Divórcio: Seis Meses Depois

Divórcio: Seis Meses Depois

Amelia

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Capítulo

O envelope pardo pousado na mesa da cozinha quebrou a rotina de Ana Lúcia. Dentro, um acordo de divórcio, assinado por Marcos, seu marido, datado de seis meses atrás. Seis meses de beijos, "bom dia" e noites na mesma cama, tudo uma farsa. A traição a atingiu como um golpe físico, roubando-lhe o ar e a memória das promessas de "nunca te deixarei". A vida que ela pensava ter era uma mentira cruel. Naquela noite, escondida na escuridão, Ana Lúcia ouviu a voz de Marcos sussurrando para Isabela: "Ela não suspeita de nada... O médico disse que o estado dela ainda é frágil, qualquer choque pode ser perigoso... Não, claro que não a amo. Ela é uma obrigação, um fardo que logo vou me livrar." A dor se transformou em uma fúria fria e cortante. Ela, um fardo frágil? Ele e a amante a subestimaram. Ana Lúcia não chorou, não rasgou o papel; com uma calma aterrorizante, guardou-o como uma declaração de guerra. Ela desapareceria, mas não como a vítima que ele imaginava. Ele a faria se arrepender de cada mentira, de cada toque falso, de cada palavra de amor envenenada, e a vingança seria sua única companhia.

Introdução

O envelope pardo pousado na mesa da cozinha quebrou a rotina de Ana Lúcia.

Dentro, um acordo de divórcio, assinado por Marcos, seu marido, datado de seis meses atrás.

Seis meses de beijos, "bom dia" e noites na mesma cama, tudo uma farsa.

A traição a atingiu como um golpe físico, roubando-lhe o ar e a memória das promessas de "nunca te deixarei".

A vida que ela pensava ter era uma mentira cruel.

Naquela noite, escondida na escuridão, Ana Lúcia ouviu a voz de Marcos sussurrando para Isabela: "Ela não suspeita de nada... O médico disse que o estado dela ainda é frágil, qualquer choque pode ser perigoso... Não, claro que não a amo. Ela é uma obrigação, um fardo que logo vou me livrar."

A dor se transformou em uma fúria fria e cortante.

Ela, um fardo frágil? Ele e a amante a subestimaram.

Ana Lúcia não chorou, não rasgou o papel; com uma calma aterrorizante, guardou-o como uma declaração de guerra.

Ela desapareceria, mas não como a vítima que ele imaginava.

Ele a faria se arrepender de cada mentira, de cada toque falso, de cada palavra de amor envenenada, e a vingança seria sua única companhia.

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Estava a fazer as malas para a nossa viagem de aniversário, imaginando os Açores. O meu marido, Pedro, estava no banho, cantarolando uma melodia. Então, o hospital ligou. O meu pai tivera um ataque cardíaco. Estava em estado crítico. O meu telemóvel caiu da mão, e o meu mundo parou. Gritei o nome do Pedro, mas ele saiu do banho, furioso. "O que foi, Eva? Não vês que estou a tomar banho? Que gritaria é essa?" "O meu pai," consegui dizer, as lágrimas a escorrer. "Ele teve um ataque cardíaco. Precisamos de ir para o hospital. Agora!" Ele suspirou, exasperado. "Outra vez? O teu pai não pode ter um drama sem ser no pior momento?" Nesse instante, o telemóvel dele tocou. Era a Sofia, a sua "melhor amiga". O gato dela tinha subido a uma árvore e não conseguia descer. A decisão do Pedro foi instantânea. "Não te preocupes, Fifi. Estou a ir para aí." Ele começou a vestir-se, não para a nossa viagem, mas para ir ao encontro dela. "Pedro, não podes estar a falar a sério. O meu pai está a morrer!" "O teu pai está no hospital, com médicos," ele respondeu frio. "A Sofia está sozinha." "Um gato é mais importante do que o meu pai?" "Não sejas dramática, Eva. Eu vou lá, e depois falamos do teu pai. Chama um táxi." Ele saiu, deixando-me ali, com o bilhete dos Açores a troçar de mim. No hospital, o médico disse: "Ele precisa de uma cirurgia de bypass urgente. Custa 50 mil euros." Liguei ao Pedro, implorei que me atendesse. A sua resposta veio por mensagem: "Estás louca? 50 mil euros? Esse dinheiro é para a nossa casa. Não vou gastar as nossas poupanças num velho que mal se aguenta em pé." "O teu pai já viveu a vida dele. Nós estamos a começar a nossa. A Sofia concorda comigo." O meu mundo desabou. Ele não quis saber. A vida do meu pai não valia o nosso dinheiro, mas um gato, sim. A raiva subiu-me à cabeça. Ele não ia arruinar-me. A decisão de destruir esta farsa de casamento era agora uma necessidade urgente.

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