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EU FUI ABANDONADA pelos meus pais neste
internato quando ainda era bebê. Pelo menos foi isso que a
madame sempre me contou. Sei que todos têm uma
história e suas origens, e apesar da minha ser
desconhecida, isso não me impede de sonhar com algo
maravilhoso que ainda pode estar por vir. Fui crescendo
neste lugar, acostumando-me com a vida aqui, e conforme
me tornava uma garota mais madura, passei, finalmente, a
entender a verdade: vivo em um prostíbulo.
No começo, eu não entendia o porquê de tratarem a
gente como mercadoria, mas hoje sei que valemos muitos
dólares e que há algumas transações milionárias
envolvidas e gente grande, como multimilionários, políticos
corruptos e até mesmo chefes de máfias.
Nós somos preparadas desde cedo para ser esposas
perfeitas em tudo, como o próprio nome da academia diz.
Até a nossa alimentação é regrada para não engordarmos
muito. Além disso, somos divididas por idade e cor da pele.
Eu faço parte das loiras com 18 anos, olhos azuis e um
metro e meio de altura. Costumo dizer que meu
comprimento é bastante desproporcional à minha idade.
Enquanto isso, a Chelsea, de apenas 15 anos, tem quase o
dobro do meu tamanho. Bem... Exagero é uma das minhas
características principais.
Chelsea é a minha melhor amiga de todas, e é como
uma irmã para mim. Somos inseparáveis.
Eu sei que irei deixar este lugar um dia, e o motivo
mais óbvio é: serei vendida para algum milionário que
deseje ter uma mulher submissa para saciar todos os seus
desejos. Faço parte da categoria de garotas inocentes e
virgens que valem milhões de dólares para os desgraçados
fúteis que só gastam com sapatos caros e roupas de grifes.
É desumano a maneira como eles olham para nós, e a pior
parte de tudo isso são os leilões que organizam uma vez
por mês.
Sinceramente, a minha vida nunca foi fácil, mas,
mesmo assim, jamais perdi a esperança de que algo
diferente possa acontecer. Quem sabe um príncipe
encantado venha em seu cavalo branco me salvar?
Eu não conheço o mundo lá fora, as pessoas de lá ou o
amor; apenas a dor.
A dor da rejeição.
A dor do abandono.
A dor da discriminação
A dor da minha infelicidade.
Por que nunca fugi? Porque é praticamente impossível
fazer isso. O local é rodeado por seguranças armados que
não têm receio de atirar contra qualquer uma de nós que
tente escapar. Isso aconteceu com uma garota há dois
dias. Foi lamentável a maneira como ela foi brutalmente
assassinada.
Essa é a nossa realidade. E na minha realidade, a fase
de lamentações já passou, porque aprendi que não tenho
como fugir do meu destino, por mais que ele seja horrível e
completamente abominável.
Essa sou eu: Laiza Nayara; Iza para os mais íntimos.
Chelsea me deu esse apelido. Sou uma menina totalmente
diferente das demais da minha idade, pois fui criada para
obedecer fielmente àqueles que são superiores a mim. O
direito de escolha nunca fez parte da minha vida, e nunca
fará.
Como destinos são incertos, a única coisa que tenho
certeza é de que serei feliz algum dia, mesmo que leve
anos para que isso aconteça.
Capítulo Um
CAMINHO O MAIS rápido que minhas pernas podem ir,
sentindo minha respiração ofegante ecoar por todo o
corredor. O sinal está tocando, fazendo um barulho imenso,
e isso significa uma única coisa: reunião de última hora.
Meus livros quase caíram no chão quando eu estava
andando tranquilamente e o som começou a ecoar.
Passo pelos corredores vazios, imaginando que serei a
última a chegar no local. Com certeza levarei uma bronca
daquelas na frente de todo mundo.
Aqui, no “orfanato” sempre estamos estudando, pelo
fato de haver homens que gostam de mulheres inteligentes
aos seus lados. Ridículos! Nunca me acostumei com a
ideia de que, algum dia, serei vendida para um verme
maldito.
Aos meus 18 anos de vida, a única coisa que aprendi,
foi a me comportar diante de um homem e a obedecê-lo
fielmente. Quanto a isso, já estou conformada. Prefiro ser
de um só do que de vários diferentes a cada noite, como
acontece com algumas meninas daqui.
No meu caso, a senhora Cloe, a diretora-chefe,
afeiçoou-se por mim. Tenho a sorte de ter o seu apoio.
Segundo ela, eu terei um bom casamento e, um dia, serei
feliz. Eu confesso que a madame alimentou essa
esperança em mim ao longo dos anos, por estar sempre
me dizendo o quanto tem algo grande à minha espera.
Finalmente, chego no salão de reuniões com meu
uniforme um pouco amassado. Isso deve ter acontecido na
hora que eu quase caí no chão enquanto corria até aqui.
Um dos instrutores está falando o quanto não tolera
atrasos da nossa parte, e eu preciso ficar bem quietinha
atrás de Chelsea, que me olha preocupada. Logo desvia
sua atenção para a frente, para não levar bronca. Ela é a
pessoa mais importante para mim, pois é como uma irmã.
Lembro-me da sua chegada aqui, ainda bebê. A madame
não gostava quando eu ficava perto dela, mas logo desistiu
dessa ideia absurda. Ninguém nunca irá destruir o amor
que sentimos uma pela outra; um sentimento puro, ingênuo
e um dos mais verdadeiros que existe em todo o mundo.
Percebo que a diretora mantém um olhar sério sobre
mim, por não tolerar atrasos, mas a cobrança comigo
parece maior em comparação às outras garotas. O meu
cabelo deve estar sempre bem penteado, sem nenhum fio
fora do lugar, meu uniforme impecável e meus sapatos
brilhando o tempo todo. Posso ver a face dela. A madame
é rígida, não demonstra muitos sentimentos na maior parte
do tempo e se chateia até se uma de minhas meias não
estiver igual à outra. Sem contar que ela sempre me tratou
como uma bonequinha de porcelana, como se sentisse
medo de que eu quebrasse ou algo do tipo. Na sua opinião,
minha beleza me levará a um lugar muito alto na vida.
Tudo o que sei é que todos os seus cuidados só fazem
eu me sentir muito protegida contra qualquer homem que
vive aqui. Já ouvi relatos de garotas que são abusadas por
seguranças e até mesmo por Rodolfo. Se eu continuo
intocada, devo isso a ela.
Rodolfo é o vice-diretor, um homem cruel. O seu cargo
está bem abaixo do da madame, mas, ainda sim, ele se
sente o dono desse lugar, pois está sempre impondo suas
vontades quando ela não está. Ele é frio, perigoso, alto,
com cabelos negros e uma barriga grande de tanto beber
cerveja. Todos o temem, inclusive eu, porque os olhares
que ele me lança, deixa-me preocupada. O homem não
tem escrúpulos, muito menos respeito por nenhuma de
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