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— Entre.
Danika olhou para a porta aberta do Bentley e para a escuridão dentro do carro. Ela soltou uma lufada de zombaria.
— Ah, pois sim! — Ela respondeu e tentou contornar o veículo, a fim de sair dali o mais rápido possível.
— Senhorita, por favor — Um homem alto, com uma figura esbelta, de cabelos claros, saiu do carro. Ele tinha uma expressão neutra no rosto.
— Quem é você, heim? — Ela perguntou e ele ergueu uma sobrancelha.
— Você não sabe quem eu sou? — Ele parecia genuinamente incrédulo. Danika estalou a língua.
— Se eu soubesse, não estaria perguntando, não é mesmo? — Normalmente, Danika não era rude, mas depois do que aconteceu naquela noite, ela não estava com humor para ser gentil com idiotas. Principalmente homens.
Ele, todo vestido de preto, usou o dedo indicador para empurrar os óculos para cima do nariz e suspirou.
— Eu sou Kyson Banks, senhorita Sinclair — Ela engoliu em seco. Ele sabia o sobrenome dela. Ele a conhecia.
— Ok, senhor Banks, não tenho ideia de como ou por que você sabe meu nome, mas não estou interessada em nada a ver com o senhor — Ela disse, recuando — Agora, preciso ir.
— Senhorita, por favor, tenho algo muito importante para discutir com a senhorita. É algo que a senhorita vai gostar de ouvir, eu garanto — Kyson começou a se aproximar dela e os olhos de Danika se arregalaram de medo — Não precisa ter medo de mim.
— Cai fora! — Ela disse, dessa vez, mais firme. Ela não iria esperar até que ele chegasse muito perto. Danika enfiou a mão desajeitadamente na bolsa e procurou apressadamente o frasco. Sentindo que seus dedos estavam tocando a coisa certa, ela agarrou-a e, sem piedade, apontou para o rosto do homem e apertou a pequena alavanca.
O grito que ele deu quando o spray de pimenta atingiu seus olhos foi de partir o coração. Ele usava óculos, mas aparentemente o acessório escorregava frequentemente na ponta do nariz, o que tornou seus olhos mais vulneráveis ao ataque de Danika.
— Eu disse pra você se afastar! — Ela gritou e tentou passar por ele, mas alguém a agarrou pela cintura. Danika estava prestes a gritar, mas nada mais do que um som abafado saiu de sua boca depois que esta foi coberta por uma mão enorme. Naquele momento, a ruiva começou a orar para quaisquer forças que existissem. Ela não podia morrer ainda, pois precisava cuidar da mãe e da avó!
— Pelo amor, senhorita! — Kyson disse, com os olhos totalmente inchados e vermelhos — Não havia necessidade disso!
Ele fez um movimento com a cabeça para que o outro homem a colocasse dentro do carro. Ela chutou, mas não teve chance de se libertar do aperto de ferro do homem.
Uma vez dentro do carro, Kyson entrou pela outra porta e logo o veículo estava em movimento. Danika praticamente se grudou à porta.
Ela então percebeu que não estava sozinha com Kyson Banks, pois havia outra pessoa sentada nas sombras.
— O-o que você quer de mim? — Sua voz tremeu. Ela estava assustada, sentindo seu coração disparar. Eles a matariam?
— Senhorita Sinclair... eu só queria lhe oferecer um emprego!
Aquela voz... ele era.. ele era o cliente da sala VIP! Ela respirou fundo antes de falar.
— Um trabalho? — Ela perguntou, tentando manter a calma — Ah, por favor! Você praticamente me sequestrou e agora diz que é para me oferecer um emprego? Ficou maluco, perdeu o juízo?
— Não, senhorita Sinclair. Eu sou muitas coisas, nessa vida, mas louco não é uma delas. — Kyson, entregue o envelope a ela, por favor.
Este o fez e Danika aceitou com mãos trêmulas o envelope que o homem de cabelos claros lhe entregava. Ela abriu e franziu a testa depois de ler o início do conteúdo.
— Barriga de aluguel? — Ela perguntou, confusa.
— Isso mesmo, senhorita — Kyson respondeu novamente e Danika ficou irritada com isso. O mais interessado nisso era o tal patrão, mas o homem não mostrava nem a cara, como ela poderia esperar que ele mesmo se explicasse?
— Aqui diz “sem contato físico”, mas então... como poderíamos ter um... filho? — Ela perguntou, e então franziu a testa com sua própria pergunta, como se estivesse considerando aquela loucura. “A minha curiosidade ainda vai me acabar!”
— Boa pergunta! — Kyson disse alegremente — A inseminação artificial é a resposta. Simples, sem contato, mais chances de sucesso.
— Entendo…— Danika engoliu em seco e se virou para o homem nas sombras — Por que eu?
— Porque estou de olho em você há um tempo. Você tem uma boa genética, é saudável, é bastante inteligente e isso é o suficiente para mim. Você não gosta de homens por dinheiro, mas isso não significa que não precise dele. Caso contrário, você não estaria trabalhando em um restaurante onde aqui e ali alguns clientes exigem mais de sua... atenção, e você tem que se conter para não dar um soco neles — O homem respondeu à pergunta dela com um tom muito educado, quase amigável.
Quando ele disse isso, Danika corou. É claro que ele sabia da situação do cliente russo.
*FLASHBACK*
— Você não precisa trabalhar aqui, minha linda. Com um corpo assim, você pode ficar rica num piscar de olhos — O homem insistiu e falou como se ela não o tivesse ignorado de propósito nos últimos minutos.
— Desculpe, senhor, não sou um objeto que você possa comprar. Não quero aceitar sua oferta. E não vou. Agora, com licença — Ela disse e tentou passar, mas ele bloqueou seu caminho.
Eles estavam perto da área VIP, então, os outros clientes não estavam realmente por perto. Como a porta estava levemente aberta, qualquer coisa, ela tinha esperanças de que o homem ali dentro a socorresse.
— Apenas uma noite. Seja minha e eu vou te cobrir de ouro!
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