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Olivia
Quando se tornou tão difícil respirar?
Meu corpo pesado e imóvel deitado na cama já não me obedecia mais. Salvo alguns espasmos nos dedos das mãos, eu já não conseguia me mover mais. Sabia que a minha hora estava se aproximando, não vai demorar muito agora, eu posso sentir. Já faz um tempo que eu me resignei, já aceitei que vou morrer logo, e que não há nada que eu possa fazer para mudar isso. Eu vivi uma vida quieta, sem muito alarde. Eu nunca fui uma pessoa popular, sempre fui tímida e geralmente as pessoas não gostavam de mim porque eu não conseguia socializar. Era uma sensação aterradora, mas, minha cabeça simplesmente ficava vazia quando eu chegava perto de pessoas desconhecidas, eu não sabia o que dizer e essa dificuldade em me comunicar com outras pessoas, é um reflexo dos meus anos de escola, quando eu não tinha nenhum amigo além da minha melhor amiga e dama de companhia, Sarah, filha da minha babá e com quem eu cresci e a única amiga que conheci em toda a minha vida, ela esteve presente nos meus dias desde que eu consigo me lembrar e sempre cuidou de mim e me consolou quando eu lamentava minha incapacidade de conversar com outras pessoas. Me sinto muito agradecida por isso, foi ela que me ajudou todos esses anos, e também foi por meio dela que conheci o meu marido, Robert. Lembro desse dia com saudade, nós estávamos indo para um bar escondidas para o meu aniversário de vinte e um anos, era apenas nós duas, talvez o correto seja dizer que ela quase me arrastou com ela depois de muita insistência. Minha incapacidade de socializar adequadamente sempre me deixava com receio de sair, por isso eu evitava qualquer coisa desse tipo e passava meu tempo em casa. Mas, aquela noite foi diferente, eu resolvi dar uma chance para essa escapada e vesti uma roupa escolhida por Sarah, fiz o meu clássico coque bagunçado, coloquei os meus óculos, e com um vestido que eu julguei ser ridículo, mas não tive coragem de expressar meus pensamentos, fui até o tal bar com ela. Sinceramente, eu não gostei daquele lugar, a atmosfera era muito opressiva e barulhenta, as pessoas falavam alto sem se importar com nada, havia pessoas suspeitas por toda parte e eu estava muito desconfortável ali, mas fiz o meu melhor para não deixar transparecer o quanto eu queria correr para fora dali imediatamente, eu não queria ferir os sentimentos de Sarah, afinal, ela teve a melhor das intenções ao me trazer para comemorar meu aniversário. Sentei em uma mesa e aguardei enquanto Sarah pegava uma bebida no bar. Dei uma olhada rápida ao redor e percebi que as pessoas olhavam para Sarah interessadas, eu entendo elas, afinal, Sarah sempre foi muito bonita e cheia de carisma, ao contrário de mim, que sempre fui sem graça e estranha. Foi graças a Sarah que meus anos no colégio não foram de todo sufocantes, ela sempre foi minha única amiga. Começamos a beber e depois de um tempo eu até fiquei mais animada e um pouco solta, era a primeira vez que eu bebia e estava achando a experiência interessante, dois caras sentaram conosco em algum momento e eu não sei o que aconteceu, o fato é que saímos de lá acompanhadas e eu tive e minha primeira transa com um cara desconhecido, na manhã seguinte acordei em pânico quando percebi o que tinha feito e corri para fora do apartamento dele, eu nem sequer lembrava seu nome e me recriminei por isso por um bom tempo e prometi nunca mais beber novamente. Para minha surpresa, o cara me ligou no dia seguinte e afirmou que queria me conhecer melhor e me chamou para ir em um encontro, eu não esperava esse desenrolar e foi totalmente surreal descobrir que ele estava interessado em mim, descobri que seu nome era Robert Gage, um homem perfeito e maravilhoso, começamos a namorar e nos casamos um ano depois. Ele foi um bom marido e não me abandonou quando eu fiquei doente, ao contrário, ele tomou a frente da empresa que herdei da minha família e cuidou de tudo para que eu não ficasse sobrecarregada, ao lado de Sarah, cuidou de mim e esteve comigo até agora, por esse motivo, como nunca pude conceber um herdeiro, deixei em meu testamento que os dois são os únicos herdeiros de todos os meus bens, são as pessoas que mais amo e quero usar o meu dinheiro e cuidar deles até o fim.
Eu gostaria de abrir meus olhos mais uma vez, fazer um pequeno esforço e conseguir ao menos um último olhar antes de morrer.
Continuei consciente de tudo e esperando o momento chegar, ouvi um barulho no quarto e senti alguém pegar na minha mão.
- Eu soube que você vai partir logo, eu vim me despedir de você. - uma voz suave fala.
Eu conheço essa voz suave, não importa onde esteja, Sarah veio me ver. Se eu pudesse sorrir, eu faria isso para que ela soubesse que estou ouvindo.
Ouço também uma voz masculina e identifiquei como a voz de Robert, então ele também veio. Fico feliz em saber que não vou estar sozinha no meu último suspiro.
Sons estranhos se seguem e se eu pudesse estaria franzindo o cenho.
Que diabos eles estão fazendo?
Tentei ao máximo abrir meus olhos e com minhas últimas forças, consegui abrir uma brecha mínima, apenas o suficiente para conseguir ver os dois se agarrando na minha frente em um beijo apaixonado. Por um momento eu pensei que estava vendo coisas, que minha enfermidade estava me pregando peças, mas não, eu estava vendo direito e foi como uma facada no meu coração, já estava exausta e preferia não ter visto aquilo. Infelizmente, tive que aguentar ouvir os seguidos sons de beijo e até um gemido e risadinhas enquanto eu estava morrendo.
Foi terrível.
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