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Ane Moretti é vendida como moeda de troca em um jogo da máfia italiana e forçada a um noivado com Sebastian Mancini, um homem frio, dominante e acostumado a controlar tudo - inclusive pessoas. O que começa como um acordo de poder rapidamente se transforma em uma guerra silenciosa entre desejo, ódio e obsessão. Ane luta para não desaparecer dentro do sobrenome Mancini, enquanto Sebastian descobre que a única mulher que não consegue dominar é justamente aquela que ele se recusa a perder. Entre contratos, alianças perigosas e um desejo que ameaça destruir ambos, eles aprendem que, na máfia, não existe liberdade, nem divórcio. Só posse. Só sobrevivência. E um amor capaz de condenar.
Eu ainda sentia o cheiro das páginas do meu caderno recém-fechado quando ouvi a porta da frente bater com uma violência que não combinava com o silêncio da nossa casa de sempre. Tinha passado a tarde inteira revisando neuroanatomia, rabiscando mapas mentais sobre o sistema límbico e ouvindo música clássica ao fundo, como sempre fazia nas vésperas de provas importantes. Era fácil esquecer dos problemas do mundo quando tudo que você enxergava eram neurônios, sinapses e sonhos grandes demais para caber em qualquer limite convencional.
O apartamento cheirava a café velho e papel, a única combinação que me fazia sentir inteiramente eu mesma.
Pelo menos, até ouvir aquela batida.
Franzi a testa. Meu pai nunca batia a porta. Não daquele jeito.
- Pai? - chamei, me levantando do sofá com os livros ainda pressionados contra o peito como um escudo que eu ainda não sabia que precisaria.
Ele surgiu na entrada da sala alguns segundos depois, e não era o homem que eu conhecia. O grande Charles Moretti, o neurocirurgião mais renomado de toda a Itália, o homem que reconstruíra centenas de vidas com as próprias mãos, o pai que nunca havia erguido a voz em toda a minha existência, estava curvado, abatido, com os olhos vermelhos e a gravata pendendo torta no pescoço. Parecia ter envelhecido dez anos desde o café da manhã, quando ainda havíamos tomado nosso expressos juntos e ele comentara sobre um caso cirúrgico complexo com aquela paixão que sempre o definia.
- Ane... precisamos conversar.
Senti um calafrio subir pela espinha antes mesmo de entender por quê. Havia algo na voz dele - uma fratura que nunca esteve ali antes - que fez o meu estômago se apertar antes que qualquer palavra específica chegasse. Abaixei os livros no braço do sofá e fui até ele. Meu pai afundou na poltrona como se o mundo inteiro estivesse pesando sobre cada osso dos seus ombros, como se as pernas houvessem finalmente perdido a discussão com a gravidade.
Me ajoelhei à frente dele e segurei suas mãos, aquelas mãos que eu havia visto mover-se com precisão cirúrgica desde a infância, que me haviam ensinado a andar de bicicleta, que haviam assinado minha matrícula na faculdade de medicina com um orgulho que eu ainda me lembrava de sentir na pressão dos braços dele ao meu redor naquele dia. As mãos tremiam.
- O que aconteceu? Você tá me assustando.
Ele passou as mãos pelo rosto, respirou fundo - aquele tipo de respiração que antecede revelações -, e soltou a frase como se cuspisse cacos de vidro.
- Estou falido. Perdi tudo nos jogos. Tudo, Ane. - A voz fraturou mais ainda. - E estou doente. Tenho um tumor no cérebro. Inoperável, segundo os médicos. - Ele soltou uma risada amarga, desprovida de qualquer humor real. - Um neurocirurgião com um tumor no próprio cérebro. Que ironia cruel, não é?
Eu simplesmente congelei. As palavras dançavam diante dos meus olhos como se não fizessem sentido, como se o idioma português houvesse subitamente se tornado estrangeiro para mim. Tumor. Falido. Inoperável. Cada substantivo era um projétil disparado em câmera lenta, chegando antes que eu pudesse construir defesa alguma.
- Mas... como? Por quê? - sussurrei, a voz saindo num fio tão fino que mal a reconheci como minha.
Ele engoliu em seco e começou a contar. As palavras saíram devagar no começo, depois numa torrente que não havia como deter. Me contou sobre o cassino - aquele que eu nunca soubera que frequentava. Sobre as noites em que tentou dobrar uma sorte que já havia abandonado, sobre as fichas que se multiplicavam nas mesas erradas, sobre o desespero crescente de um homem que descobrira ter um tumor no cérebro e decidira, na sua loucura particular, que a fortuna poderia pagar a conta do tratamento. E sobre aquela última noite: a sala privada com paredes forradas de seda vermelha, Don Vittorio Mancini do outro lado da mesa com olhos frios de predador e sorriso satisfeito de quem nunca havia perdido um jogo importante.
