Durante sete anos, usei minha herança para bancar minha paixão da faculdade. Eu peguei Caio Valente, um estudante genial, mas desonrado, que trabalhava como barman, e o transformei em um bilionário da Faria Lima. Morávamos juntos, e eu fui a tola que acreditou que nossa relação transacional era amor. Então, o amor de infância dele, Clara, voltou. A humilhação foi pública e rápida. Em um leilão de caridade, ele deu um lance maior que o meu por um colar de dez milhões de reais, prendendo-o no pescoço dela para que todos vissem. Naquela mesma noite, ele me salvou depois que fui drogada e quase agredida, apenas para me abandonar em um quarto de hotel porque Clara ligou com uma emergência falsa sobre a porta emperrada do chuveiro. Mas o prego final no caixão veio depois que um carro me atingiu. Enquanto eu sangrava na emergência, a enfermeira ligou para ele pedindo consentimento para minha cirurgia de emergência. Ouvi sua voz no telefone, fria e irritada. "Estou consolando minha namorada", ele disse. "O que acontecer com ela não é problema meu." A linha ficou muda. O homem que eu construí do nada tinha acabado de me deixar para morrer. Com a mão trêmula, assinei eu mesma o formulário de consentimento. Então, fiz outra ligação. "Eduardo", sussurrei para o homem que havia me pedido em casamento um ano atrás. "Sobre aquele casamento... você ainda está interessado?"
Durante sete anos, usei minha herança para bancar minha paixão da faculdade. Eu peguei Caio Valente, um estudante genial, mas desonrado, que trabalhava como barman, e o transformei em um bilionário da Faria Lima. Morávamos juntos, e eu fui a tola que acreditou que nossa relação transacional era amor.
Então, o amor de infância dele, Clara, voltou.
A humilhação foi pública e rápida. Em um leilão de caridade, ele deu um lance maior que o meu por um colar de dez milhões de reais, prendendo-o no pescoço dela para que todos vissem. Naquela mesma noite, ele me salvou depois que fui drogada e quase agredida, apenas para me abandonar em um quarto de hotel porque Clara ligou com uma emergência falsa sobre a porta emperrada do chuveiro.
Mas o prego final no caixão veio depois que um carro me atingiu. Enquanto eu sangrava na emergência, a enfermeira ligou para ele pedindo consentimento para minha cirurgia de emergência. Ouvi sua voz no telefone, fria e irritada.
"Estou consolando minha namorada", ele disse. "O que acontecer com ela não é problema meu."
A linha ficou muda. O homem que eu construí do nada tinha acabado de me deixar para morrer.
Com a mão trêmula, assinei eu mesma o formulário de consentimento. Então, fiz outra ligação.
"Eduardo", sussurrei para o homem que havia me pedido em casamento um ano atrás. "Sobre aquele casamento... você ainda está interessado?"
Capítulo 1
A ligação veio às 2 da manhã. Uma voz estéril e calma do outro lado da linha disse a Helena Alencar que seus pais haviam partido. Um motorista bêbado havia ultrapassado o sinal vermelho. Foi instantâneo, a voz disse, como se isso fosse um consolo.
Aquele único telefonema a transformou de filha em herdeira de um império de tecnologia. O peso das Indústrias Alencar, o trabalho da vida de seu pai, pousou sobre seus ombros. O luto era um quarto vasto e vazio dentro dela.
Dois meses depois, ela tentava se sentir normal. Suas amigas a arrastaram para um bar no Itaim, um lugar com madeira escura e chão pegajoso. E foi lá que ela o viu.
Caio Valente.
Ele estava limpando o balcão, de costas para ela. Mas ela conhecia aquela silhueta. Passara quatro anos no ITA memorizando-a do fundo das salas de aula. Ele era o garoto brilhante da bolsa de estudos, aquele que iria mudar o mundo. Aquele por quem ela tinha uma paixão silenciosa e sem esperança.
Então, um dia, ele simplesmente sumiu. Expulso. Boatos voaram, mas o mais persistente era que ele havia se metido em uma briga brutal.
Agora ele estava aqui, servindo bebidas, seus movimentos cansados.
"Caio?", ela disse, sua voz mal um sussurro.
Ele se virou. O reconhecimento brilhou em seus olhos, seguido por uma sombra de outra coisa. Vergonha.
"Helena Alencar", ele disse, sua voz plana.
Mais tarde, depois que o bar esvaziou, ele lhe contou a história. Era sobre uma garota, claro. Seu amor de infância, Clara Bastos. Alguns caras a encurralaram, e ele interveio. Ele não se arrependia de protegê-la, mas isso lhe custou tudo. Sua bolsa de estudos, seu futuro, sua passagem para fora da pobreza em que nascera.
