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Nos Braços da Maldição - Casamento Forçado
Prólogo:
A sala cheirava a madeira polida e vinho caro, uma mistura sufocante que só reforçava o quanto eu odiava estar ali. As vozes ecoavam ao meu redor, abafadas por risos calculados e conversas que exalavam pretensão.
Meus dedos apertavam o copo de cristal com tanta força que temi vê-lo estilhaçar. Talvez fosse uma boa desculpa para desaparecer no meio daquela multidão. Mas eu não podia. Não quando sentia o maldito olhar dele. Atravessando a sala como uma lâmina afiada, ele me observava. Eu sabia exatamente onde estava sem sequer precisar encará-lo diretamente. Era irritante, invasivo e... absolutamente inevitável.
Tentei desviar o foco. Fixei meus olhos no lustre cintilante acima de mim, nos vestidos extravagantes que passavam ao meu lado, mas a verdade era que a tensão no ar me sufocava.
Maldição. Era nisso que eu pensava o tempo todo. Uma maldição ridícula que ninguém além dos meus pais parecia levar a sério, pelo menos até eu ser arrastada para uma reunião de "família" meses atrás, onde tudo me foi jogado na cara.
"Você precisa se casar antes de completar trinta e cinco anos", meu pai disse, como se fosse algo trivial.
"Se não fizer isso, você morre", minha mãe completou, como quem avisa sobre uma previsão de chuva.
Eu ri. Naquele momento, achei que fosse uma piada de mau gosto. Mas então, vieram os documentos, as histórias, os relatos de "coincidências" envolvendo gerações anteriores. Gente que simplesmente... não chegou aos 35. Gente que desafiou a tradição, que se recusou a obedecer.
E agora, aqui estou eu. Vestida como uma maldita boneca de porcelana, participando de um evento social organizado pelos meus pais para me aproximar do meu "destino".
Saí da sala principal, tentando recuperar o fôlego. O jardim parecia uma boa ideia. Lá fora, o ar era mais fresco, e a música da festa soava distante. Caminhei entre as flores perfeitamente podadas, admirando a tranquilidade da noite, até que...
- Você sempre invade propriedades alheias ou isso é algo exclusivo desta noite?
A voz grave e carregada de sarcasmo veio de algum lugar à minha direita. Virei-me imediatamente, apenas para encontrar um homem alto, encostado de forma despreocupada em uma árvore. Ele usava um terno perfeitamente alinhado, e o sorriso em seus lábios era insuportavelmente arrogante.
- Desculpe, mas eu não sabia que o jardim estava reservado para egos inflados. - Retruquei, cruzando os braços.
Ele riu baixo, como se minhas palavras fossem uma piada sem graça.
- Ah, então você também tem língua afiada. Interessante. Pena que isso não compensa sua óbvia falta de direção.
Arqueei as sobrancelhas, indignada. - Falta de direção? Eu estou exatamente onde quero estar. Já você, parece perdido na tentativa de impressionar.
- Impressionar você? Nem nos meus piores pesadelos.
A troca de farpas continuou por alguns minutos, cada um tentando ser mais mordaz que o outro. Mas havia algo nele que me incomodava mais do que suas palavras. Era a forma como me olhava, como se já soubesse algo que eu não sabia.
Finalmente, decidi que já tinha perdido tempo demais.
- Aproveite sua noite, senhor arrogância. Eu tenho uma festa para voltar.
- Espero que sua noite melhore, senhorita destempero. Embora eu duvide muito.
Dei as costas, segurando a vontade de responder, e voltei para o salão. Ainda me sentia irritada pela troca de palavras, mas precisava colocar um sorriso no rosto. Não podia demonstrar fraqueza, não diante das pessoas que me observavam.
Foi então que meus olhos encontraram os de meus pais, e o mundo ao meu redor pareceu parar. Eles estavam de pé, conversando com alguém. Um homem. Um homem alto, de terno impecável, com um sorriso irritante estampado no rosto.
- Querida, venha conhecer Alexander Beaumont, - minha mãe chamou, com uma animação exagerada.
Alexander Beaumont. Meu futuro marido.
O destino tinha um humor terrível.
