A Playboy e a Vingadora

A Playboy e a Vingadora

Man Yaorao

5.0
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Capítulo

A umidade pegajosa de uma tarde de verão nos anos 2000 grudava na minha pele, o cheiro de bolo de fubá vindo da cozinha me trazia uma sensação familiar de casa. Eu tinha certeza que estava morta, pois me lembrava claramente de ter pulado do último andar do prédio abandonado onde Pedro Henrique e eu costumávamos nos encontrar. Minha alma vagou, presa a um ressentimento que não me deixava partir, até que a verdade se revelou: Pedro, meu noivo que falsamente morreu como herói militar, vivia uma vida de luxo com Sofia, minha suposta melhor amiga, rindo da minha dor e da minha estupidez. Eles riram de como eu, cegamente, cuidei da mãe dele enquanto meu próprio pai, o General Silva, definhava e morria sozinho, porque a "morte" de Pedro foi uma farsa para se livrar de mim e sumir com o dinheiro de Sofia. Eu era apenas um fantasma, consumida pelo ódio, incapaz de agir, uma espectadora da felicidade deles construída sobre as ruínas da minha vida. Até agora, quando abri os olhos e reconheci o teto do meu quarto de adolescente, percebendo que havia voltado três anos no tempo, antes de todo o sofrimento. As lágrimas que não derramei como fantasma agora escorriam, não de tristeza, mas de uma fúria fria e alívio, e eu sabia que desta vez, ninguém me destruiria. O telefone tocou, era Pedro, e diferente da vida passada, onde o atenderia cegamente, desta vez, minha voz era um gélido: "Alô?" Quando ele perguntou o que era mais importante que o futuro dele, respondi simplesmente: "Meu futuro," e desliguei. Naquele dia, eu não só terminei com ele, como também olhei para Marcos Vinícius, o vizinho "playboy" que sempre me olhou com carinho, e declarei na frente do meu pai: "Eu vou me casar com o Marcos Vinícius." Pedro apareceu na minha porta, furioso, e quando ele tentou me puxar, sussurrou algo que gelou meu sangue: "Não... não de novo. Você não vai me deixar por ele de novo." A única maneira de ele saber disso era se ele também tivesse renascido, e o jogo tinha mudado: agora, não era apenas minha vingança, mas uma batalha. Naquele mesmo dia, vendo o rosto dele pálido de choque e fúria, eu gritei para Marcos, para que Pedro ouvisse: "Marcos Vinícius, quer casar comigo?" A expressão de Pedro, que não havia saído da calçada, se contorceu em desespero e fúria, e a certeza de que ele também se lembrava me atingiu.

Introdução

A umidade pegajosa de uma tarde de verão nos anos 2000 grudava na minha pele, o cheiro de bolo de fubá vindo da cozinha me trazia uma sensação familiar de casa.

Eu tinha certeza que estava morta, pois me lembrava claramente de ter pulado do último andar do prédio abandonado onde Pedro Henrique e eu costumávamos nos encontrar.

Minha alma vagou, presa a um ressentimento que não me deixava partir, até que a verdade se revelou: Pedro, meu noivo que falsamente morreu como herói militar, vivia uma vida de luxo com Sofia, minha suposta melhor amiga, rindo da minha dor e da minha estupidez.

Eles riram de como eu, cegamente, cuidei da mãe dele enquanto meu próprio pai, o General Silva, definhava e morria sozinho, porque a "morte" de Pedro foi uma farsa para se livrar de mim e sumir com o dinheiro de Sofia.

Eu era apenas um fantasma, consumida pelo ódio, incapaz de agir, uma espectadora da felicidade deles construída sobre as ruínas da minha vida.

Até agora, quando abri os olhos e reconheci o teto do meu quarto de adolescente, percebendo que havia voltado três anos no tempo, antes de todo o sofrimento.

As lágrimas que não derramei como fantasma agora escorriam, não de tristeza, mas de uma fúria fria e alívio, e eu sabia que desta vez, ninguém me destruiria.

O telefone tocou, era Pedro, e diferente da vida passada, onde o atenderia cegamente, desta vez, minha voz era um gélido:

"Alô?"

Quando ele perguntou o que era mais importante que o futuro dele, respondi simplesmente:

"Meu futuro," e desliguei.

Naquele dia, eu não só terminei com ele, como também olhei para Marcos Vinícius, o vizinho "playboy" que sempre me olhou com carinho, e declarei na frente do meu pai:

"Eu vou me casar com o Marcos Vinícius."

Pedro apareceu na minha porta, furioso, e quando ele tentou me puxar, sussurrou algo que gelou meu sangue:

"Não... não de novo. Você não vai me deixar por ele de novo."

A única maneira de ele saber disso era se ele também tivesse renascido, e o jogo tinha mudado: agora, não era apenas minha vingança, mas uma batalha.

Naquele mesmo dia, vendo o rosto dele pálido de choque e fúria, eu gritei para Marcos, para que Pedro ouvisse:

"Marcos Vinícius, quer casar comigo?"

A expressão de Pedro, que não havia saído da calçada, se contorceu em desespero e fúria, e a certeza de que ele também se lembrava me atingiu.

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