Helena olhou para o homem que uma vez brilhou tão intensamente, agora apagado pelas circunstâncias. O antigo afeto, enterrado por anos, agitou-se dentro dela. Ela tinha o dinheiro. Ele tinha o gênio.
"Tenho uma proposta para você", ela disse, sua voz firme, não traindo nenhum do tumulto interior. "Eu pagarei para você terminar sua graduação. Qualquer faculdade que você quiser. Depois disso, financiarei uma startup. O que quer que você queira construir."
Ele a encarou, desconfiado. "Por quê?"
"Sou um bom investimento", ela disse simplesmente.
Ele precisava de uma tábua de salvação. Ela precisava de um propósito, algo para preencher o silêncio ecoante que seus pais haviam deixado para trás. E talvez, ela pensou, ela apenas precisasse dele.
Ele aceitou. O novo relacionamento deles era uma transação. O dinheiro dela pelo tempo dele. O apoio financeiro dela pela companhia dele. Rapidamente, isso se transformou em algo mais. Uma conexão física não dita que preenchia as noites, mas deixava os dias com uma sensação de vazio. Ele nunca falou de amor, apenas de uma dívida que um dia pagaria.
Sete anos voaram.
Caio Valente não era mais um barman. Ele era um bilionário da Faria Lima, o fundador de uma gigante de tecnologia que, assim como ele prometera, mudou o mundo. Ele havia pago sua dívida cem vezes, tornando Helena mais rica do que ela jamais fora. Eles moravam juntos em uma mansão gigantesca com vista para a cidade, um monumento ao seu sucesso.
Mas ele ainda estava pagando uma dívida. Só que não para ela.
Clara Bastos estava de volta.
De repente, os tabloides estavam cheios deles. Caio e Clara em restaurantes exclusivos. Caio e Clara em uma viagem de fim de semana para o Vale dos Vinhedos. Ele esbanjava seu tempo e dinheiro com ela, um espetáculo público de devoção. Para Helena, ele tinha apenas uma distância fria e respeitosa.
Ele tratava Helena como uma parceira de negócios. Ele tratava Clara como o sol.
O primeiro corte real foi em um leilão de caridade para a saúde infantil. Um simples colar de diamantes estava em leilão. Helena não se importava com a joia, mas sabia que a causa era importante para sua falecida mãe. Ela levantou sua placa.
O preço subiu. Logo, era apenas ela contra outro licitante.
"Cinco milhões", disse Helena claramente.
Uma nova voz cortou a sala. "Dez milhões."
Era Caio. Ele estava perto do fundo, com o braço em volta de Clara, que olhava para o colar com olhos arregalados e desejosos. Helena congelou, sua placa na mão. Todos se viraram para olhá-la, depois para Caio. Todos sabiam quem ela era. Todos sabiam que ela morava com ele.
O leiloeiro, sentindo o cheiro de sangue, olhou para Helena. "Dou-lhe doze?"
Helena sentiu centenas de pares de olhos sobre ela. A humilhação era um calor físico subindo por seu pescoço. Ela lentamente abaixou sua placa.
Caio ganhou o colar. Ele o prendeu no pescoço de Clara ali mesmo, na frente de todos, e beijou sua testa. Ele nem sequer olhou para Helena.
Naquela noite, Helena foi para casa e ligou para Eduardo Reis. O antigo sócio de seu pai, um homem estável, gentil e dedicado a ela de uma forma quieta e inabalável. Ele a pedira em casamento um ano após a morte de seus pais. Ela havia recusado educadamente na época, seu coração ainda preso a Caio.
"Eduardo", ela disse ao telefone. "Sua oferta ainda está de pé?"
Houve uma pausa, depois sua voz quente e firme. "Para você, Helena? Sempre."
Ela desligou e entrou no quarto principal. Era um espaço vasto e frio. Ela abriu o armário de Caio, aquele cheio de ternos que ela havia escolhido, gravatas que ela havia amarrado para ele. Metodicamente, ela começou a embalar as coisas dele em caixas. Suas roupas, seus livros, as fotos deles dos primeiros anos. Era uma limpeza. Uma ruptura.
Ela precisava vê-lo uma última vez, para lhe dizer. Ela sabia que ele estaria em uma gala de tecnologia naquele fim de semana. Seu casamento era em um mês. Ela tinha que terminar isso agora.
Ela o encontrou no terraço, Clara aninhada sob seu braço. Clara estava rindo, a cabeça jogada para trás. Caio a observava com uma expressão de ternura tão desprotegida que fez o estômago de Helena se contrair.
