/0/17898/coverorgin.jpg?v=f8cd46df9f73b6d8d6a476282ac5cead&imageMogr2/format/webp)
A porta do quarto abriu abruptamente, fazendo-me dar um pulo na cama e olhar na direção da invasora. Ana tinha uma expressão exausta e os olhos cheios de raiva estavam prontos para invadirem o quarto junto de sua energia furiosa. Eu poderia dizer que aquilo era minha culpa, se ela não fosse rápida o suficiente para me gritar.
— Lana! — Sua voz saiu estridente, levando meus ombros a se encolherem. — Você não tem esse direito!
Eu não tinha ideia do que ela poderia estar falando, mas deveria ser algo de muito ruim, mesmo que eu tentasse não errar em nada para que não precisasse ver aquele tipo de reação. Pensar nisso me levou a apenas suspirar.
— Você pode usar mais as palavras e me explicar — falei por fim, desistindo de descobrir o que aquela doida estava querendo.
— Eu te convidei para ir à balada e você me disse que não poderia, pois voltaria para à casa dos seus pais essa semana. — Ela caminhou pelo quarto falando de maneira nervosa enquanto suas mãos se agitavam no ar. — Eu super entendo, pois é um feriado prolongado e claro que você queria ver seus pais perfeitos. — Dessa vez ela fez aspas com os dedos na última palavra. — Aí chega hoje e você me manda mensagem avisando que está em casa e que não pretende sair!
Recordei do mundo de perguntas que ela havia me feito no whatsapp e só então percebi que realmente havia mentido alguns dias atrás avisando de uma breve visita aos meus parentes. Eu até pensei em ir de fato para Santos onde meus pais moravam atualmente, mas eles não estariam em casa e eu não queria ficar encarando meu irmão com seu humor adolescente. Dei um longo suspiro ao observar a raiva da moça de cabelos cacheados e um vestido prata brilhante que iluminava bem suas curvas incríveis e a cor marrom da sua pele.
— Aconteceu um imprevisto. — Menti e ela estreitou seus olhos, me dizendo que não seria enganada outra vez. Ergui as mãos em rendimentos. — Tudo bem, eu não quero ir para a balada e não quis te magoar com isso.
Confessei, afinal. Ana me mostrou a língua como se fosse uma criança mimada e isso me fez rir alto. A garota não se importou comigo, apenas bateu seus pés para fora do quarto carregando seu enorme bico.
Fechei o livro que lia enquanto observava à porta que Ana fez questão de não fechar. Eu sabia que ela iria me perseguir pelo resto dos meus dias até que eu finalmente fosse visitar meus pais, pois nesse momento ela iria pular em cima da minha mala e dizer: "Até que fim vai cumprir isso, né?"
Suspirei pesadamente com esse pensamento e coloquei o livro em cima da mesa de cabeceira enquanto afastava as cobertas para me levantar. Eu iria me arrepender amargamente daquela decisão repentina, mas me arrependeria ainda mais se deixasse minha amiga bicuda e posso dizer que isso duraria muito tempo.
Eu estava tentando seguir o conselho da psicóloga do trabalho, afinal ela havia me dito que o estresse que eu vinha sentindo era por causa de uma rotina sem distrações e que eu deveria tentar ouvir meus amigos. No caso, minha única amiga que estava de mal de mim naquele instante.
Mordi o lábio antes de levantar e pensei se seria uma boa ideia sair das regras tão repentina e loucamente daquela forma. Poderia ser uma mudança muito radical para alguém como eu ou eu deveria mesmo começar exatamente assim. Jogando tudo para o alto e ligando o grande foda-se.
Até então, eu nunca tinha parado para me divertir de verdade. Em algum momento da minha vida eu havia decidido que minha diversão era me dedicar ao máximo para ser a melhor pessoa que deveria existir e eu não larguei esse pensamento até ouvir que eu já tinha passado dos limites comigo mesma.
