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Na manhã do primeiro dia de outono, a limusine exclusiva da New Age Arts estacionou ao sul do aeroporto. Caminhando em passos largos e sérios, o famoso Doug Hoffman beirava a uma atmosfera superior por onde passava. Com uma carreira promissora, dotada de projetos premiados, havia honrado seu nome ao escolher a carreira de designer.
Pequenas gotas de chuva caíam do lado externo da estrutura, mostrando o porquê Seattle era conhecida como cidade chuvosa. O terno caro de Hoffman era de um preto estonteante, combinando adequadamente com sua barba singela e seu par de óculos escuros que nada faziam efeito, mas tornara-se um costume usá-los, afinal a história por trás da aquisição o alegrava. Acompanhado de dois seguranças, o jovem adulto percorreu o salão do aeroporto, cumprimentando rostos conhecidos e seguindo em frente. Um de seus seguranças fizera o favor de revelar segundos depois um papel branco, indicando a recepção de Paige Hanson, o motivo pelo qual Doug tivera o ímpeto de sair do prédio durante a manhã, sem nem mesmo tomar café.
Carregando duas malas grandes, Paige apareceu no desembarque, acenando sua chegada, já localizando seu nome no papel e reconhecendo seu novo parceiro, Hoffman. Era a primeira vez que pisava em Seattle desde o passeio no museu local, em um dos trabalhos da faculdade. Agora, poucos anos depois, ela retornava vitoriosa para o lugar que tanto almejava estar, a principal empresa de arte do estado, e uma das melhores do País.
“Bom dia, srta. Hanson”, cumprimentou o moço, oferecendo um aperto de mão educado e gentil. “Espero que tenha feito uma viagem agradável”, sorriu ele, exibindo um sorriso quase perfeito, porém, indicando que sofrera algumas alterações.
“Bom dia, sr. Hoffman”, cumprimentou ela de volta. “Ocorreu tudo bem, é um voo rápido”, sorriu ela, encerrando o aperto de mãos. “Confesso que não esperava chuva tão cedo”.
“Espero que se acostume, é mais comum do que imagina”, disse ele, mantendo a educação e a formalidade. “Se estiver tudo bem, vamos indo, estamos de certa forma atrasados”, comentou ele, ajeitando o paletó inutilmente, indicando uma mania notável. Paige assentiu e o seguiu, alguns segundos atrás de Doug, sentindo um perfume suave e masculino, talvez mais amadeirado que o normal. Um dos seguranças abriu um guarda-chuva para escoltar a moça até o carro, enquanto seu novo conhecido a seguia da mesma forma. Com a porta da limusine fechada e com o encosto dos seguranças, o motorista recebeu autorização para seguir viagem.
“Gostaria de oferecer-lhe uma taça de vinho, srta. Hanson, mas se me lembro bem, sua ficha indica que não é adepta ao álcool”, mencionou ele, enquanto pegava uma xícara de café recém passado, indicando uma total falta de açúcar e um gosto amargo no ar. “Por outro lado, não acho que jovens como você tenham interesse em começar o dia assim”, finalizou ele, levando a xícara até sua boca, tomando cuidado para não queimar a língua.
“Se estiver tentando me oferecer uma bebida, talvez eu aceite um chá”, disse ela. “Não gosto de consumir nada em aviões, não me entenda mal, não sou uma pessoa que fica ansiosa nas alturas, apenas me sinto mais confortável não ingerindo nada antes, nem durante”, confessou ela, cruzando as pernas, exibindo uma parte levemente mais cinzenta de sua calça escura. Doug então disse que seria mais apropriado oferecer um café da manhã completo, então perguntou o que ela costumava consumir. Paige, que o tratava com tamanha educação em relação aos gestos dele, afirmou que costumava comer torradas e tomar chá de erva-cidreira, pois aquilo a acalmava e a deixava leve, mas não queria causar incômodo. “De forma nenhuma, srta. Hanson”, disse o homem, gesticulando para um dos seguranças a servir. “Estou surpreso de que apenas isso lhe satisfaça”, comentou ele. Sua mente de garoto tomou conta dos pensamentos e então notou que aquela frase poderia ter um duplo sentido. Finalmente parou para analisar a beleza da nova parceira. E ela era linda, tanto quanto a maioria das mulheres da empresa, mas aquela ali tinha algo a mais. Doug não era do tipo que se aventurava muito, na verdade, gostava de ter apenas um único passatempo. Passatempo esse que tinha nome e sobrenome, conquistar e descartar.
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