"Que casal adorável", alguém murmurou por perto. "Ele a olha como se ela fosse a única mulher no mundo."
Caio finalmente a notou. Seu sorriso se contraiu. "Helena. O que você está fazendo aqui?" A pergunta estava carregada de surpresa, como se sua presença fosse um inconveniente.
"Precisamos conversar", ela disse, sua voz uniforme.
"Estou um pouco ocupado", ele disse, acenando para Clara.
"Caio, não seja rude", disse Clara, sua voz doce como melado. "Helena, você está linda. Aconteceu alguma coisa?"
"Quero falar sobre nosso futuro", disse Helena, olhando diretamente para Caio.
Ele suspirou, irritado. "Isso não pode esperar?" Antes que ele pudesse terminar, Clara tropeçou, soltando um pequeno grito.
"Meu salto", Clara ofegou, apoiando-se pesadamente nele. "Acho que torci o tornozelo."
Instantaneamente, toda a atenção de Caio estava nela. Ele se agachou, suas mãos gentilmente apalpando o tornozelo dela. "Dói aqui? Deixe-me ver." Ele falou com ela em uma voz baixa e calmante, aquela que ele usava quando tentava acalmar um animal assustado.
Helena os observava, um fantasma silencioso e invisível. Ele tinha um doutorado em engenharia, mas não conseguia ver a atuação de má qualidade na sua frente. Clara não estava machucada. Ela apenas não suportava ter a atenção dele em Helena por mais de trinta segundos.
Helena já sentira uma dor aguda no flanco uma vez, após um acidente de equitação. A dor fora branca e ofuscante. Isso parecia pior. Ela era apenas uma obrigação. Clara era o coração dele.
No jantar da gala, Caio sentou Clara ao seu lado, pedindo todos os pratos favoritos dela sem perguntar, mesmo sabendo que Helena odiava frutos do mar. Ele descascou camarões para Clara, seus dedos longos e hábeis trabalhando com destreza. Os mesmos dedos que haviam traçado caminhos na pele de Helena no escuro.
O pensamento a fez querer vomitar. Ela bebeu. Vinho, depois champanhe, depois algo mais forte de um cantil que um amigo ofereceu. O álcool pouco fez para entorpecer a dor, mas fez o salão girar.
Ela sentiu uma mão em seu braço. Era um dos rivais de negócios de Caio, um homem com um sorriso liso de quem ela sempre desgostou. "Você parece precisar de um pouco de ar, Sra. Alencar."
Ela o deixou levá-la para fora do salão de festas. O corredor estava abençoadamente silencioso. Mas ele não parou ali. Ele a guiou em direção a uma suíte privativa.
"Espere", ela disse, sua cabeça pesada e confusa. "Onde estamos indo?"
"Apenas para um lugar mais tranquilo", ele disse, sua mão apertando o braço dela.
Ele abriu a porta de um quarto escuro. A fechadura clicou atrás deles. Ela percebeu seu erro tarde demais. O vinho não era apenas vinho. Algo estava misturado nele. Suas pernas pareciam chumbo.
Ela tropeçou para trás, tentando chegar à porta. "Deixe-me sair."
Ele riu. "O Caio acha que é o dono da cidade. Vamos ver como ele se sente quando eu tiver sua linda patrocinadora."
O pânico arranhou sua garganta. Ela procurou seu telefone, seus dedos desajeitados. Ela conseguiu apertar o número de Caio na discagem rápida bem quando o homem se lançou sobre ela. O telefone caiu no chão.
O homem a prendeu contra a parede. Seu hálito era azedo. Ela lutou, chutando e arranhando, mas a droga a estava puxando para baixo, para uma névoa espessa и escura.
De repente, a porta se abriu com um estrondo. Caio estava lá, seu rosto uma máscara de fúria fria. Ele arrancou o homem de cima dela e o jogou contra a parede oposta com um baque doentio.
"Nunca mais toque nela", Caio rosnou.
Ele se virou para Helena. Ela se encostou na parede, seu corpo tremendo. Ele a pegou nos braços e a carregou para fora, não para a suíte que às vezes usavam naquele hotel, mas para sua própria cobertura privativa no andar de cima.
Ele a deitou na cama. Sua pele estava em chamas. A droga a estava deixando delirante. Ela o alcançou, puxando sua camisa. Esta era uma dança familiar, a única que eles conheciam.
Começou há sete anos, em seu dormitório estéril do ITA. Ela havia levado o jantar para ele, uma desculpa para vê-lo. Ele estava tão focado, tão brilhante. Ele ergueu os olhos de suas equações e, pela primeira vez, ele realmente a viu. Ele a beijou então, um beijo de gratidão que ela confundiu com algo mais. Naquela noite, ela lhe deu tudo.
