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Meu nome é Alícia, tenho dezoito anos e sou moradora da periferia de São Paulo. Preta, pobre e favelada, me esforcei muito a vida toda para não virar estatística: me envolver com tráfico de drogas, gravidez na adolescência ou virar mulher de bandido.
Meu pai Pedro é segurança patrimonial, a vida toda eu o vi sair pra trabalhar de uniforme, armado, em escala 12x36. Ele é negro último tom, é nordestino bronco, serviu o exército e não gosta de coisa errada. Criou minhas duas irmãs e eu para andarmos sempre na linha, estudar e não dar confiança pra bandido.
Minha mãe Noêmia é costureira, linda e vaidosa, quinze anos mais nova que meu pai, é uma safada. Pobre metida a rica, nunca respeitou o casamento e a palavra fidelidade não existe em seu vocabulário.
Me rejeitou a vida toda, e eu não sei porquê. Me tornou a gata borralheira de casa, vivi toda a minha infância e adolescência um conto de fadas às avessas.
E estudei, estudei muito, e evitei os sentimentos que brotavam em mim pelo meu melhor amigo, Fernando. Ele era um príncipe, lindo, educado, gentil, mas era um criminoso de colarinho branco, e eu me decidi por não ser mulher de bandido e não queria desviar do meu caminho!
E isso me custou tudo! Minha inocência em recusar a ajuda de Fernando, por ser dinheiro sujo, em acreditar que minha mãe iria me deixar sair de casa, estudando, plena e absoluta, me custaram tudo no momento em que minha mãe me vendeu para um homem 30 anos mais velho do que eu, com quem ela já tinha dormido e só quando tudo estava perdido pra mim, me entreguei a esse amor que não poderia dar sequência.
E quando conheci o noivo, fiquei dividida entre o CEO maduro e o bandido educado. Vivi uma vida inteira em 1 ano, e não foi do jeito mais agradável...
ESFORÇO
1994
Eu olhava pela janela do ônibus sem prestar mesmo atenção no que via. Sabia que era uma grande distância de onde eu morava até o centro da cidade, e pior ainda de onde estava voltando, no extremo oeste da capital de São Paulo. Eu moro no extremo leste e estava voltando da cidade universitária, e mesmo com a distância e dificuldade, me sentia com uma enorme sensação de dever cumprido, mesmo muito cansada.
Fui prestar o vestibular na USP, por insistência de minha professora de matemática, que me inscreveu e pagou a taxa de inscrição como um presente, dizendo que confiava no meu potencial. Eu não acreditava tanto assim, por isso nunca pensou em dispôr do valor da taxa. Tinha uma vida muito pobre, estava desempregada e meus pais jamais tirariam das despesas da casa, um valor relativamente alto para pagar a inscrição de uma universidade federal, onde eu disputaria 80 vagas para o segundo curso mais concorrido da USP.
Minha mãe Noêmia era costureira, jovem, linda, muito vaidosa. Sempre andava bem arrumada, ela mesma fazia as próprias unhas nos domingos que não fazia horas extras. Meu pai Pedro era segurança, nordestino bronco, ignorante por natureza, tinha muito ciúme de minha, que era 15 anos mais jovem que ele.
Eu tenho mais duas irmãs e um irmão. Matheo foi dado pra madrinha rica que foi viver na França com o marido quando era ainda um bebê. Ele é gêmeo de Mayara e os dois têm 20 anos. Vimos algumas fotos antigas dele, mas nunca tivemos contato. Eles são os brancos dos irmãos, e embora gêmeos, não se parecem muito. Talvez porque Matheo foi criado com dinheiro, saudável e Mayara, na dificuldade dos assalariados.
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