Revirei os olhos quando senti o peso daquela decisão em minhas costas. Eu era a filha perfeita. Formada como a melhor aluna da escola. Fazia parte da diretoria geral de uma das maiores empresas do país. Dividia o aluguel com a filha do meu chefe em um dos apartamentos mais bonitos que já vi em toda minha vida e minha mãe estava tão orgulhosa com minhas conquistas que nossos parentes diziam que eu era a prima invejável da família.
Uma noite saindo desse mundo incrivelmente perfeito, não iria destruir tudo o que eu havia construído e foi pensando assim que finalmente me levantei da cama caminhando até à sala onde uma garota de bochechas cheias e bico gigante.
— Dá tempo de ir ainda? — Perguntei, já olhando para o relógio na parede que me indicou ser 10:45. Ana deu um pulo do sofá vindo em minha direção para se apoiar em meus braços cruzados.
— Aí meu Deus! Claro que sim, está super cedo!
— Cedo?
— Mas você quer ir mesmo? — Ela perguntou ignorando meu questionamento.
— Não — confessei, porém deixei o ar escapar. — Mas parece que vou enlouquecer se não sair e é provável que isso ocorra na empresa do seu pai.
— E isso não é bom. — Ela falou e eu afirmei. — Que incrível, Lana! Você vai sair comigo então?
— Só dessa vez.
— Tranquilo! Agora vamos para seu quarto escolher uma roupa. — Ela me empurrava de volta ao meu quarto durante suas palavras enquanto eu me arrependia da decisão.
— Ana…
— Relaxa, amiga. Essa noite vou te transformar numa grande piranha gostosa.
/0/5077/coverorgin.jpg?v=20250121170324&imageMogr2/format/webp)
/0/8988/coverorgin.jpg?v=03b6d261ed9b2b590af44c201d0ce150&imageMogr2/format/webp)
/0/3249/coverorgin.jpg?v=d33579c6d96369378cb675efaf46696e&imageMogr2/format/webp)
/0/8463/coverorgin.jpg?v=869d116779eadc7ef7b1c8ab21b61983&imageMogr2/format/webp)
/0/3247/coverorgin.jpg?v=a86cf249714d4045c9860ffd13fc5bee&imageMogr2/format/webp)
/0/970/coverorgin.jpg?v=ac3918a2d180896b9203fcc865de9e5c&imageMogr2/format/webp)
/0/13137/coverorgin.jpg?v=42df4e4995409517b6fe6d3f701d0fb8&imageMogr2/format/webp)
/0/4142/coverorgin.jpg?v=3a8daa5d63293585196fe8602be04a13&imageMogr2/format/webp)
/0/9552/coverorgin.jpg?v=a37b5449b6338b215294a4c4c85b5928&imageMogr2/format/webp)
/0/14084/coverorgin.jpg?v=b44c552c4dcc4811ad297c71118daa05&imageMogr2/format/webp)
/0/8887/coverorgin.jpg?v=0cbf7f6805df620e5e9193b8edfa14d1&imageMogr2/format/webp)
/0/7873/coverorgin.jpg?v=a2d9881445e67f7d67f3a6df28e34ce0&imageMogr2/format/webp)
/0/6394/coverorgin.jpg?v=9cef19e2271fb637d6dfb773cc41d12f&imageMogr2/format/webp)
/0/3438/coverorgin.jpg?v=db2668d4949558eb32e02578c86edd07&imageMogr2/format/webp)
/0/1231/coverorgin.jpg?v=09316aa4c6203f5b98133348e57a6268&imageMogr2/format/webp)
/0/11384/coverorgin.jpg?v=878c4cf77ef3b3f7783a1f0e48dde60e&imageMogr2/format/webp)
/0/15796/coverorgin.jpg?v=9bc6d27d9d4084786e392417e4b9bc9f&imageMogr2/format/webp)
/0/15862/coverorgin.jpg?v=358ef3f3b4567114228864f5fee72959&imageMogr2/format/webp)
/0/289/coverorgin.jpg?v=a0e92bb027d02689d3021b3085f78a83&imageMogr2/format/webp)