Coração Partido, Alma Curada

Coração Partido, Alma Curada

Amelia

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Capítulo

Minha cozinha, o coração do "Aurum", batia no ritmo acelerado de uma noite de gala. Era lá que Isabela, chef e orquestradora, sentia o controle escorrer por entre os dedos ao ouvir fofocas sobre meu marido, Ricardo, e Sofia, minha protegida e pupila que eu guiei com tanto carinho. A confiança cega foi estilhaçada quando o encontrei, não no salão como sommelier da noite, mas escondido com Sofia, que confessou um sussurro terrível: "E grávida. Não se esqueça da parte mais importante. Não vejo a hora de contar pra ela... sobre o bebê." O mundo desabou; a imagem dela com a mão protetora sobre a barriga, e ele pálido, foram um golpe que questionou não só nosso casamento de quinze anos, mas minha sanidade. Ele ousou me culpar, me chamar de "histérica" e, ao se opor ao divórcio, ameaçou usar nossa filha, Lúcia, contra mim, enquanto Sofia tripudiava por trás de um sorriso vitorioso e mensagens cruéis. Mas no exato momento em que ele ousou usar o nome de minha filha, algo em mim se quebrou, e Isabela, a chef, morreu, e em seu lugar, nasceu uma mulher que eles jamais subestimariam: aquela que lutaria por Lúcia e por si mesma.

Introdução

Minha cozinha, o coração do "Aurum", batia no ritmo acelerado de uma noite de gala.

Era lá que Isabela, chef e orquestradora, sentia o controle escorrer por entre os dedos ao ouvir fofocas sobre meu marido, Ricardo, e Sofia, minha protegida e pupila que eu guiei com tanto carinho.

A confiança cega foi estilhaçada quando o encontrei, não no salão como sommelier da noite, mas escondido com Sofia, que confessou um sussurro terrível: "E grávida. Não se esqueça da parte mais importante. Não vejo a hora de contar pra ela... sobre o bebê."

O mundo desabou; a imagem dela com a mão protetora sobre a barriga, e ele pálido, foram um golpe que questionou não só nosso casamento de quinze anos, mas minha sanidade.

Ele ousou me culpar, me chamar de "histérica" e, ao se opor ao divórcio, ameaçou usar nossa filha, Lúcia, contra mim, enquanto Sofia tripudiava por trás de um sorriso vitorioso e mensagens cruéis.

Mas no exato momento em que ele ousou usar o nome de minha filha, algo em mim se quebrou, e Isabela, a chef, morreu, e em seu lugar, nasceu uma mulher que eles jamais subestimariam: aquela que lutaria por Lúcia e por si mesma.

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Estava a fazer as malas para a nossa viagem de aniversário, imaginando os Açores. O meu marido, Pedro, estava no banho, cantarolando uma melodia. Então, o hospital ligou. O meu pai tivera um ataque cardíaco. Estava em estado crítico. O meu telemóvel caiu da mão, e o meu mundo parou. Gritei o nome do Pedro, mas ele saiu do banho, furioso. "O que foi, Eva? Não vês que estou a tomar banho? Que gritaria é essa?" "O meu pai," consegui dizer, as lágrimas a escorrer. "Ele teve um ataque cardíaco. Precisamos de ir para o hospital. Agora!" Ele suspirou, exasperado. "Outra vez? O teu pai não pode ter um drama sem ser no pior momento?" Nesse instante, o telemóvel dele tocou. Era a Sofia, a sua "melhor amiga". O gato dela tinha subido a uma árvore e não conseguia descer. A decisão do Pedro foi instantânea. "Não te preocupes, Fifi. Estou a ir para aí." Ele começou a vestir-se, não para a nossa viagem, mas para ir ao encontro dela. "Pedro, não podes estar a falar a sério. O meu pai está a morrer!" "O teu pai está no hospital, com médicos," ele respondeu frio. "A Sofia está sozinha." "Um gato é mais importante do que o meu pai?" "Não sejas dramática, Eva. Eu vou lá, e depois falamos do teu pai. Chama um táxi." Ele saiu, deixando-me ali, com o bilhete dos Açores a troçar de mim. No hospital, o médico disse: "Ele precisa de uma cirurgia de bypass urgente. Custa 50 mil euros." Liguei ao Pedro, implorei que me atendesse. A sua resposta veio por mensagem: "Estás louca? 50 mil euros? Esse dinheiro é para a nossa casa. Não vou gastar as nossas poupanças num velho que mal se aguenta em pé." "O teu pai já viveu a vida dele. Nós estamos a começar a nossa. A Sofia concorda comigo." O meu mundo desabou. Ele não quis saber. A vida do meu pai não valia o nosso dinheiro, mas um gato, sim. A raiva subiu-me à cabeça. Ele não ia arruinar-me. A decisão de destruir esta farsa de casamento era agora uma necessidade urgente.

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