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O Sorriso Que Escondia Veneno

O Sorriso Que Escondia Veneno

A fazenda estava em festa. Todos celebravam minha aprovação na universidade federal. Um feito inédito para uma menina da roça como eu. Mas para mim, Ana Paula, a quietude dentro do peito contrastava com a alegria ao redor. Porque esta celebração não era uma comemoração. Era um funeral. Meu avô, Zé Pedro, com seu sorriso largo, se aproximou com a cachaça na mão. O senhor Joaquim Silva, o patriarca vizinho, ao lado. "Parabéns, Ana Paula. Sabia que você era uma menina esperta." A voz dele era como o raspar de lixa na minha pele. Minha mão não tremia ao servir os copos de cachaça especial. Aquela que preparei. Com veneno, claro. Enchi o copo de cada um que se beneficiou do meu sofrimento. Cada cúmplice que fechou os olhos para o inferno que eu vivi na minha própria casa. O caos começou lentamente. Corpos se contorcendo no chão. Gritos substituíram risadas. Eu observei. Não senti nada, apenas um vazio gelado. Peguei o querosene que escondi antes. Derramei sobre o chão, cortinas e móveis. Ninguém me impediu. Estavam ocupados demais morrendo. Um fósforo riscado. O fogo subirá com um rugido voraz. Vinte e nove. Trinta e dois. Na sala de interrogatório, o delegado Ricardo Santos batia na mesa. "Trinta e duas pessoas! Queimadas vivas! E você nem sequer derramou uma lágrima!" Eu sorri, os lábios chamuscados. "Ele mereceu mais do que todos." Minha calma o desestabilizava. Ele queria remorso. Eu era só uma paz terrível e resoluta. "Eu quero ver meus pais." A menina que ele descreveu havia morrido há muito tempo, naquela fazenda. No lugar dela, nasce um monstro. E naquela noite, o monstro finalmente se libertou.
O Preço do Desprezo: Um Amor Proibido

O Preço do Desprezo: Um Amor Proibido

A picape velha sacudia, levantando poeira vermelha. Maria, ou melhor, Chica, contava dez anos longe do asfalto da capital. Dez anos desde que seu pai a mandou para a fazenda, aos oito. A lembrança era um corte: ela, chutando sem querer a bola na sala de troféus. Quebrando a taça de ouro de hipismo de Pedro, seu irmão. O choro estridente dele, a fúria do pai. "Vai aprender responsabilidade longe daqui", disse ele. Foram as últimas palavras dele por uma década. Naquele dia, ela estava de volta. A festa de 18 anos de Pedro. O casarão imponente e o cheiro de perfume caro a sufocavam. Mestre Zé, seu protetor e mentor, segurou sua mão antes de ela descer. Ele colocou um amuleto de couro em sua palma. "Se a dúvida apertar, abra. Mas só nesse momento." Ela guardou a peça, vestindo seu simples vestido. Assim que entrou, os olhares perfuraram-na. Pedro a viu, e seu sorriso morreu. "Olha só quem apareceu! A caipira!", ele zombou. Seus amigos riram, medindo-a com desdém. A humilhação era pública, mas Mestre Zé a ensinou a não ceder. Pedro se aproximou, o hálito marcado pelo álcool. "Você não pertence a este lugar, Maria. Volta pro seu buraco." As palavras feriam, mas ela não abaixaria a cabeça. Com os olhos de todos sobre ela, ela pegou o amuleto. Dentro, um papel dobrado. Ela abriu, os dedos tremendo. Quatro palavras na caligrafia de Mestre Zé: "Manda ver, garota!" Um sorriso brotou em seus lábios. A dúvida sumiu. Ela era uma Filha do Axé, e Filhas do Axé não se curvam.
Promessa Aos 22, Sonho Esmagado

Promessa Aos 22, Sonho Esmagado

Meu mundo girava em torno de Jax Harding, o amigo roqueiro e cativante do meu irmão mais velho. Desde os dezasseis anos, eu o adorava; aos dezoito, agarrei-me à sua promessa casual: "Quando tiveres 22 anos, talvez eu assente." Aquele comentário casual tornou-se o farol da minha vida, guiando cada escolha, planeando meticulosamente o meu vigésimo segundo aniversário como o nosso destino. Mas naquele dia crucial, num bar do Lower East Side, agarrando o meu presente, o meu sonho explodiu. Ouvi a voz fria de Jax: "Não acredito que a Savvy vai aparecer. Ela ainda está presa àquela besteira que eu disse." Depois, o plano esmagador: "Vamos dizer à Savvy que estou noivo da Chloe, talvez até dar a entender que ela está grávida. Isso deve assustá-la." O meu presente, o meu futuro, escorregou dos meus dedos dormentes. Fugi para a chuva fria de Nova Iorque, devastada pela traição. Mais tarde, Jax apresentou Chloe como sua "noiva", enquanto os seus colegas de banda zombavam da minha "paixão adorável" - ele não fez nada. Quando uma instalação de arte caiu, ele salvou Chloe, abandonando-me a um ferimento grave. No hospital, ele veio para "controlo de danos", depois, chocantemente, empurrou-me para uma fonte, deixando-me a sangrar, chamando-me de "psicopata ciumenta". Como pôde o homem que eu amava, que uma vez me salvou, tornar-se tão cruel e humilhar-me publicamente? Por que a minha devoção foi vista como um incómodo a ser brutalmente extinto com mentiras e agressão? Eu era apenas um problema, a minha lealdade recebida com ódio? Eu não seria a sua vítima. Ferida e traída, fiz um voto inabalável: para mim, chegava. Bloqueei o número dele e de todos os ligados a ele, cortando laços. Isto não era uma fuga; era o meu renascimento. Florença esperava, uma nova vida nos meus termos, livre de promessas quebradas.