- Eu sabia que estava sendo levado direto pra armadilha - ele murmurou, o olhar perdido num ponto que só ele conseguia ver. - Mas eu já tinha perdido tudo. A dignidade... o futuro. E ele sabia disso. Eles sempre sabem. - Meu estômago revirou quando ele disse o que viria a seguir. - Eu te apostei.
Por um instante, achei que havia entendido errado. Que ele havia dito qualquer outra coisa, minha herança, a casa, os investimentos, os instrumentos cirúrgicos que guardava como se fossem extensões do próprio corpo. Qualquer coisa que não fosse eu. Mas não havia outra leitura possível para aquelas palavras.
- Você... o quê?
- Eu perdi você no jogo, Ane. - As palavras saíram como confissão e sentença ao mesmo tempo. - Mas eles me ofereceram uma saída. Disseram que, em troca, você se casaria com o filho do Don, Sebastian Mancini. As dívidas seriam quitadas. Eu receberia o tratamento. Manteríamos a casa. Eu só pensei em salvar alguma coisa para te deixar.
- Você me vendeu. - Minhas palavras saíram fracas, mas cortantes como navalha passada devagar. - Como se eu fosse uma mercadoria. Um bem que se aposta numa mesa de jogo.
Ele cobriu o rosto com as mãos, encolhendo-se de uma vergonha que dobrava sua postura de dentro para fora. A imagem do meu pai destruído era algo que eu nunca havia imaginado ver. Aquele homem sempre fora meu pilar, minha certeza, o único que havia sobrevivido intacto nas minhas certezas de filha.
E agora havia me trocado por fichas de cassino.
- Eu tentei recusar. Juro que tentei. Disse que você não fazia parte desse mundo. Que você era inocente. Que sua mãe era filha ilegítima, que ninguém da nossa família pertencia a esse universo sombrio. - Ele hesitou, e naquela hesitação eu aprendi que o pior ainda estava por vir. - Foi aí que o Don acenou para um dos capangas, que jogou uma pasta em cima da mesa. E quando eu abri, Ane, era tudo verdade. Sua mãe... ela era filha bastarda do antigo chefe da família Bellini. O sangue deles corre em você.
Levei a mão à boca, sem conseguir processar. A minha mãe, que morreu dois dias depois que eu nasci de quem eu só conhecia fotografias e histórias narradas com carinho e tristeza, havia sido filha de um mafioso? Minha identidade inteira estava se refazendo naquele segundo, os contornos que eu havia aprendido a reconhecer como meus se distorcendo em algo diferente.
Fechei os olhos. Tudo girava. Meu mundo, minha realidade, minha própria identidade estava desmoronando debaixo dos meus pés como areia úmida.
E foi nesse momento que a porta foi aberta sem cerimônia. Não tocou. Não pediu licença. Passos ecoaram pela casa, pesados, seguros, impossíveis de ignorar, e em segundos três homens surgiram no vão da sala como se pertencessem àquele espaço por direito.
No centro deles, um homem que parecia saído de um pesadelo elegante. Alto, ombros largos, terno escuro que custava mais do que qualquer coisa que eu jamais possuíra. O olhar de aço, fixo em mim com uma precisão calculada, como alguém que já decidiu o resultado antes mesmo de a partida começar.
- Senhorita Moretti. Meu nome é Sebastian Mancini. Estou aqui para levá-la. Arrume apenas o necessário.
Levá-la. Não conhecê-la. Não conversar. Não perguntar se eu tinha escolha ou opinião ou voz. Apenas levar, como se eu fosse uma mala que havia ficado no lugar errado por muito tempo.
Olhei para meu pai. Ele abaixou a cabeça. Silêncio. Culpa. Derrota. A pior combinação possível num único homem.
- Eu não vou me casar com você - falei, virando-me para Sebastian com toda a firmeza que consegui reunir, sentindo cada centímetro do meu corpo se enrijecer contra a situação. - Eu não sou uma moeda de troca. Não sou uma recompensa de aposta. E não sou sua.
Ele parou no meio do caminho, os olhos escurecendo de um jeito que me fez recuar instintivamente - mas não o suficiente. Em dois passos, estava próximo demais. Os dedos dele envolveram meu rosto com firmeza, quase brutalidade, obrigando-me a encarar aquele olhar de pedra.
