Seu Último Ato de Vingança

Seu Último Ato de Vingança

Erastus Szabo

5.0
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Capítulo

Meu marido, Ricardo, me tirou do abismo depois que meu irmão morreu, me salvando quando eu não tinha nada. Ele prometeu me proteger para sempre. Mas por dez anos, seus casos intermináveis e jogos mentais cruéis foram um veneno lento, me deixando com uma doença terminal e um espírito quebrado. O golpe final veio no nosso décimo aniversário. Ele deu o meu presente - um colar de esmeraldas com que eu sonhava desde a nossa lua de mel - para a amante dele, Amanda. Mas isso não foi suficiente. Ele então deu a ela a última parte do meu irmão que me restava: sua sinfonia final. Ela rabiscou as páginas, usou-as como porta-copos e chamou a obra da vida dele de "lixo". Enquanto meu corpo falhava, percebi que o homem que jurou me salvar havia usado meus traumas mais profundos como uma arma para me destruir. Meu amor se transformou em uma raiva fria e silenciosa. Agora, afogado em culpa, ele destruiu Amanda para se redimir de seus pecados. Ele se ajoelha ao lado do meu leito de morte, implorando por perdão, prometendo fazer qualquer coisa para merecê-lo. Ele não faz ideia de que meu último ato de vingança exige sua devoção absoluta. E a vida dele.

Capítulo 1

Meu marido, Ricardo, me tirou do abismo depois que meu irmão morreu, me salvando quando eu não tinha nada. Ele prometeu me proteger para sempre. Mas por dez anos, seus casos intermináveis e jogos mentais cruéis foram um veneno lento, me deixando com uma doença terminal e um espírito quebrado.

O golpe final veio no nosso décimo aniversário. Ele deu o meu presente - um colar de esmeraldas com que eu sonhava desde a nossa lua de mel - para a amante dele, Amanda.

Mas isso não foi suficiente. Ele então deu a ela a última parte do meu irmão que me restava: sua sinfonia final. Ela rabiscou as páginas, usou-as como porta-copos e chamou a obra da vida dele de "lixo".

Enquanto meu corpo falhava, percebi que o homem que jurou me salvar havia usado meus traumas mais profundos como uma arma para me destruir. Meu amor se transformou em uma raiva fria e silenciosa.

Agora, afogado em culpa, ele destruiu Amanda para se redimir de seus pecados. Ele se ajoelha ao lado do meu leito de morte, implorando por perdão, prometendo fazer qualquer coisa para merecê-lo.

Ele não faz ideia de que meu último ato de vingança exige sua devoção absoluta.

E a vida dele.

Capítulo 1

Meu celular vibrou. Uma mensagem de um número que eu não reconhecia.

"Ele é todo meu agora. Achou mesmo que ia ganhar?"

As palavras queimaram, mas o fogo era familiar, amortecido por inúmeras outras chamas.

O rugido de Ricardo rasgou o ar, sacudindo a arte cara nas paredes. Ele não estava apenas com raiva; ele era um furacão de fúria pura e incontrolável. O vaso de cristal da Tânia Bulhões, um presente de casamento de sua mãe, se espatifou contra a lareira, ecoando a fratura em nossas vidas. Cacos voaram, pequenas facas brilhando na luz fraca, espelhando o sentimento dentro de mim enquanto ele apontava um dedo trêmulo para os lençóis amassados.

"Como você pôde, Juliana? Depois de tudo? Depois que eu voltei? Ele?"

Sua voz falhou na última palavra, carregada de nojo.

Eu o observei, meu coração uma batida surda no peito, um tambor gasto. Meu corpo parecia pesado, desconectado, como uma marionete cujas cordas foram cortadas. Puxei um fio solto nos lençóis de seda.

"Foi um experimento, Ricardo", eu disse, minha voz monótona, quase entediada. A verdade parecia ao mesmo tempo vazia e profunda.

Ele riu, um som cru e gutural que arranhou meus tímpanos.

"Um experimento? É assim que você chama transar com um estranho na nossa cama? É o seu jeito sofisticado de compositora de dizer 'eu te odeio'?"

Ele tropeçou para trás, passando a mão pelo cabelo perfeitamente penteado, agora desgrenhado, selvagem.

"Você me odeia tanto a ponto de fazer isso?"

Eu dei de ombros, um movimento pequeno e involuntário. O que era o ódio, afinal? Meu ser inteiro parecia uma árvore oca, apodrecendo por dentro. Não havia energia para o ódio, apenas um cansaço profundo e doloroso. Minhas mãos, antes ágeis nas teclas do piano, agora às vezes tremiam, um tremor que eu tentava esconder, um segredo sombrio em meus ossos.

