De Esposa Invisível a Poderosa

De Esposa Invisível a Poderosa

Jiang Mu

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Capítulo

Por cinco anos, enterrei meus sonhos e me tornei a esposa invisível de Fabrício Costa, suportando sua frieza apenas para custear o tratamento da minha avó. Mas quando América, o grande amor do passado dele, retornou, fui brutalmente substituída dentro da minha própria casa. O golpe final não foi ver meu marido correr para os braços dela, mas ouvir Estêvão, a criança que criei e amei como se fosse minha, me chamar de "chata" e oferecer minhas economias para a "tia legal". No dia em que América me empurrou da escada diante de todos, Fabrício ignorou meu sangue no chão para consolar o tornozelo fingido dela. Ali, enquanto eles brincavam de família feliz sobre a minha dor, meu coração finalmente congelou. Sem olhar para trás, assinei o divórcio, renunciei à guarda de Estêvão e desapareci no mundo para me tornar quem eu nasci para ser. Anos depois, ao me encontrarem rica, poderosa e amada por outro homem, eles choram de arrependimento aos meus pés, mas eu só tenho uma coisa a dizer: "Não existe 'nós', Fabrício. Vocês fizeram suas escolhas, agora vivam com elas."

Protagonista

: Joceline Aragão e Fabrício Costa

De Esposa Invisível a Poderosa Capítulo 1

Por cinco anos, enterrei meus sonhos e me tornei a esposa invisível de Fabrício Costa, suportando sua frieza apenas para custear o tratamento da minha avó.

Mas quando América, o grande amor do passado dele, retornou, fui brutalmente substituída dentro da minha própria casa.

O golpe final não foi ver meu marido correr para os braços dela, mas ouvir Estêvão, a criança que criei e amei como se fosse minha, me chamar de "chata" e oferecer minhas economias para a "tia legal".

No dia em que América me empurrou da escada diante de todos, Fabrício ignorou meu sangue no chão para consolar o tornozelo fingido dela.

Ali, enquanto eles brincavam de família feliz sobre a minha dor, meu coração finalmente congelou.

Sem olhar para trás, assinei o divórcio, renunciei à guarda de Estêvão e desapareci no mundo para me tornar quem eu nasci para ser.

Anos depois, ao me encontrarem rica, poderosa e amada por outro homem, eles choram de arrependimento aos meus pés, mas eu só tenho uma coisa a dizer:

"Não existe 'nós', Fabrício. Vocês fizeram suas escolhas, agora vivam com elas."

Capítulo 1

Joceline POV:

Chega. O contrato acabou.

A voz saiu mais firme do que eu esperava. Minhas mãos estavam suadas, mas por dentro, uma quietude estranha reinava. Cinco anos. Um tempo que parecia uma vida inteira.

Donatila, a matriarca da família Costa, me encarou do outro lado da mesa imponente da sala de jantar. Seus olhos, sempre tão penetrantes, agora pareciam um pouco cansados.

"Joceline," ela começou, a voz calma, mas com uma borda de advertência. "Você tem certeza disso? E Estêvão? Ele precisa de você."

Meu coração apertou com a menção do nome dele. Estêvão. Meu pequeno mundo por tanto tempo. Mas a decisão estava tomada.

"O contrato foi claro, Donatila," respondi, a voz agora um fio, mas inabalável. "Cinco anos. Nem um dia a mais, nem um a menos."

Ela suspirou, um som pesado que ecoou na sala silenciosa.

"Fabrício não vai gostar disso," ela disse, como se eu me importasse com o que Fabrício pensava.

Fabrício. O homem que eu amei em silêncio por metade da minha vida adulta. O homem que me via como uma babá de luxo, uma enfermeira para sua avó e uma esposa por conveniência. Ele não se importava com meus sentimentos. Nunca se importou.

"Não importa o que Fabrício pensa," eu disse, sem emoção. "É a minha vida. E o contrato acabou."

Donatila balançou a cabeça, derrotada. Ela sabia que eu não voltaria atrás. Ela sempre foi uma mulher pragmática, e o acordo entre nós era puramente isso: um negócio.

O negócio começou há cinco anos. Eu era uma perfumista promissora, com um futuro brilhante pela frente. Mas então, a vida me deu um golpe. Minha avó, a única família que me restava, foi diagnosticada com uma doença rara e incurável. O tratamento era caríssimo. Eu estava desesperada.

Fabrício Costa, o magnata dos cosméticos, estava em outro tipo de desespero. Sua "amada" América Botelho, uma modelo ambiciosa, o havia abandonado para buscar fama internacional. Fabrício, cego de paixão, entrou em uma espiral de autodestruição. Tentou se matar, tornando-se manchete nos jornais. A família Costa, preocupada com a reputação e a saúde mental do herdeiro, precisava de uma solução.

Foi Donatila quem apareceu na minha porta. Ela sabia da minha situação, da minha avó. Ela propôs um acordo: eu me casaria com Fabrício por cinco anos. Em troca, ela pagaria todo o tratamento da minha avó, garantindo que ela tivesse o melhor cuidado possível até o fim de seus dias. Eu seria a 'esposa perfeita', a 'âncora' que Fabrício precisava para se reerguer.

Eu hesitei. Fabrício era um estranho. Mas minha avó... ela era tudo para mim. Assinei o contrato com o coração pesado, vendendo meus sonhos e minha liberdade por amor à minha avó.

Fabrício me aceitou com uma frieza cortês. Ele parecia um fantasma, assombrado pela ausência de América. Eu tentei de tudo para curá-lo. Cozinhei para ele, cuidei de sua casa, ouvi seus desabafos sobre América. Meu amor por ele nasceu da compaixão, e então, cresceu em silêncio.

