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O Canto da Redenção

O Canto da Redenção

A neve caía lá fora, mas o frio dentro do estúdio era ainda mais cortante, um frio que vinha dos ossos e congelava a alma. Eu sentia o gosto metálico de sangue na garganta, minha voz, antes um dom divino, agora apenas um sussurro rouco e dolorido, enquanto Pedro de Luca, o magnata da música, o homem que um dia curei, me forçava a cantar para um cadáver: o corpo congelado de Carolina. Ele gritava, seus olhos injetados de sangue, que eu a fizesse acordar, que a minha voz não era divina? Eu implorava para ele parar, que ela estava morta há um ano, que minha voz curava a alma, não ressuscitava os mortos. Mas Pedro rosnava que a culpa era minha, por tê-lo curado, por ter aceitado nosso casamento forçado, um pagamento que fizera Carolina cair no precipício. Eu cantei até minhas cordas vocais se romperem, até o sangue escorrer por meus lábios, manchando o vestido branco. Cantei até a escuridão tomar conta da minha visão, até meu último suspiro se perder no ar gelado, o arrependimento amargo sendo meu último pensamento. Então, tudo ficou silencioso. E de repente, eu abri os olhos novamente, na rica mansão de Luca, vendo Pedro jovem, quebrado pela depressão, e sua mãe me oferecendo uma fortuna para salvá-lo, como se a minha dor nunca tivesse existido. Eu conhecia aquele lugar, aquele dia. Mas desta vez, o medo se fora. A ingenuidade desaparecera, substituída por uma clareza cortante. "A inspiração do Sr. Pedro se foi", eu disse, olhando para o homem que me destruíra. "Ninguém pode trazê-la de volta." Minha voz, em vez de curar a alma dele, se tornou uma profecia gélida: "A melodia que ele tanto procura está no fundo de um precipício. Assim como a alma dele." Eu me recusei, mas ele era um monstro, e dessa vez, ele ia se destruir. Mal sabia eu que o passado não estava morto, apenas esperando sua chance de ressurgir.
Acordo Amargo: O Casamento de Sofia

Acordo Amargo: O Casamento de Sofia

Quando acordei, o cheiro a desinfetante e uma dor excruciante no tornozelo lembraram-me do acidente. O meu noivo, Pedro, estava ao lado da cama, aparentemente a cuidar de mim, mas o seu olhar era frio. "Acordaste?" a sua voz sem emoção cortava o ar. Em vez de preocupação, ele acusou-me de ser uma "grande deceção", de colocar a vida da minha mãe em risco e de adiar o nosso casamento, manchando a "reputação da sua família." Eu, que quase morri, era a culpada. A minha mãe, Clara, parecia estar a recuperar, mas a sua afeição por Pedro era inabalável, vendo-o como o genro perfeito. Dois dias depois, veio a notícia devastadora: o cancro da minha mãe regressara, mais agressivo. Foi aí que Pedro jogou a sua cartada final. "Eu pagarei pelo melhor tratamento, não importa o custo," disse ele, um sorriso triunfante nos lábios, enquanto a minha mãe se agarrava a ele como a um salvador. Eu estava encurralada. O meu sacrifício era a única esperança para a minha mãe. Eu vendera a minha alma para a salvar. "Eu caso contigo," disse, a minha voz vazia, "mas com uma condição." Ele sabia que tinha vencido. Perguntei-me: Como podia ele ser tão cruel? Como a minha própria mãe podia estar tão cega pelo seu "anjo"? Eu não tinha escolha, a não ser tornar-me a sua "esposa troféu" numa gaiola dourada. Mas, no dia do casamento, enquanto ele sussurrava "Agora és minha. Para sempre," algo quebrou dentro de mim. A raiva, fria e calculista, tomou conta. Eu casaria com ele, mas eu também encontraria uma forma de sair. E levaria a minha mãe comigo. A vida no luxo era uma prisão. Monitorizou os meus gastos, as minhas chamadas, as minhas saídas. Mas, em segredo, comecei a planear. Não, eu não pertencia a ninguém. E a minha vingança seria a liberdade.
Finalmente, Eu Escolho a Mim

Finalmente, Eu Escolho a Mim

No dia do nosso terceiro aniversário de casamento, eu e o Léo tínhamos uma reserva no nosso restaurante preferido. Cheguei lá, mas ele não estava. Em vez disso, encontrei a minha irmã mais nova, Sofia, com os olhos inchados e vermelhos. Confusa, perguntei: "Onde está o Léo?" Sofia, com a voz trémula, empurrou um relatório médico na minha direção. "Estou grávida. É do Léo. Nós… não queríamos que isto acontecesse." Senti o ar a faltar. Meu casamento de três anos desmoronou-se num segundo. O Léo ligou. "A Sofia já te contou? Sinto muito, Ana. Foi um erro. Mas ela está grávida. Não posso deixar o meu filho sem pai." Ele traiu-me com a minha própria irmã e pedia-me para ser "razoável". A minha mãe depois ligou, não para me consolar, mas para me culpar e defender a Sofia, a "sensível" que precisava de proteção. A sogra também entrou em cena, chamando-me de "fria" por não aceitar o "deslize" do Léo. Eles queriam que eu, a "forte", engolisse toda a dor e sacrifício. Eu era a mais forte? Pois bem, eu aguentava. "Mãe, não vou sacrificar a minha vida pela sensibilidade da Sofia. Desta vez, estou a pensar em mim." Assinei o divórcio, mesmo com o Léo a tentar arrastar o processo. Ele apareceu na porta do meu novo apartamento, a pedir para "resolver isto", a querer que eu criasse o filho da sua traição com a minha irmã. A audácia! "Tu e a Sofia fizeram as vossas escolhas. Agora têm de viver com elas. Ambos." Quando Léo, um homem que me traiu, mentiu e humilhou, apareceu à minha porta com um bebé nos braços, pedindo ajuda porque Sofia o tinha abandonado, ele esperava que eu fosse a "forte" mais uma vez. Era o filho dele. A responsabilidade dele. Finalmente, eu estava livre.