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Eu sempre tive a impressão que a vida é mais que a gaiola dourada em que estou presa desde que tenho lembrança. Uma vida confortável, luxuosa, e sem maiores preocupações. Eu percebi que beleza e a posição que meu pai ocupa em nosso meio fazia de mim alguém que estaria rodeada de proteção, adulação e cuidados, e quanto mais o tempo passava eu entendia o porque.
Quando um homem como meu pai não tem filhos homens, se sente na obrigação de garantir que se algo de ruim acontecer com ele, e isso é um risco real, estaremos seguras. Dizem que as mulheres da máfia são elos frágeis, e que temos funções bem determinadas, quando nascemos, uma coisa é certa, em algum momento o homem da casa vai definir o destino de cada uma de nós.
Meu pai diz que a máfia é um legado, que nos acompanha até o fim de nossas vidas. E com raríssimas exceções, nosso papel fundamental é fortalecer nossas famílias através de um casamento. Meu pai, é o capo de Chicago, e eu sou Diana Cavalieri.
Todos nós passamos por um momento exato em que sentimos que a vida não será mais a mesma. E eu esperava que isso acontecesse, ansiosamente. E agora, enquanto observo a falsidade correndo solta em mais um encontro das digníssimas senhoras da máfia, vejo Paola Marchese se aproximando. A filha mais nova de um de nossos capitães, cujo a nova e jovem esposa – bem mais do que ele – fez sua missão arrumar um bom casamento para Fiorella, e a procura de oportunidades para levar a garota a todo jantar, evento e ocasião onde se possa encontrar um homem a procura de uma boa esposa italiana. E o esforço era compreensível, já que Fiorella não é exatamente uma beldade, e com tantas garotas do meio se aproximando da maioridade, as chances dela, já com vinte e três anos diminuíam.
Meu pai sempre acha graça desse tipo de atitude de algumas das senhoras, elas querem para as filhas alguém jovem, e do alto escalão, e as opções ficam reduzidas, e aí a maioria encontra mais um obstáculo. Homens do alto escalão miram filhas da máfia cujos pais são também são do alto escalão, ou seja, em Chicago, sou atualmente a mais cobiçada para alguma vantajosa união. Imagino que meu pai esteja considerando alguns nomes, mas em segredo, já tenho um escolhido. Escolhido de quase todas, claro, é um desses chamados e disputados príncipes da máfia. Ele assumiu o lugar do pai, que faleceu recentemente, e é de uma família rival, o que torna tudo mais emocionante.
Eu o conheço apenas por uma ou outra foto, não das redes sociais inexistentes dele, mas de sua prima, Valerie. Michael Villani está no topo do mundo, e com um pouco de paciência, confiando que meu pai fará o melhor para mim, serei sua esposa em breve.
Ouço seu nome em um grupinho de garotas a minha esquerda e antes de ir até lá observo minha concorrência. Não é como se eu não tenha certeza que não há comparação entre nós. Sou a mais bela de Chicago. Então, me aproximo ouvindo suas perguntas pueris à Sra. Perret, uma convidada recorrente à casa dos Marchese. Comenta-se que seguindo as instruções dessa senhora de sotaque francês que me parece legítimo, Paola conseguiu superar as candidatas a nova esposa do Sr. Marchese depois de anos de viuvez do mesmo. Dizem que ela pode prever o futuro, e as vezes de forma dramática e quase teatral, durante essas reuniões ela o faz.
Sinceramente, nunca me perguntei ou tive notícias de que ela acertou alguma de suas previsões, mas as garotas parecem empolgadas enquanto a ouvem, amontoadas em um confortável sofá, sob os olhares atentos de suas mães, do outro lado da sala, bebericando seus chás. Sentei-me no braço do sofá, ao lado de minha irmã mais jovem, Alessa, que encostou-se em mim como sempre costuma fazer quando estamos próximas. Alessa é uma garota doce e sonhadora, mas, ainda bem jovem para pensar em casamento. Ambas observamos a Sra. Perret, que parece estar fazendo algum tipo de ritual próprio para se comunicar com alguma força, divindade, entidade, que a ajude a fazer previsões. Interrompo um revirar de olhos quando lembro que minha mãe deve estar me observando, e logo a mulher abre seus olhos e começa a responder perguntas bobas.
Uma das garotas quer saber se conseguirá passar de ano no colégio. Outra, se seus pais a levarão para a Europa no verão. Ou se papai vai aumentar suas mesadas. Estou quase me levantando quando a Sra. Marchese se aproxima e sugere a vidente que fale sobre alguns cavalheiros, é claro, meu interesse volta imediatamente.
Algumas fotos são mostradas, e confesso que não conhecia nenhum desses senhores, todos muito bonitos, e ostentando posição de destaque no meio. Ela fala alguns nomes e faz previsões até chegar a foto de Michael Villani, tento não demonstrar meu interesse, mas não compreendo os gritinhos histéricos de algumas das garotas. Minhas queridas, é do meu futuro marido que vocês estão falando, se controlem, por gentileza!
Ela segura a foto de Michael, ergue a sobrancelha esquerda e um sorriso de canto aparece nos lábios cobertos de batom vermelho:
– Vamos ver – diz a vidente, que faz uma pausa e bebe um pouco de seu chá – bonito, temperamental, tudo que esse homem quer ele consegue.
– Homem perfeito! – suspira uma delas – diga, Sra. Perret, por favor, alguma de nós tem chance com o Sr. Villani?
Ela respirou profundamente, daquele jeito teatral, mais me pareceu, mesmo que apenas por alguns segundos, que ela estava mesmo se conectando com algo incompreensível, em seguida ela respondeu?
– Definitivamente, o casamento do Sr. Villani está próximo, e será definido em Chicago.
Houve uma onda de comentários, todas, mães e filhas, muito curiosas para saber qual seriam as chances das mais jovens, mas isso não realmente não me interessa, eu sou sem dúvida a melhor escolha, nenhuma delas seria levada em consideração, podemos dizer que se trata de uma questão de hierarquia. Durante longos minutos a Sra. Perret foi o centro das atenções, mas em seguida, as conversas voltaram aos grupos e as conversas em tons mais amenos.
Eu percebo enquanto a Sra. Perret saiu do cômodo, e até acho que ela está indo embora, mas sou pega de surpresa quando vou a uma das sacadas. Lá está ela, fumando seu cigarro, pensativa e silenciosa. Minha primeira reação é me desculpar por perturbá-la e me retirar em seguida, mas sou impedida quando sua mão suave me segura pelo braço inesperadamente.
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