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O amor pode te salvar ou te destruir.
Mas ele pode ao mesmo tempo fazer os dois?
Capítulo 1
Perdendo-me
Quatorze anos antes.
- Olha pra mim! - ele gritou - eu sei que você tá me ouvindo... por
favor, não chora.
Eu estava chorando? Do jeito que ele falou parece que está
também. Não entendia o que estava acontecendo, minha cabeça
doía demais e tudo parecia girar, só queria que ele fizesse isso
parar. Desde que o conheci queria que fossemos amigos, nunca me
deixava sozinha, por que estava fazendo isso agora? Ele está indo
embora, eu sei. Sua voz parece cada vez mais longe.
Quero pedir para ele ficar, estou com tanto medo.
- Não importa onde eu vá ou onde você estiver... Você sempre será
a minha Luce. Nunca, nunca se esqueça disso! – fala triste.
- Por favor, diz que não vai esquecer... – pede tocando meu rosto. –
Eu sinto muito, muito mesmo. Não tive escolha, eu-eu...
Porque você não me ajuda, pensei. Estou assustada e quero ir
embora, você não consegue ver?
- ...você está me ouvindo? – chama – Luce!? Luce!
Meu nome foi a última coisa que ouvi antes de mergulhar para o
escuro.
Capítulo 2
Lar da decepção
Hoje.
Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiin! Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiin! Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiin!
Eu definitivamente odeio esse maldito barulho!
É o despertador do lugar onde eu moro, o "Nosso Lar da
Esperança", nome um tanto antagônico já que de lar e esperança
não tem nada. Estava mais para "comunidade onde jovens órfãos
dividem seus apartamentos (se é que dava para chamar esse
cubículo disso), convivem miseravelmente entre si e que,
ocasionalmente, evitam se matar". Só para constar o tamanho da
minha "sorte" meu dormitório fica no 15º andar, o último do prédio.
E não, o lar não tem elevador.
Levanto-me assustada como sempre.
Vivia neste "paraíso" já há um bom tempo. Vim para cá aos
dezesseis anos e ainda não me acostumei com esse barulho
insuportável do despertador, que está mais para sirene
desesperadora. Serve para acordar todos os órfãos mais velhos, ou
se você preferir, os veteranos do lar.
O que era muito ridículo já que quase acordava o Bronx todo.
Sinceramente não sei para que colocar esse negócio tão alto e por
que esse barulho? Sei lá, colocava uma música tipo Maroon 5 ou
Coldplay, assim eu acordava dançando ou feliz pelos menos.
Aceitaria até uma música do Justin Bieber, aquela Sorry até que é
boa. Mas não, acordava todos os dias assustada/irritada, odiando a
minha vida e querendo matar pessoas.
Ou só a Nina mesmo.
- Mas que droga, Emma. Cacete! Por que deixa essa merda toda
espalhada aqui? Tá querendo me matar?! – minha colega de quarto,
sempre me amando muito aos berros logo de manhã.
- Aí Nina, não dá pra ignorar a bagunça não? Essa é a minha parte!
Não tenho culpa se você caiu no meu lado do quarto. Além do mais
não é merda, são as minhas coisas. Agora para de gritar! - digo me
remexendo na cama, tentando dormir de novo.
- Que droga! Não sei como consegue, tá tudo junto jogado. Como
você encontra suas coisas, sua idiota? – nem preciso olhar para
saber que está me fulminando com os olhos.
- Arg! Encontrando. – Escondo-me debaixo do travesseiro, tentando
abafar os berros de Nina – Pelo amor de Deus. Vai logo tomar
banho antes que o lar todo acorde com essa sua voz de taquara,
não quero chegar atrasada hoje de novo. Só me avisa quando você
sair.
Nina é a garota irritante/insuportável que divide o dormitório comigo.
Tinha também a Andie e a Julia, mas elas já se mudaram. Sorte
delas. Quando as duas saíram (ou se libertaram) nós fizemos um
acordo para dividir o dormitório. Eu ficava com o lado direito, onde
estava a minha cama e a de Andie, e ela com o lado esquerdo, onde
ficava a cama da Julia e a sua. Óbvio que isso não deu certo porque
Nina não consegue agir como um ser humano normal.
Todo dia é a mesma coisa. Acordo cedo, às 05h00 da manhã por aí,
porque assim eu consigo tomar banho em paz e sem muitas filas.
No meu setor, o 15º andar, são seis dormitórios e cada um deles
tem quatro pessoas. Tirando o meu que só tem uma pessoa, já que
a Nina não pode ser um ser humano, é preciso ter sentimentos para
isso. Todos os dormitórios são compartilhados e ao cento temos
uma cozinha comunitária, dois banheiros (um feminino e um
masculino) e uma sala. Esse é o chamado "Nosso Lar da
Esperança", um centro de apoio aos jovens órfãos de Nova York. É
o nosso destino quando temos idade suficiente para sair do
orfanato, o que seria aproximadamente aos dezesseis anos.
Aqui não é moleza como lá no orfanato, temos nossos dormitórios e
no fim do mês pagamos pela estadia e pelos gastos do lar. Se não
pagar está na rua, já que não somos mais consideradas pobres
crianças órfãs e sim adultos independentes que podem se cuidar
muito bem sozinhos e que, só por acaso, são órfãos.
