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Marina
Se eu pudesse descrever minha vida em uma palavra, seria "farsa". Ricardo e eu temos o casamento perfeito... pelo menos é o que todos pensam. Na verdade, não somos nada além de dois estranhos vivendo sob o mesmo teto, presos a uma fachada que mantém nossa reputação intacta. Digo isso como se eu realmente me importasse, mas a verdade é que o que me incomoda mais é que, mesmo odiando o Ricardo com todas as minhas forças, eu ainda sou a única pessoa no mundo que não consegue transar com ninguém além dele.
Todo dia é a mesma coisa. Eu acordo às oito, sem precisar de despertador. Meu corpo já está acostumado, assim como está acostumado a essa vida de aparências. Coloco minha roupa de yoga, passo pelo corredor silencioso e vou para o estúdio que montamos ao lado da sala de estar. Sempre que passo pelo corredor, vejo a porta do quarto de Ricardo fechada, e só de pensar nele ali dentro, meu estômago revira. Dormimos em quartos separados, não porque isso é moderno ou porque preciso de espaço. Não, dormimos separados porque simplesmente não suportamos a presença um do outro.
Mas ninguém pode saber disso. Para todos, nossa vida é uma pintura de perfeição. Eu finjo que me sinto mais confortável assim, que preciso do meu espaço para dormir bem. E as pessoas compram essa mentira, porque ninguém quer acreditar que o casal da alta sociedade, a mulher da família rica e o CEO famoso, estão na verdade à beira do divórcio.
Depois do meu yoga, vou para minha aula de equitação. Zeus, meu cavalo, é a única criatura que não me irrita nessa casa. Ele não faz perguntas, não exige nada de mim além de alguns comandos simples. Quando estou montada nele, posso fingir que minha vida é outra, que não preciso voltar para essa casa cheia de silêncios e ressentimentos.
Ricardo, por outro lado, acorda às sete e segue direto para a academia. Ele gosta de dizer que precisa manter a forma, que seu corpo é uma extensão do seu sucesso, como se os músculos pudessem esconder a pessoa vazia e egoísta que ele é. Volta da academia suado, mas impecável, toma banho e segue para o escritório como se o mundo dependesse dele. E talvez dependa, pelo menos para os acionistas da empresa. Para mim, ele não passa de uma pedra no meu sapato, um lembrete diário de que fracassei em me livrar desse casamento.
Depois da minha cavalgada, volto para casa e encontro Ricardo na cozinha, sempre à mesma hora, comendo aquela maldita tigela de aveia. Ele nem levanta os olhos quando eu entro, e eu faço questão de não dar muita atenção a ele. A tensão entre nós é uma constante, um silêncio pesado que só é quebrado quando algum empregado entra na sala e temos que ativar o modo "casal feliz".
Ele finge que se importa comigo, que me pergunta como foi minha manhã, e eu coloco aquele sorriso falso, dizendo que foi ótima. É um teatro patético, mas necessário. Nenhum dos empregados sabe da verdade, e assim deve permanecer até que o divórcio finalmente seja oficial. Ricardo já deve estar saindo com outras pessoas, pelo menos é o que eu imagino, porque só assim para ele não ter me pedido o divórcio antes. Claro, isso é mais uma suposição do que uma certeza, mas só de pensar que ele pode estar transando com outras mulheres enquanto eu estou presa a essa abstinência forçada, me dá um ódio que mal consigo descrever.
Eu odeio o fato de que, mesmo odiando ele, sou incapaz de sentir o mesmo desejo por qualquer outro homem. Já tentei, mas meu corpo não responde. Parece que estou amaldiçoada a desejar apenas o homem que mais desprezo. Não sei se é porque ele foi o único que realmente me conheceu por completo ou se é algum tipo de ironia cruel do destino. O que sei é que estou frustrada, sexualmente falando, e isso só piora a situação entre nós.
Mais tarde, após mais um jantar silencioso, nos encontramos na sala para discutir os papéis do divórcio. Aquele pedaço de papel que significa nossa libertação, ou pelo menos, a minha.
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