eu estava escondendo minha doença para poupá-los da dor, apenas para descobrir que eles estavam construindo a felicidade deles sobre o meu sofrimento silencioso. Recebi a ligação dele do hospital, não por preocupação comigo, mas porque ele tinha acabado de descobrir a verdade sobre o meu câncer. Ele chegou tarde demais. Eu já estava em um avião para Curitiba, tendo enviado minha mensagem final: "Eu amo vocês dois. Sempre. Encontrem a felicidade de vocês. Eu vou ficar bem." Este foi meu último presente para eles — a liberdade deles, comprada com a minha vida.
Amor Traído, Filho Resgatado

Amor Traído, Filho Resgatado

O telefone tocou, cortando o silêncio pesado da minha sala de estar. Meu coração disparou. Pedrinho, meu filho de cinco anos, estava desaparecido há três horas, e o pavor se transformava em puro terror. Atendi, a mão tremendo, e uma voz distorcida gelou minha alma: "Um milhão de reais. Amanhã ao meio-dia. Ou você vai receber seu filho em pedaços." Naquele exato momento, João, meu marido, entrou. Contei a ele, em sussurros, que nosso filho havia sido levado. O rosto dele empalideceu, o desespero tomando conta. "Um milhão? De onde eu vou tirar um milhão de reais?", ele gritou. Mas a mentira dele me atingiu em cheio. O dinheiro do grande negócio dele, mais de um milhão, havia caído na nossa conta conjunta dois dias antes. A desconfiança fria começou a se formar no meu estômago. Peguei meu celular, e a tela do banco confirmou o que eu temia: a conta estava quase zerada. E então eu vi a transferência. Ana Santos. "Estrela da Manhã." A ex-namorada dele. "Você transferiu o dinheiro do resgate do nosso filho para a sua ex-namorada, João?", minha voz saiu fria como gelo. Ele tentou negar, inventou uma história sobre um filho doente. "Ele também é meu filho, Maria", ele confessou. A dor foi avassaladora, mas se transformou em uma clareza gelada. Peguei o celular e disse, minha voz firme: "Não temos o dinheiro. Não haverá pagamento." João agarrou meu braço: "Você ficou louca, Maria? Eles vão matar o Pedrinho!" "Foi você quem decidiu que o dinheiro tinha um destino mais importante. Viva com isso", respondi. O telefone tocou novamente, a mesma voz distorcida: "O tempo está correndo. Espero que já tenham o dinheiro." Atendi, olhando nos olhos aterrorizados do meu marido, e disse, fria como gelo: "Nós não vamos pagar." Do outro lado da linha, veio a voz gravada de uma criança: "Mamãe... mamãe, eu quero ir pra casa..." João implorou, se jogou no chão, prometeu vender tudo. Mas eu permaneci firme. Encerrei a ligação. "Você... você desligou na cara deles. Maria, o que você fez?" , ele sussurrou. Observei meu marido quebrado, consciente de que essa era apenas a primeira cena do meu plano. Eu era o tipo de mãe que faria qualquer coisa pelo meu filho. E estava prestes a mostrar a ele exatamente o que isso significava.
O Bombeiro e a Mentira

O Bombeiro e a Mentira

Eu estava grávida de oito meses, sonhando com a nossa família, quando o teto do centro comercial desabou. Fiquei presa, gritando pelo meu marido, Marcos, um bombeiro que prometeu me amar e proteger. Ele chegou. O meu coração saltou de alívio. Mas ele não veio para mim. Escolheu salvar o gato de outra mulher, Clara, numa área de "baixo risco", enquanto eu estava sob toneladas de betão. Outros me resgataram, mas já era tarde. O nosso bebé não sobreviveu. No hospital, Marcos apareceu com a Clara, trazendo papéis de divórcio e me chamando de "cruel" por estar devastada. A minha sogra iniciou uma campanha de vilipêndio, acusando-me de ser "dramática" e "egoísta" por lamentar a perda do meu filho e a traição. A Clara, como uma viúva em luto ensaiado, ofereceu-me condolências falsas, saboreando a sua vitória. Como pôde? Como pôde o meu marido, a minha Rocha, abandonar-me à morte e ao luto para salvar um animal e uma mulher que, segundo ele, era apenas uma "amiga"? A dor da perda era insuportável, mas o vazio deixado pela traição dele era ainda mais dilacerante. Ele alegou "julgamento profissional", mas eu sabia que era uma escolha. Uma escolha consciente e deliberada. Eu não seria a vítima silenciosa e amarga. Contratei uma advogada, Lúcia, conhecida pela sua implacabilidade. A farsa do meu marido de "herói" seria exposta, não por rumores, mas por provas irrefutáveis. Havia uma gravação. E ela selaria o destino dele.
