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A Melodia da Justiça

A Melodia da Justiça

A escuridão tomou conta, não a da noite, mas a do total esquecimento, um vazio onde minha voz, antes ovacionada pelas multidões, silenciou para sempre. Minha carreira como cantora gospel virou pó, tudo por causa da minha irmã mais nova, Joana. Ela sabotou minha música-título, inserindo mensagens subliminares que me associaram a rituais obscuros, e o escândalo foi devastador. A mídia e os fãs que me chamavam de anjo, agora me chamavam de demônio. Perdi tudo: minha carreira, minha fé. Refugiei-me em um convento isolado, onde morri de coração partido, ouvindo no rádio Joana ganhando o prêmio de revelação do ano com uma canção que eu havia escrito. Esse fim trágico, essa humilhação final, me manteve presa em um limbo de desespero e incompreensão. Eu não entendia como a inveja de alguém podia ser tão destrutiva, nem como o universo poderia permitir tamanha injustiça. Mas então, abri os olhos novamente. A luz forte dos refletores me cegou, o cheiro de perfume caro e canapés invadiu minhas narinas. Eu estava de pé, usando o vestido de seda branco do meu lançamento. Não estava morta, nem no convento. Eu voltei. Voltei para o exato momento em que minha vida desmoronou, pronta para reescrever meu destino. Desta vez, não haveria desespero, apenas uma fúria fria e clara como gelo. "Parem a música!", minha voz retumbou, não como uma cantora, mas como um trovão, enquanto eu marchava em direção a Joana, que me olhava com um sorriso dissimulado. A caça virou o caçador.
Não Era Drama, Era Dor

Não Era Drama, Era Dor

A dor aguda na minha barriga acordou-me às três da manhã. Grávida de nove meses, percebi uma mancha escura a espalhar-se no lençol: sangue. Agarrei no telemóvel para ligar ao meu marido, Tiago, o pai do meu filho, mas a chamada foi para a caixa de correio. Depois de várias tentativas desesperadas, ele atendeu, sonolento e com música alta ao fundo, antes de desligar, dizendo: "É só a Sofia a fazer drama." Disse que estava a cuidar da sua irmã "doente", Lara. No hospital, recebi a notícia que me destruiu: "Perdemos o bebé." Tiago apareceu horas depois, não como um pai em luto, mas como alguém incomodado, culpando-me e à minha "dramatização". Até o meu sogro me disse para não o perturbar com "ninharias", pois a Lara tinha uma "febre". O meu filho morreu enquanto a sua família se preocupava com a febre de uma adulta? A traição, a indiferença e a dor eram insuportáveis, mas não havia lágrimas, apenas um vazio imenso. Mas o vazio transformou-se em raiva gélida quando, ao arrumar as minhas malas para o divórcio, encontrei o recibo de um bar com a data daquela noite. E então, a foto no Facebook: Tiago e Lara, festejando e rindo, "a celebrar a vida", na mesma noite em que eu estava a sangrar até perder o nosso bebé. Não havia doença, apenas uma mentira cruel e descarada. A justiça seria servida. Eu ia desmascarar cada uma das suas mentiras e fazê-los pagar por terem roubado o meu futuro e o do meu filho.
Quando o Amor Vira Armadilha

Quando o Amor Vira Armadilha

Há três anos, Sofia, a cantora de fado de ouro do Porto, vivia um romance ardente com Diogo, o magnata implacável de Lisboa. Eu acreditava cegamente que ele era o amor da minha vida. Numa noite, enquanto me preparava para uma surpresa, ouvi-o. Cada palavra foi uma facada: a nossa relação, os beijos, as promessas, tudo não passava de uma encenação. Um plano cruel para destruir a minha família, usando as minhas gravações mais íntimas como arma contra o meu irmão, Tiago. O meu mundo desabou. Fiquei presa na teia das suas mentiras, assistindo a cenas de um teatro doentio: uma noiva que me queria comprar, um "acidente" de barco planeado para me assustar (mas onde ele me salvou), e um ataque violento no clube, que ele permitiu. Ele era um monstro, sim, mas um monstro com quem eu partilhara três anos da minha vida. Porque me salvaria depois de planear a minha destruição? Que tipo de jogo doentio era este? A humilhação era insuportável, mas a confusão sobre os seus atos dilacerava-me. Mas o labirinto dele não me prenderia mais. Percebendo a sua possessão, e após a chocante revelação sobre a verdade acerca do meu irmão, Tiago – que, afinal, sempre me amou – a decisão floresceu: eu cortaria todos os laços. Planeei a minha fuga meticulosamente, apaguei cada vestígio digital do pesadelo, e embarquei para o Porto, rumo à liberdade e a um novo começo.
A Cicatriz da Montanha: Um Recomeço Forçado

