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Do alto do meu império, observo Yarolensk com olhos de dono. Cada prédio, cada luz, cada centímetro dessa cidade me pertence de alguma forma. Gosto de lembrar a mim mesmo disso, porque poder é a única coisa que não posso perder. Ainda mais agora.
Mas mesmo com toda essa grandeza aos meus pés, minha mente insiste em me levar de volta àquela noite. A última vez em que olhei nos olhos do meu pai.
- Você precisa encontrá-la, Damian...
As palavras dele vinham com dificuldade, como se cada uma rasgasse seus pulmões.
- O seu destino já está traçado... Ela tem um sinal... Veja a imagem no cofre e a encontre... não quebre essa promessa de sangue. Eu confio em você... Só ela dará o herdeiro para continuar a nossa linhagem... Solto um suspiro pesado lembrando dessa cena.
Eu achei absurdo. Ainda acho. Uma garota que foi roubada ainda bebê, como posso encontrar depois de tantos anos desaparecida?! Se nem os pais conseguiram encontrar, como eu eu vou encontrar lá? Só com a merda do sinal na nuca? Que teria poder sobre o meu destino? Que tipo de loucura é essa?
Mas agora, aos trinta e cinco anos, com o tempo me encarando como um inimigo silencioso, a descrença começa a crescer com a urgência. Eu preciso encontrá-la. E rápido.
Meus pensamentos são brutalmente interrompidos quando a porta do meu escritório se abre com um rangido suave.
Ela entra.
Pequena, trêmula, invisível aos olhos de quem não sabe observar. Diana. A secretária nova que mal fala e parece fugir de mim como se eu fosse um predador nato.
Traz uma bandeja nas mãos e uma xícara de café do jeito que eu gosto. Forte, sem açúcar, direto, como tudo que valorizo na vida. Mas ela treme. E eu noto.
Quando seu olhar cruza com o meu, ela perde o ar. Não é a primeira vez que vejo isso acontecer, mas há algo diferente ali. Um desconforto mútuo, como se minha presença a desarmasse e, ao mesmo tempo... me tirasse do eixo.
Dou um pequeno gesto com os dedos, mandando-a se aproximar.
E então acontece.
Ela tropeça. O café quente me atinge como uma maldição. Sinto o líquido queimar minha pele por baixo da camisa.
- Merda! - solto o grunhido enquanto tento afastar o tecido do corpo.
Ela se encolhe, assustada, e tenta consertar seu erro, o que é ainda pior. Vem até mim, trêmula, os dedos tentando desabotoar minha camisa como se estivesse autorizada a isso. Mas eu não estou preparado para esse toque.
Seguro seus pulsos. Forte.
Nossos olhares se encontram. O dela amedrontado. E o meu furioso.
Mas meu coração... Desgraçadamente fora de controle. Bate tão alto que acho que ela pode ouvir. Que diabos está acontecendo comigo?
- Saia. - Minha voz sai fria.
Ela se ajoelha para recolher os cacos de porcelana, e essa imagem deveria me agradar. Sempre admirei a submissão. Mas com ela... não. Aquilo me irrita. Me enoja.
- Saia daqui agora! - ordeno, mais rude do que o necessário.
- Sim, senhor! - ela balbucia tão baixo mais consigo ouvir, antes de sumir.
Fico sozinho.
Respiro.
Me pergunto o que foi aquilo.
Por que minha reação?
Por que a imagem dela me assombra mais do que deveria?
Verônica entra, como sempre impecável, charmosa e segura de si. Seu perfume forte me invade antes mesmo de sua voz.
- O que aconteceu aqui?
Olho para a bagunça no chão. Os cacos, o café derramado no tapete branco. Tudo me leva de volta à imagem de Diana ajoelhada.
- A nova secretária deixou cair... por acidente.
- Quer que eu a chame de volta para limpar?
- Não. Peça alguém da copa. Ela já teve o suficiente por hoje.
Verônica me encara como se não me reconhecesse. Ela sabe que eu não perdoo erros. Mas não digo mais nada.
Vou até o banheiro para troca de camisa e vejo a minha pele avermelhada, me limpo com lenço de papel, e pego outra camisa.