- Não tem culpa se o seu pai foi fraco - murmurou, a voz baixa e perigosa como o som que antecede uma tempestade. - Eu só vim buscar o que me pertence por acordo.
- Eu não pertenço a você. - Tentei me soltar, mas ele segurou firme. - Eu não pertenço a ninguém.
Ele me soltou de repente, com força. Dei dois passos trôpegos para trás e caí. As costas bateram no chão frio do hall de entrada, e a dor mal doeu comparada à humilhação de estar no chão diante de um homem que havia entrado na minha casa como se fosse a dele.
Antes que eu pudesse me levantar, um dos homens que o acompanhavam puxou a arma do coldre e a apontou para a cabeça do meu pai com um movimento tão natural que foi ainda mais aterrorizante pela ausência de drama.
- Não! - gritei, me levantando de um salto. - Não! Por favor!
- Você tem três segundos para fazer sua escolha - disse Sebastian, olhando para mim com a calma de um juiz numa corte onde já conhece a sentença. - Um...
- Sebastian, por favor...
- Dois...
- Eu vou! - berrei, sentindo o sabor amargo da rendição preenchendo minha garganta. - Eu vou com você!
O silêncio caiu como uma sentença definitiva. Sebastian observou-me por alguns segundos longos, certificando-se de que minha rendição era real e não um prólogo para outra resistência. Depois acenou com a cabeça, e o homem baixou a arma como se tivesse apenas recolhido um documento assinado.
- Vá pegar o que precisa.
Subi as escadas com o coração em pedaços. No meu quarto, fechei a porta, deslizei até o chão e permiti três segundos de desamparo - só três - antes de me levantar e abrir a mochila. Havia coisas que não podiam esperar nem três segundos: eu precisava saber que ainda era capaz de me mover, de escolher, de agir, mesmo que a ação fosse apenas decidir o que levar. Três cadernos de medicina. Dois livros. Roupas para poucos dias. O jaleco branco que havia vestido pela primeira vez no hospital escola dois anos atrás.
Tudo que coube no tempo que me restava de mim mesma.
***
Voltei para a sala com uma mochila leve nas costas. Três cadernos, um jaleco, dois livros de neuroanatomia e algumas roupas que couberam no tempo que tive.
Sebastian me esperava na porta, impaciente, mas eu o ignorei. Meus olhos procuraram só uma pessoa.
Meu pai.
Ele ainda estava sentado no sofá, como se não tivesse forças nem para levantar a cabeça. As mãos tremiam no colo. Os olhos marejados estavam fixos em algum ponto perdido no chão.
Me aproximei devagar, com o coração partido em mil pedaços. Eu não sabia se queria abraçá-lo ou gritar com ele até minha garganta sangrar.
- Pai...
Ele ergueu o rosto. E ali, naquele olhar cansado, eu vi tudo. A dor. O arrependimento. A culpa que já o condenava muito antes de qualquer sentença minha.
- Me perdoa, Ane - sussurrou. - Eu falhei com você. Com sua mãe. Com tudo que prometi proteger.
As lágrimas me queimaram os olhos, mas não deixei cair. Não na frente de Sebastian. Não na frente daqueles homens que tinham colocado um preço na minha liberdade.
- Por quê? - minha voz falhou. - Por que não me contou? Por que me jogou nesse pesadelo sem me dar escolha?
Ele engoliu seco.
- Porque eu achei que estava salvando você... e, no fim, só te vendi. - Ele abaixou a cabeça. - Eu sou um covarde.
Sentei ao lado dele e segurei sua mão. Estava fria. Tremia.
- Você ainda é meu pai - falei, com a voz fraca. - Mesmo depois de tudo. E eu ainda te amo. Mas me doeu... e vai continuar doendo por muito tempo.
- Eu sei. - Ele fechou os olhos com força. - E eu vou carregar isso até meu último dia.
Abracei-o. Forte. Talvez pela última vez. Senti o cheiro familiar da sua pele, o mesmo que me dava segurança quando eu era criança. E desejei, por um instante desesperado, voltar no tempo. Antes das dívidas. Antes da doença. Antes dos Mancini.
- Promete que vai lutar - sussurrei contra o ombro dele. - Que vai fazer esse tratamento. Que não vai desistir de viver, mesmo depois disso.
- Prometo - respondeu num fio de voz. - Mas você também promete uma coisa?
Me afastei, com o rosto ainda úmido.
- O quê?
- Não deixe que eles apaguem quem você é.