A Cicatriz da Montanha: Um Recomeço Forçado

A operação para salvar a minha perna terminou, e eu estava no quarto de hospital, exausta, sentindo ainda os efeitos da anestesia. Eu, Clara, uma atleta promissora, via a minha vida e carreira penduradas por um fio após o deslizamento de terra que me deixou à beira da morte. Forçando-me a pegar no telemóvel, liguei ao meu marido, Leo. Esperei, angustiada, mas a sua voz irritada e distante, focada em ter salvo uma amiga e o seu gato, soou como um soco. "O que foi? O resgate já acabou, por que me estás a ligar?" Mal consegui respirar. Longe de demonstrar preocupação, ele e o meu sogro pareciam mais preocupados com a Sofia e o seu gato Miau, que também estavam no desastre. A voz fraca da Sofia, cheia de gratidão a Leo, transmitida do outro lado da chamada, era um golpe seco. Rapidamente, percebi o abismo de preocupação entre eles e o abandono que eu e o meu pai, recém-operado ao coração, enfrentávamos. "A Sofia também estava em perigo!", gritava ele. "Qual é o problema de eu a ter ajudado?" O problema? Eu estava soterrada, o meu pai com um enfarte ao meu lado, e ele escolheu a Sofia. Aquela noite eu decidi: Eu não aguento mais. Leo desligou-me o telefone na cara, bloqueou o meu número e zombou: "Queres ficar sozinha e aleijada?". Não. Eu só queria a minha dignidade de volta. Agora, não o perdoaria. Eu queria o divórcio. E ele não ia sair impune.
Caminhos De Liberdade

Caminhos De Liberdade

O cheiro de tinta fresca no meu apartamento mal disfarçava o amargo sabor de recomeço: hoje era o único dia em que Pedro me permitia ver João, nosso filho. Eu estava tentando me reerguer da depressão pós-parto, mas ele e Clara, a "amiga" dele, insistiam em me manter afastada, dizendo que eu não tinha "condições". A última visita foi devastadora; João estava pálido, com uma mancha vermelha no rosto, e Clara o tratava com uma frieza assustadora, quase como um objeto. Pedro, indiferente, minimizou tudo como "drama" meu. A humilhação era visível, mas nada preparou meu coração de mãe para saber que uma semana depois, João, meu bebê, havia caído da escada e não resistido. No hospital, Pedro chegou com terno impecável, reclamando de uma reunião importante, e Clara se agarrou a ele em um choro forçado, enquanto eu desmoronava. A visão daquela farsa, da frieza dele e das lágrimas de crocodilo dela, me encheu de uma raiva gelada e cortante. Não houve hesitação: eu a puxei pelos cabelos e a esbofeteei, minha voz um grito rouco de dor e ódio. Pedro me afastou com desprezo, escolhendo Clara, a causadora da morte do nosso filho. Foi ali que a verdade se tornou dolorosamente clara: eu era apenas uma peça em seu jogo. Meu casamento era uma transação, e eu, descartável. Com o coração em pedaços e a alma blindada pela dor, declarei: "Eu quero o divórcio, Pedro. E juro, vocês vão pagar por isso." Deixei a mãe dele, que só se importava com a reputação da família, para trás, sabendo que a guerra tinha acabado de começar. Eu me recusei a ser a vítima e embarquei para Portugal, decidida a reconstruir minha vida e encontrar a justiça que me foi negada. Quando Pedro, um homem assombrado pela própria culpa, me encontrou em Portugal e tentou me coagir com um "nós podemos recomeçar", Ricardo, com quem havia construído uma amizade, me protegeu. Seu "Nosso jantar vai esfriar, querida" fez Pedro soltar meu braço, e finalmente, pude deixá-lo para trás. A partir daquele momento, sabia que minha nova vida começaria, e eu ergueria algo belo das ruínas que ele deixou.
A Ex-Esposa Que Voltou Mais Forte

