Assim que Eduardo Brockman apareceu na escadaria do Palácio da Justiça, a pequena multidão de repórteres e fotógrafos se agitou, todos correndo a seu encontro, à caça de uma entrevista. Aquele caso havia abalado a opinião pública e ninguém queria perder a chance de ouvir em primeira mão as palavras do médico, após sua libertação.
- Quais são os seus planos agora, Brockman? Comemorar? No que pretende investir o dinheiro? - o repórter perguntou, quase encostando o microfone na boca de Eduardo.
Pálido, ele apenas olhou para o rapaz e suspirou. Estava cansado, cansado de tudo. Seu advogado veio em seu socorro.
- Deixe-o em paz. Todos vocês. Mostrem que têm algum sentimento, pelo amor de Deus! Ele não teve tempo para fazer planos; o processo se estendeu por meses e, agora que está tudo resolvido, ele precisa de um tempo para si mesmo. - Inclinou-se sobre o ombro de Edu e cochichou: - Vou ver se o carro está pronto. Já devia ter chegado há esta hora.
Em seguida, desceu a passos rápidos as escadas, deixando Eduardo desorientado em meio ao tumulto que se formava.
- É verdade que você vai visitar a sua ex-esposa? - perguntou outro repórter.
- Não - Edu replicou. Sua expressão era tensa, os músculos da face contraídos. Tentou dar um passo à frente, mas foi barrado por uma mulher de outro canal de TV.
- O governador ainda não fez uma declaração - ela disse. - Você espera vê-lo pessoalmente?
- Não sei. - Vagou o olhar em volta, meio perdido, e tornou a encará-la quando ela falou:
- Fale-nos sobre esses anos na prisão, senhor Brockman. Os outros prisioneiros alguma vez... Você sabe... Como foi que se protegeu?
A repórter fez um sinal para que a câmera pegasse um close.
- Quando se tem o meu tamanho, as pessoas aprendem a não nos incomodar.
A moça sorriu, parecendo satisfeita com a resposta.
- Em algum momento o senhor perdeu as esperanças de recuperar a sua liberdade?
- E a respeito da criança? - outra voz disparou.
- É verdade que recebeu uma proposta para um filme? - perguntou uma voz do outro lado.
- A Continental News Service soltou um artigo sobre uma proposta para um livro. Pode nos falar a respeito? A moça diante dele puxou-o pela manga do paletó.
- Mas, voltando ao assunto da criança, senhor Brockman, sempre disse que era inocente... E alguns de nós acreditamos. Se a criança estivesse viva hoje, o senhor tentaria obter sua custódia?
- É claro, mas ela não está - Eduardo respondeu, sem demonstrar irritação.
Um homem empurrou a mulher de lado.
- O senhor vai dar algum dinheiro para o Lar das Crianças?
- Essa casa está fechada há anos. Será que você não faz a sua lição de casa? - perguntou, com cinismo.
Indiferente, o homem prosseguiu:
- Sofreu alguma discriminação pelos anos que passou naquela casa de delinqüentes?
- Só uma ou outra criança do Lar poderia ser considerada como delinqüente. A maioria era de pequenos abandonados - ele retrucou. - O mundo está cheio de crianças que ninguém parece querer.
- Foi por isso que se envolveu com a sua ex-mulher e o filho dela? Ficou com pena deles?
- Isso não merece resposta.
- Pretende recuperar a sua licença médica?
A confusão de jornalistas e repórteres parecia aumentar a cada momento.
- O representante do Conselho Regional de Medicina me disse ontem à noite que um requerimento seu seria bem aceito.
- Pretendo pensar no assunto, mas agora... - Edu hesitou e olhou em volta. Seu advogado vinha abrindo passagem no meio da multidão, em sua direção.
Os dois, lado a lado, muito altos e fortes, chegavam a impressionar. Jake Garner logo pôs o braço em torno dos ombros de Eduardo, num gesto de proteção.
- Desculpe-me - murmurou. - Eu não pretendia abandoná-lo nessa confusão. Vou me livrar desse pessoal.
Ergueu a cabeça e olhou com simpatia para a multidão de jornalistas ansiosos por uma história "quente". Com a mão livre fez um sinal e todos se acalmaram, aguardando.
- Eu sou Jake Garner, advogado de Eduardo - disse. - Conheço alguns de vocês e sei que vão tratar bem o meu cliente. Nós estamos tão ansiosos para esclarecer os rumores que andaram circulando nos últimos tempos quanto vocês. Eduardo dará uma coletiva daqui a poucas semanas. Por hora ele precisa de descanso. Tentem compreender. Vocês são todos bons profissionais, e tenho certeza que...
- É verdade que você foi atacado no seu primeiro dia na prisão? - gritou um repórter, ignorando o apelo que acabava de ser feito.
Eduardo correu a vista pela multidão, sua face ficando pálida.
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