A Verdade Por Trás do Arranhão do Gato

A Verdade Por Trás do Arranhão do Gato

Estava a fazer as malas para a nossa viagem de aniversário, imaginando os Açores. O meu marido, Pedro, estava no banho, cantarolando uma melodia. Então, o hospital ligou. O meu pai tivera um ataque cardíaco. Estava em estado crítico. O meu telemóvel caiu da mão, e o meu mundo parou. Gritei o nome do Pedro, mas ele saiu do banho, furioso. "O que foi, Eva? Não vês que estou a tomar banho? Que gritaria é essa?" "O meu pai," consegui dizer, as lágrimas a escorrer. "Ele teve um ataque cardíaco. Precisamos de ir para o hospital. Agora!" Ele suspirou, exasperado. "Outra vez? O teu pai não pode ter um drama sem ser no pior momento?" Nesse instante, o telemóvel dele tocou. Era a Sofia, a sua "melhor amiga". O gato dela tinha subido a uma árvore e não conseguia descer. A decisão do Pedro foi instantânea. "Não te preocupes, Fifi. Estou a ir para aí." Ele começou a vestir-se, não para a nossa viagem, mas para ir ao encontro dela. "Pedro, não podes estar a falar a sério. O meu pai está a morrer!" "O teu pai está no hospital, com médicos," ele respondeu frio. "A Sofia está sozinha." "Um gato é mais importante do que o meu pai?" "Não sejas dramática, Eva. Eu vou lá, e depois falamos do teu pai. Chama um táxi." Ele saiu, deixando-me ali, com o bilhete dos Açores a troçar de mim. No hospital, o médico disse: "Ele precisa de uma cirurgia de bypass urgente. Custa 50 mil euros." Liguei ao Pedro, implorei que me atendesse. A sua resposta veio por mensagem: "Estás louca? 50 mil euros? Esse dinheiro é para a nossa casa. Não vou gastar as nossas poupanças num velho que mal se aguenta em pé." "O teu pai já viveu a vida dele. Nós estamos a começar a nossa. A Sofia concorda comigo." O meu mundo desabou. Ele não quis saber. A vida do meu pai não valia o nosso dinheiro, mas um gato, sim. A raiva subiu-me à cabeça. Ele não ia arruinar-me. A decisão de destruir esta farsa de casamento era agora uma necessidade urgente.
