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• LUARA DA SILVA RODRIGUES
• 22 anos
Eu matei meu pai biológico...
Com somente uma facada que penetrou o centro do seu peitoral e desceu rasgando sua pele, abrindo espaço e fazendo com que suas tripas voassem para fora junto ao seu sangue contaminado pela podridão de ser um estuprador de merda, eu o matei sem nem pensar duas vezes antes de cometer tal crime.
Não me arrependo, mas me sinto tremer violentamente enquanto assisto seu corpo sem vida jogado sobre o chão de terra com algumas poucas moscas pousando sobre suas tripas expostas.
Logo ao lado, Derick, que até ontem eu tinha certeza que era meu irmão, afunda a pá na terra avermelhada, recheada de cascalho que a ferramenta joga para o lado, impulsionada por ele, que está concentrado na missão de fazer uma cova para esconder o corpo da minha vítima, que fez de mim, a sua.
Mesmo limpa e vestida com roupas compridas, ainda me sinto suja, contaminada com seu sangue e suas digitais em cada centímetro do meu corpo, e me culpo por isso pois fui eu quem aceitei encontrá-lo após ele dizer que sabia de verdades que meus pais, Lorena e Luan, sempre esconderam de mim.
Eu fui burra. Burra!
Tinha a vida perfeita, pais perfeitos, e fui burra o suficiente para ir atrás da verdade que agora massacra o meu peito e me faz preferir a morte a uma vida sobrevivendo com as lembranças do maldito que se disse meu pai biológico em cima de mim, fodendo a porra do meu corpo dopado por alguma droga que ele mesmo me deu.
Eu tento não pensar, tento não lembrar, mas essa merda parece um loop eterno que fica passando na minha mente de novo.
E de novo.
E de novo.
- LUA! - tomo um susto quando as duas mãos grandes de Derick se apertam sobre as laterais do meu rosto, me puxando de volta a realidade ao virem acompanhada da sua voz rouca ainda em transição. - Vai ficar tudo bem, amor. Tá ouvindo?
- Não me chame assim. - peço com a voz embargada enquanto olho nas suas íris azuis esverdeadas.
A dor de saber que não é meu irmão de sangue me fazendo querer gritar para não sucumbir à loucura de que passei anos acreditando na mentira contada por seus pais quando a verdade é que eu sou filha da mulher que eles mais odiaram na vida, a culpada por Violeta, a bebê que sempre é lembrada, não ter tido a oportunidade de nascer e fazer parte da família que eu não mereço porque tenho o sangue de dois doentes. O maldito sangue que pode ser capaz de contaminar tudo e todos ao meu redor.
- Tudo bem... - suas íris agitadas passam por cada centímetro do meu rosto com atenção e eu inspiro com calma, engolindo o choro ao elevar minhas mãos até às suas, que estão segurando meu rosto com firmeza. Querendo as tirar de mim, mas apertando para manter ele perto por mais alguns segundos. - Darei uma pausa até você ficar mais calma. O que acha?
- Bom. - sussurro embargada, fechando meus olhos quando ele gruda sua testa na minha, ficando calado de início, só sentindo minha respiração ofegante soprar forte contra sua pele clara iluminada pelo farol do seu carro que está a alguns metros atrás de mim. - Obrigada.
Resumo o agradecimento na simples palavra porque não sei como de fato agradecer por ele ter desistido do vôo que o levaria para a Inglaterra pra estudar na faculdade dos sonhos dele só para vim atender ao meu chamado.
- Não precisa agradecer, Lua. Sabe que faria tudo por você, meu... - ele se cala, engolindo a maldita palavra que define o que eu não gostaria, mas que descobri no segundo em que o vi chegando para me ajudar a se livrar do corpo do meu progenitor que sinto por ele de forma recíproca. - Isso é mais difícil do que eu pensei.
Eu concordo com ele, abrindo meus olhos e focando nos seus que brilham intensamente diante dos meus.
Sinto mais vontade de chorar porque é doentio sentir mais do que amor fraternal por ele, que além de ter sido criado comigo, como um dos meus irmãos caçulas, também é quase quatro anos mais novo que eu.
- Eu amo você, Lua. - inspiro com calma, meu coração acelerando dentro do peito e meus olhos perdendo o foco com o acúmulo das lágrimas neles. - Amo da forma que não deveria, mas eu amo porque isso tá acima do que eu consigo ou não controlar.
- Acho que tá na hora da gente ir embora. - eu o interrompo num sussurro, sua proximidade começando a me sufocar a partir do momento que sinto seus lábios roçando os meus enquanto ele falava. - Papai e... - pigarreio, deixando uma lágrima grossa deslizar por meu rosto ao reformular a frase que mais machuca ao ser dita: - Seus pais devem estar preocupados com a gente.
- Ahh, Lua...
Aperto meus olhos, soluçando ao deixar o choro sair livre ao finalmente ter forças para tirar suas mãos de mim e levantar do chão em que eu estava.
Meu corpo inteiro treme. Fraco, sujo por algo que contaminou muito mais do que as minhas roupas e a minha pele enquanto eu me forço a caminhar até o corpo estirado com as tripas para o lado de fora não muito distante de nós.
Ele fede e me faz sentir repulsa ao olhar pro seu rosto de pele avermelhada enfeitada por uma barba grisalha, que eu cuspo antes de me abaixar ouvindo Derick pedindo pra mim parar.
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