Capítulo 1: "O Último Aviso"
(Narrado por Isabella Whitmore)
A mansão Whitmore tinha uma capacidade única de sufocar, especialmente quando cheia de Whitmores. Meu pai gostava de chamá-la de "nosso legado", como se mármore frio e lustres extravagantes fossem algo para se herdar com orgulho. Para mim, ela era uma prisão de paredes douradas, um lugar onde decisões eram tomadas sem consulta e expectativas eram empurradas goela abaixo.
Naquele dia, a sala de reuniões brilhava com uma luz exagerada, cortesia do lustre barroco que pendia no centro. Eu estava sentada na ponta da longa mesa de madeira escura, olhando para os meus pais, que ocupavam as duas cadeiras no topo, como reis prestes a sentenciar um prisioneiro.
Minha mãe, com seu coque impecável e um colar de pérolas que parecia uma extensão natural de seu pescoço, me encarava com uma mistura de ansiedade e determinação. Meu pai, ao lado dela, tinha o rosto fechado como sempre, os dedos tamborilando no braço da cadeira.
- Isabella, precisamos conversar seriamente - começou minha mãe, a voz delicada como seda, mas afiada como uma navalha.
Já não gostei do tom. Quando minha mãe usava aquela voz, significava que algo estava prestes a ser imposto. Cruzei os braços e encostei-me na cadeira, tentando parecer relaxada, mesmo com a sensação crescente de que estava prestes a ser atingida por um caminhão.
- Fico impressionada com a seriedade de vocês - respondi, com um sorriso falso. - É sobre o vestido horrível que você me fez usar na festa de ontem ou sobre a ideia de eu me casar antes de completar trinta e cinco anos?
Minha mãe respirou fundo, ignorando meu sarcasmo, enquanto meu pai pigarreava.
- Isabella, essa não é uma conversa para brincadeiras.
- Eu não estou brincando. Vocês estão, com essa história de "maldição".
Minha mãe trocou um olhar tenso com meu pai antes de continuar:
- A questão é simples. A tradição existe por um motivo. E você precisa aceitá-la.
Ergui uma sobrancelha, inclinando-me para frente.
- Aceitar uma maldição absurda que vocês tiraram de um livro de terror barato? Ah, claro, eu já deveria ter marcado a data no calendário.
Meu pai bateu a mão na mesa, fazendo o som ecoar pela sala.
- Basta, Isabella! Isso é sério.
Olhei para ele, meu humor ácido se desfazendo lentamente. Quando meu pai usava aquele tom, não era brincadeira. Mas isso não tornava as palavras mais fáceis de engolir.
Por mais que quisesse continuar debochando, algo no fundo da minha mente começou a se contorcer. Eu odiava admitir, mas havia uma parte de mim, a parte que acreditava em contos de fadas e finais trágicos, que temia que eles estivessem certos.
Eu me lembrei das histórias que eles contaram naquela reunião há meses. De como tios, primos e até irmãos dos primogênitos das famílias Whitmore e Beaumont morriam tragicamente antes dos trinta e cinco anos, caso se recusassem a seguir o pacto. A lista de nomes era longa, detalhada e terrivelmente convincente.
Mas isso não significava que eu tinha que aceitar.
- Então, vocês estão dizendo que eu tenho que casar com um completo estranho para evitar... morrer? É isso?
Minha mãe suspirou, e meu pai respondeu com a paciência de quem já teve essa conversa mil vezes.
- Não é com um estranho. É com Alexander Beaumont.
- Ah, claro. Isso melhora muito a situação.
Meu sarcasmo não arrancou nenhuma reação. Minha mãe pegou um tablet e começou a deslizar os dedos pela tela antes de virar para mim. A foto que ela me mostrou fez meu estômago revirar.
Alexander Beaumont era tudo o que eu imaginava, alto, impecável, e com um ar irritantemente presunçoso. Ele parecia saído de uma campanha publicitária de ternos italianos, o que só piorava tudo.
- Ele voltou da França exclusivamente para cumprir o contrato - minha mãe informou, como se estivesse anunciando o horário do jantar.
- Que sorte a minha.
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