A Garota Comum Dele Encontrou Tudo

A Garota Comum Dele Encontrou Tudo

Qing Bao

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Capítulo

Depois de dez anos com meu namorado, Bernardo, ouvi ele me chamar de "comum" no meu aniversário de 28 anos. Ele disse a um amigo que se arrependeria de se casar comigo porque minha origem de classe média não era boa o suficiente para sua família rica. No dia seguinte, ele me expulsou da nossa casa. A mãe dele então me pagou para servir em uma festa, justamente para a mulher que ela sempre quis para o filho. Dez anos da minha vida, apagados. Eu era descartável, um tapa-buraco que eles não precisavam mais. Naquela noite, de coração partido e sem ter para onde ir, fiz uma loucura. Abri um aplicativo de namoro, encontrei um Fuzileiro Naval do tempo do colégio, um cara quieto e confiável, e mandei uma mensagem. O perfil dele dizia: "Procuro uma parceira séria para casamento e família. Sem joguinhos." Então, digitei as palavras que mudariam minha vida. "Isso pode parecer loucura, mas se você está falando sério sobre casar... você consideraria se casar comigo?"

Capítulo 1

Depois de dez anos com meu namorado, Bernardo, ouvi ele me chamar de "comum" no meu aniversário de 28 anos. Ele disse a um amigo que se arrependeria de se casar comigo porque minha origem de classe média não era boa o suficiente para sua família rica. No dia seguinte, ele me expulsou da nossa casa.

A mãe dele então me pagou para servir em uma festa, justamente para a mulher que ela sempre quis para o filho.

Dez anos da minha vida, apagados. Eu era descartável, um tapa-buraco que eles não precisavam mais.

Naquela noite, de coração partido e sem ter para onde ir, fiz uma loucura. Abri um aplicativo de namoro, encontrei um Fuzileiro Naval do tempo do colégio, um cara quieto e confiável, e mandei uma mensagem.

O perfil dele dizia: "Procuro uma parceira séria para casamento e família. Sem joguinhos."

Então, digitei as palavras que mudariam minha vida.

"Isso pode parecer loucura, mas se você está falando sério sobre casar... você consideraria se casar comigo?"

Capítulo 1

Ponto de Vista: Clara Santos

Fazer vinte e oito anos foi como bater de frente com um muro. Não um muro de tijolos, mas um feito de expectativas silenciosas e do tique-taque de um relógio que só eu parecia ouvir. Minha mãe tinha ligado naquela manhã, a voz carregada com o usual "Quando o Bernardo vai finalmente te pedir em casamento, Clara?". Já não era mais uma pergunta; era uma cobrança disfarçada de preocupação, um zumbido constante no fundo do meu relacionamento de uma década.

Afastei o pensamento, pegando o bolinho que eu tinha comprado. O escritório do Bernardo ficava a poucos quarteirões do nosso apartamento. Eu queria fazer uma surpresa para ele no almoço, talvez finalmente ter um momento que fosse só nosso, longe dos intermináveis eventos da alta sociedade e do olhar crítico da mãe dele.

O escritório estava mais silencioso que o normal. Acenei para a recepcionista, que estava ocupada numa ligação, e fui direto para a sala particular do Bernardo. A porta estava entreaberta, e ouvi vozes lá dentro.

Era a voz do Bernardo, baixa e desdenhosa. "Ela é... comum, Marcos. Você sabe como minha mãe é. Ela espera alguém com pedigree, alguém que se encaixe no nosso mundo." As palavras foram um soco no meu estômago. Comum. Depois de dez anos, era isso que eu era para ele.

Marcos resmungou algo que não consegui entender, mas Bernardo o cortou. "Não é só minha mãe. É a família toda. Eles a veem como uma redatora freelancer de classe média. Não é exatamente a futura Sra. Tavares que eles imaginaram." Meu coração, que já estava apertado, agora parecia se partir em mil pedaços.

Então veio a pior parte. Marcos perguntou: "E aí, você vai pedir ela em casamento ou não?". Bernardo suspirou, um som que me rasgou por dentro. "Eu não sei, cara. É complicado. E se não der certo? E se eu me arrepender?" Se arrepender. Ele se arrependia da ideia de se casar comigo.

Dez anos. Uma década inteira da minha vida. Eu construí meu mundo ao redor dele, ao redor de nós. Lembrei dos primeiros dias, das promessas sussurradas no escuro, dos sonhos compartilhados que agora pareciam uma piada cruel. Para ele, não era sobre amor. Era sobre status. Sobre o que se encaixava, o que era "socialmente apropriado". Todo o meu ser, meu caráter, meu amor – tudo se resumia a ser "comum" diante das expectativas da família dele.

Abri a porta, um sorriso forçado no rosto, o bolo pesando em minhas mãos. Bernardo olhou para cima, surpreso, e então sorriu. "Clara! Que surpresa." Almoçamos. Mal toquei na comida, o gosto da traição era muito mais forte do que qualquer doçura de comemoração.

Mais tarde, de volta ao nosso apartamento, ele tentou me beijar, me abraçar. Eu deixei, mas meu corpo parecia uma pedra. Vazio. Silencioso. As palavras "comum" e "arrependimento" ecoavam na minha cabeça, abafando todo o resto.

Ele se afastou, a testa franzida. "Clara? O que foi? Você está tão quieta o dia todo. Está tudo bem?" Sua preocupação soava oca, uma atuação.

Ele se afastou, um toque de irritação na voz. "Você está terminando comigo? É isso?" Ele perguntou como se fosse uma afirmação, não uma pergunta, como se eu estivesse sendo irracional.

Eu olhei para ele, olhei de verdade, e vi um estranho. "É isso, Bernardo? Acabou?" Minha voz estava firme, não traindo o terremoto que acontecia dentro de mim.

Ele hesitou por um longo momento, depois assentiu. "Sim, Clara. Acho que sim." As palavras foram um golpe suave, mas solidificaram tudo. Estava feito.

Ele pegou o paletó, já se movendo em direção à porta. "Tenho um gala de caridade hoje à noite. Não posso perder." Simples assim. Dez anos, e um gala de caridade era mais importante que o fim da nossa vida juntos.

Ele se foi. E eu não chorei. Nem sequer fiquei triste. Havia apenas um vazio imenso e ecoante onde antes ficava meu coração, uma estranha sensação de silêncio depois de anos gritando no vácuo.

Meu celular vibrou na minha mão. Não era uma mensagem dele. Era uma notificação de um aplicativo de namoro que eu tinha baixado meses atrás, mais por brincadeira, mas nunca tinha usado de verdade. Rolei a tela sem pensar. Então vi um perfil que reconheci. Jonas Moraes. Sargento Fuzileiro Naval, recém-chegado de uma missão. Seu perfil dizia claramente: "Procuro uma parceira séria e de longo prazo para casamento e família. Sem joguinhos." Jonas. Eu me lembrava dele do colégio, um cara quieto e confiável.

Meus dedos se moveram sem pensar. Digitei uma mensagem. "Oi, Jonas. Isso pode parecer loucura, mas se você está falando sério sobre casar... você consideraria se casar comigo?" E acrescentei: "Sem amarras, sem romance de cinema. Apenas uma parceria sólida. Um novo começo. Para nós dois."

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