Assenti. Porque, no fundo, era tudo o que eu podia prometer. E tudo o que eu precisava lembrar.
Me levantei devagar. Meu pai soltou minha mão com relutância. E quando virei para a porta, Sebastian já estava lá, me esperando com aquela postura implacável.
Quando a porta se fechou atrás de mim, o ar pareceu mais denso, mais frio - como se até o mundo, cúmplice silencioso, soubesse que algo havia sido perdido ali dentro. Algo que eu talvez nunca recuperasse: minha liberdade.
Do lado de fora, três carros pretos esperavam como feras enjauladas prestes a se mover. Os vidros escurecidos escondiam segredos. Os motores ligados vibravam com paciência predatória. Homens de terno e olhares duros se mantinham ao redor, atentos, imóveis. Era como se cada esquina de Manhattan pertencesse a eles. E talvez pertencesse.
A luz amarelada da varanda iluminava o chão molhado pela garoa fina, transformando a calçada num espelho opaco. Mas nenhuma água do mundo podia lavar o que eu sentia por dentro: mágoa, impotência, raiva. Medo.
Sebastian já estava dentro do carro do meio, no banco de trás. A porta permanecia aberta. Um convite? Não. Uma ordem disfarçada de gentileza. Um gesto teatral, encenado para manter as aparências. Nada mais.
Respirei fundo, o ar ardendo na garganta como se o próprio universo estivesse tentando me sufocar.
Olhei uma última vez para a porta da minha casa. Atrás dela, meu pai ainda estava sentado no sofá. O mesmo sofá onde eu cresci deitando com os pés no colo dele. Agora, ele afundava em silêncio e arrependimento. Ou talvez nem isso. Talvez só culpa e covardia.
Uma parte de mim gritou para correr. Me esconder. Gritar. Mas meus pés não se moveram. Porque eu sabia a verdade cruel e simples: eles não hesitariam em puxar o gatilho contra ele se eu resistisse.
Então, com os olhos ardendo, coloquei um pé diante do outro, arrastando minha alma ferida atrás de mim. E entrei no carro.
O cheiro lá dentro me atingiu com força. Couro novo, perfume masculino caro e um silêncio que pesava como concreto. A porta se fechou com um clique seco atrás de mim, o som exato de uma sentença sendo selada.
Sebastian não disse uma palavra. Nem um olhar. Apenas manteve os olhos voltados para a janela, os dedos batendo no apoio de braço com uma calma irritante. Como se estivesse contando o tempo. Ou como se estivesse entediado com o que acabara de comprar.
O carro arrancou devagar. Os outros dois o seguiram com precisão coreografada. Um comboio. Um cortejo fúnebre para minha vida como eu conhecia.
A cidade passava do lado de fora como um borrão distante. As pessoas apressadas, as luzes dos prédios, os táxis, as lojas... tudo seguia como se eu não estivesse ali. Como se eu tivesse deixado de existir. Eu já não fazia parte daquele mundo. Agora eu era um nome em um contrato. Um bem transferido. Um pedaço de poder usado como moeda.
E quanto mais o carro avançava, mais o pânico se enraizava no meu peito.
Comecei a pensar no que viria. Na vida que me esperava atrás daqueles muros. Ser esposa de um mafioso. Ter que conviver com criminosos bem vestidos, sorrir em jantares cheios de sangue oculto, ouvir ordens disfarçadas de promessas. Fingir. Fingir o tempo todo. Ser tudo o que eles quisessem que eu fosse.
Ter filhos com um homem que me tirou à força da minha casa.
Minha garganta fechou. O estômago revirou. Meus dedos se fecharam no tecido da calça, tão forte que quase rasguei a costura.
E se eu tentasse fugir?
Eles matariam meu pai? Me matariam? Me caçariam como uma peça perdida da família?
Sebastian não se mexia. Não falava. Não respirava alto. Era como uma estátua de mármore, insensível e impecável, com olhos que sabiam demais e um coração que, se existia, devia estar trancado junto com suas armas.
Fechei os olhos. Não para descansar. Mas para não desmoronar.
Porque eu sabia. A cada quilômetro, uma parte de mim morria. E outra, desconhecida, nascia. Uma parte mais dura. Mais fria. Mais disposta a lutar.
Eu ainda era Ane Moretti.
Mas logo... eu teria que ser algo mais.
Algo forte o bastante para sobreviver ao mundo de Sebastian Mancini.
O cheiro do couro do banco do carro me sufocava. Sebastian estava ao meu lado e não disse uma única palavra durante todo o trajeto, como se eu fosse uma carga que precisava ser transportada, não uma pessoa que merecia ser encarada ou sequer reconhecida como presente.