Ele nunca soube. Ou talvez, não se importou em saber.

Ele nunca me levou para registrar o casamento civilmente. Eu o lembrei várias vezes, mas ele sempre encontrava uma desculpa. "Mais tarde, Joceline. Estou ocupado." Ou "Para que a pressa? Já somos casados no papel." Eu acreditei. Eu queria acreditar. Queria que ele me quisesse tanto quanto eu o queria.

Uma noite, ele bebeu demais. A dor pela ausência de América era insuportável. Eu estava lá, como sempre, cuidando dele. E em meio à sua embriaguez e dor, nós nos aproximamos. Foi a única vez que nossos corpos se tocaram com intimidade.

Naquela noite, fui ingênua o suficiente para pensar que talvez, apenas talvez, algo tivesse mudado. Que a chama de América estava se apagando e a minha estava começando a brilhar. Mas no dia seguinte, a frieza voltou, mais intensa do que antes.

Meses depois, a bomba. Estava grávida. Meu coração se encheu de uma alegria e um pavor inomináveis. Contei a Fabrício, e ele ficou... em choque. Mas então, quase no mesmo dia, a notícia. América, em outro continente, anunciou um novo relacionamento. Meu Fabrício, aquele que eu pensava que estava começando a me enxergar, não estava se curando de mim. Ele estava se curando da dor de América com outra pessoa. E eu era apenas um acidente de percurso.

Estêvão nasceu. Um menino lindo, de olhos brilhantes e um sorriso que derretia meu coração. Fabrício, ao ver o filho, suavizou um pouco. Ele não era um pai ausente, mas nunca foi o pai que eu sonhei. A paternidade era uma responsabilidade, não uma alegria transbordante, para ele.

América voltou. Falida, com a carreira em frangalhos, ela reapareceu. E Fabrício desmoronou novamente, mas desta vez, não de dor, mas de uma espécie de nostalgia cega. Ele a acolheu de braços abertos. E eu, a esposa por contrato, a mãe de seu filho, fui empurrada para os cantos, ignorada, invisível.

América, com sua beleza e seu charme superficial, seduziu Estêvão com doces e presentes caros. Ele, uma criança de seis anos, facilmente influenciável, começou a me ver como a "chata" que impunha regras, enquanto América era a "tia legal" que permitia tudo. Ele começou a chamá-la de "mamãe". Meu coração se despedaçava todas as vezes.

Fabrício achou tudo isso adorável. Ele via a "família feliz" que ele sempre quis, com América ao seu lado e Estêvão entre eles. As fotos deles juntos, em festas, em jantares, com roupas combinando, inundaram a mídia e as redes sociais da família. Ele, que antes odiava as câmeras, agora sorria para elas, com América e Estêvão pendurados em seus braços.

Eu era a sombra. A mulher esquecida. A perfumista que abandonou seu talento, a esposa que nunca foi amada, a mãe que foi trocada. Mas o contrato estava prestes a terminar. E eu contava os dias.

Eu já tinha tudo planejado. Minha avó havia se ido pacificamente há alguns meses. Minha única amarra com Fabrício estava desfeita. Eu havia reservado um voo. Para fora do país. Para retomar minha vida, meus sonhos, minha identidade. Para escrever minha própria história.

Peguei o pequeno envelope que Donatila me entregou. Era o documento de rescisão do contrato. Assinei sem hesitar, minha assinatura firme, sem borrar uma única letra. Não havia lágrimas, apenas um vazio frio.

"Adeus, Donatila," eu disse, já me virando.

Ela apenas acenou com a cabeça, seus olhos fixos no documento.

Saí da mansão Costa, levando apenas uma pequena mala de mão. Parecia que eu estava saindo de um pesadelo. Entrei no meu carro, um modelo mais antigo, mas confiável, que eu comprei com meu próprio dinheiro.

No momento em que liguei o motor, meu telefone vibrou. Uma notificação. Era uma foto.

Abri.

Fabrício. América. Estêvão. Os três. Sorridentes. Em um parque. Estêvão estava no meio, segurando as mãos dos dois, e todos usavam camisetas brancas idênticas, estampadas com a frase "Nossa Família Feliz".

Meu peito doeu. Uma dor aguda, fria, que me lembrou de que eu ainda era feita de carne e osso. Eles não apenas me substituíram. Eles fizeram questão de esfregar isso na minha cara. Até as camisetas combinavam. Como se eu nunca tivesse existido.

Suspirei. Não havia mais espaço para mim naquela imagem, naquele mundo. E, pela primeira vez em cinco anos, não havia mais espaço para eles no meu.

Estacionei meu carro na garagem escura. O tempo parecia ter congelado. O som do meu coração batendo forte nos meus ouvidos era a única coisa que me lembrava que eu ainda estava viva.

Saí do carro, arrastando meus pés até a porta de entrada. Mas, antes que eu pudsesse sequer tocar na maçaneta, uma visão familiar me parou.

O carro de América. Um luxuoso SUV preto, novinho em folha. Estava estacionado, de forma folgada e desrespeitosa, no meu lugar. No lugar que, por anos, fui a única a usar.

Senti um arrepio. Não de frio, mas de uma raiva que eu pensei ter esquecido.

Então, a porta do carro de América se abriu. E Fabrício saiu. Estêvão saiu logo depois, os dois rindo, enquanto Fabrício fechava a porta para América.

Meu marido e o filho que eu criei, saindo do carro da mulher que estava prestes a me roubar tudo.

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