"Você não disse que tudo bem, Ricardo?", perguntei, minha voz mal um sussurro. "Desde que não significasse nada? Essas foram as suas palavras, não as minhas."

Olhei para o vaso quebrado, sua beleza delicada agora uma bagunça perigosa. O quarto era um campo de batalha de confiança quebrada e anos desperdiçados. Copos tombados, uma cadeira virada bloqueando a porta, e o leve cheiro de sexo velho pairava pesado, um testemunho do meu próprio ato de rebelião.

No canto, Caio, meu "experimento", estava encolhido na beirada do pufe, com os olhos arregalados e aterrorizados. Ele parecia um cervo pego pelos faróis, completamente fora de lugar em nossa gaiola dourada que era o quarto. Ele já deveria ter ido embora.

Os olhos de Ricardo, ardendo com um fogo verde, se voltaram para Caio.

"Fora!", ele rosnou, sua voz um ronco baixo e perigoso.

Ele marchou em direção a Caio, sua estrutura poderosa irradiando ameaça. Caio se levantou desajeitadamente, tropeçando nos próprios pés, e praticamente voou pela porta sem olhar para trás. Já vai tarde. Ele era apenas um meio para um fim.

Então, Ricardo estava de volta, sua sombra caindo sobre mim. Ele agarrou meu braço, seus dedos cravando na minha carne, uma acusação silenciosa. Ele me puxou para cima, torcendo meu braço para trás até que uma dor aguda atravessou meu ombro. Minha respiração engatou.

"Você acha isso engraçado, Juliana?", ele sussurrou, sua voz perigosamente suave, um contraste gritante com a força brutal que ele exercia. Ele me encurralou contra a parede, seu corpo pressionando o meu, me prendendo. "Acha que pode jogar esses joguinhos?"

Seu hálito estava quente na minha orelha, uma mistura enjoativa de menta e algo azedo, como leite talhado. Meu estômago revirou.

A humilhação me envolveu, espessa e pegajosa, mas era apenas mais uma camada em um manto já pesado de vergonha. Eu não senti nada de novo, apenas uma dor mais profunda, um reconhecimento de quão baixo havíamos caído. Tentei empurrá-lo, um esforço fútil. Meu corpo parecia chumbo.

Ele socou a parede ao lado da minha cabeça, com força suficiente para rachar o gesso. Seus nós dos dedos estavam em carne viva, já sangrando, mas ele não vacilou. Ele apenas me encarou, seus olhos arregalados, quase suplicantes. Havia um brilho de algo antigo e desesperado neles, um medo primitivo da perda. Era perturbador.

Eu recuei, mas ele foi rápido demais. Ele prendeu meus pulsos acima da minha cabeça, seu corpo um peso sufocante contra o meu. O quarto começou a girar, as bordas da minha visão embaçando. Uma onda de náusea me atingiu, forte. Minha cabeça latejava, uma convidada familiar e indesejada.

"Quem era ele, Juliana?", ele exigiu, sua voz carregada de uma mistura distorcida de ciúme e raiva. "Uma emoção barata? O que ele tinha que eu não tenho? Era a juventude dele? A falta de bagagem? Ou apenas o puro prazer de me ver quebrar?"

Seu aperto se intensificou, meus ossos gritando em protesto.

"Quer saber o que eu acho?", ele berrou, seu rosto a centímetros do meu, cuspindo. "Acho que você é uma vadia narcisista. Acho que você curtiu cada segundo disso, sabendo que me destruiria! Você quer me matar, não é? É isso?"

A dor no meu abdômen explodiu, aguda e súbita, como um raio. Minha visão turvou. Eu engasguei, um gosto metálico inundando minha boca. Não foi de propósito, mas meu corpo me traiu. Afastei-me dele, meu estômago se contraindo, e vomitei no tapete branco impecável, quase errando seus caros sapatos Ricardo Almeida. Foi um espasmo patético e involuntário, bile e ácido estomacal queimando minha garganta. Eu não conseguia nem olhar para ele.

Ele cambaleou para trás, para longe da sujeira, seu rosto pálido de choque e nojo.

"Juliana? Que porra é essa...?" Sua voz estava cheia de descrença, um lampejo de algo parecido com mágoa. "Você está fazendo isso só para me provocar, não é? Você está estragando tudo."