Quando volto a Verônica não estar mais, e o tapete estar limpo da pequena bagunça. Gosto de ficar sozinho, sento na minha cadeira, pego o tablet e deslizo os dedos por um novo esboço. O desenho de um carro toma forma diante de mim. A única coisa que me acalma. Que me devolve o controle.
Mas mesmo com o som do lápis digital, mesmo com a beleza das curvas técnicas tomando forma, meu pensamento volta àquela garota. Diana.
Inofensiva.
Desajeitada.
E, de alguma forma, perigosa.
Como se minha linhagem inteira dependesse dela. Não posso né deixar levar por ela. Uma inofensiva.
Após terminar o desenho vou até no setor de design, verificar pessoalmente os últimos modelos de lançamento, fico afundando no setor algo que gosto, faço algumas modificações que apareceu em cima da hora. Quando olho no relógio já está tarde, apenas sigo para minha cobertura. Saindo da empresa meu celular começa a vibrar olho e aparece o nome do Viktor meu irmão. Resolvo atender.
- Irmão, está de pé para você fazer presença no casa de show do Bóris?
- Tinha esquecido. Vai você.
- Damian, ele faz questão da sua presença, até mesmo deixou claro que lá terá as melhores. Só para você. Não vai fazer desfeita com ele.
- Farei a presença de meia hora e nada mais. Não sei onde estava com a cabeça de aceitar esse convite.
Sigo para casa, apenas para fazer hora e segui para casa de show...
Mesmo contra vontade estou no carro seguindo para casa de show, Viktor já me encheu o saco que estou atrasado. Estaciono carro e por onde passou todos ficam olhando e abrindo passagem.
A minha entrada é liberada e sou acompanhado até a área que foi reservada para mim, e Viktor não exagerou em dizer que ele superou dessa vez,ele me ver e vem cumprimetar.
- Que bom que veio meu amigo! Você não vai se decepcionar! -Ele diz direcionar o olhar para um canto onde tem algumas garotas dançando em cima do palco. E isso me agrada. Vou ao encontro do Viktor que já está com um copo na mão, e me estende.
- Aproveite irmão o paraíso._ ele diz enquanto eu beberico meu copo olhando para as garotas dançando, mais de onde eu estou, consigo ter uma visão da casa, onde algo chama a minha atenção.
Não pode ser ela?
Meus olhos se estreitam automaticamente. O copo que estava prestes a tocar os meus lábios para no ar, esquecido.
Entre as luzes pulsantes e os corpos dançantes, no meio daquele espetáculo que mais parece uma vitrine luxuosa de desejos, há algo... ou melhor, alguém... que destoa.
Ela. Diana.
A luz vermelha percorre seu rosto oscilante, e por um segundo duvido da minha própria sanidade. Talvez seja uma alucinação. Talvez seja culpa do café que não tomei direito hoje. Mas quando ela vira de lado, com aquele jeito desajeitado de quem não está acostumada a ser olhada, eu tenho certeza. É ela.
Sem maquiagem pesada. Sem roupas provocantes como as outras. Como se tivesse sido colocada ali por engano. Como se não soubesse onde está, estar se sentindo uma peixe fora d'água.
- Quem é aquela? - pergunto a Viktor, sem tirar os olhos dela, só para ter a certeza de que eu não estou vendo coisas.
- Qual delas? - ele ri, achando que estou apenas brincando. - Aqui só tem obra-prima, meu irmão.
- Aquela - aponto com o queixo - perto da escada lateral. A que parece mais perdida do que qualquer outra coisa nesse lugar.
Viktor ergue uma sobrancelha, curioso. Olha na direção que indiquei, mas parece não dar muita importância.
- Ah... Ela? Nova aqui. Acho que veio com uma das meninas fixas da casa. Quase não quis entrar, o segurança teve que insistir. - Ele ri. - Acha que ela combina com esse lugar?
Não. Definitivamente, não combina.
- Preciso ir. - minha voz sai baixa, tensa.
- O quê? Você chegou agora!-ele vida de irritação, mas eu não respondo. Já estou andando.
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