/0/19035/coverorgin.jpg?v=2b7fca6687c10a2c0ed2ad8cb79730ab&imageMogr2/format/webp)
No meu aniversário de 21 anos, meu noivo Caio e minha irmã adotiva Bárbara me drogaram e venderam minha primeira noite em um leilão secreto.
Depois, me incriminaram por incêndio criminoso, e passei os três anos seguintes na prisão aprendendo a sobreviver.
Após minha libertação, lutei em clubes clandestinos, sangrando pelo dinheiro para comprar de volta o casarão da minha família. Mas Caio me encontrou, me chamando de "vagabunda de rua" enquanto tentava me arrastar para casa.
Ele me ofereceu uma "última chance" de pedir desculpas a Bárbara pelos crimes que ela cometeu. Quando recusei, ele anunciou publicamente a venda da minha casa.
Toda a arrecadação seria doada para a "Fundação Filantrópica Bárbara Ricci".
Ele não tirou apenas meu dinheiro; ele tirou minha alma. Ele tirou a última peça tangível dos meus pais, da minha identidade. Tudo se foi.
Enquanto eu desabava no chão imundo, meu mundo em pedaços, tateei em busca do meu celular. Havia apenas um nome restante, uma última esperança.
"Bruno", engasguei, com a voz embargada. "Por favor. Preciso da sua ajuda. Me tira daqui."
Capítulo 1
"Aí está você."
O som da voz de Caio Costa rasgou o ar viciado do clube de luta clandestino. Era um rosnado baixo e perigoso que um dia teria me causado arrepios de excitação. Agora, apenas fazia meu estômago se contrair. Eu não me virei. Não adiantava. Ele sempre me encontrava.
Uma mão áspera agarrou meu ombro, me virando com força. O impacto quase me derrubou, ainda instável da minha última luta. Encarei seus olhos, um olhar duro que costumava se derreter em algo suave e adorador. Agora, era apenas... frio.
"Você tem ideia do problema que causou?", ele rosnou, seu aperto se intensificando. Seus dedos cravaram na minha pele, mas eu não vacilei. A dor era uma velha amiga.
"Problema?" Minha voz estava rouca, tingida com uma zombaria que eu não sabia que possuía três anos atrás. "Eu estou sempre causando problemas, não é, Caio?"
Ele recuou um pouco, as sobrancelhas franzidas. Era uma dança familiar. Ele me machucava, então sua consciência o picava, só um pouquinho. Ele tentava suavizar, fingir que se importava. Era sempre uma mentira.
"Clara, por favor." Sua voz baixou, um apelo que soava quase genuíno. "Isso... isso não é você. Nós podemos consertar isso. Apenas volte para casa. Fale com a Bárbara. Peça desculpas."
Meu sangue gelou. Bárbara. Sempre Bárbara. "Pedir desculpas pelo quê, exatamente? Por existir?" Minha risada foi áspera, quebradiça. "Ou por não ter morrido na prisão como vocês dois claramente esperavam?"
Seu rosto endureceu novamente. "Não seja ridícula. A Bárbara está morrendo de preocupação com você. Ela tem sido nada menos que generosa, estendendo caridade para... para gente como você." Seu olhar varreu minhas roupas rasgadas, meu rosto machucado, a arena imunda e manchada de sangue ao nosso redor. Suas palavras eram um chicote, açoitanto minhas feridas já em carne viva. "Olhe para você, Clara. Você parece uma vira-lata. Uma piranha qualquer. É esse o legado que você quer para sua família? Seu pai teria vergonha."
Minha respiração falhou. As palavras atingiram um nervo, uma ferida exposta que nunca cicatrizava de verdade. Meu pai. Meu casarão. Meu legado. Cerrei os punhos, a vontade de revidar quase esmagadora. Mas eu não lhe daria essa satisfação. Eu não iria quebrar. Não aqui. Não agora.
"Me solta." Minha voz estava baixa, tremendo com uma fúria que eu lutava para manter enjaulada. Tentei me afastar, mas seu aperto era como ferro.
"Você não se lembra, Clara?" Sua voz era um sussurro sedutor agora, envenenado. "Lembra como era bom? Antes de toda essa bagunça. Antes de você jogar tudo fora." Seu polegar roçou meu pulso, um toque fantasma que acendeu uma faísca de repulsa.
Três anos atrás, no meu aniversário de vinte e um anos, aquela mesma mão havia deslizado um anel de diamante no meu dedo. Três anos atrás, ele era meu noivo, meu guardião, o homem que eu amava e em quem confiava mais do que em qualquer um. Três anos atrás, ele me vendeu.
Um flash. O salão de festas mal iluminado, a multidão cintilante, o champanhe que tinha um gosto doce demais. Bárbara, minha irmã adotiva, sorrindo, me oferecendo outra taça. A sala girando, o mundo se dissolvendo em uma névoa. Então, o bloco de leilão. Meu corpo, exibido como um prêmio. Os rostos lascivos. A percepção doentia de que Caio, meu Caio, estava lá, seus olhos frios, impassíveis, enquanto os lances pela minha primeira noite eram gritados pela multidão. Foi ele quem me levou até lá. Foi ele quem garantiu minha humilhação.