Eu não conseguia responder. A dor era intensa demais, um nó de fogo no meu estômago, torcendo e virando. Meus membros pareciam fracos, minha cabeça uma batida de agonia. Tudo o que eu podia fazer era ofegar, tentando puxar ar suficiente para meus pulmões em chamas.

"É isso, Juliana", ele disse, sua voz dura, quase resignada. Ele limpou a mão na boca, seus olhos fixos na poça no tapete. "Acabou. Pra sempre desta vez. Você quer ser independente? Ótimo. Viva com suas escolhas. Não somos nada além de estranhos a partir de agora."

Com isso, ele saiu furioso do quarto, a pesada porta de carvalho batendo atrás dele com um baque final e ecoante que vibrou pelo assoalho. O silêncio repentino foi ensurdecedor, um vácuo sugando todo o ar do quarto.

Depois de um longo momento, meu corpo lentamente se desenrolou de sua posição fetal. A pulsação na minha cabeça diminuiu, substituída por uma dor surda. Meus olhos percorreram os destroços do quarto, um espelho dos destroços dentro de mim. Então eu vi. Na minha mesa de cabeceira, cuidadosamente colocado ao lado da minha pilha habitual de revistas médicas, havia uma pequena caixa de veludo. Com relevo dourado.

Estendi a mão para pegá-la, meus dedos tremendo levemente. Dentro, havia um delicado colar de diamantes, com uma pequena esmeralda perfeitamente lapidada como peça central. Era o mesmo que eu havia admirado anos atrás, na vitrine daquela pequena boutique em Campos do Jordão durante nossa lua de mel. Um luxo frívolo, eu tinha dito na época, mas uma parte secreta de mim ansiava por sua elegância fria. Lembrei-me de traçar a esmeralda com o dedo, imaginando seu peso contra minha pele, um símbolo de um futuro em que eu acreditava.

Ricardo deve ter voltado para buscá-lo. Depois de tudo, ele ainda voltou por ele. Lembrei-me de nossa última reconciliação, apenas alguns meses atrás. Ele parecia tão sincero, tão dedicado a fazer as coisas funcionarem, me cobrindo de atenção, de presentes, de promessas. Ele sempre foi bom em promessas. Ele cozinhou para mim, tocou minhas peças clássicas favoritas no piano de cauda lá embaixo, ficou acordado conversando comigo a noite toda, ouvindo meus medos, minhas ansiedades, meus sonhos. Ele era o Ricardo com quem eu pensei ter me casado, aquele que me resgatou do abismo depois que Léo morreu. Ele era atencioso, devotado, quase obsessivamente. Ele cobriu todas as bases, antecipou todas as necessidades. Ele era perfeito.

Mas mesmo assim, uma suspeita fria começou a se infiltrar em meu coração. Isso era real? Ou era apenas mais uma performance? Outro movimento calculado para recuperar o controle? Ele sempre foi tão bom em interpretar o papel, em me fazer acreditar no conto de fadas depois de tê-lo estilhaçado.

A sombra de Amanda Neal, seu último caso, ainda pairava. O fantasma dela estava em cada toque suave, cada palavra sussurrada, cada presente luxuoso. Eu era assombrada pelo pensamento de que ele era apenas um ator melhor do que eu. Minha doença, ainda um segredo, me corroía, tirando minha capacidade de criar, minha capacidade de viver. O medo, a dor, a traição - tudo se enrolava, cada vez mais apertado, até que eu senti que estava sufocando. Eu tinha chegado ao meu limite.

Minhas ações esta noite, com Caio, foram uma paródia desesperada e feia de suas próprias traições. Olho por olho, um teste de sua própria filosofia distorcida. Ele pregava que atos físicos não significavam nada, que apenas a conexão emocional importava. Eu queria ver se ele realmente acreditava nisso quando o jogo virasse.

Meus dedos trêmulos se fecharam em torno do pequeno cartão aninhado dentro da caixa de veludo. A caligrafia elegante soletrava uma data: "Nosso 10º Aniversário. Para sempre, minha Ju." Amanhã. O colar, o cartão, o vaso quebrado, as feridas abertas nos nós dos dedos de Ricardo, a bile no tapete e o cheiro persistente do estranho - tudo se fundiu em uma dor aguda e agonizante no meu peito. Um grito silencioso rasgou minha alma.

Naquele momento, meu celular vibrou novamente, iluminando a escuridão. Era aquele número, o da mensagem provocadora. A tela piscou outro texto.

Amanda Neal: "Ele é meu agora, Ju. Achou mesmo que ia ganhar?"

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