A Vingança da Esposa Grávida

A Vingança da Esposa Grávida

Eu estava grávida de três meses. Meu marido, Ricardo, um influenciador digital em ascensão, sorria para a câmera. Ele virou o celular para mim, meus olhos cansados captando sua performance de "marido perfeito". Em meio aos comentários de "casal perfeito!", vi mensagens estranhas. "A coitadinha ainda não sabe que é só uma ferramenta para o sucesso dele." "Daqui a três meses, ela vai descobrir a traição. O show vai ser bom." "E o bebê? Ah, o bebê não vai ter a chance de nascer. Uma pena, ia ser uma menina linda." "Sofia já está escolhendo o berço. Com o dinheiro do pai da Ana Paula, claro." Senti um arrepio. Que brincadeira era essa? De repente, o homem ao meu lado parecia um estranho. Toda a nossa vida, uma farsa. Eu era a tola protagonista, a última a saber. Entendi que eu era uma ferramenta, uma escada para a ascensão dele, e meu pai, o alicerce financeiro. Uma fúria fria me invadiu. Meu filho não seria vítima. Eu ia reescrever esse roteiro. Enquanto ele perguntava se eu estava bem, com aquela falsa preocupação, transferi todo o dinheiro da conta conjunta. Liguei para o gerente financeiro do meu pai, congelando todos os investimentos dele. Eu não esperaria três meses, nem o acidente. Eu desmantelaria o mundo dele antes que ele destruísse o meu. Na manhã seguinte, ele cantava no chuveiro. Eu sentia náuseas, mas não da gravidez. Era dele. No celular, encontrei mais sobre "Sofia": "A estagiária esforçada que só quer uma chance. Mal sabe Ana Paula que a chance que ela quer é a de virar a nova Sra. Ricardo." Lembrei-me dela, a "protegida". A inocência fingida. O toque leve no braço dele que durou um segundo a mais. Ele não a via como filha. Ela não o via como pai. Aquele toque não foi acidental. Aquele olhar não era admiração. Era cálculo, ambição. Ele me traía e me fazia de idiota, usando meu dinheiro para sustentar a amante. Tudo nele, cada palavra doce, cada gesto, tudo era uma mentira. E eu havia caído em cada uma delas. Mas não mais. Com as mãos trêmulas, mas a mente afiada, abri a fatura do cartão adicional que dei a ele. Jantares caros, joias, e a prova final: pagamentos recorrentes a um hotel de luxo, terças e quintas. As peças se encaixaram de forma cruel. Ele me mandou uma mensagem: "Amor? Onde você está? Volte para a cama, está frio. Estou com saudades." Senti um nojo profundo e vomitei. Minha imagem no espelho era de uma mulher pálida, doente, mas uma nova força crescia em mim. A força da raiva. Disquei o número de Lucas, o assistente bajulador de Ricardo. "Lucas? É a Ana Paula. O Ricardo está estranho. Acho que está com algum problema no trabalho. Você sabe de algo?" disse, jogando a isca. Ele hesitou, mas minha menção ao dinheiro do meu pai o convenceu. "Ele tem passado muito tempo com a Sofia. Ele até alugou um apartamento para ela perto do escritório." Um apartamento. A audácia dele era inacreditável. Peguei o endereço. O confronto era inevitável. Eu não seria mais a esposa enganada. Dirigi com uma calma assustadora. Meu coração, antes em pedaços, estava congelado. Os comentários do celular me acompanhavam: "A cena do confronto vai começar!", "A esposa original vai pegar o marido infiel em flagrante!" Parei em frente ao prédio. Luxuoso e discreto. Perfeito para um ninho de amor secreto. Respirei fundo. "Ela vai hesitar? Não hesite, Ana Paula! Entre e acabe com eles!" Entrei no prédio, subi no elevador, a pressão aumentando no meu peito. Parei na porta 402. A música, as risadas dele e dela. Destrancada. Empurrei a porta. Ricardo, sem camisa. Sofia no colo dele, vestindo uma de suas camisas – que eu dei a ele. Beijavam-se, as mãos dele explorando o corpo dela com a intimidade que antes era minha. O mundo parou. Ricardo me viu primeiro. Seu sorriso desmoronou em pânico. Ele a empurrou bruscamente. "Ana... Ana Paula? O que... o que você está fazendo aqui?" Sofia se encolheu, com os olhos grandes e "inocentes" agora cheios de medo e desafio. Uma performance. Meu celular vibrou: "A CARA DE PÂNICO DELE! IMPAGÁVEL!" "Olha a Sofia se fazendo de coitadinha. Que nojo." Mantive-me imóvel. Não gritei, não chorei. O silêncio era mais pesado que qualquer acusação. "Ana Paula, eu... eu posso explicar", gaguejou Ricardo. "Não é o que parece? Você está seminu com outra mulher no seu colo, Ricardo. O que eu deveria achar que é?" Foi Sofia quem quebrou o impasse. Levantou-se, ajeitando a camisa como um troféu. "E se for o que parece?", ela disse, surpreendentemente firme. "O Ricardo não te ama mais. Ele me ama." Eu ri, um som seco. "Você? Você não é nada. É só uma garota ambiciosa que viu uma oportunidade. Você não o ama. Você ama o que ele pode te dar. O que o meu dinheiro pode te dar." O rosto dela ficou vermelho de raiva. "Você não sabe de nada! Você é uma rica mimada que sempre teve tudo. Você não sabe o que é lutar!" "A única coisa pela qual você lutou foi para abrir as pernas para o meu marido", respondi, fria. Ela me deu um tapa. A dor me despertou a fúria. Revidei, mais forte. "Sua vadia!", ela gritou, vindo para cima de mim. Ricardo agiu. Não para me proteger, mas para proteger Sofia. Ele a abraçou. "Pare, Ana Paula! Você está louca? Deixe-a em paz!", ele gritou, como se eu fosse a agressora. Isso foi a traição final. Pior que a mentira. O amor por ele morreu. Nasceu um ódio gelado. "Você escolheu ela?", perguntei, minha voz tremendo de fúria. Ele não respondeu. Sofia se desvencilhou dele, correu e me empurrou. Perdi o equilíbrio. A escada. Caí para trás. Uma dor lancinante na minha barriga. Depois, tudo ficou escuro. Acordei com cheiro de antisséptico num hospital. Ricardo estava lá, chorando. Peguei meu celular. Os comentários me atingiram. "O bebê... o bebê se foi." "Ele matou o próprio filho por causa da amante." Um vazio gelado. Minha barriga lisa. Minha filha. Tinha ido embora. Minha irmã Carla entrou, os olhos inchados. "A polícia esteve aqui. Sofia foi presa. Mas Ricardo... ele contou uma versão diferente." Lá no canto, Ricardo soluçava. Meu celular vibrou. "Ele disse à polícia que a Ana Paula teve um surto de ciúmes e atacou a pobre Sofia, e que na confusão, ela tropeçou e caiu sozinha." A farsa do seu choro se tornou clara. Chorava por si mesmo. Pelo escândalo. Lágrimas rolaram. Não de tristeza, mas de ódio. Perdi meu filho. Perdi tudo. Mas eu não estava derrotada. Ricardo se aproximou. "Ana... meu amor... me perdoe..." Virei o rosto. Ele tentou tocar minha mão. "Não me toque", minha voz saiu como um rosnado. Ele recuou. Eu continuava a encarar a parede branca, sentindo o vazio e o fogo crescendo em mim. Ele tinha tirado meu filho. Agora, eu ia tirar tudo dele. Os dias no hospital foram de silêncio da minha parte. Ricardo implorava, chamando a traição de "um erro". Minha irmã Carla, meu único alívio. "O advogado está preparando os papéis do divórcio. E a denúncia contra a Sofia por agressão seguida de lesão corporal grave está correndo." Eu assenti, uma chama de satisfação. Naquela tarde, Ricardo explodiu. "Pelo amor de Deus, Ana Paula, diga alguma coisa! Está me matando!" Caiu de joelhos, chorando. Pela primeira vez em dias, olhei para ele. Meus olhos secos, meu rosto inexpressivo. "Nós tínhamos um amor, Ana", ele soluçou. "Era?", perguntei, rouca. "Sim! Eu juro!" "Então por que você disse à polícia que eu ataquei a Sofia?", a pergunta caiu como uma pedra. Ele congelou. "Como... como você sabe?" "Eu sei de tudo, Ricardo. Sei que alugou apartamento para ela com o meu dinheiro. Sei que a protegeu." "Você não me amava, Ricardo. Você amava o que eu representava. Você é um parasita. E eu cansei de ser sua hospedeira." "Eu quero o divórcio", declarei. "E quero você fora da minha vida. Para sempre." O pânico em seus olhos era genuíno. Ele sabia que tinha perdido a guerra. A notificação do divórcio e da ação criminal chegou a Ricardo no dia da minha alta. Ele tentou