Amor Enterrado com a Família

Amor Enterrado com a Família

Qing Jiu Wei Yang

5.0
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Capítulo

No meu aniversário de dezoito anos, o cheiro de bolo barato e uma vela solitária marcavam mais um ano de repetição. Mas esta noite, a indiferença dos meus pais me atingiu mais forte do que nunca. Eu sabia o meu lugar: culpada pela morte do meu irmão Pedro, oito anos atrás. Lembro-me de ligar para minha mãe, Lúcia, de um beco escuro, com medo. "Mãe... socorro...", sussurrei, a voz embargada pelo pavor, uma faca na minha garganta. "Não tenho tempo para suas crises. Se você não voltar em dez minutos, vou trancar a porta!" E ela desligou, me abandonando à mercê de um monstro. Eu deveria ter morrido no lugar dele, sempre me diziam. Mas a verdade era um buraco negro prestes a engolir a todos nós. No necrotério, meu pai, Carlos, o perito forense, estava prestes a descobrir a verdade mais cruel. Aquele corpo mutilado na mesa, a vítima anônima do "Carniceiro da Chuva", lentamente tomava forma sob suas mãos. Uma cicatriz acima da sobrancelha, um sinal de nascença sutil. Era eu. Sua própria filha. A garota que ele e minha mãe trancaram para fora de suas vidas, a garota que eles culparam e torturaram por anos. E assim, minha morte abriu as portas de um inferno particular para a minha família, um inferno construído sobre mentiras e negligência.

Introdução

No meu aniversário de dezoito anos, o cheiro de bolo barato e uma vela solitária marcavam mais um ano de repetição.

Mas esta noite, a indiferença dos meus pais me atingiu mais forte do que nunca.

Eu sabia o meu lugar: culpada pela morte do meu irmão Pedro, oito anos atrás.

Lembro-me de ligar para minha mãe, Lúcia, de um beco escuro, com medo.

"Mãe... socorro...", sussurrei, a voz embargada pelo pavor, uma faca na minha garganta.

"Não tenho tempo para suas crises. Se você não voltar em dez minutos, vou trancar a porta!"

E ela desligou, me abandonando à mercê de um monstro.

Eu deveria ter morrido no lugar dele, sempre me diziam.

Mas a verdade era um buraco negro prestes a engolir a todos nós.

No necrotério, meu pai, Carlos, o perito forense, estava prestes a descobrir a verdade mais cruel.

Aquele corpo mutilado na mesa, a vítima anônima do "Carniceiro da Chuva", lentamente tomava forma sob suas mãos.

Uma cicatriz acima da sobrancelha, um sinal de nascença sutil.

Era eu.

Sua própria filha.

A garota que ele e minha mãe trancaram para fora de suas vidas, a garota que eles culparam e torturaram por anos.

E assim, minha morte abriu as portas de um inferno particular para a minha família, um inferno construído sobre mentiras e negligência.

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Romance

5.0

O cheiro de desinfetante invadiu-me as narinas quando acordei, o teto branco um lembrete cruel.\nO meu corpo doía, mas a maior dor era a de saber que a minha barriga, a um mês de dar à luz o nosso Pedro, estava vazia.\nPeguei no telemóvel, desesperada por consolo do meu marido, Tiago.\nMas quando ele atendeu, a sua voz irritada e distante foi cortada por um sussurro doce e choroso: Sofia, a nossa vizinha.\n"Tiago, onde estás?", perguntei, a raiva fria a subir-me pela espinha.\n"Estou em casa da Sofia! Ela caiu das escadas, o cão dela entrou em pânico! Não havia nada que eu pudesse fazer por ti!"\nEle estava a consolar outra mulher porque o cão dela tremia, enquanto eu estava presa nos destroços, a perder o nosso filho.\n"Eu perdi o nosso bebé, Tiago", disse eu, a minha voz um sussurro.\nO silêncio do lado dele era ensurdecedor, quebrado apenas pela sua voz chocada: "O quê? Como assim?"\nNão havia dor, apenas surpresa, e depois a desculpa: "O meu telemóvel estava sem som, a Sofia precisava de mim!"\nSozinha. E eu? A minha mãe inconsciente, o nosso filho a morrer dentro de mim.\n"Vamos divorciar-nos", as palavras saíram antes que eu pudesse controlá-las.\n"Divórcio? Por causa disto? Não tens compaixão? A vida da Sofia é muito difícil!", ele explodiu, e depois desligou.\nNão era apenas a dor da perda, era a humilhação, a traição absoluta.\nNo meu momento mais negro, ele escolheu socorrer o cão da vizinha em vez do nosso filho.\nMas a pior parte veio depois: quando a minha sogra entrou, não para me consolar, mas para me acusar de tentar destruir o "santo" filho dela.\n"Ele levou a Sofia para a casa de praia para espairecer", disse a minha sogra, enquanto eu via a silhueta da Sofia na janela do nosso apartamento.\nFoi nesse momento que soube: não me podia dar ao luxo de chorar. Tinha de lutar.

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