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ANA
Estava no meio de mais um plantão na ala de oncologia, cercada pelo som constante dos monitores cardíacos, o cheiro familiar de remédios e a visão das pessoas lutando contra uma das batalhas mais difíceis de suas vidas. O ritmo agitado da enfermaria contrastava fortemente com a serenidade que costumávamos ter naquele lugar. Já havia me acostumado ver pacientes enfrentando o câncer, lutando por suas vidas, mas naquele momento, mal sabia o que estava prestes a acontecer.
O som do meu telefone cortou o ar me fez dar um salto. Era o número do hospital da área de emergência piscando na tela. Minhas mãos tremeram ao encarar a chamada e clicar no botão para atender, pude sentir o suor frio se formando em minha testa.
— Oi, o que aconteceu? — minha voz soava trêmula. Eu senti um aperto no peito, como se algo terrível estivesse prestes a acontecer. Eu coloquei a mão na cintura e apertei o uniforme, fechando os olhos por um momento, buscando forças.
— Jhon está na sala de emergência, Ana — a voz do outro lado da linha parecia pesar como chumbo. A recepcionista do hospital conhecia o significado de uma ligação vinda daquela área.
Meu coração acelerou. Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Jhon, meu noivo, o homem que eu amava mais do que qualquer outra coisa no mundo, estava na sala de emergência. Um frio intenso percorreu minha espinha.
— Ele já... — a voz da recepcionista parecia conter uma hesitação terrível, como se ela soubesse que as palavras a seguir seriam devastadoras.
— Fala logo — implorei, minha voz quase num sussurro. Eu estava nervosa, desesperada para saber o que estava acontecendo, mas também com medo de ouvir a verdade.
— Ele já foi reanimado duas vezes e não temos mais resposta, eu acho melhor se despedir agora.
As palavras da recepcionista ecoaram em meus ouvidos como um golpe avassalador. Eu senti o chão desaparecer sob meus pés. Jhon estava morrendo, e eu estava a quilômetros de distância, impotente para fazer qualquer coisa. As lágrimas inundaram meus olhos, e eu me agarrei à beira da mesa para não desmoronar. Meu mundo desmoronava diante de mim, e a impotência do momento era quase insuportável. Tudo o que eu conseguia pensar era que precisava vê-lo uma última vez, segurá-lo, dizer adeus, e dizer o quanto eu o amava.
O celular escorregou das minhas mãos trêmulas e bateu no chão com um estrondo surdo, mas eu não tinha tempo para me preocupar com isso. As lágrimas nublavam minha visão, e eu corria pelos corredores do hospital, meu coração batendo descontroladamente no meu peito. Eu esbarrava em pacientes, médicos e enfermeiros no caminho, mas eu não pedia desculpas. Não havia tempo para pedir desculpas. Eu simplesmente tinha que chegar até ele.
Eu irrompi pela porta da sala de emergência, meus olhos ainda embaçados pelas lágrimas, e lá estava ele, Jhon, cercado por médicos e enfermeiros, todos olhando para os relógios, seus rostos tensos e imperturbáveis.
— Hora da morte, três e sete da tarde — declarou o médico do plantão com uma calma que me encheu de raiva. Aquelas palavras cortaram como uma faca.
— Não — eu gritei, minha voz soando estridente e cheia de desespero. Corri até o lado de Jhon, minhas mãos trêmulas tocando o rosto pálido dele. Eu não queria acreditar. Não podia aceitar.
Uma enfermeira gentil se aproximou de mim e colocou uma mão reconfortante no meu ombro.
— Sinto muito, querida — ela disse com compaixão. — Fizemos o que podíamos por ele.
Eu não queria ouvir. Eu não podia aceitar. Meu mundo tinha desabado, e a sensação de impotência era sufocante. As lágrimas rolavam livremente pelo meu rosto enquanto eu me curvava sobre o corpo de Jhon, minha mente ecoando com o eco daquela terrível frase: "hora da morte.".
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