Na manhã seguinte, ele a olhou com olhos frios e disse: "Eu vou te pagar por isso, Helena. Por tudo."
Ele pensou que era uma dívida. Ela pensou que era o começo de uma vida.
Ela tentou dizer a ele naquela noite, tentou explicar que não era uma transação. Mas ele tinha uma aula cedo. Ele beijou sua testa e saiu, deixando as palavras não ditas entre eles. Um mal-entendido que apodreceu por sete anos.
Por muito tempo, ela se permitiu acreditar que o tinha. Que suas noites juntos significavam algo. Que seu cuidado silencioso era uma forma de amor.
Então Clara voltou. E Helena viu como era o amor verdadeiro nos olhos dele. Era um fogo ardente por Clara, enquanto por ela, havia apenas o brilho frio e obediente de uma lâmpada mantida acesa por obrigação. Ele era seu amante, sim. Mas ele era o amor de Clara. E ela, Helena Alencar, era apenas sua benfeitora.
A percepção foi um veneno lento e rastejante. Agora, finalmente alcançara seu coração.
Ela estava farta.
Em sua névoa drogada, ela o empurrou. "Não", ela murmurou.
Ele franziu a testa, confuso. "Helena, sou eu." Ele tentou beijá-la.
Ela virou a cabeça. "Não."
De repente, o telefone dele tocou. Ele olhou para a tela. Era Clara.
A voz em pânico de Clara veio pelo viva-voz. "Caio! Me ajude! O chuveiro... está quebrado, a água está escaldante e a porta está emperrada! Não consigo sair!"
Helena sentiu um momento de lucidez. Outro truque. Outro drama perfeitamente cronometrado.
Mas Caio não hesitou. Ele olhou de Helena, deitada drogada e vulnerável em sua cama, para o telefone. Ele escolheu o telefone.
"Estou a caminho", ele disse. Ele olhou de volta para Helena, um lampejo de algo - irritação? culpa? - em seus olhos. "Fique aqui. Não se mova."
Ele saiu. A porta se fechou com um clique, deixando-a sozinha no quarto opulento e silencioso.
A droga estava passando, substituída por uma clareza arrepiante. Ele a havia deixado. Ele a encontrou sendo agredida e a deixou por uma porta de chuveiro emperrada.
Uma onda de náusea e desespero a dominou. Ela tropeçou até o banheiro, seu corpo gritando em protesto. O quarto estava girando. Ela precisava se livrar da droga, estar limpa dele, de toda essa bagunça tóxica.
Ela viu um caco de vidro no chão, talvez de uma decoração quebrada. Sem pensar, ela o pegou. Ela precisava de dor. Uma dor física real para sobrepujar a agonia em sua alma.
Ela passou a borda afiada pela pele macia de seu antebraço. A picada foi aguda, imediata. Limpou sua cabeça por um segundo.
Com a mão trêmula, ela pegou o telefone. Ela não ligou para Caio. Ela ligou para a única outra pessoa que já lhe oferecera um porto seguro.
"Eduardo", ela sussurrou no telefone, sua voz falhando. "Preciso de ajuda."
Então o mundo ficou preto.
Ela sonhou. Sonhou com uma sala de aula ensolarada no ITA, com Caio, dezoito anos e cheio de fogo, discutindo um ponto com um professor. Ela se apaixonou primeiro por sua mente.
Então o sonho mudou. Era o rosto de Caio, mas ele estava olhando para Clara, seus olhos cheios de um amor cru e desesperado que ele nunca, nem uma vez, mostrara a ela.
Ele estava pagando uma dívida. Era tudo o que sempre fora. Seu corpo, seu tempo, seu sucesso - era tudo apenas juros de um empréstimo que ela lhe dera.
Ela acordou com um único pensamento claro.
A dívida estava paga. Era hora de executar a hipoteca.
Capítulo 1
14/08/2025
Capítulo 2
14/08/2025
Capítulo 3
14/08/2025
Capítulo 4
14/08/2025
Capítulo 5
14/08/2025
Capítulo 6
14/08/2025
Capítulo 7
14/08/2025
Capítulo 8
14/08/2025
Capítulo 9
14/08/2025
Capítulo 10
14/08/2025
Capítulo 11
14/08/2025
Capítulo 12
14/08/2025
Capítulo 13
14/08/2025
Capítulo 14
14/08/2025
Capítulo 15
14/08/2025
Capítulo 16
14/08/2025
Capítulo 17
14/08/2025
Capítulo 18
14/08/2025
Capítulo 19
14/08/2025
Capítulo 20
14/08/2025
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