A Ex-Esposa Que Voltou Mais Forte

A chuva forte batia contra o para-brisas partido. Grávida de oito meses, senti uma dor terrível e aguda no meu ventre, misturada com o sangue na minha testa. O carro estava virado de lado, e a minha mãe, inconsciente, jazia no banco do passageiro. A minha única esperança, o meu telemóvel na mão a tremer, para ligar a Pedro, o meu marido. Quando finalmente atendeu, a sua voz era irritada, impaciente. "Que queres, Sofia? Estou no meio de uma coisa." Implorei: "Pedro, tivemos um acidente grave, o carro capotou! Estou a sangrar, acho que é o bebé!". Houve um silêncio, seguido da voz de Clara, a sua meia-irmã, a queixar-se de um tornozelo torcido. "Sofia, pára com o drama," ele respondeu duramente. "A Clara está com dores! Liga para o 112 e para de me chatear!" Ele desligou. E depois, bloqueou-me. Sim, o meu próprio marido me bloqueou enquanto eu perdia o nosso filho na estrada. Acordei num hospital estéril, com a barriga vazia e um buraco negro no lugar da esperança. Horas depois, Pedro apareceu acompanhado da sua família, incluindo uma Clara que coxeava dramaticamente. "Que susto nos pregaste!", disse ele, sem um pingo de remorso. O meu sogro acusou-me de ingratidão. Não havia dor, apenas aborrecimento e preocupação por um tornozelo. Olhei para a ligadura ensanguentada na cabeça da minha mãe e para a ligadura imaculada no tornozelo da Clara. O sarcasmo pingava das minhas palavras, mas o vazio dentro de mim era imenso. Como podia a minha própria família ser tão cruel? O que havia por trás desta lealdade doentia por Clara? Por que é que o meu sofrimento era tão ignorado em detrimento de uma simples entorse? O choque e a dor eram insuportáveis. Nesse momento de calma estranha, a decisão final formou-se. "Pedro, quero o divórcio," declarei, olhando-o nos olhos. Ele ameaçou deixar-me sem um tostão, mas eu estava determinada. Dias depois, ao arrumar as minhas coisas no apartamento da minha mãe, encontrei uma fotografia antiga. Era Pedro e Clara, não como irmãos, mas num beijo apaixonado. Uma traição doentia, encoberta durante anos. A arma que me daria a minha liberdade.
Contra Tudo e Todos: A Guerra de Laura

Contra Tudo e Todos: A Guerra de Laura

"Seu marido tinha razão", disse o médico, entregando-me o envelope pardo. Dentro, o teste de paternidade confirmava: o feto não era do Pedro. Eu sentia um vazio esmagador. O meu casamento estava acabado e, para ele, a culpa era minha. Pedro já me esperava no carro, com um sorriso de alívio. "Eu sabia. A minha mãe nunca se engana." A Sofia. A mulher que transformou a minha vida num inferno. Ele queria o divórcio e que eu saísse de mãos vazias, "dada a situação". Cheguei ao nosso apartamento, que agora parecia estranho. Vi sapatos de mulher caros na entrada. Ouvi vozes que não eram as minhas. "Ela já sabe?", perguntou Inês, a amante. "Sim", disse Pedro. "Mostrei-lhe o teste falso que a mãe mandou fazer. Ela acreditou em tudo." O meu coração parou. Falso. Era tudo mentira. "Ela vai assinar os papéis do divórcio sem pedir nada", continuou ele, orgulhoso. "E o bebé?", perguntou Inês. "Era mesmo teu?" "Claro que era", respondeu Pedro. "Mas era a única maneira de me livrar dela sem lhe dar um tostão." O meu mundo desmoronou. O nosso bebé foi sacrificado por dinheiro? A raiva ferveu em mim. Eles armaram-me, me humilharam, me fizeram acreditar na pior das traições. Levanto a cabeça, os olhos fixos na hipocrisia à minha frente. "O teste era falso", afirmo, não pergunto. Pedro empalideceu. Ele pode ter-me roubado o amor, a casa, o filho, mas não me vai roubar a dignidade. "Divórcio? Sim, Pedro. Mas não vai ser como tu e a tua mãe planearam." Eles pensavam que iam ganhar, mas mal sabem que esta é apenas a minha declaração de guerra.
O Desprezo Virou Triunfo