Foi ele quem me traiu.
"Não", sussurrei, a palavra uma lâmina na minha garganta. "Eu me lembro de tudo." A humilhação, o terror, a raiva cega que me levou a incendiar aquele lugar amaldiçoado. As sirenes da polícia, as algemas, as manchetes me rotulando de "herdeira vadia e viciada" que tentou queimar a irmã viva. Três anos em uma jaula, onde aprendi a lutar, a sobreviver, a odiar.
Uma risada debochada ecoou pelo pequeno grupo de homens que se reuniram, atraídos pela comoção. Seus olhos me percorreram, famintos e desdenhosos. A vergonha, quente e amarga, me invadiu, mas eu a engoli. Eu não lhes daria isso também.
A mandíbula de Caio se contraiu. Ele odiava ser ridicularizado, mesmo que indiretamente. Seu orgulho era uma coisa frágil, facilmente ferida. "Você está fazendo uma cena, Clara", ele sibilou, sua voz mal audível acima do murmúrio crescente. "Apenas venha comigo. Podemos conversar sobre o casarão. A casa dos seus pais."
O casarão. A única coisa que restava do meu passado, do amor dos meus pais. A única razão pela qual eu ainda estava aqui, lutando nessas arenas desgraçadas. Eu precisava de dinheiro. Dinheiro suficiente para comprá-lo de volta, para reivindicar o que era meu.
Meu olhar passou por ele, para o ringue de lutadores que agora se preparavam para a próxima luta. Uma figura gigantesca, o dobro do meu tamanho, flexionava os músculos, seu rosto uma máscara de intenção brutal. Ele era conhecido como 'A Fera', e era meu oponente.
Nesse momento, Bárbara apareceu, saindo das sombras, seu cabelo perfeitamente penteado e roupas de grife um contraste gritante com a sujeira e o suor da arena. Seus olhos, geralmente tão calculistas, estavam arregalados com uma preocupação fingida.
"Caio, querido, o que está demorando tanto?", ela arrulhou, envolvendo o braço em seu bíceps. Seu olhar piscou para mim, um sorriso de escárnio brincando nos cantos de seus lábios antes que ela torcesse o rosto em uma carranca de pena. "Oh, Clara. Ainda não consegue superar, não é? É patético. Sabe, eu até sinto pena de você."
/0/18327/coverorgin.jpg?v=c5377a4cbdc7b301f15287b5ef91b702&imageMogr2/format/webp)
/0/16652/coverorgin.jpg?v=0ac127e4e93b23380ec35fd87d7e258b&imageMogr2/format/webp)
/0/13547/coverorgin.jpg?v=fc49f59c5ef330290aba1a6ff012c221&imageMogr2/format/webp)
/0/9978/coverorgin.jpg?v=8a22ce6605766f8fb34291406e64f156&imageMogr2/format/webp)
/0/62/coverorgin.jpg?v=cdea8fca7ba795a17fe40dfdf47b7aac&imageMogr2/format/webp)
/0/13159/coverorgin.jpg?v=f2a02688dac835df17da8c3e9df91712&imageMogr2/format/webp)
/0/1475/coverorgin.jpg?v=09fbdbb81694f35b13d2eb0dbb44a943&imageMogr2/format/webp)
/0/76/coverorgin.jpg?v=1786fcc24fd74f5e5d813adfd2c459a2&imageMogr2/format/webp)
/0/5229/coverorgin.jpg?v=c9b6551429186bfeaa589b2c000b0c8b&imageMogr2/format/webp)
/0/17289/coverorgin.jpg?v=d86ae8123f196df1de465ca75678bdaa&imageMogr2/format/webp)
/0/17890/coverorgin.jpg?v=7a7c8f59e86e08f288d8409ed5d35f64&imageMogr2/format/webp)
/0/15909/coverorgin.jpg?v=b2312d20a54a0d65878681f22a8b997d&imageMogr2/format/webp)
/0/2391/coverorgin.jpg?v=ec93b8e2ef94b47cd5b2964fc0b70a37&imageMogr2/format/webp)
/0/9933/coverorgin.jpg?v=6e87fa17ae4eba0deb22ad3e66ecaf75&imageMogr2/format/webp)
/0/17204/coverorgin.jpg?v=bfa74badc8e6a7f8b4bdc76fe040e432&imageMogr2/format/webp)
/0/14747/coverorgin.jpg?v=83399ebd35e78f5bfd3f012b8194b2dd&imageMogr2/format/webp)
/0/2720/coverorgin.jpg?v=57dbecca26578758b3055a442456905a&imageMogr2/format/webp)
/0/18451/coverorgin.jpg?v=77b1e92da68da2051bc300e7b17384e9&imageMogr2/format/webp)
/0/2529/coverorgin.jpg?v=96efb9f7a129c0bf436b6dc196735f7c&imageMogr2/format/webp)
/0/3296/coverorgin.jpg?v=80b964966388f651f0846f7dae3d5afd&imageMogr2/format/webp)