Eu tinha cinco anos quando a minha mãe entrou em casa com um bebê nos braços. Ela estava sorrindo, os olhos brilhando com um amor que eu nunca tinha visto antes - não para mim, pelo menos.
- Olha, Isabela, essa é sua irmã, Luísa - disse ela, a voz cheia de doçura. Mas o olhar dela nunca encontrou o meu.
Eu sabia que era para eu ficar feliz, que era um momento bonito. Eu até tentei sorrir, mostrar que eu era uma boa menina, que eu merecia aquele mesmo olhar. Mas minha mãe só tinha olhos para o bebê.
Desde que o meu pai foi faleceu, eu já tinha sentido o vazio na casa. E agora, com Luísa ali, eu sabia, no fundo, que nunca mais seria vista. Que eu era invisível. Uma estranha na minha própria família.
Aos sete anos, a indiferença transformou-se num buraco no peito.
Eu via a minha mãe, dia após dia, tratar Luísa como se fosse o centro do universo. Ela trazia presentes para minha irmã, embrulhados com papéis coloridos, enquanto para mim só havia o eco de promessas vazias.
- Olha só o que a mamãe trouxe para você, Luísa! - ela dizia, agachando-se ao lado dela, com um ursinho de pelúcia novinho nas mãos. - É porque você é a menininha mais especial do mundo!
Eu assistia, encostada na porta, esperando que a minha mãe se virasse e lembrasse que eu também estava ali. Mas ela nunca se virava. Quando eu conseguia reunir coragem para pedir alguma coisa, qualquer coisa, ela suspirava, impaciente.
- Ah, Isabela... Por que você não pode ser como a sua irmã? - ela murmurava, e cada palavra caía sobre mim como uma pedra.
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