O Desprezo Virou Triunfo

Minha família estava reunida, mas o cheiro no ar não era de festa, era de pura ganância. João, meu irmão, gesticulava como um rei distribuindo seu império, prometendo quatro apartamentos novinhos após a demolição. "Um pra mãe, claro, outro pra mim e pra Ana, um pro Joãozinho, e o último... que fique para o cachorro!" Seus olhos pararam em mim, Maria. O desprezo era tão palpável que quase podia sentir o gosto amargo na boca. Ana, minha cunhada, e minha mãe, Dona Clara, me olhavam como um inseto. "Tá olhando o quê, Maria? Nem para o cachorro serve pra você morar!", Dona Clara cuspiu, seu dedo em riste. "Inveja não adianta! Deus sabe que você nasceu pra ter uma vida miserável!", Ana emendou. Eu permanecia em silêncio, sentindo o peso daquelas palavras. Foi quando meu celular vibrou. Uma mensagem de Sofia, minha filha, revelava a verdade chocante: a casa a ser demolida era a minha, e os apartamentos, meus por direito. Meu coração deu um salto. O ar que eu não sabia que estava prendendo, soltou-se dos meus pulmões. Um calor familiar começou a subir pelo meu peito, uma sensação que eu não sentia há muito tempo. Meu marido, Pedro, enviou apenas um emoji: um bonequinho relaxando numa cadeira de praia. E uma frase: "De agora em diante, conto com a minha patroa para me sustentar~" Olhei para minha família, ainda me fuzilando com os olhos, esperando uma reação. Demolir? Ah, sim. Deixem eles esperarem para ver o que seria demolido.
A Voz da Prova

A Voz da Prova

A água já batia na porta do meu carro, subindo perigosamente na Baixa de Lisboa. O céu era negro, o telemóvel morria, e a minha barriga de oito meses apertava-se contra o volante. Liguei ao Tiago, o meu marido, pela décima vez, implorando ajuda. "Tiago, o carro está preso na inundação! A água sobe, não consigo sair!", gritei, o bebé chutava, agitado. Ao fundo, ouvi o choro exagerado da sua meia-irmã, Catarina. "Laura, resolve isso. Não posso deixar a Catarina, ela torceu o tornozelo e está em pânico," ele respondeu frio, e desligou. O clique ecoou no carro que se enchia de água. Fui abandonada. Acordei depois, no hospital, a minha barriga vazia. O stress e a hipotermia levaram ao parto prematuro. O meu filho estava morto. Tiago e a família chegaram, sem condolências, apenas acusações: "Imprudência, Laura!" Catarina, sem um arranhão, dramatizava a sua 'dor' . A dor gélida virou raiva. Olhei para aqueles rostos, vazios de humanidade. Eu e o meu filho nunca fomos a prioridade. Nunca. Ele escolheu a suposta fragilidade de Catarina, comprando-lhe um colar de luxo no dia da nossa tragédia, enquanto eu lutava pela vida. Mas havia um detalhe que eles ignoravam. O Tiago, por "segurança", havia instalado no meu telemóvel uma função que gravava todas as chamadas. Cada palavra da sua traição, da sua indiferença, estava ali. Era a prova. "Quero o divórcio", anunciei, a minha voz firme. Não era vingança, era justiça. E eu tinha as ferramentas para a conseguir.