Enfim, voltando ao meu "maravilhoso e sensacional" dia-a-dia, eu
acordo cedo porque trabalho na Crawford Reaserch Enterprise, uma
multinacional que começou como banco, mas hoje em dia é uma
das maiores e mais completas empresas do mundo. Lá sou
secretária da ala comercial, o que não paga muito, mas dá para
arcar com as contas do lar, cuidador do meu irmão e sobreviver.
- Bom dia, minha Flooor! - grita Jason, tirando minhas cobertas -
Assim você não vai chegar cedo hoje, parece que todo mundo
decidiu tomar banho agora.
Esse é Jason, ou JayJay, meu amável não tão delicado irmão. Nos
conhecemos quando crianças, no primeiro orfanato em que
moramos. Não me lembro muitas coisas, tenho péssima memória
para falar a verdade e minha infância é quase um borrão, porém,
Jason ama se gabar com isso e vive dizendo que eu posso não me
lembrar, mas que desde o primeiro dia não larguei do seu pé e
assim nos tornamos inseparáveis.
Hoje ele é minha família.
- Meu Deus! – levanto assustada - Que horas são?! Acabei
dormindo de novo, droga. A Nina já saiu? Aquela vaca nem me
avisou que já tomou banho, eu disse que queria chegar cedo!
- Calma Flor, - se aproxima sentando todo folgado na minha cama -
eu te levo hoje. Voltei para casa com o carro da empresa e tenho
uma entrega lá do lado da Cruelford. – diz deitando-se – E fica
calma, você sempre tá atrasada mesmo. – ri. – Calma que ainda dá
tempo pra chegar hoje.
Isso porque não é ele que vai ter que aguentar de novo o sermão do
Senhor Maxon, dizendo como eu sou irresponsável e que não me
demite por saber que sou uma sofrida "garota esperança".
Além de viver pessimamente ainda era conhecida por esse apelido
ridículo de garota esperança. Isso significa de onde eu vim, como se
eu fosse uma pobre coitada com problemas que foi abandonada
pelos pais em um orfanato. Pelo menos dessa vez eu gostava da
piedade que recebia, assim continuava com meu emprego. A gente
usa o que tem, né?
- Ah, valeu Jason, só vou tomar banho rapidinho e já estou indo. Me
espere lá embaixo, ok? – corro pegando minha toalha.
- Claro, mas vai logo que a fila do banheiro já está imensa. –
Levanta e me dá um beijo na testa antes de sair.
Honestamente não sei como é que Jason consegue entrar no meu
dormitório. Tudo bem que a segurança daqui é horrível, nem trava
na porta tem direito, mas nunca escuto quando ele está entrando.
Quando vejo, ele já está do meu lado falando comigo ou está
roubando meu estoque de salgadinhos. O que me irrita é que ele
sempre pega os melhores ou come e os devolve como se não
estivessem abertos, aí quando eu vou comer o salgadinho está todo
fofo com gosto de nada.
Tomei um banho super-rápido e corri para ir me trocar. Coloquei um
conjuntinho social que ganhei de Jason no Natal e até que dessa
vez ele acertou, tudo bem que eu tenho quase certeza de que foi a
vendedora que escolheu para ele. Deve ter sido uma de suas
peguetes, nesta época acho que era a Sheila ou Keila vendedora de
uma boutique chic. Então está explicado. É um conjuntinho social da
cor azul marinho composto por uma saia, um tanto justa, e um
blazer que contornava perfeitamente minha cintura e ia até o início
do meu quadril. O tecido é diferente, muito macio e leve, ficou
perfeito em mim. O único problema era achar uma blusa que
combinasse com essa roupa.
Acabei roubando de volta uma blusa minha que Nina "jurava que
era dela". É uma blusinha branca bem simples com pequenos
pedaços de renda preta que enfeitam aparte do busto. Coloquei
minha lingerie com uma cinta-liga e meia 7/8. Ao contrário do que
muitos pensam cinta-liga não é só uma peça sensual, é muito
confortável além de serem práticas de se tirar. Elas também não
ficam curtas, como no meu caso que tenho 1.70 de altura, as meias
normais nem vão até o meu quadril. Está vendo, te deixar sexy é só
um bônus.
Depois que terminei de me trocar decidi que minha roupa pedia por
um salto então peguei meu peep toe bege que apertava um pouco
meu pé, que já era um número menor que o meu. Ganhei de
aniversário aos quatorze anos de Dona Marlee, ela era a
responsável pelo orfanato, a nossa "mãezona". Me lembro que na
época tinha pedido um livro, no entanto, ela disse que não era
possível porque na nossa cidade não tinha livrarias e os únicos
livros que tinham na nossa biblioteca eu já tinha lidos mil vezes.
Assim pedi um par de saltos que vi na caixa de doações.
- Dona Marlee, por favor, você me disse que me dava qualquer
coisa! - peço.
- Minha querida, tem certeza? – pergunta receosa, ela pensava de
seriamos crianças para sempre e pedir um salto era adulto demais,
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