Amor Que Não Toca

Amor Que Não Toca

Amelia

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Capítulo

Sete anos. Sete anos de um casamento fantasma com Pedro, um chef genial que nunca me tocou, enquanto eu, designer, sacrifiquei Milão por um amor que achei que curaria a aversão dele. Até que, numa noite de jantar em família, o celular escorrega e o aplicativo de terapia online que instalei para ele, na esperança de uma abertura, "acidentalmente" transmite gemidos altos, eróticos, vindos da nossa cozinha. Todos param, os garfos caem, e a imagem na tela revela Pedro agarrado à bancada, e, por trás dele, Clara, a nutricionista que contratei para ajudá-lo, se esfregando nele, em uma demonstração de terapia bem diferente da que eu imaginava. Encharcada, sangrando e carregando um braço quebrado, por ter corrido para salvá-lo de uma suposta emergência, apenas para ser usada de governanta para a amante dele, ouvi sua voz fria: "A Júlia é a governanta. Ela cuida da casa. Se ela criar problemas, eu a demito". A humilhação me libertou da fantasia; a raiva e a dor se transformaram em uma calma fria, e pela primeira vez em sete anos, eu me escolhi, ligando para um advogado para iniciar o processo de divórcio, sem olhar para trás.

Introdução

Sete anos. Sete anos de um casamento fantasma com Pedro, um chef genial que nunca me tocou, enquanto eu, designer, sacrifiquei Milão por um amor que achei que curaria a aversão dele.

Até que, numa noite de jantar em família, o celular escorrega e o aplicativo de terapia online que instalei para ele, na esperança de uma abertura, "acidentalmente" transmite gemidos altos, eróticos, vindos da nossa cozinha.

Todos param, os garfos caem, e a imagem na tela revela Pedro agarrado à bancada, e, por trás dele, Clara, a nutricionista que contratei para ajudá-lo, se esfregando nele, em uma demonstração de terapia bem diferente da que eu imaginava.

Encharcada, sangrando e carregando um braço quebrado, por ter corrido para salvá-lo de uma suposta emergência, apenas para ser usada de governanta para a amante dele, ouvi sua voz fria: "A Júlia é a governanta. Ela cuida da casa. Se ela criar problemas, eu a demito".

A humilhação me libertou da fantasia; a raiva e a dor se transformaram em uma calma fria, e pela primeira vez em sete anos, eu me escolhi, ligando para um advogado para iniciar o processo de divórcio, sem olhar para trás.

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Estava a fazer as malas para a nossa viagem de aniversário, imaginando os Açores. O meu marido, Pedro, estava no banho, cantarolando uma melodia. Então, o hospital ligou. O meu pai tivera um ataque cardíaco. Estava em estado crítico. O meu telemóvel caiu da mão, e o meu mundo parou. Gritei o nome do Pedro, mas ele saiu do banho, furioso. "O que foi, Eva? Não vês que estou a tomar banho? Que gritaria é essa?" "O meu pai," consegui dizer, as lágrimas a escorrer. "Ele teve um ataque cardíaco. Precisamos de ir para o hospital. Agora!" Ele suspirou, exasperado. "Outra vez? O teu pai não pode ter um drama sem ser no pior momento?" Nesse instante, o telemóvel dele tocou. Era a Sofia, a sua "melhor amiga". O gato dela tinha subido a uma árvore e não conseguia descer. A decisão do Pedro foi instantânea. "Não te preocupes, Fifi. Estou a ir para aí." Ele começou a vestir-se, não para a nossa viagem, mas para ir ao encontro dela. "Pedro, não podes estar a falar a sério. O meu pai está a morrer!" "O teu pai está no hospital, com médicos," ele respondeu frio. "A Sofia está sozinha." "Um gato é mais importante do que o meu pai?" "Não sejas dramática, Eva. Eu vou lá, e depois falamos do teu pai. Chama um táxi." Ele saiu, deixando-me ali, com o bilhete dos Açores a troçar de mim. No hospital, o médico disse: "Ele precisa de uma cirurgia de bypass urgente. Custa 50 mil euros." Liguei ao Pedro, implorei que me atendesse. A sua resposta veio por mensagem: "Estás louca? 50 mil euros? Esse dinheiro é para a nossa casa. Não vou gastar as nossas poupanças num velho que mal se aguenta em pé." "O teu pai já viveu a vida dele. Nós estamos a começar a nossa. A Sofia concorda comigo." O meu mundo desabou. Ele não quis saber. A vida do meu pai não valia o nosso dinheiro, mas um gato, sim. A raiva subiu-me à cabeça. Ele não ia arruinar-me. A decisão de destruir esta farsa de casamento era agora uma necessidade urgente.

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