Sangue na Neve, Uma Vida Perdida

Sangue na Neve, Uma Vida Perdida

Chloe

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Capítulo

No nosso sexto aniversário, descobri que meu noivo, Caio, tinha dado o medalhão de herança da minha avó para sua colega "frágil", Carmen. Quando o confrontei, ele me deu um tapa no rosto. Depois, me arrastou para a neve, forçando-me a ficar de joelhos para pedir desculpas a Carmen por tê-la chateado. O estresse e a violência dele provocaram um aborto espontâneo. Eu estava perdendo nosso bebê bem ali, aos pés dele. Ele nem sequer notou o sangue manchando a neve. Estava ocupado demais consolando a mulher que escolheu em vez de mim e do nosso filho. Eu fui embora naquela noite e nunca mais olhei para trás. Três anos depois, após construir uma nova vida e uma confeitaria de sucesso, ele apareceu na minha porta, a sombra do que já foi, morrendo de câncer. Ele desabou, tossindo sangue aos meus pés, implorando por um perdão que eu não tinha mais para dar.

Capítulo 1

No nosso sexto aniversário, descobri que meu noivo, Caio, tinha dado o medalhão de herança da minha avó para sua colega "frágil", Carmen.

Quando o confrontei, ele me deu um tapa no rosto.

Depois, me arrastou para a neve, forçando-me a ficar de joelhos para pedir desculpas a Carmen por tê-la chateado. O estresse e a violência dele provocaram um aborto espontâneo. Eu estava perdendo nosso bebê bem ali, aos pés dele.

Ele nem sequer notou o sangue manchando a neve. Estava ocupado demais consolando a mulher que escolheu em vez de mim e do nosso filho.

Eu fui embora naquela noite e nunca mais olhei para trás.

Três anos depois, após construir uma nova vida e uma confeitaria de sucesso, ele apareceu na minha porta, a sombra do que já foi, morrendo de câncer.

Ele desabou, tossindo sangue aos meus pés, implorando por um perdão que eu não tinha mais para dar.

Capítulo 1

Minha vida perfeita se despedaçou no momento em que vi o medalhão antigo, aquele que Caio havia prometido que era para mim, pendurado no pescoço de Carmen Wells. Não era o medalhão em si, mas a forma como ele balançava, um segredo íntimo agora exposto abertamente, que rasgou seis anos da minha devoção como uma faca cega. Minhas mãos tremiam enquanto eu carregava a torta de maçã com canela, ainda morna, pela cobertura em Campos do Jordão. O cheiro de especiarias era uma zombaria cruel do jantar de aniversário que eu havia preparado com tanto esmero.

"Amor, cheguei!" A voz de Caio ecoou da sala, um calor familiar que de repente soou estranho. Meu coração, um soldado leal em seu exército por tanto tempo, começou uma retirada frenética.

Encontrei-o já ao telefone, de costas para mim. A postura casual de seus ombros era relaxada demais para um homem que acabara de esmagar meu mundo. O medalhão brilhou quando ele se virou ligeiramente, uma confirmação nauseante.

"Está tudo bem?" perguntei, minha voz fraca, quase irreconhecível. Coloquei a torta na mesa de jantar polida, o barulho soando alto demais no silêncio repentino.

Ele se virou. Seus olhos, geralmente tão afiados e confiantes, agora tinham um brilho que eu não conseguia identificar - culpa, talvez, ou irritação. "Sim, só um probleminha com a Carmen. Sabe como é, o ex dela de novo. Sempre causando problemas."

Meu estômago se contraiu. "Carmen?"

Ele assentiu, já distraído, batendo os dedos impacientemente no celular moderno. "É, ela está tendo uma noite difícil. Um drama no escritório também. Eu disse a ela que resolveria."

"Resolver o quê, exatamente?" As palavras pareciam lixa na minha garganta. Observei seu rosto, procurando por um sinal, qualquer sinal, de que aquilo era um mal-entendido.

Ele finalmente olhou para mim, olhou de verdade, e seu olhar pareceu deslizar por mim. "Só... o bônus de estabilidade dela. E algumas outras coisas. Ela é mãe solteira, Helena. Ela depende de mim."

"E quanto a mim, Caio?" O medalhão parecia pulsar com uma luz maligna. "E quanto a nós?"

Ele suspirou, um som pesado e impaciente. "Olha, podemos não ter essa conversa hoje à noite? Foi um dia longo. A Carmen precisa de mim. Ela é frágil."

"Frágil?" Minha voz falhou. "Aquele medalhão, Caio. Aquele medalhão era para ser meu. Você prometeu."

Seu rosto endureceu. "É só uma joia, Helena. Um símbolo. A Carmen precisava mais. Fez ela se sentir segura."

Minha respiração engasgou. "Segura? Você deu a herança da minha família. A que pertenceu à minha avó. A que você jurou que nunca perderia de vista."

Ele revirou os olhos. "É um lixo sentimental. Eu posso te comprar um melhor. Um de diamante de verdade. Quanto você quer? Diga o seu preço." Ele gesticulou com desdém, como se estivesse espantando uma mosca.

"Você não pode colocar um preço nisso, Caio! Você não pode colocar um preço em nós!" Minha voz estava subindo agora, crua e desesperada.

"Nós?" Ele zombou, seu rosto se contorcendo em um sorriso de escárnio que eu nunca tinha visto, uma máscara fria e dura que arrancou anos de risadas e sonhos compartilhados. "Não existe 'nós' quando você está agindo assim. A Carmen está chateada agora, e ela precisa de mim. Ela está esperando que eu vá até lá."

"Ir até lá?" Meu mundo girou. "Hoje à noite? No nosso aniversário?"

"Para de drama, Helena. Ela está vulnerável. Diferente de você." Ele puxou a carteira, um maço grosso de notas aparecendo como mágica. Ele as jogou sobre a mesa. "Pega. Vai comprar algo legal para você. E não me ligue. Preciso garantir que a Carmen esteja bem."

As notas voaram como confetes zombeteiros. Minha visão embaçou, o cômodo girando. "Você está me expulsando? Por ela?"

"Só por hoje à noite. Vai esfriar a cabeça. E peça desculpas à Carmen quando a vir da próxima vez. Você a deixou muito chateada." Suas palavras eram gelo, cravando adagas em meu coração.

Ele se virou, pegando o casaco, já indo em direção à porta. "Eu volto quando você tiver se acalmado. Ou quando a Carmen não precisar mais de mim."

A porta bateu, mergulhando a cobertura em um silêncio mais arrepiante do que qualquer grito poderia ter sido. O cheiro da torta, antes reconfortante, agora parecia uma mortalha. Uma dor súbita e aguda atravessou meu abdômen, e minhas pernas fraquejaram. Agarrei-me à mesa de jantar, a borda cravando em minhas costelas. O cômodo balançou. Olhei para baixo, e uma mancha escura e carmesim floresceu no branco imaculado do meu vestido, espalhando-se lenta e irrevogavelmente. Meus joelhos bateram no chão com um baque surdo, não pela queda, mas pela súbita e aterrorizante percepção do que estava acontecendo.

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