Estranhamente, aquele silêncio me irritou mais do que qualquer palavra poderia. Pelo menos com palavras, eu poderia reagir. Com o silêncio dele, eu ficava sem alvo para a minha raiva, sem onde colocar tudo que fervia dentro de mim. Era como tentar empurrar uma parede que se movia junto com você.
Olhei pela janela enquanto Roma ficava para trás. As ruas que eu conhecia desde a infância, os prédios que vi crescer, as pessoas que passavam sem saber que uma vida estava sendo dissolvida dentro daquele carro preto - tudo se tornava passado a cada quilômetro como páginas viradas de um livro que alguém arranca no meio da leitura.
Eu era Ane Moretti. Tinha vinte e um anos, estava no terceiro ano de medicina e havia dedicado cada dia da minha vida adulta a me tornar algo. Alguém. A mulher que meu pai havia criado com tanto orgulho, apesar das circunstâncias, apesar da ausência da minha mãe, apesar de tudo que a vida havia tentado usar para nos diminuir.
E agora estava sendo levada como propriedade.
A raiva queimava mais quente a cada minuto. E junto com ela, uma decisão que se solidificava no meu peito como cimento secando: eles podiam me levar, podiam me obrigar a entrar naquela mansão, a usar o sobrenome deles, a aparecer nas fotos certas nos eventos certos. Mas não podiam me apagar. Eu ainda era eu. E isso nenhum contrato, nenhuma aposta, nenhum Don da máfia poderia mudar.
Olhei para Sebastian de relance. Ele continuava de olhos voltados para a janela do outro lado, aquele perfil anguloso e impassível que parecia ter sido esculpido especificamente para não revelar nada.
Eu descobriria como quebrá-lo.
Não por vingança. Mas porque precisava saber que era possível. Que havia um ser humano por baixo daquele controle absoluto. Que eu não estava sendo entregue a uma máquina, mas a um homem - e que homens, diferentemente de máquinas, têm rachaduras.
Sempre têm rachaduras.
Prometida oo Capo
Karyelle Kuhn
Máfia
Capítulo 1 Ane Moretti
02/02/2026
Capítulo 2 Ane Moretti
02/02/2026
Capítulo 3 Ane Moretti
02/02/2026
Capítulo 4 Sebastian Mancini
02/02/2026
Capítulo 5 Ane Moretti
03/02/2026
Capítulo 6 Ane Moretti
03/02/2026
Capítulo 7 Sebastian Mancini
03/02/2026
Capítulo 8 Sebastian Mancini
03/02/2026
Capítulo 9 Ane Moretti
03/02/2026
Capítulo 10 Ane Moretti
03/02/2026
Capítulo 11 Ane Moretti
04/02/2026
Capítulo 12 Sebastian Mancini
05/02/2026
Capítulo 13 Ane Moretti
06/02/2026
Capítulo 14 Sebastian Mancini
05/02/2026
Capítulo 15 Ane Moretti
05/02/2026
Capítulo 16 Ane Moretti
05/02/2026
Capítulo 17 Sebastian Mancini
05/02/2026
Capítulo 18 Sebastian Mancini
05/02/2026
Capítulo 19 Sebastian Mancini
05/02/2026
Capítulo 20 Ane Mancini
05/02/2026
Capítulo 21 Ane Moretti
05/02/2026
Capítulo 22 Ane Moretti
05/02/2026
Capítulo 23 Ane Moretti
02/03/2026
Capítulo 24 Ane Moretti
02/03/2026
Capítulo 25 Sebastian Mancini
04/03/2026
Capítulo 26 Sebastian Mancini
04/03/2026
Capítulo 27 Sebastian Mancini
04/03/2026
Capítulo 28 Ane Moretti
23/03/2026
Capítulo 29 Ane Moretti
23/03/2026
Capítulo 30 Sebastian Mancini
23/03/2026
Capítulo 31 Sebastian Mancini
23/03/2026
Capítulo 32 Sebastian Mancini
07/05/2026
Capítulo 33 Ane Moreti
07/05/2026
Capítulo 34 Ane Moreti
08/05/2026
Capítulo 35 Sebastian Mancini
08/05/2026
Capítulo 36 Ane Moretti
13/05/2026
Capítulo 37 Sebastian Mancini
14/05/2026
Capítulo 38 Ane Moretti
15/05/2026
Capítulo 39 Sebastian Mancini
15/05/2026
Capítulo 40 Ane Mancini
20/05/2026