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Meu Salário, Sua Humilhação

Meu Salário, Sua Humilhação

Por oito anos, minha vida se resumiu à agência Dança de Fogo. Oito anos de dedicação, noites sem dormir, salvando projetos e a pele da empresa, tudo por um salário congelado de meros três mil reais, mal o suficiente para sobreviver em São Paulo. A humilhação diária, as risadas zombeteiras de minha chefe, Juliana Costa, e os olhares de pena dos colegas eram meu pão de cada dia. "`Miguel, na minha sala. Agora`", a voz dela ainda ecoa, fria como sempre. Eu ouvia seus insultos, as palavras de que eu não tinha ambição, de que eu era um designer medíocre, e sentia o sangue subir. Mas nada me preparou para o que viria: um contrato de trabalho esquecido em sua mesa. O nome era Pedro Almeida. Cargo: Estagiário de Design. E o salário? Trinta mil reais. DEZ vezes o meu. Trinta mil reais para um estagiário! Meu ar sumiu, minha dignidade foi pisoteada. Quando Juliana me flagrou, sua máscara caiu. "`O dinheiro é meu, a empresa é minha. Eu decido quem vale o quê`". Ela me chamou de "ferramenta" e jogou uma pasta em mim, me rebaixando para uma mesa ao lado do banheiro, um lixo. Eu estava destruído, mas não sabia que o pior ainda estava por vir. Eles me transformaram em bode expiatório, cortaram meu salário pela metade e me tiraram do projeto mais importante da agência, jogando-o nas mãos de Pedro, que claro, arruinou tudo. A Dança de Fogo estava à beira do colapso e, mais uma vez, ela veio rastejando. Eu salvei a agência, de novo. Mas em vez de gratidão, recebi mais desprezo: "`Você quis se fazer de herói`". Naquele instante, algo dentro de mim se quebrou, e eu declarei: "`Juliana, eu me demito`". E em meio às suas gargalhadas zombeteiras, eu pensei: "o jogo virou".
Renascida da Neve: A Vingança de Lara

Renascida da Neve: A Vingança de Lara

O chão de pedra gelada e a água fria eram a minha realidade. Despertei com os gritos e o desprezo do meu próprio filho, Tiago. "Acorda, preguiçosa! A avó disse para ires buscar água ao poço." A voz da Dona Amélia vinha da cozinha, carregada do habitual desprezo. "Este dinheiro mal chega para a comida do Tiago. Tu comes demasiado. Uma boca inútil que só sabe gastar." Um tapa ardeu na minha cara, mas o fogo da raiva dentro de mim ardeu muito mais. Eu tinha renascido. Voltei para este corpo, neste mesmo passado de sofrimento, onde morri de hipotermia na neve, expulsa de casa. Descobri a verdade na minha vida passada: o meu marido, Diogo, o "herói" fuzileiro, não estava morto. Ele vivia uma vida de luxo em Lisboa, com a sua prima, Sofia. Beijavam-se apaixonadamente e planeavam casar. Para piorar, Sofia, que se fazia de frágil, tinha roubado a minha identidade e as minhas notas de secundário para entrar na universidade, construindo uma carreira sobre a minha ruína. Quando os confrontei, Diogo e a sua mãe, Dona Amélia, lançaram-me para o chão gelado na neve, abandonando-me para morrer. O ódio daquela noite, onde descobri a traição e o roubo da minha vida, foi tão profundo que me trouxe de volta. Agora, de volta ao presente, com o meu filho a atirar-me pão duro, a vingança seria minha. Este não era o começo de uma vida nova, era a continuação de uma guerra que eu ia, finalmente, vencer.
Nem Uma Palavra Sobre Mim

Nem Uma Palavra Sobre Mim

Quando acordei, a primeira coisa que vi foi o teto branco do hospital. O braço direito enfaixado e a cabeça a latejar, um cheiro forte a desinfetante no ar. A minha mãe dormia numa cadeira ao meu lado, mas Pedro, o meu marido, não estava lá. Peguei no telemóvel e vi dezenas de chamadas dele. E uma mensagem que me encheu de um nojo gélido: "Inês, onde estás? A Cláudia não para de chorar. O veterinário disse que o Miau pode não sobreviver à noite. Preciso de ficar aqui para a apoiar. Liga-me quando vires isto." Nem uma única palavra sobre mim. Decidi ligar-lhe. A voz ansiosa do Pedro, sem preocupação genuína, soou: "Finalmente! Onde te meteste? Estou aqui no veterinário, a Cláudia está..." "Pedro", interrompi, a minha voz assustadoramente calma. "Eu tive um acidente de carro." Houve um silêncio. Depois, o suspiro de irritação dele. "Um acidente? Estás bem? O carro ficou muito danificado? Sabes o quão caro é o seguro." Mesmo depois de dizer que estava no hospital, a voz chorosa da minha "melhor amiga", Cláudia, apareceu ao fundo. "Pedro, o veterinário quer falar connosco... Oh, desculpa, estás ao telefone? Inês? Desculpa, a culpa é toda minha. O Pedro está aqui a consolar-me. Ele tem sido um anjo." Um anjo. O meu marido, um anjo para ela, enquanto eu quase morria. Foi então que a decisão se solidificou. "Pedro", disse eu, a minha voz agora firme. "Vamos divorciar-nos." Ele explodiu. "Divórcio? Estás a ser egoísta, Inês! Um pequeno acidente e já queres acabar com tudo?" Um pequeno acidente. Não aguentei mais. Estava farta. Ele podia ter ficado com a Cláudia e o gato. Eu queria a minha vida de volta. Mas a luta estava apenas a começar.