me barrar. "Você não pode fazer isso, Ana! Você quer me destruir?" "Eu só quero que você pague pelo que fez", respondi friamente. Ele gritou, batendo na parede. "Foi um acidente! Eu entrei em pânico! Por isso menti!" Carla interveio. Ele a ignorou, os olhos fixos em mim. "Pense em nós. Pense em tudo o que passamos." Sua voz mudou para súplica. "Sofia não tem ninguém, Ana. A família dela é pobre. Eu me senti responsável por ela." A desculpa era patética. "Responsável? Você se sentiu responsável a ponto de levá-la para a cama? A ponto de deixar que ela matasse o seu filho?" Ele se encolheu. "Não foi culpa dela." Mesmo agora, ele a defendia. Sua lealdade não era a mim. Uma ideia cruel nasceu. Se ele queria dor, eu daria. "Sabe, Ricardo", comecei, falsamente suave. "Eu tenho pensado muito na nossa filha." Ele me olhou, confuso. "Ela seria uma menina. Os médicos me disseram. Já tinha pensado em um nome: Laura." A dor genuína faiscou nos olhos dele. "Fico imaginando como ela seria. Teria seus olhos? Meu cabelo? Correndo pela casa, rindo." Ele começou a tremer. "Pare... por favor, pare..." "Mas ela nunca vai fazer nada disso, não é? Ela nunca vai existir. E a culpa é sua. Cada vez que você fechar os olhos pelo resto da sua vida, quero que veja o rosto da filha que você matou. Cada vez que tocar na Sofia, quero que se lembre que foi por ela que nossa filha morreu." As palavras o atingiram. Ele levou as mãos à cabeça, gemendo. "Não... não..." "Você a escolheu, Ricardo. Escolheu a Sofia em vez da sua própria filha. Espero que tenha valido a pena." Ele não aguentou mais. Com um som gutural, um soluço de dor, virou-se e fugiu pelo corredor do hospital. Observei-o ir. Não senti remorso. Senti uma satisfação fria e terrível. Ele queria sentir dor? Agora sentia. Era apenas uma fração da minha, mas era um começo. Semanas de mediações inúteis. Ricardo encenava o arrependido. Eu estava na casa dos meus pais. Num dia chuvoso, meu celular explodiu em notificações. "BOMBA! A Sofia está grávida!" "Não pode ser! Grávida do Ricardo?" "Ela usou o golpe da barriga! Que reviravolta!" Grávida. A mulher que causou a morte da minha filha estava grávida. Do meu marido. O som da TV na sala me chamou. Um programa de fofocas: "A AMANTE ESTÁ GRÁVIDA". Lucas, meu ex-assistente, ligou. "Ele está comemorando. Disse que agora tem um herdeiro, que isso prova que o amor dele por Sofia era real." Desliguei. O choque deu lugar a uma fúria fria e calculista. Comemorando. Enquanto eu chorava, ele comemorava um filho com a amante. Era o fim. Não havia mais dor, só ação. Liguei para meu advogado, contador, gerente do banco. "Quero que tudo seja executado. Agora. Todas as garantias que meu pai deu. Cada uma delas." "Ana Paula, isso vai levá-lo à falência total", alertou o advogado. "É exatamente isso que eu quero." Vendi minhas ações na empresa conjunta para um concorrente. Cancelei cartões, fechei linhas de crédito. Em horas, desmantelei seu castelo de cartas. A reação dele foi imediata. Furioso, desesperado, invadiu a casa dos meus pais. Encontrei-o no jardim. "Sua desgraçada!", ele rosnou. "Você me arruinou! Tudo! Está tudo acabado!" "Você se arruinou sozinho, Ricardo", respondi. "Eu vou ter um filho! E você me tira tudo? Que tipo de monstro você é?" "O tipo de monstro que você criou", retruquei. Ele avançou, os olhos injetados. "Nós podemos consertar isso", ele sussurrou, conspiratório e insano. "Eu tenho um plano. Sofia... a gravidez dela é um problema. Mas problemas podem ser... resolvidos." Eu o encarei. Ele não estava sugerindo se livrar da amante. Sugeria assassiná-la. E ao bebê dela. O homem era um monstro, despido de humanidade. Eu olhava para o abismo da sua loucura. "Você está louco", sussurrei, recuando. O sorriso dele era aterrorizante. "Não estou louco. Estou sendo prático. Ela é um problema. Nós eliminamos o problema. Simples." "Fique longe de mim", disse, minha voz firme. "Você está doente. Você