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JOANA
Sentada à beira da cama de Lucas no hospital, sentindo como se meu coração estivesse sendo apertado por mãos invisíveis. A angústia se espalha por mim como uma maré avassaladora, ameaçando me engolir por completa. Seus olhos, embora cansados, ainda mantêm uma chama de confiança que me deixa sem fôlego.
O cheiro acentuado de desinfetante permeia o ar, e o som dos monitores cardíacos cria uma trilha sonora sombria e constante. O cenário ao nosso redor é uma manifestação tangível do medo e da incerteza que nos envolvem, mas me recuso a deixar que a escuridão nos domine completamente.
— Joana, eu sei que estou te pedindo muito, mas preciso desse transplante — A voz fraca de Lucas irrompe o silêncio, suas palavras ecoam em meus ouvidos como um chamado desesperado — Sei que é pedir muito e não quero que perca sua vida salvando a minha, mas não quero morrer.
Seu pedido é algo que está além do meu alcance, algo que o destino parece empenhado em nega. Um sorriso trêmulo se forma nos meus lábios, mas as lágrimas insistem em trair toda a minha determinação que tento mostrar.
Minha mão envolve a dele com um aperto suave, uma âncora para ambos em meio à tempestade que nos rodeia.
— Lucas, você não precisa pedir. Você é parte de mim, sangue do meu sangue. Moveria montanhas para te ver bem novamente. — Minha voz é um sussurro carregado de intenção, minha promessa ecoando nas entrelinhas das palavras.
Trocam-se olhares, uma conversa silenciosa que diz mais do que qualquer diálogo. As palavras não ditas contêm nossos medos, nossos anseios, e uma determinação inabalável de que encontraremos uma saída, não importa o quão escuro seja o caminho à frente.
A realidade é cruel. Os recursos financeiros da nossa família são limitados e o tempo está se esgotando. Não consigo dizer ao meu irmão quanto tempo mais terá aqui no hospital e quais as chances dele conseguir o trasplante, as porcentagens são mínimas quando se refere ao rim de uma criança.
A despedida é cheia de significado, pois não consigo dizer mais nada ao meu irmão além de dar um beijo terno na testa que carrega toda a força e amor que não consigo expressar com palavras. Enquanto saio do quarto do hospital, meus pensamentos se tornam uma tormenta de possibilidades, um turbilhão de esperanças e temores. Ando pelas ruas da cidade, envolta em meus próprios dilemas, mas também em uma resolução que queima como fogo dentro de mim. A responsabilidade é pesada, mas a força que me impulsiona a encontrar uma solução é inabalável.
✘
Sentada na minha pequena escrivaninha, encaro a montanha de contas hospitalar que se amontoam ao lado do meu computador. Cada envelope é um lembrete cru e implacável da realidade que enfrentamos. Meu coração se afoga em uma piscina de angustiai, e minha mente está presa em um ciclo incessante de busca por uma saída. O tempo está fugindo, escorrendo pelos meus dedos.
Mais tarde, na faculdade, cruzo com Rick. Seu olhar perspicaz encontra o meu e vejo que ele percebe a tempestade de emoções que se passa dentro de mim. Não precisamos de palavras para compartilhar essa compreensão, e sua aproximação é como um abraço silencioso de apoio e compaixão.
A voz dele é um murmúrio suave de solidariedade, suas palavras um eco da tristeza que carrego comigo.
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