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2 anos antes...
Alexandre Monte Negro II
Eu sempre soube que tinha algo em mim diferente, uma força que pulsava sem descanso em meu âmago que me impulsionava a mais tenebrosa escuridão, eu não me importava com a dor dos outros, não me importava com nada além de mim mesmo e depôs que ela chegou, ela se tornou para mim como algo sagrado, eu me importava com ela.
Cresci num lar cheio de amor, mesmo que meu pai fosse um carrasco temido fora de casa, em casa ele era o ursinho da minha mãe, eles se amavam e era algo notório, tinha irmãs amorosas e prestativas, mamãe é a pessoa mais doce que já conheci, sempre me deu amor e carinho e mesmo quando me recusa a ir a igreja ela falava do infinito amor de Deus para mim, mas eu me encantava mesmo era pelo lado sombrio das coisas, pela lado da escuridão, eu admirava o Lúcifer e não a Deus.
Achava impressionante e louvável sua coragem em se rebelar contra Deus e tomar o poder, mesmo não conseguindo ele tentou e criou seu próprio reino, era algo grandioso o que ele fez e deveria ser refeito, eu faria igual, eu tomaria o poder, seguiria os passos do mal, mas a diferença entre mim e Lúcifer é que eu não falharia.
Sempre observei meu pai desde criança, ainda pequeno ele me carregava a tabacaria e ali eu me mantia atento a tudo, mesmo sem compreender bem do que falavam e toda hora meu pai falava:
__ tudo isso ainda será seu meu filho, isso e muito mais Alexandre!
E eu queria esse muito mais!
Quando fui ficando rapaz comecei a ter noção das coisas e do que era dinheiro, dinheiro era poder, eu queria o poder, por mais que meu genitor falasse que tudo era meu, era ele quem tinha a palavra final e isso me perturbava profundamente, eu precisava do poder.
Seguir observando e aprendendo com ele, eu era ótimo com os cálculos e ainda cedo comecei a cuidar das finanças da tabacaria, era demasiado a quantidade de dinheiro que entrava, dinheiro grosso, meu dinheiro.
Aos 12 anos eu era um rapazote muito esticado para minha idade e notava os olhares das raparigas em mim e isso despertou algo desconhecido em meu corpo e ascendeu o vicio da luxuria e prostituição, com 12 anos eu conheci minha primeira boceta, fiquei obcecado, era uma sensação divina me enfiar entre as pernas de alguma rameira, despejar meu esperma e ir embora, comecei a frequentar postribulos e cabarés.
Meu pai continuava a me ensinar tudo o que conhecia e eu sempre necessitava demais.
Quanto mais eu crescia mas eu sentia curiosidade em conhecer o que não podia ser conhecido, procurei e busquei até que conheci um livro que terminou de quebrar todas as correntes que me mantinha contido e calmo, o livro tinha uma capa grossa e negra, na sua capa tinha desenhado uma estrela de cinco pontas que estava dentro de um círculo e dentro dessa estrela tinha a imagem de um animal com chifres, não tinha mais volta eu tinha escolhido qual caminho seguir.
Os carinhos da minha mãe já não mais me tocavam, eu não sentia nada ao ser tocado e amado por ela, minhas irmãs me irritaram com sua união e companherismo, eu fiz crescer uma crosta tão grossa e resistente sobre mim que era impossível ser quebrada, eu me tornei impermeável ao amor.
Eu não sabia como sorrir, por diversas vezes observava pessoas proseando e sorrindo e eu me perguntava como elas conseguiam sorrir com tanta facilidade?
Minha mãe bastava ver uma criança na rua e já estava a sorrir, minhas irmãs viviam a dar gargalhadas por nada e eu simplesmente não sabia sorrir, tentei por diversas vezes sorrir em frente ao espelho, mas não saía um som sequer da minha boca e tudo que conseguia fazer era mostrar os dentes de forma assustadora e ameaçadora.
Queria aprender a sorrir pois sabia que isso atrairia as pessoas a mim e eu poderia ter mais sucesso em dar o golpe em alguém, se mantivesse uma falsa cordialidade, mas ao mostrar os dentes eu repelia as pessoas e então não o faço mais, não aprendi a sorrir, isso não era para mim.
Tudo estava a andar de vento em polpa quando esse pulha surgiu no meu caminho: Bento Gonçalves! Meu pai quis fechar negócio com ele assim que soube que ele comprou a maior fazenda da região.
Não fui com as fuças do sujeitinho e eu nunca erro, ele se apossou das minhas duas irmãs, onde já se viu duas mulheres vivendo com o mesmo homem como marido e mulher?
Minhas irmãs não passam de duas perdidas, desavergonhadas, duas rameiras e ainda mantiam hábitos masculinos, eu precisava agir, não permitirá que Bento ficasse com a herança das minhas irmãs, eu pegaria tudo para mim.
Fiz meu pai assinar uma procuração onde ele me deu todo poder sobre seus bens e eu o deixei sem nada, na absoluta miséria, coloquei ele no olho da rua, na sarjeta!
Minha mãe foi com ele pois sei que ela nunca abandonaria meu pai, não me importei, não doeu em mim, não desejava o mal da minha mãe, mas também não me sentir com dor na consciência em despeja-los de casa, nesse dia adormeci e dormir tranquilamente em meus aposentos.
Mas tinha ELA, meu amuleto sagrado, Hanna, ela brilhava mais que o sol, ela era meu raio sol! De alguma forma não conseguir me manter afastado dela, era uma necessidade quase física e eu passei a visitá-la todos os dias na escola, a vi crescer e se desenvolver, ela corria para mim sempre que me via, me abraçava, me chamar de melhor amigo, Hanna possuía o sorriso mais lindo que eu já avistei nesse mundo e um aroma que era só dela e esse cheiro me deixava atiçado, ela era um anjo e eu era o próprio demônio.
__ Alexandre!
Sua voz era angelical.
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