O Sorriso Que Escondia Veneno

O Sorriso Que Escondia Veneno

Lan Zi Xin

5.0
Comentário(s)
189
Leituras
11
Capítulo

A fazenda estava em festa. Todos celebravam minha aprovação na universidade federal. Um feito inédito para uma menina da roça como eu. Mas para mim, Ana Paula, a quietude dentro do peito contrastava com a alegria ao redor. Porque esta celebração não era uma comemoração. Era um funeral. Meu avô, Zé Pedro, com seu sorriso largo, se aproximou com a cachaça na mão. O senhor Joaquim Silva, o patriarca vizinho, ao lado. "Parabéns, Ana Paula. Sabia que você era uma menina esperta." A voz dele era como o raspar de lixa na minha pele. Minha mão não tremia ao servir os copos de cachaça especial. Aquela que preparei. Com veneno, claro. Enchi o copo de cada um que se beneficiou do meu sofrimento. Cada cúmplice que fechou os olhos para o inferno que eu vivi na minha própria casa. O caos começou lentamente. Corpos se contorcendo no chão. Gritos substituíram risadas. Eu observei. Não senti nada, apenas um vazio gelado. Peguei o querosene que escondi antes. Derramei sobre o chão, cortinas e móveis. Ninguém me impediu. Estavam ocupados demais morrendo. Um fósforo riscado. O fogo subirá com um rugido voraz. Vinte e nove. Trinta e dois. Na sala de interrogatório, o delegado Ricardo Santos batia na mesa. "Trinta e duas pessoas! Queimadas vivas! E você nem sequer derramou uma lágrima!" Eu sorri, os lábios chamuscados. "Ele mereceu mais do que todos." Minha calma o desestabilizava. Ele queria remorso. Eu era só uma paz terrível e resoluta. "Eu quero ver meus pais." A menina que ele descreveu havia morrido há muito tempo, naquela fazenda. No lugar dela, nasce um monstro. E naquela noite, o monstro finalmente se libertou.

O Sorriso Que Escondia Veneno Introdução

A fazenda estava em festa.

Todos celebravam minha aprovação na universidade federal.

Um feito inédito para uma menina da roça como eu.

Mas para mim, Ana Paula, a quietude dentro do peito contrastava com a alegria ao redor.

Porque esta celebração não era uma comemoração.

Era um funeral.

Meu avô, Zé Pedro, com seu sorriso largo, se aproximou com a cachaça na mão.

O senhor Joaquim Silva, o patriarca vizinho, ao lado.

"Parabéns, Ana Paula. Sabia que você era uma menina esperta."

A voz dele era como o raspar de lixa na minha pele.

Minha mão não tremia ao servir os copos de cachaça especial.

Aquela que preparei.

Com veneno, claro.

Enchi o copo de cada um que se beneficiou do meu sofrimento.

Cada cúmplice que fechou os olhos para o inferno que eu vivi na minha própria casa.

O caos começou lentamente.

Corpos se contorcendo no chão.

Gritos substituíram risadas.

Eu observei.

Não senti nada, apenas um vazio gelado.

Peguei o querosene que escondi antes.

Derramei sobre o chão, cortinas e móveis.

Ninguém me impediu.

Estavam ocupados demais morrendo.

Um fósforo riscado.

O fogo subirá com um rugido voraz.

Vinte e nove.

Trinta e dois.

Na sala de interrogatório, o delegado Ricardo Santos batia na mesa.

"Trinta e duas pessoas! Queimadas vivas! E você nem sequer derramou uma lágrima!"

Eu sorri, os lábios chamuscados.

"Ele mereceu mais do que todos."

Minha calma o desestabilizava.

Ele queria remorso.

Eu era só uma paz terrível e resoluta.

"Eu quero ver meus pais."

A menina que ele descreveu havia morrido há muito tempo, naquela fazenda.

No lugar dela, nasce um monstro.

E naquela noite, o monstro finalmente se libertou.

Continuar lendo
Capítulo
Ler agora
Baixar livro
O Sorriso Que Escondia Veneno O Sorriso Que Escondia Veneno Lan Zi Xin Jovem Adulto
“A fazenda estava em festa. Todos celebravam minha aprovação na universidade federal. Um feito inédito para uma menina da roça como eu. Mas para mim, Ana Paula, a quietude dentro do peito contrastava com a alegria ao redor. Porque esta celebração não era uma comemoração. Era um funeral. Meu avô, Zé Pedro, com seu sorriso largo, se aproximou com a cachaça na mão. O senhor Joaquim Silva, o patriarca vizinho, ao lado. "Parabéns, Ana Paula. Sabia que você era uma menina esperta." A voz dele era como o raspar de lixa na minha pele. Minha mão não tremia ao servir os copos de cachaça especial. Aquela que preparei. Com veneno, claro. Enchi o copo de cada um que se beneficiou do meu sofrimento. Cada cúmplice que fechou os olhos para o inferno que eu vivi na minha própria casa. O caos começou lentamente. Corpos se contorcendo no chão. Gritos substituíram risadas. Eu observei. Não senti nada, apenas um vazio gelado. Peguei o querosene que escondi antes. Derramei sobre o chão, cortinas e móveis. Ninguém me impediu. Estavam ocupados demais morrendo. Um fósforo riscado. O fogo subirá com um rugido voraz. Vinte e nove. Trinta e dois. Na sala de interrogatório, o delegado Ricardo Santos batia na mesa. "Trinta e duas pessoas! Queimadas vivas! E você nem sequer derramou uma lágrima!" Eu sorri, os lábios chamuscados. "Ele mereceu mais do que todos." Minha calma o desestabilizava. Ele queria remorso. Eu era só uma paz terrível e resoluta. "Eu quero ver meus pais." A menina que ele descreveu havia morrido há muito tempo, naquela fazenda. No lugar dela, nasce um monstro. E naquela noite, o monstro finalmente se libertou.”
1

Introdução

08/07/2025

2

Capítulo 1

08/07/2025

3

Capítulo 2

08/07/2025

4

Capítulo 3

08/07/2025

5

Capítulo 4

08/07/2025

6

Capítulo 5

08/07/2025

7

Capítulo 6

08/07/2025

8

Capítulo 7

08/07/2025

9

Capítulo 8

08/07/2025

10

Capítulo 9

08/07/2025

11

Capítulo 10

08/07/2025