precisa de ajuda." A menção de doença quebrou seu feitiço. Seu rosto se contorceu em fúria. Nisso, o carro de Sofia parou. Ela veio, preocupada. "Ricardo? O que está acontecendo?" A loucura de Ricardo encontrou um novo foco. "Você!", ele gritou, virando-se para ela. "É tudo culpa sua! Você e esse seu bebê! Você arruinou minha vida!" Ele correu, agarrou-a, sacudindo-a violentamente. "Ricardo, pare! Você está me machucando! O bebê!", ela chorava. Gritei por seguranças. Eles apareceram. Mas era tarde. Ele a empurrou. Sofia caiu no chão, gritando de dor. Caos e horror. Seguranças o arrastaram, enquanto ele gritava maldições. O fim de Ricardo foi rápido e humilhante. Preso pela agressão. Para evitar pena maior, seu advogado fez um acordo: ele se declarou culpado, recebia pena reduzida, e uma ordem de restrição contra mim. E a parte irônica: ele teria que se casar com Sofia para "assumir a responsabilidade" pela criança. Casaram-se em uma cerimônia sombria, com policiais como testemunhas. Um final patético. Meses depois, visitei Sofia numa clínica de repouso. Perdera o bebê. "Ele me amava, sabe? Ele ia deixar você por mim. Nós seríamos felizes." Ela vivia numa fantasia. "Ele não tem mais nada, Sofia. O nome 'Ricardo' não significa mais nada." "Para você, talvez", ela retrucou. "Mas para mim, significa tudo. Quando eu sair daqui, nós vamos recomeçar." Inútil. Ela estava perdida em delírio. "Sabe, Sofia", eu disse, levantando-me. "Você pode ficar com o nome. E pode ficar com ele também. Vocês se merecem." Saí sem olhar para trás. O dia da audiência final do divórcio. Ricardo, na tela, parecia abatido. Assinou os papéis. "Eu sinto muito, Ana", ele disse. Eu assenti. Ao sair do prédio, senti uma leveza. Meu celular, vazio. Nenhuma notificação. O silêncio era absoluto. Era o som da minha liberdade. Um táxi parou. Aeroporto. Minha irmã me esperava com uma passagem só de ida. Olhei pela janela do avião, as luzes da cidade sumindo. O passado era uma história que tinha chegado ao fim. Eu era a autora do meu próprio futuro agora. A página estava em branco. Sorri. Era um bom começo.
Quando o Conto de Fadas Vira Pesadelo

Quando o Conto de Fadas Vira Pesadelo

Sofia e Vicente eram o casal invejado, 10 anos de união estável que parecia um conto de fadas moderno. Ele, herdeiro de um império do café. Ela, uma talentosa restauradora de arte. O amor deles era a manchete preferida das colunas sociais do Rio de Janeiro. Mas a perfeição desmoronou sem aviso. Primeiro, Vicente é drogado e seduzido por uma estagiária numa festa familiar. Pouco depois, essa mulher, Isadora, surge grávida, abalando o mundo de Sofia. A humilhação culmina quando ele entrega à amante a joia mais preciosa de Sofia, herdada da bisavó, e a empurra para longe em público, priorizando a falsa dor da outra. A cada traição, Vicente prometia perdão com desculpas elaboradas. Sofia, ferida e exausta, cedia, acreditando na redenção. Mas ele continua a despedaçá-la. Pede o sangue dela para salvar a amante que a agrediu num hospital. Permite que ela seja isolada numa ilha deserta durante uma tempestade, enquanto a voz vitoriosa de Isadora atende o telefone dele, longe do caos. Como o homem que prometeu cuidar dela na saúde e na doença podia construir uma nova vida sobre as ruínas da dela? Onde estava o amor que ele jurava com tanta intensidade? Teria sido toda essa história um conto de fadas que ela mesma criou, uma ilusão perfeita que agora ruía? A dor de vê-lo cego à verdade, ao seu próprio sofrimento, transformou o que restava do seu coração em cinzas e um vazio gelado. Isolada naquela ilha, no meio de uma fúria infernal, e com a certeza de que ele não a resgataria, Sofia percebeu: seu amor por Vicente não apenas morreu, ele se transformou em pó, levado pelo vento. Era o fim cruel de um conto de fadas e o início de uma nova Sofia, que jurou construir seu próprio futuro e encontrar a verdadeira liberdade, custe o que custar.